Aba Pai - Nosso Aba

Aba Pai

Nosso Aba
Dentre todos os seus nomes, o favorito de Deus é Pai: Sabemos que Ele ama este nome, porque é o que Ele mais usa. Enquanto esteve na Terra, Jesus chamou Deus de Pai mais de duzentas vezes. Em suas primeiras palavras registradas, Jesus elucidou: "Não sabíeis que me cumpria estar na casa de meu Pai?" (Lc 2.49, ARA). Em sua última e triunfante oração, Ele proclamou: "Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito" (Lc 23.46). Só no Evangelho de João, o Senhor Jesus repetiu este nome 156 vezes. Deus gosta de ser chamado de Pai. Além do que, Jesus não nos ensinou a começar nossa oração com a frase "Aba nosso"?
 É difícil para nós entendermos o quanto foi revolucionário haver Jesus chamado Jeová de Aba. O que hoje é uma prática habitual, nos dias de Jesus era algo incomum. Joachim Jeremias, erudito no Novo Testamento, descreve quão raramente o termo era usado:
 “Com a ajuda de meus assistentes, examinei a literatura devocional do antigo judaísmo... O resultado desses exames foi que, em lugar algum dessa vasta literatura, foi achada a invocação de Deus como "Aba Pai". Aba era uma palavra comum; uma palavra familiar e corriqueira. Nenhum judeu teria ousado tratar Deus dessa maneira. Não obstante, Jesus o fez em todas as suas orações a nós legadas, com uma única exceção: o brado da cruz — ‘Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?’ Na oração do Senhor, Jesus autorizou os discípulos a repetirem a palavra Aba depois dEle, dando-lhes o direito de partilharem sua condição de Filho. Autorizou-os a falar com o seu Pai celeste de um modo mais confiante e familiar.”
 As duas primeiras palavras da oração do Senhor são plenas de significado: "Pai nosso" lembra-nos que somos bem-vindos à Casa de Deus porque fomos adotados pelo dono. – Max Lucado, "A Grande Casa de Deus" – Rio de Janeiro: CPAD, 2001, pp. 12-13.


Somos filhos carentes de um Pai
Enquanto eu escrevia este livro, minha filha Jenna e eu passamos vários dias na velha cidade de Jerusalém. (Eu prometera levar cada uma de minhas filhas a Jerusalém, quando completassem doze anos.) Uma tarde, quando saíamos pelo portão Jafa, vimo-nos atrás de uma família de judeus ortodoxos — um pai e suas três filhinhas. Uma das garotas, talvez com quatro ou cinco anos, ficou alguns passos atrás, e não pôde enxergar o pai. "Aba!", chamou ela. Ele parou e olhou. Só então compreendeu que se afastara de sua filha. "Aba!" chamou ela, novamente. Ele a localizou, e imediatamente estendeu-lhe a mão. Ela a segurou, e eu, mentalmente, tomei nota enquanto eles prosseguiam. Eu queria ver as ações de um aba.
 Ele segurou firmemente a mão da filha, enquanto desciam a rampa. Quando ele parou numa rua movimentada, ela caminhou pelo meio-fio, e ele a puxou de volta. Quando o semáforo abriu, ele guiou-a juntamente com suas irmãs através do cruzamento. No meio da rua, ele abaixou-se, tomou-a nos braços, e continuou a jornada.
 Não é disso que todos precisamos? Um aba que ouve quando chamamos? Que segura nossa mão, quando estamos fracos? Que nos guia através dos cruzamentos agitados da vida? Não carecemos todos de um aba que nos tome nos braços, e nos carregue para casa? Todos precisamos de um pai. – Max Lucado "A Grande Casa de Deus" – Rio de Janeiro: CPAD, 2001, p. 122.


A singularidade do uso de ‘Abba’ para Deus
Em nenhum lugar, em toda a imensa riqueza da literatura devocional produzida pelo judaísmo antigo, achamos ‘abba’ empregado como modo de se dirigir a Deus. O judeu piedoso sabia demais acerca do grande abismo entre Deus e o homem (Ec 5:1) para se sentir livre para se dirigir a Deus com a palavra familiar que se emprega na vida de todos os dias. Na literatura do judaísmo rabínico, achamos um só exemplo de ‘abba’ empregado numa referência a Deus. Ocorre numa história registrada no Talmude babilônico (Taanith 23b): “Quando o mundo tinha necessidade de chuva, nossos mestres mandavam as crianças da escola ao Rabi Chanin Hanechba [fim do século I a.C.] e pegavam na orla do seu manto e clamavam a ele: `Pai querido (‘abba’), pai querido (‘abba’), dá-nos chuva'. Disse diante de Deus: `Soberano do mundo, faz isto por amor daqueles que não podem distinguir entre um 'abba' que pode dar chuva e um 'abba' que não pode dar chuva alguma"' (cf. SB I 375, 520). Certamente seria exagerado e impróprio se concluíssemos deste texto que, no judaísmo antigo, Deus era descrito como sendo ‘abba’, e tratado assim. O Rabino Chanin aqui meramente retoma o clamor de ‘abba’ a fim de apelar à misericórdia paternal de Deus; ele mesmo, do outro lado, emprega a invocação respeitosa “Soberano do mundo”. – O. Hofius, artigo “Pai” em Brown, Colin, O Novo Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento, São Paulo: Edições Vida Nova, 1978, tradução Gordon Chown, Vol. 3, pp. 382-3.
  

Jesus e o uso do ‘Abba’
... Podemos ver de tudo isso porque Deus não é tratado por Abba em orações judaicas: para a mente Judaica teria sido falta de respeito e portanto inconcebível se dirigir a Deus com este termo familiar. Para Jesus se aventurar a tomar esse passo era algo novo e sem precedentes. Ele falou a Deus como uma criança para seu pai, de forma simples, interna, com confiança, o uso de Jesus de abba em se dirigir a Deus revela o coração de seu relacionamento com Deus.
 ... Com o simples ‘Abba, pai’ a igreja primitiva adotou o elemento central da fé de Jesus em Deus. Paulo explicou o que o termo significou para o Cristianismo nascente nas Epístolas aos Romanos e Gálatas, de forma sucinta, porém clara; as palavras são diferentes, porém o seu conteúdo é o mesmo. ‘E, porque vós sois filhos, enviou Deus ao nosso coração o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai!’ (Gal. 4:6). ‘... mas recebestes o espírito de adoção, baseados no qual clamamos: Aba, Pai.  O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus.’ (Rom. 8:16b-16). Ambas as referencias demonstram como a exclamação de ‘Abba’ vai além de toda a capacidade humana, e é somente possível dentro do novo relacionamento com Deus dado pelo Filho. – Joachim Jeremias “The Prayers of Jesus” (As Orações de Jesus) Philadelphia: Fortress Press, 1989, pp. 62, 65.


 Confiando no pai
Alguns meses atrás nossa família foi para uma piscina. Eu estava no fundo da piscina e minha filha de quatro anos, Savana, veio descendo até a parte rasa da piscina. Ela não sabia nadar, mas, ela usava bóias nos braços.
 Savana desceu para a piscina e assim que entrou na água ela disse “Pai, estou com medo. Quero ir até onde você está”.
Eu achei engraçado a ingenuidade dela e disse “Savana, é muito mais fundo aqui onde eu estou”.
Ela disse, “Não me importo. Eu quero ir até onde você está”.
“Tudo bem, venha,” eu disse.
Ela começou a nadar estilo “cachorrinho”, atravessando a piscina, um metro, dois metros, três metros, até quatro metros de profundidade. Quando ela chegou perto, ela se agarrou ao meu pescoço, e o olhar dela de pânico se transformou em alívio. Ao lado do pai dela ela sentiu-se segura, e fez pouca diferença para ela quão profundas ou perigosas as águas ao nosso redor.

Assine Agora.

Receba Estudos Biblicos diariamente no seu E-mail.