CRISTO, A SOMA DE TODAS AS COISAS ESPIRITUAIS.

“Eu sou o caminho e a verdade a vida”, disse o Senhor Jesus. Isto claramente nos
informa que o caminho que Deus deu é Cristo, a verdade que Deus deu é Cristo, e a vida que
Deus deu é da mesma forma Cristo. Cristo é o nosso caminho, Cristo é a nossa verdade, Cristo
é a nossa vida. É através de Cristo que vamos ao Pai. No coração de Deus, aquele que está
associado a Ele é Cristo, o qual é também Seu Filho. O que Ele nos dá é a pessoa de Cristo;
Ele não nos dá muitas coisas fora de Cristo.
Muitas vezes na área espiritual, vemos e tocamos uma coisa que é meramente um termo
ou uma letra, vazia de qualquer utilidade espiritual para nós. Como precisamos pedir a Deus
que abra os nossos olhos para que conheçamos Seu Filho. A característica do Cristianismo
está no fato de que sua fonte, profundidade, e riquezas estão envolvidas com o conhecimento
do Filho de Deus. Não importa o quanto sabemos sobre métodos ou doutrinas ou poder. O que
realmente importa é o conhecimento do Filho de Deus. Conhecer que o Filho de Deus é o
caminho, conhecer que o Filho de Deus é a verdade, conhecer que o Filho de Deus é a vida.
Nosso poder vem de conhecer Seu Filho. Tudo o que Deus nos dá é Seu Filho, não uma
porção de coisas. Por esta razão toda a questão está no conhecimento do Filho de Deus.
Cristo É o Caminho
A palavra de Jesus é, “Eu sou o caminho”. Este caminho pode também significar o
método. O que Ele tenta nos informar é que Ele é o caminho pelo qual vamos a Deus. Tendo
Ele, temos o caminho; e possuindo Ele, possuímos o método. Todo verdadeiro crente precisa
aprender esta lição pela menos uma vez - a qual é: o Senhor Jesus é o caminho, o Senhor
Jesus é o método. Se você foi salvo, você tem pelo menos esta experiência de confiar no
Senhor Jesus como seu caminho para Deus. Pois Ele é o caminho, sem o qual ninguém pode ir
a Deus. Todo o cristão verdadeiramente salvo sabe como andar messe caminho. Agradeço a
Deus, incontável quantidade de verdadeiros crentes aprenderam pelo menos esta lição, a qual
é, vir a Deus por Jesus de Nazaré, o Filho de Deus. Viajamos por este caminho pelo menos
uma vez. Este caminho não é outro senão a pessoa de Cristo. Não é nenhum outro método
fora Dele. Precisamos ver que o Senhor Jesus, e nenhum outro método, é o único caminho
pelo qual vamos a Deus imediatamente no momento da salvação e em qualquer outro
momento subsequente.
Alguns cristãos estão procurando por alguns métodos espirituais. Certa vez depois de ter
entregue uma mensagem concernente à vitória através de Cristo e não através de nós
mesmos, um irmão pegou a mão do irmão que pregou e disse, “Por muitos anos eu tenho sido
persistentemente derrotado, mas hoje tudo esta bem”. Então o irmão pregador perguntou,
“Como pode ser isto?”. Para o que ele respondeu, “Porque eu acho que agora consegui um
caminho para a vitória. Agradeço ao Senhor por hoje ter encontrado um método! A vitória
através do Senhor, não por mim mesmo”. Mas o irmão pregador disse-lhe francamente em
resposta, “se tudo o que você encontrou é o caminho da vitória, então você será derrotado
outra vez”. Porque ele disse isto? Porque o Senhor Jesus Cristo nos disse, “Eu sou o
caminho”. Em outras palavras, só Ele é o caminho, o método. O caminho não está fora Dele,
pois Ele mesmo é o caminho. Se tudo o que conseguimos é meramente um método, cedo
descobriremos sua ineficiência. Deus não nos deu um método; Ele nos deu Seu próprio Filho.
Freqüentemente escutamos a experiência de outros e sentimos sua preciosidade, mas
vemos apenas um método que uma outra pessoa tenha tocado ao invés de ver o Senhor.
Como resultado, sofremos derrotas após derrotas. A principal razão é porque não conhecemos
o Senhor como o caminho.
Procuremos entender que crer na pessoa do Senhor, e crer em uma formula, são duas
propostas realmente diferentes. Pela graça de Deus, o cristão tem seus olhos abertos para ver
que tipo de pessoa é; por esta razão põe a si mesmo de lado e crê no Senhor, confiando nEle
para fazer em seu interior o que ele mesmo não pode fazer. Como conseqüência, ele obtêm
liberdade e está plenamente satisfeito diante de Deus. Mais tarde, entretanto, outro crente vem
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através dele. Depois de ouvir o testemunho da primeira pessoa, este também pede a Deus
para iluminá-lo para que possa conhecer que é um homem inútil. Este também aprende a crer
em Deus e humildemente abandonar a si mesmo. Ainda assim estranhamente percebe que
não recebeu a libertação como na experiência da outra pessoa. Qual é a explicação para isto?
É porque o primeiro irmão tem fé viva que o habilita a tocar o Senhor tanto quanto crer em
Deus, enquanto que o segundo irmão não tem fé mas somente uma “fórmula de fé copiada”; e
portanto não encontrou Deus. Resumindo, o que este segundo irmão tem é um método, não o
Senhor. Um método não tem poder nem eficácia; por não ser Cristo, é simplesmente uma coisa
morta.
Todas as coisas espirituais fora de Cristo são mortas. Vamos guardar bem isto. Alguns
irmão e irmãs estão intimamente questionando: “Como é estranho que outra pessoa que crê
em Deus tem suas orações respondidas, enquanto que eu também creio e ainda não sou
ouvida. Porque Deus é gracioso para ele e não para mim?” Eles dão a impressão de culpar
Deus de parcialidade, não compreendendo que o que eles crêem é nada mais que uma coisa,
e portanto morta. Nem formula nem método funcionam; somente Cristo é vida. Mesmo se
alguém aprendeu uma porção de métodos, ele entretanto não está educado para ser cristão,
porque os filhos de Deus precisam ser nascidos, não ensinados.
“Eu sou o caminho”, disse o Senhor Jesus. Cristo é o caminho, Cristo é o método. Caros
amigos, Cristo é o seu caminho e Cristo é o seu método? Ou é somente um caminho e um
método? Agradeço a Deus, pois se Cristo é nosso método, todas as coisas serão alcançadas.
Mas se o nosso é somente um método - e mesmo que possa ser bom, correto e incomparável -
ainda é morto e não tem valor espiritual. A razão para muitas orações não serem respondidas e
testemunhos serem ineficazes é encontrada na nossa falta de tocar o Senhor. Temos
meramente copiado o método de outros; não tocamos a pessoa do Senhor.
Certa vez um servo do Senhor entregou uma mensagem sobre Romanos 6:8 em um
certo lugar. Um irmão depois de ter ouvido a mensagem, disse: “Hoje eu entendo o caminho da
vitória. Agora esta claro para mim. Eu creio que daqui por diante nunca mais serei derrotado
como antes”. Um outro irmão veio até o pregador e apenas assentiu um pouco com sua
cabeça. Quando lhe foi perguntado como ele se sentia, ele respondeu: “Eu não sei como
descrevê-lo. Mas o Senhor abriu os meus olhos. Embora eu não possa dizer que O vi, eu
também não ouso dizer que não O vi.” O que este segundo irmão obteve não foi um método
mas a pessoa do Senhor. Por conseqüência, ele firmemente manteve a posição, enquanto que
o primeiro caiu novamente; pois o primeiro irmão recebeu apenas um método e não a pessoa
do Senhor; e portanto não havia valor naquilo que recebeu.
Muitas vezes até mesmo o motivo por traz do ouvir uma pregação é incorreto. Ao invés
de pedirmos ao Senhor a revelação para que possamos vê-Lo, tentamos com nosso cérebro
memorizar um método para termos conosco. E até mesmo se seguirmos aquele método, não
seremos levados a lugar algum. Algumas vezes, entretanto, parece que alcançamos um
vislumbre, talvez sem ter nenhuma grande segurança para atrever a dizer que vimos o Senhor.
Todavia, O vemos e tal compreensão profunda produz mudança real. Agradeço ao Senhor,
pois este é o caminho. Não porque temos aprendido um método, mas porque fomos levados a
conhecer o Senhor. Isto nos mostra claramente que a pessoa do Senhor é o método.
Por esta razão, então, devemos, após ouvirmos uma mensagem ou um testemunho, nos
examinarmos para sabermos se encontramos o Senhor ou meramente entendemos um
método. Não há libertação no conhecimento de um método como há no conhecimento do
Senhor. Ouvir como Ele ajuda outros não irá nos salvar, somente a nossa confiança no Senhor
é eficaz. Suas palavras podem nos parecer as mesmas, ainda assim suas realidades são
apenas palavras. O Senhor é o Senhor da vida. Qualquer um que O toque toca a vida.
Somente o tocar o Senhor pode dar vida.
Cristo É a Verdade
O Senhor não se apresenta somente como o caminho, Ele também fala da sua pessoa
como a verdade. A verdade não se refere a palavras faladas sobre Cristo; é a pessoa de Cristo
quem é a verdade. Muitas vezes os cristãos recebem o ensinamento e a interpretação de
Cristo como verdades, embora na realidade verdade não é relativa a coisas mas é a pessoa de
Cristo. “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará,” disse o Senhor (João 8:32).
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Irmãos e irmãs, apenas considerem quantas verdades realmente nos fizeram livres? A
Palavra de Deus declara que a verdade nos fará livres, mas quantas vezes a verdade é
meramente uma doutrina para nós. Nossos olhos não foram abertos para vermos Cristo.
Podemos ter falado sobre muitas doutrinas por uns dez anos, ainda assim não O vimos.
Podemos ter ouvido por um mesmo espaço de tempo, e ainda assim outra vez não O vimos. As
pessoas podem estar habilitadas para falar sobre a doutrina da co-morte sem conhecer o poder
desta morte. Ou conversar sobre vida ressurreta sem a experiência do seu poder. Se tudo o
que falamos é doutrina, nós estamos carregando uma coisa morta.
Certa vez uma pessoa escreveu para um irmão o seguinte: “Um irmão pecou contra mim,
e eu não estou certo se devo perdoa-lo. Peço-lhe que me instrua. Meu coração esta um tanto
tranqüilo diante de Deus. Se você disser que devo perdoar, eu o perdoarei. Se você pensa que
não devo, então eu não o perdoarei.” Irmãos, qual é a opinião de vocês sobre este tal cristão?
Suponha que alguém muito querido para mim esta morto e eu escrevo uma carta para outra
pessoa perguntando assim: “Alguém muito querido para mim esta morto; eu devo portanto
lamentar sua morte? Se você disser que devo chorar, chorarei; mas se você disser que não,
então não chorarei.” Muito certamente você irá rir diante de tal pergunta, pois é absurda. Se
uma pessoa chora ou não chora de acordo com o que ele disse, nem seu lamento nem sua
falta de lamento é real. Ambos são falsos, e portanto causam morte e não vida. Com seu irmão,
ou você perdoa ou não perdoa. Sempre que você agir pela doutrina da morte esta ação é
fingimento.
Amigos, tudo o que não é Cristo vivo em nós ou não é Cristo como nossa verdade - isto
é, tudo o que é feito com base em uma doutrina - causa morte. Não há vida, não é vivo. Você
vê a diferença aqui? É uma diferença muito grande para passar despercebida. Doutrina requer
nossa memória, mas a vida agi espontaneamente. Uma palavra dita pela vida não é propelida
pela memória, mas é motivada pelo poder que está em nós. O Senhor, não doutrina ou
ensinamento, está no controle sobre nós. Deve haver um dia quando Deus abre os nossos
olhos para percebermos que a realidade espiritual está em Cristo. Nós não tentamos relembrar
certas doutrinas e agir de acordo com elas; é Cristo quem vive em nós. Ele é nossa verdade,
portanto ela é viva.
Certa vez havia um irmão que foi ofendido por outro irmão. Ele não pode suportar a
ofensa, e então ele com ódio ralhou com o irmão ofensor. Mais tarde, sua consciência estava
constrangida. Sentiu que deveria ir até o irmão ofensor e se desculpar. Mas quando ele
relembrava como aquele irmão o havia ofendido, sua raiva era novamente provocada.
Enquanto isso, ainda sentia que devia ao outro irmão uma desculpa. Então decidiu escrever
uma carta ao irmão. Pegou sua pena e começou a escrever: “Sinto que é errado para mim ter
ralhado com você.” Mas como estava lembrado de quanto errado era aquele irmão e como o
tinha ofendido, sua raiva voltou outra vez mais. Depois de ter esperado um pouco, tomou sua
pena e continuou a escrever. Durante todo o tempo em que estava escrevendo sentia raiva no
seu coração. Mesmo quando ele colocou a carta no correio, ainda estava aborrecido. Em toda
a aparência, esta carta parecia como que escrita por um cristão, entretanto nós sabemos que
ela era resultado de doutrina e não de vida. Embora ele tenha escrito uma carta de desculpa,
seu coração permanecia cheio de ira. Ele poderia encontrar aquele irmão, poderia acolhe-lo e
cumprimenta-lo, ainda que interiormente a controvérsia não houvesse passado, e suas
palavras possivelmente não pudessem ser naturais. Amados, agora podemos ver a diferença?
O Senhor é a verdade. Se em qualquer momento ela é doutrina e não o Senhor ela é morte.
Que possamos entender que em todos os assuntos espirituais, com o Senhor é vida, mas sem
o Senhor é morte. Se uma coisa é feita como resultado de Seu brilho agindo em nós, então
esta coisa é viva.
Cristo É a Vida
Após as palavras “Eu sou o caminho a verdade”, o Senhor continua com “e a vida”.
Estamos conscientes do fato de que a vida surge espontaneamente na obra, mas a obra não
pode ser um substituto para a vida. Devemos ser cristalinos aqui porque obra não é vida - pois
vida não é esforço, vida é a pessoa de Cristo. Como as pessoas labutam para serem cristãos!
Como estamos cansados pelo esforço diário. Quanto severa são estas doutrinas, pois elas
exigem de nós humildade, generosidade, perdão, e longanimidade. Elas literalmente nos
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desgastam. Muitos admitem que ser cristão é uma tarefa difícil. Isto é verdade especialmente
para os crentes jovens. Quanto mais eles tentam, mais difícil ela se torna. Após terem tentado
por um certo tempo, eles ainda não se tornaram semelhantes a um cristão. Irmãos e irmãs, se
Cristo não é vida, devemos fazer a obra; mas se Ele é vida, então não precisamos batalhar.
Repetidamente dizemos que a pessoa de Cristo é vida e que a obra não pode nunca substituir
a vida.
Há um grave engano impregnado entre os filhos de Deus. Muita vida considerada como
alguma coisa eles devem possuir pelas suas próprias forças, ou então não há vida. O que
todos nós devemos compreender é, que se há vida não haverá de maneira alguma a
necessidade de fazermos nós mesmos, mas aquela vida fluirá naturalmente. Considere por um
momento como nossos olhos vêem e como nossos ouvidos ouvem. Nossos olhos vêem muito
naturalmente e nosso ouvidos ouvem espontaneamente porque há vida neles. Devemos ser
claros neste ponto: vida flui naturalmente na obra, mas a obra nunca é um substituto para vida.
Algumas vezes a obra prova a ausência de vida ou a fraqueza de vida. Vida gerará moralidade,
mas boa moralidade não é suplemento para vida. Por exemplo um irmão pode ser muito gentil,
moderado e reservado. Alguém o elogiará, dizendo “A vida deste irmão não é má.” Não, ele
usou a terminologia errada. Como o Senhor disse, “Eu sou a vida.” O quanto gentil, moderado
e reservado este irmão possa ser, se estas coisas não vêem de Cristo elas não são
reconhecidas como vida. É perfeitamente verdadeiro dizer que este homem tem um bom
temperamento ou ele raramente causa alguma dificuldade ou ele sempre trata as pessoas
bondosamente e nunca discute; mas não pode se dizer que ele tem uma vida espiritual rica. Se
estas coisas são naturais para ele elas não são vida, porque elas não procedem de Cristo.
Outras pessoas acalentam um outro pensamento. Elas concluem que vida é poder. Ter o
Senhor como nossa vida significa ser-nos dado Seu poder para fazermos o bem. Entretanto,
Deus nos mostra que nosso poder não é uma coisa; ele é simplesmente Cristo. Nosso poder
não é a força para fazer coisas; mas sim, uma Pessoa. Vida para nós não é somente poder
mas também uma Pessoa. É Cristo quem se manifesta em nós, ao invés de usarmos Cristo
para apresentar as nossas boas obras.
Certa vez um irmão assistiu uma reunião em certo lugar. Ele foi questionado por um
cristão idoso, “Porque você vai àquela reunião?” “Porque lá há vida,” respondeu. O homem
idoso disse, “Sinceramente, com respeito ao entusiasmo, nossas reuniões não são
comparáveis às daquele lugar.” “Você não entende,” replicou o irmão. “Aquele lugar não tem ao
menos uma atmosfera frenética.” “O que você quer dizer?” perguntou o irmão idoso. “Como
pode haver vida se não há calor?” Respondeu o jovem irmão, “Não há nada disso nem mesmo
barulho por lá, e ainda assim há vida. Porque vida necessariamente não tem que ser
emocionalmente excitante ou entusiástica ou calorosa ou barulhenta.” Então o homem idoso
filosofou, “Talvez as pessoas jovens gostem do fervor, mas eu prefiro palavras séria. Quando
ouço palavras profundas, encontro vida. Acho que isto de fato é vida.” Mas o jovem irmão disse
como resposta, “Por muitas vezes ouvi as palavras profundas a que você se refere, mas não
encontrei nenhuma vida.” Queridos, da conversação entre este dois homens, podemos ver que
vida não é emoções excitantes nem palavras profundas. Palavras de sabedoria, discursos
inteligentes, argumentos lógicos e dissertações profundas não são necessariamente vida.
Não surpreendentemente, alguém irá perguntar, “Quão estranho que vida não é fervor
nem pensamentos elevados. Onde, então, podemos encontrar vida? O que é vida afinal?”
Confessamos que não temos uma forma melhor de expressar este assunto da participação na
vida comunicada. Tudo o que podemos dizer é que ela é alguma coisa mais profunda do que
emoção ou pensamento. Uma vez que alguém a encontra, ele imediatamente será avisado
interiormente. Isto é chamado de vida.
O que é vida? Vida é mais profunda do que pensamento; pensamento nunca supera vida.
Ela é mais profunda do que emoção; emoção é superficial em comparação com vida. Se
pensamento ou emoção, são relativamente externos, o que, então, é vida? O Senhor Jesus
declarou: “Eu sou a vida.” Não devemos precipitadamente concluir que encontramos vida
quando tudo o que encontramos é um tipo de atmosfera quente, a assim chamada
espiritualmente de atmosfera quente. Pelo contrário poderíamos perguntar, quando tal
atmosfera surge? Muitas das experiências nos confirmam que muitos dos que estão habilitados
a criar atmosfera quente sabem muito pouco sobre o Senhor, muitas pessoas emocionáveis
estão um tanto carentes do conhecimento do Senhor. Somente Cristo é vida, o resto não o é.
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Precisamos aprender a lição do conhecimento da vida. Pois vida não depende de quanto
entusiástica é a nossa emoção ou quanto formal é o nosso pensamento; ela repousa
exclusivamente no quanto o Senhor tem manifestado a Sua própria pessoa. Não há entretanto
nada mais importante do que conhecer ao Senhor. Quando estamos conhecendo o Senhor
estamos tocando vida. Deveríamos ver diante de Deus o significado de Cristo nossa vida.
Aqueles que facilmente se emocionam ou são especialmente inteligente não são
necessariamente pessoas que conhecem o Senhor. Conhecê-lo requer uma visão espiritual.
Tal visão é vida e ela nos transforma. Se conhecemos o Senhor como nossa vida, percebemos
a total futilidade de todos os esforços nos assuntos espirituais. Por esta razão olhamos só para
Ele.
Quando pela primeira vez cremos no Senhor, não percebemos qual o verdadeiro
significado de olhar para Ele. Mas gradualmente aprendemos cada vez mais a olhar para Ele,
reconhecendo que todas as coisas dependem de Cristo, e não de nós. No começo do nosso
caminhar cristão desejamos possuir uma coisa após outra; não podemos confiar Nele para
nada. Depois aprendemos um pouco mais, recebemos algum entendimento de como é
necessário confiarmos Nele; não no sentido de crermos Nele para garantir-nos item por item,
mas no sentido de confiarmos Nele para fazermos o que não conseguimos fazer por nós
mesmos. Quando nos tornamos cristãos, estamos inclinados a fazer todas as coisas nós
mesmos, temendo que nada pudesse ser feito ou que as coisas se despedaçariam se não as
fizéssemos. Mais tarde, tendo visto o Senhor ser nossa vida, sabemos que tudo é de Cristo e
não de nós. Conseqüentemente, aprendemos a descansar e olhar para Ele.
Tenhamos em mente que ao invés de nos dar um objetos após outro, Deus nos dá Seu
Filho. Por causa disto, podemos sempre elevar nossos corações e olhar para o Senhor,
dizendo “Senhor, tu és meu caminho; Senhor, tu és minha verdade; Senhor, tu és minha vida.
És tu, Senhor, quem importa para mim, não as suas coisas.” Peçamos para Deus nos dar
graça para que possamos ver Cristo em todas as coisas espirituais. Dia após dia somos
convencidos que fora de Cristo não há caminho, nem verdade, nem vida. Ou, chamamos a
atmosfera quente de vida, rotulamos pensamentos elevados de vida. Consideramos emoções
fortes ou comportamento exterior como vida. Na realidade, no entanto, estes não são vida.
Devemos perceber que somente o Senhor é vida. Cristo é nossa vida. E é o Senhor quem vive
esta vida em nós. Peçamos a Ele que nos liberte de muitos temores externos e fragmentados
que toquemos somente Ele. Que possamos ver o Senhor em todas as coisas - caminho,
verdade, e vida são todos encontrados quando conhecemos a Ele. Que possamos realmente
encontrar o Filho de Deus e deixa-Lo viver em nós. Amém.
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Capítulo II - Cristo É a Ressurreição e a Vida
Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; (João 11:25)
O capítulo 11 de João revela como o Senhor Jesus deu vida a alguém já morto - em
outras palavras, como Ele ressuscitou um morto. Ele estava apto para ressuscitar o morto e Ele
fez um homem morto ser ressuscitado, mas ao invés de dizer “Eu ressuscito o morto” Ele disse
“Eu sou a ressurreição.” Logo após Ele ter dito isto, Ele de fato ressuscitou o morto. Ambas
Marta e Maria estavam presentes naquele dia. De acordo com seus sentimentos, pareceu para
elas mais apropriado ao Senhor dizer, “Não se preocupe com seu irmão morto, pois eu posso
ressuscitá-lo.” Gostaríamos de ouvir tais palavras. O que apreciamos e esperamos é que Deus
fará mais por nós. Freqüentemente nossas orações e expectativas diante de Deus são pela
promessa de que o Senhor fará assim e assim por nós. O que o Senhor especialmente deseja
é que nós vejamos que não é aquilo que Ele pode fazer mas o que Ele mesmo é, pois Seu
fazer é baseado no Seu ser.
Considere Marta. Ela creu no poder do Senhor. Ela disse a Ele, “Senhor, se tu estivesses
aqui, meu irmão não teria morrido.” Maria também creu. Mas ambas falharam em perceber que
o Senhor mesmo é que é a ressurreição e a vida. Podemos notar que tudo o que Deus pode
fazer esta incluído no que Ele é. As pessoas não recebem o poder de Deus porque elas não
sabem quem Ele é. “... porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que Ele
existe, e que é galardoador dos que o buscam.” (Hebreus 11:6).
O que o Senhor Jesus deseja nos dizer aqui não é que Ele está apto para preservar a
vida de alguém; não que Ele não possa ressuscitar o morto, mas que Ele mesmo é a
ressurreição. Vamos pedir ao Senhor que abra nossos olhos para que vejamos quem é o
Senhor. Precisamos ver isto, diante de Deus, Cristo é tudo para nós. Com tal entendimento
faremos progresso real nos assuntos espirituais. É imperativo que percebamos que com Deus
não há nada além de Cristo! Nosso progresso real nos assuntos espirituais depende de nossa
compreensão desta realidade espiritual - conhecemos a pessoa de Deus ou conhecemos
somente as coisas que Deus fez?
O tema do capítulo 11 de João não é sobre como o Senhor Jesus ressuscitou Lázaro
mas sim sobre como Ele mesmo era ressurreição para Lázaro. Podemos ver a diferença aqui?
O Senhor é a ressurreição. Porque Ele era a ressurreição para Lázaro, Lázaro foi ressuscitado.
Ele não deu alguma coisa chamada ressurreição para Lázaro, Ele era ressurreição para
Lázaro. Em outras palavras, o que o Senhor fez foi somente externo, mas o que Ele mesmo era
é que era a substância. Não estamos sugerindo que o Senhor não tenha ressuscitado a
Lázaro; simplesmente mantemos que Ele era ressurreição para Lázaro, e que portanto Lázaro
foi ressuscitado dos mortos.
É bom para nós que entendamos que todas as obras de Deus em Cristo estão
incorporadas neste princípio. Porque o Senhor é aquela coisa em nós, portanto temos tal coisa.
Primeiro o ser, então o ter. Muitos cristãos têm a tendência de falar do Doador e de Seus dons
separadamente. Mas um dia descobrimos que o Doador mesmo é que é o dom. Pois Deus não
providência muitos e variados itens para nós dar em fragmentos; o que Ele dá é Cristo. Seria
bom se um dia nossos olhos se abrissem para reconhecermos isto - que todas as coisas estão
em Cristo.
Aqui o Senhor declara quem Ele é. Ele disse, “Eu sou a ressurreição e a vida.” Desde que
Ele é a ressurreição, não apresenta qualquer problema para Lázaro ser ressuscitado. Cremos
que o Senhor ressuscitou da morte a Lázaro, mas a ênfase era em ter a pessoa do
Senhor. A ressurreição de Lázaro não é realmente um fenômeno tremendo; mas conhecer o
Senhor Jesus Cristo como ressurreição é um assunto de grande significado. Muitas pessoa
podem crer no Senhor Jesus como o doador de vida, mas crer Nele como vida é um tanto
diferente. Ele não é somente o doador de vida, Ele também é vida. Ele é a vida Ele dá assim
como Ele é o doador de vida. Ele é ambos o Senhor da ressurreição e a própria ressurreição.
Assim que tocamos isto, imediatamente compreendemos que tudo o que está em Cristo está
vivo. O que Deus dá para os homens é Cristo. Esperamos poder ter pelo menos um raio de luz
brilhando sobre nós, nos fazendo perceber que o Senhor é tudo. “Eu sou a ressurreição e a
vida,” declarou o Senhor. Ressurreição e vida incluem a totalidade da Bíblia; conhecer
ressurreição e vida é portanto um assunto importante.
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Cristo É Vida
Deus colocou o homem que Ele criou no jardim do Éden. Duas possibilidades foram
dadas para este homem: ele poderia ter vida ou ele poderia morrer. Se ele comesse o fruto da
árvore do conhecimento do bem e do mal, ele morreria; se ele comesse o fruto da árvore da
vida, ele teria vida. O homem que Deus criou era certamente bom, mas ainda restava uma
questão a resolver - a da vida e morte. Naquele momento ele era capacitado para pensar e
para se movimentar, mas ele não tinha vida. Não queremos dizer que ele não era vivo,
julgando pela vida natural do homem ele certamente era vivo. Gênesis 2:7 já nos disse que “e o
homem foi feito alma vivente.” No entanto, julgando pelo que está representado na árvore da
vida, ele não tinha vida. Ele possuía o poder de pensar e sentir - estas constituem as principais
funções da alma do homem - ainda ele não possuía a vida como simbolizada pela árvore da
vida. Aqui somos instruídos que vida é mais profunda do que emoção e mais profunda do que
pensamentos.
Todas as coisas no cristianismo têm suas falsificações - falso arrependimento, falsa
confissão, falsa conversão, falso zelo, falso amor, falsas obras do Espírito Santo, falsos dons
do Espírito Santo, também falsa vida. Como muitos cristãos consideram bom sentimento como
vida! Eles estimam a atmosfera quente e a voz alta como sendo cheio de vida. Eles não podem
distinguir entre vida e sentimento, não reconhecem que o primeiro é mais profundo do que o
segundo. Outra classe de cristão reconhecerá pensamentos nobres, e não forte emoção, como
vida. Se eles encontram em uma mensagem muitos pensamentos excitantes, palavras
interessantes e argumentos louváveis, eles julgam estar na vida. Mas aqueles que são
experimentados e que têm aprendido informarão que vida é mais profunda que sentimentos ou
pensamentos. Além do mais, vida não é ação. Não é porque alguém é extremamente avivado,
entusiasta e ativo pode necessariamente ser considerado estar na vida. A pessoa está
certamente engajada em ação, mas isto não pode ser rotulado de vida. O homem neste caso
esta trabalhando ao invés de estar vivendo a vida.
Agora não insinuamos aqui que não há pensamentos, nem sentimento nem ação, na
vida; simplesmente afirmamos que vida não é sentimento nem pensamento nem ação. Você
pode ouvir a mesma boa palavra, porém em uma pessoa você sente vida enquanto em outra,
somente pensamentos. Você pode testemunhar uma emoção como vida em uma pessoa mas
encontrar vida em outra. Muitos irmãos julgam certas sensações interiores como vida, mas
aqueles que aprenderam sabem melhor que não é. Muitos consideram ser vida certos
pensamentos interiores, mas crentes experimentados declaram isto tudo como não vida.
Dois irmãos podem dividir o mesmo ponto de vista e dar a mesma interpretação para uma
mesma passagem das Escrituras, ainda assim para um experimentado cristão estes dois são
diferentes - um só tem pensamento enquanto o outro tem vida tão bem quanto pensamento.
Certamente, é possível encontrar vida junto com pensamento - isto freqüentemente é
verdade; mesmo assim o contato somente com pensamento não é contato com vida. Estas
duas coisas são completamente opostas. Há muitos que pensam que já que eles dizem
palavras similares eles são obrigados a serem os mesmos. Mas isto não é verdade. É possível
estas palavras serem pensamento em uma pessoa e vida em outra. “Eu sou a vida,” disse o
Senhor. Vida entretanto não é nenhuma questão fora de Cristo; é a pessoa de Cristo. Se é
meramente uma coisa é morta. A vida que muitos cristãos proclamam é aquilo que eles
mesmos produzem.
Como verdadeiramente necessitamos a misericórdia do Senhor a este respeito. Sabemos
o que é pensamento, o que é sentimento, e o que é atividade; assim mesmo nos falta uma
clara apreciação do que é vida. Peçamos ao Senhor que nos mostre o que é realmente vida. E
um dia quando nos for dada alguma revelação, nós naturalmente saberemos o que é vida, e
então estaremos aptos a tocar o Senhor.
Cristo É Ressurreição
Vamos voltar novamente para a ressurreição. Aquilo que encontrou a morte e sobreviveu
é chamado de ressurreição. Tudo o que sobreviver da morte é ressurreição. A morte chegou
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até o homem depois que ele comeu o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal.
Desde então, o homem tem estado impossibilitado de resistir a morte. Todo o que entra no
túmulo nunca retorna. Uma vez que foi, nunca retorna. Em todo o universo, entre um número
incontável de pessoas, houve somente um que foi morto e voltou da morte - e este é o nosso
Senhor. “E o que vivo e fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre.” (Apocalipse
1:18).
O Senhor é o Senhor da ressurreição. Ressurreição fala sobre o que passa pela morte
mas não é detido pela morte. A Bíblia usa a palavra “detido” para descrever o poder da morte.
As pessoas morrem e não estão aptas para voltar outra vez porque a morte detém firmemente
todo o que a encontra. Mas a morte não está apta para deter Cristo. Por esta razão Ele é
chamado vida, e é também chamado ressurreição. Ressurreição é a vida que foi colocada na
morte e está viva para sempre. O nosso Senhor Jesus é vida porque Ele estava morto - tendo
entrado no inferno, o mais profundo recesso da terra - ainda está vivo para sempre. A morte
não tem poder para detê-Lo em sua garra. Ele saiu da morte. E uma vida tal qual esta é
chamada de ressurreição. Por esta razão a vida que traz a marca da morte e ainda vive é
chamada ressurreição. Um bom número de pessoas estão perguntando porque esta escrito no
capítulo 20 de João que depois do Senhor Jesus ter ressuscitado da morte Ele deixou as
marcas dos cravos nas Suas mãos e a chaga em Seu lado para Tomé tocar e investigar?
Sabemos que isto é o significado da ressurreição. O que o Senhor pretendia mostrar a Tomé
não era que Ele tinha sido ferido e morto mas que Ele tinha sido ferido e ainda Ele esta vivo
agora. Ele traz em Seu corpo as marcas da morte; entretanto Ele esta vivo. Isto é chamado de
ressurreição.
Tal deveria ser verdade em nosso caso. Temos em nossa vida muitas coisas que não
carregam a marca da morte e portanto elas não podem ser rotuladas como ressurreição.
Somente o que traz a marca da morte é chamado ressurreição. Não imagine que está tudo
bem com você se você é eloqüente, inteligente e hábil. É muito possível para você ter
eloqüência, inteligência e habilidade - sem a marca da morte. As pessoas podem julgar se há
ou não ressurreição notando se a marca da morte está acima da nossa eloqüência, inteligência
e habilidade. Um irmão pode ter grande talento e pode ser muito capaz; ele parece ter muita
vida. Ainda assim não há marca de morte no seu talento porque ele tem muita confiança nele
mesmo. Ele confia que nunca erra e está certo do sucesso em qualquer empreendimento. Esta
pessoa possuí imensa auto-confiança, auto-dependência, -segurança e -firmeza, mas não tem
a marca da morte. Não queremos dizer que uma pessoa ressurreta não tem poder; o que
estamos tentando afirmar aqui é que no poder de um ressurreto há o sinal da morte. Ele está
habilitado a trabalhar, mas ele não se atreve a contar consigo mesmo. Ele pode fazer muitas
coisas e ainda assim ele deixou de tocar a auto-confiança, e a sua própria força se tornou em
fraqueza. Isto é chamado de ressurreição.
Na carta de Paulo à igreja de Corinto ele confessa o seguinte: “E eu estive com convosco
em fraqueza, e em temor, e em grande tremor.” (I Coríntios 2:3). Estas palavras são ditas por
alguém que realmente conhece Deus. Como é trágico existirem muitas pessoas fortes e autoconfiantes
entre os crentes. Mas aqui está um homem que se reconhece como estando em
temor e tremor. Há a marca da morte em seu corpo.
Conseqüentemente a ressurreição e a cruz são inseparáveis. A cruz elimina. Coisas que
provêem de nós mesmos não podem ressuscitar uma vez que tenham passado pela cruz, pois
foram perdidas na morte. Somente o que passa pela morte e sobrevive, o que tem o sinal da
morte e vive, é ressurreição. Ressurreição pressupõe uma passagem pela morte, e a
passagem pela morte sempre elimina alguma coisa.
Irmãos e irmãs, se realmente soubermos o que é ressurreição conheceremos a cruz
como uma eliminadora de poder. Quando passarmos pela cruz seremos liberados de muitas
coisas. Nos tornaremos pessoas totalmente diferentes, porque muitas coisas terão sido tiradas
de nós. O que tem vida em si pode experimentar a ressurreição; sem vida em si não há
possibilidade de ressurreição. Por exemplo, podemos cortar um pedaço de madeira em partes
e enterra-las no chão. Depois de alguns dias elas estarão completamente apodrecidas e se
tornaram totalmente inúteis. Mas se cortarmos um ramo de uma árvore e a plantarmos na terra
depois de algum tempo a encontraremos em ascensão. Um eventualmente cairá enquanto que
outro ascenderá. Tudo que é morto eventualmente será corrompido; somente o que é vivo será
ressuscitado após passar pela morte.
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Por esta razão a ressurreição do Senhor Jesus é baseada em sua vida. Devido a vida
imortal Nele, Ele não pode ser detido pela morte. Com tal vida eterna Nele, Ele não deu
importância à morte quando foi colocado nela. Vamos reconhecer bem que quando passamos
pela cruz experimentalmente deixamos muitas coisas na morte sem nenhuma chance de trazêlas
conosco. Somente o que é de Deus pode ser ressurreto. Em nosso encontro com a cruz
estamos verdadeiramente sendo subtraídos. A cruz é em si mesma uma imensa subtração; ela
tira muitas coisas.
Incontáveis irmãos e irmãs freqüentemente fazem esta pergunta: Como sei que morri?
Como posso saber que a cruz fez seu trabalho em mim? A resposta é muito simples. Se o
Senhor trabalhou em sua vida, você perderá muitas coisas. Se você ficou intacto desde que foi
salvo - sendo tão rico e tão cheio como antes - então isto plenamente indica que a cruz não
trabalhou em você. Como a cruz opera na vida, você notará que grande trabalho de subtração
ou limpeza que o Senhor concluiu em você. E como conseqüência, o que você estava apto a
fazer antes agora você não está mais apto; daquilo que você uma vez estava convicto,
presentemente não tem tanta convicção; e onde você originalmente tinha grande coragem;
ultimamente você está hesitante. Desta maneira é que as obras do Senhor são comprovadas.
No caso de haver ressurreição na sua vida, então muitos itens devem ter sido deixados para
traz na sepultura, visto que as coisa lá não podem sobreviver a morte. Tudo o que é de Adão
não pode viver tendo sido colocado na morte. Mas a vida do Senhor é totalmente hábil para
passar pela morte e voltar novamente. Isto é ressurreição.
Algumas vezes as coisas perdidas na morte são recuperadas em Cristo. É como um
ramo, quando cortado de uma árvore, parece morto, mas, quando plantado na terra, começa
outra vez a crescer. Então por dizer que temos a marca da morte em nós, não desejamos dar a
entender que daqui por diante não podemos falar nem trabalhar; é que somente não seremos
tão descuidados e auto-confiantes em nosso falar e agir. Quando uma pessoa é tocada por
Deus - sendo tratada pela cruz - ela torna-se fraca e temerosa e trêmula, como resultado ela
não se atreve dizer “Eu posso” ou “Eu farei”. Ela ainda fará seu trabalho, mas agora com o
temor de Deus nela. Ela continuará a andar, somente que agora anda diante de Deus, como
Abraão andou degrau por degrau diante de Deus. Na sua vida hoje a marca da cruz é
plenamente notável. Ela foi traspassada por Deus; não está mais intacta; carrega a impressão
da morte. Isto é chamado ressurreição.
Hoje Deus comunica-se com o homem na esfera da ressurreição, e esta ressurreição
incluí a cruz. Nada pode portanto ser contado para Deus sem passar pela morte. Tudo o que é
natural deve passar pela morte. Deus não pode e não tem contato ou se comunicar no campo
da ressurreição com alguém que ainda tem que morrer e ser ressuscitado. Precisamos morrer
e então sermos ressuscitados. A vida que recebemos é vida ressurreta. Todas as coisas que
aprendemos que tenham alguma relação com Deus precisam ser ascendidas da morte.
Nas questões espirituais, estamos diante de um problema difícil, que é, que as pessoas
muitas vezes servem a Deus com as coisas naturais ao invés das coisas ressuscitadas. Muitos
têm zelo, mas poucos têm zelo ressuscitado - um zelo que passou pela morte e é ressuscitado.
Muitos dos zelos caracterizam o primeiro tipo mas não o segundo. Observamos um número de
irmãos trabalhando diligentemente e habilmente, apesar das suas diligencia e habilidade serem
do primeiro tido - a natural - e não do segundo, pois eles não passaram pela morte. Não
podemos cantá-las como ressurreição se vivemos diante de Deus pelo poder destes elementos
naturais.
Alguns perguntarão, “O que é o corpo de Cristo?” O corpo de Cristo é onde a
ressurreição de Cristo é atestada. Em outras palavras, tudo quanto não é ressurreição não tem
parte, nem mesmo a mais pequena parte, no corpo de Cristo. A igreja não é um lugar para
onde você leva algo da sua inteligência e eu levo algo da minha diplomacia. A igreja não é
construída pela sua contribuição com um pouco de coisas naturais e minha contribuição com
outro pouco de coisas naturais. A igreja fecha-se para tudo de natural e aceita somente o
ressurreto. Toda vez que o natural entra, a igreja perde a sua característica. Não pode haver
elemento não ressurreto na igreja.
Muitos irmãos perguntam como a igreja pode ser uma. Devemos entender quão fútil é
criar unidade através de meios humanos. Os filhos de Deus precisam conhecer a cruz para
tratar com a carne e o natural a fim de chegar a unidade. Nenhum método é efetivo a menos
que as pessoas experimentem o Calvário. Nenhum problema na igreja é resolvido por manobra
e habilidade humanas. A igreja não permite nem a carne nem o natural, pois ambos a
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danificarão. É bem verdade que a igreja requer a contribuição e o ministério dos homens; no
entanto, é preciso haver a marca da morte sobre eles. A utilidade acompanhada pela marca da
morte é chamada de ressurreição. O Senhor é a própria ressurreição, e Ele deseja ter uma
igreja ressurreta.
Se desejamos ter uma experiência semelhante, então devemos olhar para Deus e Sua
obra em nossas vidas. Talvez estejamos um tanto quanto familiarizados com muitos
ensinamentos, no entanto sem receber um sopro básico do Senhor permaneceremos os
mesmos. Algumas vezes dormimos e caímos. Sentimos a dor, sim; no entanto somente por
poucos dias ou meses. Mas se tivéssemos recebido o sopro básico de Deus e fossemos
suficientemente quebrados, não sofreríamos meramente por alguns dias ou meses, nós
sustentaríamos aquela ferida por toda a nossa vida. Devemos ser aleijados para sempre diante
de Deus, e a marca da cruz estará sempre sobre nós.
Muitos anos depois de Paulo ter tido a visão na estrada de Damasco, ele testificou, “Pelo
que, ó rei Agripa, não fui desobediente à visão celestial.” (Atos 26:19). Se o Senhor tiver
misericórdia de nós e um dia nos acertar severamente, o nosso velho eu nunca mais será
capaz de se levantar outra vez: a ferida permanecerá em nós para sempre. Já que ainda é
possível tocar, no Cristo ressurreto, a ferida dos pregos em Suas mãos e na lancetada no Seu
lado, tal ferimento nunca desaparecerá da vida de todo aquele que hoje conhece o Senhor
como ressurreição. Experimentando este ferimento, nunca mais ousaremos nos gabarmos de
nos mesmos e de nosso poder. Uma vez abatidos pelo Senhor, não nos levantaremos mais.
Que as marcas da cruz possam ser progressivamente evidentes em nossa vida.
Pretensão aqui é inútil. Pois o que for posto por nós mesmos será logo esquecido. Mas
uma vez que o sacrifício é colocado no altar e morto, ele nunca mais se levanta. Se já sofremos
este golpe, perceberemos quão impossibilitado, acabado, e nada somos. Esta marca da morte
em nós testifica o nosso conhecimento da ressurreição. Conhecer a cruz é conhecer a
ressurreição. O que é deixado depois da cruz é ressurreição. Oh! Quantas são as coisas que
nunca podem se levantar outra vez mas são deixadas para sempre uma vez que passaram
pela cruz. Somente o que pode suportar a cruz possuí valor espiritual. Tudo o que for para a
sepultura e ficar é coisa morta; mas tudo o que sair do outro lado da sepultura, e ainda trouxer
as marcas da cruz, é ressurreição.
Vamos orar para que possamos verdadeiramente conhecer Cristo como nossa
ressurreição assim como nossa vida. Possa o Senhor eliminar muitas das nossas próprias
coisas. Possa Ele não somente nos fazer ter mais da Sua vida mas também menos de nós
mesmos. Quanto freqüentemente vivemos de acordo com o natural, sem conhecer nem a
disciplina de Deus nem a cruz. Precisamos pedir ao Senhor para ser misericordioso para
conosco para que o natural possa gradualmente ser decrescido em nós enquanto que a
ressurreição possa ser progressivamente manifestada. Possam a vida e a ressurreição serem
realidades - não teorias - para nós. Sempre que pomos adiante nossa mão, possa Ele nos
mostrar que não há ressurreição nela desde que tudo o que ela realiza é somente natural e
carnal. Possa Ele expor nossa carne pela luz da ressurreição. Se ainda não podemos ver, que
o Senhor seja misericordioso. Amem!
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Capítulo III - Cristo É o Pão da Vida e a Luz da Vida
E Jesus lhes disse: Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá
fome; e quem crê em mim nunca terá sede. (João 6:35)
Falou-lhes pois Jesus outra vez, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me
segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida. (João 8:12)
Mencionamos rapidamente como todas as coisas espirituais estão em Cristo. Ele foi dado
por Deus para ser todas estas coisas. Este é o ponto mais essencial do entendimento na vida
espiritual. A nossa experiência é mera experiência ou ela é Cristo? A nossa justiça é
simplesmente justiça ou ela é Cristo? A nossa santificação é somente santificação ou ela é
Cristo? A nossa redenção é meramente redenção ou ela é Cristo?
Freqüentemente falamos sobre o caminho, mas aquele caminho pode não ser a pessoa
de Cristo. Da mesma forma, podemos falar sobre verdade e vida sem necessariamente falar de
Cristo. Em poucas palavras, temos muitas coisas fora de Cristo. Isto constituí um problema
espiritual formidável para os filhos de Deus. Podemos confessar com nossa boca que Cristo é
o centro de todas as coisas, entretanto em nossa vida temos muitas outras questões alem de
Cristo, como se isto pudesse nos ajudar a sermos cristãos. Como precisamos ter nossa mente
renovada para então entender que aparte de Cristo Deus não tem intenção de que tenhamos
muitas assim chamadas coisas espirituais. De acordo com o arranjo de Deus, existem coisas;
somente que, estas coisas são Cristo. Pois Cristo é o soma de todas as coisas espirituais.
Cristo é a nossa justiça - Ele não nos deu a justiça. Cristo é nossa santificação - Ele não nos
garantiu uma coisa chamada poder para nos fazer santos. Cristo é a nossa redenção - Ele não
nos ofereceu uma redenção. Cristo é o caminho - Ele não abriu para nós um outro caminho no
qual andamos. Cristo é a verdade - Ele não apresentou alguma verdade diante de nós para a
entendermos. Cristo é a vida - Ele não nos concedeu uma coisa chamada vida.
Irmãos e irmãs, como caminhamos no rumo de Deus, descobriremos mais e mais que de
toda a graça de Deus há somente uma graça, de todos os dons de Deus há somente uma dom.
Aquela graça é Cristo, aquele dom é também Cristo. Agradeço a Deus, dia após dia Ele está
nos mostrando como Cristo é todo inclusivo. Anteriormente nós pensávamos no Senhor como
nosso Salvador; agora nós podemos dizer que Ele não é somente nosso Salvador mas também
nossa salvação. Isto é estranho? Não, isto é fato. Pois nós progressivamente descobrimos
Cristo como sendo a coisa de Deus.
Se distinguimos erroneamente entre o que o Senhor Jesus dá e o que Ele é, entre o dom
e o doador, sofreremos grandemente na vida espiritual. Pois tal erro nos guardará de tocar a
fonte da vida. Em vista disto, desejamos mais ver a Cristo como nossas coisas. Em João 6:35 e
8:12, o Senhor nos diz que Ele é o pão da vida e também a luz da vida. Consideremos cada
uma delas separadamente.
Cristo É O Pão da Vida
“Eu sou o pão da vida,” declarou o Senhor. Ele disse estas palavras para as pessoas que
o seguiam em Cafarnaum. Estes esperavam que Ele os alimentasse com pão, então o Senhor
disse: “Eu sou o pão da vida.” Ele é quem dá o pão da vida, e Ele mesmo é quem é aquele
pão. O dom e o doador são um, não são separados. Agradeço a Deus, pois Cristo é o dom de
Deus bem como Ele mesmo é o Senhor quem dá o dom.
Qual é o significado do pão na Bíblia? Ele significa satisfação, já que a Escritura usa fome
para representar a insatisfação do homem. Para a insatisfação humana ser solucionada precisa
haver pão. Se os filhos de Deus estão aptos para terminar a carreira a frente deles ou se eles
teem a força para ir em frente depende grandemente de estarem satisfeitos interiormente. Se
nos sentimos satisfeitos hoje, teremos força para o dia. Mas se nos sentimos vazios por dentro,
como um pneu que furou, não estamos aptos para nos arrastarmos por todo o dia. Não
podemos concluir que não há vida, entretanto nós certamente não temos força. É a satisfação -
aquele inexplicável sentimento de satisfação - que nos habilita a prosseguir e terminar a nossa
carreira.
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Vejamos agora qual é o pão para os filhos de Deus. “Eu sou o pão da vida.” O Senhor
mantém a vida assim como dá vida. Muitos cristãos pensam em alimento em termos de uma
hora de oração ou uma hora de leitura da Bíblia; eles não sabem que a comida deles é a
pessoa do Senhor Jesus Cristo. Não estamos dizendo que oração ou leitura Bíblica é inútil.
Mas vamos lembrar que o Senhor Jesus disse aqui que Ele é “o pão da vida” - o que significa
que o pão da vida não é outro senão a pessoa do Senhor.
Muitas vezes os filhos de Deus não estão satisfeitos porque eles não conhecem Cristo
como o pão da vida. Sempre encontramos pessoas famintas que estão descontentes nas
questões espirituais. Estão infelizes com todas as coisas, e desde o amanhecer ao escurecer
estão obcecadas pela insatisfação. Não temos o desejo de persuadir as pessoas a serem
arrogantes ou auto-satisfeitas. No entanto podemos afirmar que o orgulho com auto-satisfação
é uma coisa enquanto que estar alimentado e se sentir satisfeito é uma outra coisa. Algumas
pessoas, tendo sido tratadas por Deus, vivem diante Dele em fraqueza e tremor. Elas não têm
o mais fraco toque de orgulho, porém elas tocaram o Senhor, e assim elas estão
completamente alimentadas. Elas estão
de posse de uma satisfação na presença de Deus, e esta satisfação é sua força.
Como, então, podemos estar completamente alimentados e satisfeitos? Devemos saber
que toda satisfação esta relacionada com Cristo. Todas as satisfações são encontradas na
vida. Cristo é o pão da vida. Sempre que realmente tocamos vida, imediatamente obtemos
satisfação. Entretanto, quando pecamos contra a vida instantaneamente sentimos um apagar.
Ilustremos este assunto de obter satisfação com um exemplo concreto.
Alguém poderá dizer, “Tenho trabalhado por muitos anos. Durante este período tenho
me mantido muito ocupado. Corro daqui para lá. Tenho estado tão ocupado que agora me sinto
um tanto vazio interiormente. Estou muito faminto e estou a procura de um lugar para um
reavivamento espiritual.” Lendo o capítulo 4 de João, entretanto, encontramos uma
discrepância com o que esta pessoa disse. O Senhor Jesus, estando cansado de Sua jornada,
estava sentado junto ao poço de Jacó. Os discípulos tinham ido à cidade para comprar comida,
indicando que o Senhor devia também estar faminto. Lá Ele encontrou uma mulher Samaritana.
Era da vontade de Deus que Ele falasse com ela e a salvasse. Ele fez o que Deus desejava
que Ele fizesse. Seus discípulos subseqüentemente retornaram com a comida e pediram a Ele
que comesse. Mas Ele lhes disse, “Uma comida tenho para comer, que vocês não conhecem.”
Eles então pensaram que alguém mais tinha trazido comida para Ele. Em seguida, lhes disse
claramente, “A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou, e realizar a sua obra.”
Deste incidente na vida do nosso Senhor podemos concluir que a obra nos faz cheios ao
invés de vazios e famintos. Na obra espiritual, em todas as vezes que trabalhamos nos
sentimos cheios. Se a fome acompanha toda a obra, alguma coisa deve estar errada. Todas as
vezes que depois do trabalho, sentimos fraqueza similar a um pneu vazio, sabemos que
alguma coisa está errada com aquele trabalho. Pois se andamos de acordo com a vontade de
Deus e não por nós mesmos, não nos sentiremos esvaziados mas nos sentiremos fortalecidos.
Quanto freqüentemente nos encarregamos de uma obra não porque estamos prontos diante do
Senhor mas porque a necessidade externa é muito grande e a persuasão exterior é tão forte.
Em tal obra, experimentamos um despedaçamento interior que nos deixará enfraquecidos
depois da obra. Isto é porque alguma coisa esta errada entre nós e o Senhor. Todos os
trabalhos fora de Deus nos tornarão mais famintos. Devemos portanto fazer a vontade de Deus
para estarmos satisfeitos.
Precisamos compreender que nenhum retiro espiritual ou estudo bíblico é nosso
alimento; somente Cristo o é. Já que Cristo é nosso alimento, como pode o resultado do
descanso em algum retiro para receber alimento ser a resposta para o nosso vazio? Como
podemos falar até a exaustão, então tentar obter algum novo ensinamento para repor o
estoque? Quer estejamos atarefados ou não, é preciso que toda as vezes que nos levantamos
para falar de Cristo estejamos tão cheios de palavras e fortificados interiormente que não só
aqueles que nos ouvem são alimentados mas nós que falamos também somos sustentados.
Pois é o Senhor quem trabalha em nós. Tendo tocado o Senhor, não nos sentiremos vazios
mas pelo contrário nos sentiremos cheios até terminar nosso trabalho. Quanto estamos errado
se consideramos o descanso ou o ouvir um sermão ou participar em um retiro espiritual como o
significado de ser cheio. Obter alimento e nutrimento espiritual é permitir que o Senhor trabalhe
em nós em tudo o que desejamos fazer. O Senhor que habita em nós nos permite tocar Sua
vida, e somente isto faz nos sentirmos interiormente cheios.
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Na experiência espiritual, não é o calmo que pode comer; pelo contrário, comemos mais
quando estamos ativamente ocupados. Comemos quando somos ativamente usados. Se
estamos andando na vontade de Deus, quanto mais estivermos ocupados mais comemos. E
por esta razão, não estaremos exaustos ou vazios por trabalhar arduamente.
Cremos que muitos irmãos e irmãs podem dar testemunho desta verdade. Suponhamos,
por exemplo, que você vá hoje falar com uma outra pessoa. Você pode falar com grande
paixão mas o Senhor não se move em você. Depois de ter falado por cinco ou dez minutos,
para sua grande surpresa você começa a sentir que alguma coisa esta errada. Logo você
deseja mudar a direção da sua conversa pois compreende que não esta apto para ir em frente
como antes. Com o resultado se sente vazio quando finalmente você tem que ir embora. Nada
estava errado com suas palavras ou sua atitude. Você tentou o melhor para ajudar aquela
pessoa. Ainda assim estranhamente você se tornou muito vazio como se você divagasse.
Quando finalmente teve que ir embora, você se sentiu como se tivesse cometido um enorme
pecado. Às vezes você pode talvez ter visto um pequeno sucesso aparente, você pode até
mesmo ter tido o sentimento de que você fez tudo certo; entretanto, quando estes sentimentos
externos passam, você sente um grande vazio e fome. Como é verdade, que quando você se
move por você mesmo, e apesar de algum grau de aparente sucesso, você finalmente se sente
como um balão furado.
Irmãos e irmãs, vocês já se sentiram como se estivessem fora do ar? Se você andar de
acordo com seu próprio pensamento ao invés de seguir o Senhor com temor e tremor, por
melhor que possa ser sua intenção você sempre terminará como alguém fora do ar - não tendo
vigor espiritual. Quanto mais você trabalha menos significativo é para você. Quanto mais você
continua mais vazio você se sente. Em tal situação você se sentirá ainda pior se for elogiado.
Você simplesmente se odeia. Isto demonstra que tal trabalho não é alimento, já que ele não o
satisfaz.
Aqueles que conhecem o alimento encontram satisfação no Senhor. Pois Cristo é o pão
da vida; somente Ele pode satisfazer. Se o sua obra não pode tocar Cristo, você se sentirá
faminto. Mas se você O tocar, você tocará vida e realidade espiritual. Ocupado ou não, você
estará apto a dizer, “Agradeço e louvo a Deus, tenho alimento para comer, pois o Senhor é
meu pão!” Amados, vocês podem ver que a resposta para todos os problemas não está nas
coisa externas tais como onde você vai ou o que você faz ou qual mensagem você entrega ou
mesmo quanto tempo você gasta em retiros espirituais; mas que a solução está em você tocar
o Senhor interiormente. Todo que O toca obtém satisfação.
Alguns crentes podem dizer, “Já que o Senhor não me chamou para pregar ou para
trabalhar em algum lugar, como posso estar satisfeito? Os pregadores e os obreiros teem as
oportunidades de serem alimentados, mas muitas pessoas como eu vão embora famintos.”
Louvo a Deus, outros não irão embora famintos tais como estes. Para tais crentes mesmo que
devam realizar um pequeno trabalho como o de falar com outros por dez ou vinte minutos ou
conversar com eles em dez ou vinte sentenças, eles terão descarregado uma carga e se
sentirão satisfeitos interiormente se o que eles fizeram é do Senhor e pelo Seu poder neles. É o
Senhor quem nos dá cargas, e agora a carga está descarregada. Assim os crentes sentirão
depois satisfação e plenitude. Quando tocamos Deus ficamos satisfeitos, e desta maneira
obtemos alimento. Por esta razão, não são somente os obreiros que têm a oportunidade
especial de se alimentarem mas qualquer um tanto quanto eles tem uma chance para isto.
Diariamente temos ocasiões para nos alimentarmos, e por isto diariamente temos oportunidade
de sermos cheios. Cristo é o nosso alimento. Se O tocamos, temos alimento.
Vamos mencionar um outro, se bem que mais profundo, exemplo. Muitas vezes fazemos
o que pensamos ser bom e espiritual sem conhecer a mente do Senhor, depois
conseqüentemente nos sentimos vazios. Somente quando seguimos o Senhor é que
alcançamos satisfação. Certa vez um irmão notou que outro irmão estava se extraviando.
Vezes e vezes ele sentiu que deveria ressaltar ao irmão com toda clareza que este não era um
caminho de edificação mas de corrupção. Entretanto, desejando ser um cristão manso, decidiu
meramente exortar o voluntarioso irmão com um sorriso no rosto e umas poucas palavras
amáveis. Surpreendentemente, quando descarregou sua carga neste caso sentiu-se como se o
fundo de um barril tivesse caído. Do ponto de vista humano pareceu que ele fez bem e com
certo êxito. Sua atitude foi mansa e inofensiva. Mas ao invés de ser alimentado, ele se sentiu
faminto.
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Tal condição continuou por dois ou três meses. Ele sabia que alguma coisa estava
errada, portanto pediu ao Senhor que o iluminasse e mostrasse o motivo. Um dia orou,
“Senhor, qualquer coisa que queira que eu faça, eu a farei adequadamente.” O senhor ouviu a
sua oração e mostrou a ele o que deveria fazer. Pouco tempo depois disto aquele voluntarioso
irmão foi vê-lo, e desta vez ele o repreendeu severamente. Até aqui como seu temperamento
natural era de ser preocupado, ele sempre sofria por dias quando emitia algumas palavras
severas. Nesta ocasião, entretanto, por mais severo que ele fosse mais ele tocava o Senhor.
Então depois de ter emitido esta severa reprovação, ele não precisava, como anteriormente,
confessar seu pecado; pelo contrário ele pôde louvar ao Senhor. Sentiu-se como se tivesse tido
uma refeição completa. Agora nós não queremos dizer aqui que podemos reprovar as pessoas
casualmente ou descuidadamente; fazer isto será indubitavelmente errado. O exemplo
apresentado serve somente para mostrar que se fizermos uma coisa de acordo com a mente
do Senhor, seremos interiormente alimentados e conseqüentemente seremos fortificados.
Do incidente citado, descobrimos um fato importante: que o bem que alguém pode fazer
não é alimento. Você poderá pensar que tudo irá bem se for mais manso, no entanto a
experiência nos diz que mesmo que você haja mansamente, isto é uma ação do seu homem
exterior - e isto não pode ser alimento. Somente quando o Senhor se move em você, e você se
move de acordo com a Sua vontade, você terá alimento. Quando você toca vida, você adquire
alimento; quando você toca o Senhor, você está satisfeito.
Cristo É a Luz da Vida
O Senhor não disse somente que Ele é “o pão da vida”; Ele também declarou: “Eu sou a
luz da vida.” Pão é satisfação, luz é para ver. Satisfação dá força enquanto ver afeta o andar.
Já vimos como Cristo é o pão da vida. Agora veremos como Ele é também a luz da vida.
Primeiro de tudo, vamos ressaltar que a luz da vida não é um conhecimento da Bíblia.
Todos sabem que os cristãos devem ler suas Bíblias diligentemente. Mas se a lemos como um
livro de conhecimento ou como um livro didático de teologia, não teremos nada mais do que
conhecimento. Podemos estar habilitados a nos familiarizar com algumas doutrinas bíblicas
que são corretas, ainda assim elas são somente letras. No tempo em que o Senhor nasceu em
Belém, muitos sacerdotes e escribas estavam extremamente familiarizados com os livros dos
profetas; mesmo assim, eles não reconheceram o Cristo. Hoje o Novo Testamento esta junto
com o Velho Testamento. Ainda é possível para as pessoas lembrarem os textos da Bíblia e
mesmo assim não conhecerem Cristo. Por nenhum momentos estamos sugerindo que não
precisamos ler as Escrituras; simplesmente enfatizamos que lendo a Palavra podemos obter
conhecimento sem entretanto conhecer Cristo.
Muitos sacerdotes e escribas nos dias de Cristo tinham um tipo de conhecimento morto;
eles não conheciam o Senhor vivo. Muitas pessoas interpretam mal conhecimento, doutrina,
teologia e as ensinam como sendo a luz da vida. Alguém poderá ainda dizer que eles têm luz,
no entanto a que é deles não necessariamente é a luz da vida. O que eles consideram luz é
somente alguma interpretação relativa a uma passagem da Escritura ou um tipo de
ensinamento sobre a Bíblia. A verdadeira luz não é mero conhecimento. Não é nenhum outro
senão a pessoa do Senhor. O Senhor enfaticamente declarou que Ele é a luz da vida.
Irmãos e irmãs, a experiência de muitos confirma que o que vemos na luz da vida é
muitas vezes alguma coisa que não estamos aptos a proferir. Soa estranho que estejamos
aptos para ver e ainda assim não estamos aptos para explicar. Certa vez uma pessoa
questionou uma irmã para verificar se ela era ou não salva. Ela replicou: “Sim sou
recentemente salva, porém não sei como explicar. Mas sei que sou salva. Se você crê que sou
salva, sou salva; entretanto se você não crê que sou salva, ainda assim sou salva.” Suas
palavras soam verdadeiras. Ela era salva, porém ela não podia explicar. Ela sabia mas não
podia dizer como. Por esta razão, quando alguém vê pela primeira vez a luz ele pode não ter
muitas doutrinas para dizer; talvez ele tenha que esperar dois ou três anos antes de ter
algumas doutrinas e ensinamentos. Esta luz é a pessoa do Senhor. Qualquer um que O vê vê
luz.
Qual, então é a diferença entre ver a luz e não ver a luz? Que tipo de transformação nos
ocorrerá se a vemos? A diferença aqui é tremenda. Se realmente virmos a luz, cairemos no
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chão. Pois luz não somente ilumina mas também mata. Antes de Paulo ser iluminado, teria sido
consideravelmente difícil faze-lo cair; logo que ele foi acertado pela luz, no entanto, foi
imediatamente lançado ao chão. Algumas pessoas se esforçam para serem humildes; suas
palavras são humildes; seu comportamento é humilde. Exceto que este tipo de humildade é
muito exaustivo - para ambos para elas mesmas e para os espectadores. É como uma
pequena criança carregando um grande dicionário; mesmo que o dicionário não seja muito
pesado, ele noentanto esgota a força da criança. Quão duro é para o orgulhoso ser humilde!
Quão difícil é para nós cair do trono do orgulho! Mas quando a luz do Senhor brilha,
instantaneamente caímos. Não entendemos como; somente sabemos que luz nos nivela.
Doutrina não causa nenhuma queda. Alguém pode ouvir oito ou dez mensagens e até
memorizá-las; ainda assim, ele continua o mesmo. Ele pode tratar uma mensagem como se
devesse induzir choro ou tratar uma palavra como se devesse destruir a vida natural do homem
como uma matéria para pesquisa meticulosa. Aliás, neste caso doutrina passa a ser uma coisa,
ensinamento passa a ser uma coisa, palavra também passa a ser uma coisa. Isto tudo é morte;
não há luz.
Certa vez um irmão alegrou-se durante uma mensagem sobre Romanos 6. Ele pensou
que agora tinha visto Romanos 6. Poucos dias depois, no entanto, ele teve uma grande
discussão com sua esposa. Assim é a triste história do homem. Seu Romanos 6 era apenas
uma coisa - letras em um livro. Portanto ela não era luz. Se ele tivesse visto luz, não estaria
capacitado para agir como seu velho homem agia, pois ele estaria prostrado por causa daquela
luz.
Luz é rigorosa. Ela pode fazer o que o homem por si mesmo não pode. O que doutrina
não pode fazer, o que a ajuda dos irmãos e irmãs não pode fazer, e o que nosso próprio
esforço não pode fazer, luz pode imediatamente concluir. Podemos nos considerar um tanto
duros - mas quando a luz brilha, somos amolecidos. Quando João viu a luz ele se tornou como
um morto; o mesmo ocorreu com Daniel. Ninguém está preparado para ver a face do Senhor e
não cair. Ninguém pode contemplar o Senhor sem se tornar como um morto. É difícil para nós
morrer, é duro para nós ser humilde, mas assim que luz brilhar, isto tudo é feito. A luz que vem
do Senhor tem poder de matar. Ela derruba pessoas assim como ela brilha.
A pessoa do Senhor Jesus é luz. Conseqüentemente, qualquer que O encontra O vê e é
derrubado e enfraquecido como que morto. Muitos possuem um caráter áspero e difícil. Eles
nunca foram quebrados pelo Senhor; nem eles mesmos nem ninguém mais pode tratar com
eles. Então a luz do Senhor brilha sobre eles. Assim que vêem a luz, se tornam vasos
quebrados. Uma pessoa que vê o Senhor é definitivamente fraco e quebrado. Ninguém esta
preparado para viver depois de contemplar o Senhor. Isto é luz.
Caros amigos, nunca confunda luz com muitas outras coisas. O que nós usualmente
chamamos de luz não é necessariamente luz. Muitas são nada mais que doutrinas ou
chamadas “verdades”. Estas não têm eficácia em nós. Havia um irmão que amava muito o
Senhor. Um dia uma certa pessoa o encontrou e lhe disse: “Estou muito alegre pois descobri a
doutrina do pecado no livro de Romanos.” Em resposta ele disse: “Meu amigo, como é que
somente hoje você descobriu a doutrina do pecado em Romanos? Pensei que você tivesse
descoberto o fato do pecado há muito tempo atrás em você mesmo.” Muitos estão tentando
descobrir doutrina, mas eles não encontraram fato. A doutrina portanto permanece como
palavras e uma matéria morta. Ela não é nem luz nem vida nem Cristo. O primeiro efeito da luz
é matar. Não pense que luz vem somente para nos fazer ver. Não. Quando a luz surge, ela
cega nossos olhos. Ela certamente nos fará ver, mas este é o efeito posterior. Luz primeiro nos
cega e nos prostra ante ela então nos possibilita compreender. Aquilo que não pode nos
derrubar não é luz; nem é luz aquilo que não nos humilha. Quando Paulo viu a luz, ele foi
lançado ao chão e por três dias não pode ver nada com seus olhos. Por esta razão durante o
encontro inicial com luz, nós estaremos aturdidos. No momento em que alguém que habita na
escuridão contempla a luz, não esta apto para ver.
Que Deus tenha misericórdia daqueles que são tão cheios de justiça própria e
presunçosos. Pois tais pessoas nunca conheceram luz; tudo que possuem são nada mais que
doutrinas e conhecimento. Se tivessem visto a verdadeira luz, teriam confessado, “Oh Senhor,
o que eu sei! Eu não sei absolutamente nada!” Quanto maior a revelação, mais profunda é a
cegueira; quanto mais forte a luz, mais severo o golpe. Luz nos humilhará e nos derrubará ante
ela e então nos possibilitará ver. Se nós não fomos derrubados, humilhados, aturdidos e
reduzidos a nada, por este fato comprovado estamos ainda na escuridão, não possuímos luz.
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Que o Senhor seja misericordioso para conosco que por Sua luz Ele possa tirar nossa autoconfiança,
para que não nos atrevamos mais a confiar em nosso próprio conhecimento e
julgamento. Ho que possamos ir até Ele dizendo, “Senhor, Tu és a luz. Eu estou vendo a Ti,
agora entendo que o que eu tinha visto no passado era nada mais do que coisas”
Luz não é alguma coisa abstrata, é algo muito substancial. O Senhor Jesus é aquela luz.
Com Ele em nosso meio, temos luz entre nós. Quão comovente que muitas questões na vida
dos crentes são tão teóricas. Eles ouviram incontáveis abstrações que ofereceram pouca ajuda
pratica.
Certa vez havia um irmão que estudou em uma escola missionária quando era jovem.
Freqüentemente assistia cultos e ouvia sobre a doutrina da salvação, mas nunca havia
encontrado uma pessoa salva, nem ele era salvo. Um dia ele encontrou alguém pregando o
Evangelho. O pregador era um verdadeiro cristão, então através da sua pregação aquele irmão
foi salvo. Anteriormente, tudo o que ele tinha ouvido era somente uns poucos ensinamentos
abstratos, e portanto não estava preparado para ser salvo. Neste dia, no entanto, ele encontrou
um verdadeiro crente nascido de novo, e naquela pessoa encontrou alguma coisa concreta.
Por esta razão foi salvo.
Um irmão relatou a história do seu estudo da Bíblia. Disse ele: “Depois de ter ouvido um
bom número de irmãos e irmãs falar sobre santidade, decidi estudar a doutrina da santidade.
Encontrei no Novo Testamento mais de duzentos versículos sobre o assunto. Memorizei-os e
arranjei-os em ordem. Mas ainda não sabia o que era santidade; senti-me muito vazio. Esta
situação perdurou até que um dia encontrei uma irmã idosa que era verdadeiramente uma
santa mulher. Aquele dia meus olhos foram abertos para ver o que é santidade; pois tinha
encontrado uma pessoa que era santa. Como foi terrível aquela luz. Ela me causou muita dor.
Ela não permitiu-me nenhum modo de escapar. Ela mostrou-me o que é santidade.”
Desta experiência podemos entender que luz é concreta, viva, e efetiva. Se o que
pregamos é doutrina, doutrina será recebida pelas pessoas; mas isto é um objeto morto, não é
a luz da vida. Se a luz da vida é o que distribuímos, ela não irá somente iluminar a vida das
pessoas, irá também brilhar através delas. Precisamos entender que desde que luz é concreta
e prática na vida do nosso Senhor Jesus, ela deve ser a mesma em nossas vidas. Sendo uma
pessoa viva a luz da vida nos comunica vida quando é revelada.
Amigos, porque é que depois de muitos dias a verdade de Deus parece ter perdido seu
poder, tornando-se tão fraca que não pode nos tocar? Por nenhuma outra razão senão porque
ela se tornou muito doutrina, muito conhecimento teológico! Precisamos reconhecer que
somente o Senhor vivo pode produzir pessoas vivas. Olhemos para Deus para que seja
misericordioso conosco, permita-nos ver mais e mais que coisas são todas mortas mas que
somente o Senhor é vivo. As coisas mais atrativas e espirituais no cristianismo - se elas estão
fora de Cristo - são mortas. Deixemos a pessoa do Senhor ser esta ou aquela coisa para nós.
Então ela é viva. Ela é viva em ambos em nós e naqueles que a recebem de nós. Possa o
Senhor ser gracioso para conosco para que sejamos lançados ao chão diante dEle e que O
conheçamos de forma muito diferente.
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Capítulo IV - Cristo É Todas as Coisas de Deus
No dia seguinte João viu a Jesus que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro
de Deus, que tira o pecado do mundo. (João 1:29)
E Jesus lhes disse: Eu sou o pão da vida: aquele que vem a mim não terá
fome; e quem crê em mim nunca terá sede. (João 6:35)
Jesus pois lhes disse: Na verdade, na verdade vos digo que, se não
comerdes da carne do Filho do homem e não beberdes o seu sangue, não tereis
vida em vós mesmos. (João 6:53)
Falou-lhes pois Jesus outra vez, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me
segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida. (João 8:12)
Por isso vos disse que morrereis em vossos pecados, porque se não credes
que eu sou, morrereis em vossos pecados. (João 8:24)
Disse-lhes pois Jesus: Quando levantardes o Filho do homem então
conhecereis quem eu sou, (João 8:28)
Disse-lhes Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda
que esteja morto, viverá. (João 11:25)
Disse-lhes Jesus; Eu sou o caminho, e a verdade e a vida. Ninguém vem ao
Pai, senão por mim. (João 14:6)
Mas vós sois dele em Jesus Cristo, o qual para nós foi feito por Deus
sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção. (I Coríntios 1:30)
Quando Cristo que é a nossa vida, (Colossenses 3:4)
.. Senhor Jesus Cristo, esperança nossa, (I Timóteo 1:1)
O Senhor é a minha luz e a minha salvação; a quem temerei? O Senhor é a
força da minha vida; de quem me recearei? (Salmos 27:1)
Cristo É Ambos o Propósito de Deus e a Intenção de Deus
O propósito de Deus é Cristo, então também a intenção é Cristo. É através de Cristo para
Cristo. O que precisamos aprender diante de Deus concernente ao seu propósito é
especialmente esclarecido para nós em Efésios e Colossenses. Vamos agora ver o propósito
de Deus olhando nestes dois livros. Entretanto, notemos que há uma distinção entre eles. Em
Efésios, nos é mostrado como, de acordo com o propósito de predestinação de Deus, Ele
então arrumou para que no final dos tempos Ele reunisse todas as coisas em Cristo - as coisas
nos céus e as coisas sobre a terra. Colossenses, por outro lado, revela que Deus não somente
fez Cristo para ter o primeiro lugar em todas as coisas mas muito mais, Cristo é tudo em todos.
Por esta razão Colossenses revela para nós Cristo como a intenção assim como o propósito de
Deus. O propósito de Deus é fazer Cristo ter o primeiro lugar em todas as coisas. Para realizar
esta meta, Deus deve ter Cristo como todas as coisas. Somente por Ele ser todas as coisas e
habitar em todas as coisas Cristo pode reunir todas as coisas no céu e sobre a terra. Se Cristo
é tudo, naturalmente todas as coisas estão reunidas nEle. Se Ele habita em todos, o que mais
podem ser todas as coisas?
Lembrem-se que aos olhos de Deus há somente Cristo, e não coisas. Ele não vê nem
questões nem coisas, Ele somente contempla Cristo. As questões e as coisas das quais
normalmente nos lembramos são inexistentes à vista de Deus. Hoje provavelmente
reconhecemos que há uma porção de coisas e questões no mundo. De acordo com o nosso
ponto de vista mundano, há questões aqui e assuntos ali; mas de acordo com a estimativa de
Deus Cristo é tudo. Conseqüentemente não há questões nem coisas. Cristo é tudo em todos. E
haverá um dia em que o propósito eterno de Deus será cumprido.
Espero que você compreenda uma coisa, que é, que Cristo reunirá todas as coisas nEle
mesmo. Isto já começou a ocorrer hoje na igreja; não precisa ser algo que comece somente no
futuro, nem se torne verdade somente quando Deus finalmente alcançar seu propósito eterno.
Deus está atualmente abrindo nossos olhos para ver que na igreja Cristo é questões e
coisas. A igreja começa a entender isto, e a igreja começa a viver este mudo espiritual. Se a
igreja ainda vê coisas e questões, isto meramente prova que ela ainda não contemplou Cristo.
Mas certamente, as coisas e as questões que mencionamos aqui não se referem simplesmente
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a assuntos e questões deste mundo; elas apontam especialmente para os assuntos espirituais
e as questões espirituais.
O Evangelho de João Revela Cristo como Todas as Coisas de Deus
É um tanto surpreendente descobrir que João escreveu muitas palavras não encontradas
nos outros Evangelhos. O Evangelho de João é o mais profundo de todos os Evangelhos bem
como o último a ser escrito. Ele foi escrito depois de todo o resto do Novo Testamento ser
composto. Outros Evangelhos e muitas Epístolas já tinham aparecido, mas por último, João
apareceu para apresentar seu Evangelho. Nele finalmente há apresentado para nós qual é a
avaliação de Deus sobre Cristo e nele nos é dito como devemos conhecer Cristo como Deus O
conhece.
Aqui podemos entender que o que Deus precisa não é um cordeiro, nem é o que Ele deu
o pão da vida. Também viemos entender que Deus não providencia o caminho, a verdade, e a
vida, nem Cristo meramente usa o Seu poder para restaurar a vida do homem ou a visão do
homem. Em todo o Evangelho de João vemos somente um fato monumental, que é, que Cristo
é todas estas coisas. Ele disse que Ele é a luz da vida - Ele não disse que Ele é capaz de dar
às pessoas luz. Ele disse que Ele é o pão da vida - Ele não disse que Ele nos daria o pão da
vida. Ele disse que Ele é o caminho - Ele não disse que Ele nos guiaria para andar no caminho.
Ele disse que Ele é a verdade - Ele não disse que Ele nos ensinaria a verdade. Ele é a
verdadeira vida - Ele não disse que Ele nos daria a vida. Quando Lázaro morreu Cristo não
disse para Maria e Marta que Ele tinha o poder para ressuscitar seu irmão; ao invés disto Ele
declarou que Ele é a ressurreição.
Note por favor que o pão da vida é uma coisa, e também a luz, o caminho, a verdade, a
vida, a ressurreição, ou o cordeiro. Mas no cristianismo não há coisas - somente Cristo! Esta é
toda a questão.
O que precisamos compreender diante de Deus é que em nossa experiência não há nem
coisas nem questões mas somente Cristo; não que Ele nos dá luz, mas que Ele é a nossa luz;
não que Ele nos lidera no caminho, mas Ele é o caminho; não que Ele nos dá vida, mas Ele é
nossa vida; não que Ele ensine a verdade; mas Ele é a verdade. Irmãos, vocês compreendem
a diferença aqui? Tudo o que Cristo dá é a sua própria pessoa.
Um dia estava falando com um grupo de pessoas sobre fatos espirituais. Quando falei,
muitos olhos me fitaram. Disse-lhes que apresentaria o mais significante fato para eles: a
saber, que o Cristo de Deus é todas as coisas de Deus, pois Deus não tem nada mais para
nós; Deus não nos deu alimento, Ele nos deu Cristo; Deus não nos deu o caminho, a verdade,
e a vida, ao invés disto Ele nos deu Cristo. O Cristo de Deus é todas as coisas; fora dEle Deus
não tem nada.
O Que Paulo Entende
-Que Cristo É Nossa Esperança
Desejo que você veja que Paulo mais tarde disse a mesma coisa que o nosso Senhor
Jesus. Ele bem conhecia o Senhor e descobriu alguns fatos maravilhosos. Primeiro de tudo, ele
disse a Timóteo, “Cristo Jesus (que é) nossa esperança.” Amo ler esta palavra particular. E
você? Ele não diz nossa esperança esta em Cristo Jesus; ao invés disto ele afirma que Cristo
Jesus é nossa esperança. Não é um sentimento a nossa esperança em Cristo, aguardando ser
dada esperança por Ele; justamente a pessoa de Cristo é nossa esperança.
-Que Cristo É Nossa Vida
Então também, Paulo escreve para os Colossenses no seguinte sentido: “Quando Cristo,
que é nossa vida, se manifestar,” Disse Paulo, “Cristo é nossa vida.” Ao invés de dizer, Quando
Cristo é revelado, ele diz, Quando Cristo que é nossa vida é revelado. Você vê agora que um
cristão não tem nada a não ser Cristo?
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-Que Cristo É Nossa Sabedoria e Ressurreição e Santificação e Redenção
Um dos mais populares versos das Escrituras usados em nossas pregações é I Coríntios
1:30 que diz que “... Jesus Cristo, o qual para nós foi feito por Deus sabedoria, e justiça, e
santificação, e redenção.” Deus não nos deu justiça, Ele nos dá Cristo já que Cristo é nossa
justiça. Deus não nos deu santificação, Ele nos dá Cristo porque Cristo é nossa santificação.
Deus não nos deu redenção, Ele nos dá Cristo porque Cristo é nossa redenção. Deus não nos
deu sabedoria, Ele nos dá Cristo na medida que Cristo é a nossa sabedoria. É por esta razão
que dizemos que o Cristo de Deus é todas as coisas de Deus. O Cristo de Deus é as coisas e
as questões de Deus; fora dEle Deus não tem nem coisas nem questões.
Suponhamos que Deus nos diga hoje que Ele fará o Senhor Jesus nosso justificador.
Como pensaríamos? Diríamos, Ele de fato é nosso justificador. Mas de acordo com o que
Paulo escreve aqui Deus não fez o Senhor Jesus nosso justificador. Deus O fez para ser nossa
justificação. Isto não é extremamente bom? Cristo é nossa justiça.
Deus também não diz aqui através de Paulo que o Senhor Jesus é nosso santificador. Ao
invés disto Ele diz que o Senhor Jesus é santificação. Cristo não veio para nos santificar, Ele
veio para ser Ele mesmo nossa santificação. Nossa santificação não é uma coisa, uma ação,
ou um comportamento. Nossa santificação é uma pessoa, a saber Cristo.
Deus tão pouco disse que o Senhor é nosso redentor, mas Ele diz que o Senhor é nossa
redenção. Isto soa estranho para os seus ouvidos? Pois Paulo não disse que Deus deu o
Senhor Jesus para ser o redentor, ao invés disto ele declarou que o Senhor Jesus é redenção.
Agradeço a Deus, Cristo é nossa redenção bem como nosso redentor. Ele é nossa
santificação bem como nosso santificador. Ele é a nossa justiça bem como o nosso justificador.
Ele é a nossa sabedoria bem como quem nos faz prudentes.
O que Davi Compreendia - Que Cristo É Nossa Salvação
Se eu tivesse dito a vocês que o Senhor Jesus é nossa salvação, creio que todos
responderiam “Verdadeiramente, o Senhor Jesus é nosso Salvador.” Não é um tanto incomum
que o Salmo 27:1 declare que “Jeová ... é minha salvação”? Sabemos que o Senhor é nosso
Salvador, pois isto é real para nós. Mas Deus mostra a Davi que o Senhor é nossa salvação. O
Senhor Jesus é ambos nosso Salvador e nossa salvação. Aquilo que Deus nos dá é a pessoa
do Senhor Jesus.
Cristianismo Vivo Tem Uma Só Pessoa
Provavelmente você me perguntará, “Porque você coloca tanta ênfase neste ponto?”
Porque aqui encontra-se a diferença entre cristianismo vivo e cristianismo morto. A distância
entre estes dois caminhos é incalculável. Um é espiritual, enquanto o outro não é espiritual. Um
é de Deus, mas o outro é invenção do homem. Deixe-me dizer isto: que quando você tiver
estudado a Palavra de Deus cuidadosamente, descobrirá que na Bíblia há somente uma
pessoa, e não uma coisa. E a pessoa é o Senhor Jesus. Você não pode encontrar nenhuma
outra coisa exceto aquela pessoa.
Existe hoje um problema colossal entre os filhos de Deus. O cristianismo que eles
conhecem é um tanto fragmentário. Você obtém uma pequena graça, eu recebo um pequeno
dom, e ele fala um pouco em línguas. Este homem experimenta alguma mudança na sua
conduta, aquele homem possui alguma medida de amor; este tem paciência, aquele tem
humildade. Isto é o que comumente é conhecido como cristianismo. Mas isto é cristianismo?
Não isto não é, pois cristianismo é Cristo. Cristianismo não é recompensa, nem é o que Cristo
me dá. Cristianismo é nada mais que a pessoa de Cristo.
Você percebe a diferença? Estes são dois caminhos totalmente divergentes. Cristianismo
não é nenhuma coisa que Cristo me dá; cristianismo é Cristo dando a si mesmo para mim. Aqui
está o problema, aquelas pessoas consideram ser o cristianismo de hoje as qualidades de
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Cristo. Quando eu era pecador, Cristo dotou-me de graça e misericórdia. Agora que me tornei
um cristão, Ele dotou-me de paciência e humildade e mansidão e tudo o mais.
Mas isto não é exatamente deste modo.
Nada Impessoal É Cristianismo
Diante de Deus não é uma questão de qualidade de Cristo; mais precisamente, é Deus
nos dando a pessoa de Cristo. Deus não nos garantiu humildade e paciência e mansidão, Ele
nos garante Cristo inteiro. É Cristo quem se torna nossa humildade, paciência, mansidão. É
Cristo, o Senhor vivo. E isto é o que é verdadeiramente chamado de cristianismo.
Por favor tome nota que não há nada de impessoal no cristianismo. Você não pode
encontrar nenhum elemento impessoal nele. Todas as questões no cristianismo tem a ver com
personalidade, e a pessoa envolvida é Cristo. Pondo de outra forma, nossa paciência não é
uma coisa, é uma pessoa - nossa santificação não é uma experiência , é um homem - nossa
justificação não é uma coisa, é uma personalidade - nossa justiça não é um comportamento, é
um ser. Quando somos redimidos e libertos, não obtemos tais itens, pois nossa redenção e
libertação são vivos. Nossa paciência, nossa humildade, nossa mansidão, nosso amor, e tudo
o mais são o Senhor mesmo, não coisas. E isto é o que realmente é cristianismo. Na vida de
um crente hoje Cristo já é tudo, e ele não precisa esperar até um dia futuro.
Muitos perguntarão como podemos dizer Cristo é tudo? Deixe-me dizer-lhe que se você
verdadeiramente conhece um cristianismo vivo você não terá problemas para reconhecer
Cristo como tudo. Não que Ele dá tudo, mas que Ele é tudo.
Talvez surja um problema - porque muitos filhos de Deus sofrem consideráveis derrotas.
Isto é devido ao fato de que o que eles obtiveram diante de Deus é dom ao invés de Cristo.
Eles receberam de Deus muitos itens fragmentados mas eles não obtiveram o Cristo de Deus.
Eles possuem objetos e coisas mas não uma “Pessoa”. Pergunto a mim mesmo quanto
realmente vemos. Posso categoricamente afirmar que a solução para este problema resolve
todos os demais problemas.
No momento em que fomos salvos ouvimos a Palavra de Deus declarar que “Porque
Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que
nele crê não pereça, mas tenha vida eterna.” (João 3:16). Sentimos a necessidade de sermos
salvos. Portanto fomos para Deus e oramos, “Senhor, tu me amaste e me deste a si mesmo. O
Senhor não me daria também a salvação? O Senhor tornou-se meu Salvador, o Senhor agora
não me daria também a salvação?” Quão tolos somos em pedir por salvação como se o
Salvador não fosse suficiente. Isto no entanto é exatamente o que muitos estão fazendo.
Qual é o Evangelho que pregamos? Anunciamos que Deus nos deu o Salvador. Mas
quando nos arrependemos e oramos dizemos: “Deus, dê-me salvação.” Deixe-me dizer-lhe,
Deus tem nada mais que um Filho, e este Filho é sua salvação. Tendo ao Salvador você tem a
salvação. Porque você ainda pede por este? Somente os tolos defenderão, “Já que o Senhor
tornou-se meu Salvador, agora dê-me salvação também.”
“Eu Sou ...”
Hoje somos cristãos. Somos salvos, e Deus nos deu Cristo para ser nossa vida.
Entretanto, estamos continuamente pedindo a Deus por uma coisa, duas coisas, três coisas,
dez coisas, cinqüenta coisas, uma centena de coisas, dez centenas de coisas, um milhão de
coisas, um bilhão de coisas. Pensamos que isto realmente conta. Mas Deus nos mostra que
Cristo é nosso tudo.
É por esta razão que Deus revela em sua Palavra que o nome de Cristo é “EU SOU”.
Precisamos entender e experimentar mais deste abençoado nome.
Alimentando-se
No Evangelho segundo João o Senhor diz, “Eu sou o pão da vida.” Pedimos por pão,
tomando-o por uma coisa. Estamos tão famintos que rogamos a Deus para nos dar pão se for
da Sua vontade. O mais surpreendentemente é que, todos os que pedem por pão nunca o tem;
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e por esta razão permanecem famintos. Atualmente não sirvo ao Senhor por muito tempo, mas
O servi o tempo suficiente para estar apto para dizer que nunca encontrei alguém pedindo por
pão que o tenha alcançado. Você talvez possa retrucar: A Palavra de Deus pode estar errada?
Deus não disse que “Pois fartou a alma sedenta, e encheu de bens a alma faminta;” (Salmos
107:9)? Minha resposta é, certamente, “Encheu de bens os famintos,” (Lucas 1:53); mas o que
são estes bens que são comida para os famintos? Devemos saber que o que nos satisfaz
diante de Deus não é pão mas Cristo. Como é freqüente nos sentirmos famintos e vazios
interiormente; crendo que haja suprimento em Deus, oramos e esperamos comida. Não
sabemos como podemos obter a comida. Tudo que sabemos fazer é nos aproximarmos do
Senhor, crer e receber mais dEle e nos alegrarmos mais nEle. O que nos surpreende é, que
embora não alcancemos a comida que esperamos, apesar disso estamos satisfeitos. Não
obtemos a comida que imaginamos, mas mesmo assim em nossa intimidade com o Senhor
estamos satisfeitos por crer e aceitá-Lo. Pois a comida de Deus é Cristo. Não é uma coisa
chamada comida; mas Cristo é a comida. Os chineses têm um provérbio: um para todos. Isto
pode certamente ser aplicado para as coisas de Deus. Qualquer coisa que possamos pedir a
Ele, Deus sempre nos dá Cristo - o um para todos.
Minha Justiça e Santidade
Sempre me regozijo e me sinto como que louvando a Deus pela simples razão de que
minha justiça não é minha própria conduta mas é uma pessoa, a saber o Senhor Jesus. Já que
minha justiça é o Senhor Jesus, não posso somente dizer que tenho esta ou aquela justiça,
mas também posso conversar com minha justiça e louvar e dar glória à minha justiça. Como
isto soa para você? Talvez você possa se espantar como posso dar glória à minha justiça.
Ainda assim freqüentemente dou glória à minha justiça, pois minha justiça é o Senhor Jesus.
Nem é minha santidade meu próprio comportamento. Freqüentemente louvo a minha
santidade. Não estou afirmando que louvo meu próprio comportamento. Pelo contrário. Odeio
minha própria conduta. No entanto posso louvar minha santidade, porque minha santidade é
meu Senhor. Quão totalmente contrárias são estas duas: uma é uma coisa enquanto que a
outra é o Senhor.
A DESTRUIÇÃO E RECONSTRUÇÃO DE DEUS
Em nossa experiência espiritual descobrimos um fato. Depois de ser cristão por muitos
anos ou por muitas décadas nos encontramos mais irritados do que quando nos tornamos
crente. Recordo de um número de pessoas que me disseram que no início elas eram aptas a
serem pacientes, perdoar, e orar, mas que agora elas não podem mais ser assim. Inicialmente
elas podiam suportar qualquer tratamento que pudessem receber nas escolas, ou escritórios,
mas que no presente elas não estão mais aptas para fazê-lo. Muito embora seu mau humor
não explode em todas as ocasiões, seu pensamento interior é no entanto o de se vingar. Casos
semelhantes são muito numerosos para contar. Muitos me disseram que não são tão humildes,
pacientes, mansos, amorosos, ou zelosos como eram antes.
Irmãos, somente guardem em mente que Deus deve subtrair todas as coisas. Pois
quando a princípio cremos no Senhor pedimos a Deus por amor quando percebemos a
necessidade dele. Posso dizer que - e aqui aplicarei “beaba” para a situação - que Deus
naquela ocasião nos deu uma dose ou uma sacola de amor e então pudemos amar. Amor aqui
era um objeto, no entanto devemos ter recebido uma grande quantia dele. Mas deixe-me dizer
que Deus nunca permitirá que amor seja para sempre uma coisa na sua vida. Ele deve
finalmente fazer Cristo ser nosso amor. E com a finalidade de fazê-lo Ele tem que subtrair
aquele objeto ou coisa chamada amor de nós. Muitos, que são mau humorados ou intolerantes
antes de confiarem no Senhor, consideram a paciência um dom, uma salvação, uma coisa em
si mesma. Se eles têm somente isto, então todas as coisas irão bem. Pode ir bem com eles por
um ou dois anos, mas lá pelo terceiro ou quinto ano isto terá fracassado.
Deus realiza um tipo de trabalho similar a este na vida de muitos dos Seus filhos. Ele
removerá todas as coisas, não somente as coisas do mundo mas as coisa espirituais também.
Antes de sermos salvo, objetos e interesses mundanos usurpavam o lugar de Cristo; mas
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depois de sermos salvo, objetos e interesses espirituais tendem a ocupar o lugar de Cristo. Por
esta razão Deus deve nos mostrar um dia que “Cristo é meu mundo.” A princípio Ele subtrai de
nós as coisas deste mundo; posteriormente Ele subtrai nossos interesses ou coisas espirituais.
Ele remove nossa paciência, amor, poder, mansidão, humildade, pessoais. Certamente, Ele
remove tudo, para que não possamos viver por estas coisas boas mas ao contrário viver por
uma pessoa. Somos pacientes não porque recebemos poder para o sermos, mas porque
recebemos uma pessoa. O mesmo ocorre com a humildade e o resto: não é um poder mas
uma pessoa.
É bem por esta razão que Deus se ocupa diariamente em um trabalho de destruição na
vida de Seus filhos para que Ele possa também fazer diariamente a obra de reconstrução.
Diariamente destrói coisas e diariamente edifica Cristo. Esta é a maneira de Deus para com
Seus filhos. Deixe-me dizer-lhes que nos dias passados Deus pareceu dar a você um dom, um
poder de ser paciente; então você quase pensou que seu problema de ser paciente estava
resolvido. Você então voltou para pedir por humildade, e outra vez Deus apareceu para lhe dar
um dom, o poder de ser humilde, então você começou a sentir que seu problema com
humildade estava resolvido. Depois você percebeu um outro problema ainda na sua vida, pelo
qual você pediu a Deus uma solução. Todos os dias você tentou resolver um ou dois
problemas - ainda assim o que você estava fazendo era resolver problemas fracionados.
Irmãos, Deus subtrairá todas as coisas para dar a você uma pessoa para que seja
simultaneamente sua humildade, sua paciência, sua mansidão, e seu amor. Pois Cristo é tudo.
E isto é o que é verdadeiramente cristianismo. Deus edifica incessantemente até que
finalmente também este universo confesse que Cristo é de fato tudo.
Desculpem-me por me referir a mim mesmo por um momento. Sou preocupado e
também tenho cuidado com a vida espiritual de um número de pessoas. Muitas vezes vejo
alguém que sinto precisar de ajuda, e exortarei a ele dizendo, “Irmão, você carece de amor. Da
próxima vez você poderá mostrar amor para com seu irmão.” Então encorajo-o a amar.
Suponhamos que ele dê ouvidos à minha palavra e suceda que ele ame a seu irmão. Nós o
consideraremos um bom irmão e somos confortados pela efetividade de nosso trabalho.
Entretanto, o que este irmão alcança é amor, não Cristo. O Amor para ele não é uma pessoa, é
meramente uma coisa - uma faceta do comportamento humano. Isto eu chamo de cristianismo
comportamental porque ele consiste na exibição de certos aspectos do comportamento
humano. É o homem que esta trabalhando, pedindo, suportando, orando, crendo, recebendo,
esperando e tendo êxito com respeito a este assunto do amor. Por causa disto, digo que amor
na sua vida é nada mais que uma coisa, uma marca do comportamento. Isto é totalmente
diferente de o amor ser Cristo. Para eles isto torna-se uma lei de vida ao invés de um
comportamento da vontade. Que cristianismo distinto é isto!
Pergunto-me a mim mesmo se você compreendeu isto? Como você se sente quando
ajuda um irmão a seguir com Deus e fica sabendo mais tarde que ele ainda esta ocupado com
as coisas no cristianismo? Ele tem ainda que conhecer Cristo e como Cristo é todas as coisas
de Deus.
Conhecimento Adicional
Deixe-me adicionalmente explicar o que significa conhecer Cristo. Significa conhece-Lo
nas coisas e nas questões. O que isto pode significar? Significa conhecer Cristo como suas
coisas e questões. Alguns estão aptos para dizer que conhecem Cristo como sua paciência.
Isto é reconhecido como conhecer Cristo. Outros podem conhecer Cristo como seu amor; ainda
outros conhecem Cristo como sua humildade. Tal conhecimento causará uma mudança
drástica na vida. Daqui por diante você está apto para dizer que não há coisas em sua vida.
Acredito que alguns de vocês podem fazer esta declaração, pois reconhecem o que isto
realmente significa. Em seu mundo, bem como em seu mundo espiritual, não há nada além de
Cristo. Por exemplo, você não tem santidade exceto Cristo. Isto não implica, tenho certeza, que
você não é santo, somente que Cristo agora é sua santidade. Imediatamente você compreende
que Cristo é tudo. Daqui por diante você pode ser completamente liberto das coisas exteriores.
O enfoque total é uma questão de conhecer Cristo, não uma questão de oração ou exortação
ou encorajamento.
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Desejo que todos os servos do Senhor tomem nota deste fato: que não é nem exortação
nem encorajamento mas um conhecimento vivo de Cristo. Encorajando as pessoas, você pode
apenas conduzi-las a uma ação própria. Mas quando Deus abrir-lhes os olhos, elas conhecerão
Cristo; somente isto é efetivo. Palavras semelhantes a estas podem ser repetidas por centenas
de vezes sem nenhum resultado, até que Deus abra nossos olhos para vermos que Cristo é o
que nós realmente procuramos. Muitas pessoas O conhecem como o Senhor que os justifica,
entretanto elas estão temendo a Deus porque não conhecem Cristo como sua justiça. Muitas
conhecem o Senhor Jesus como sua santidade, ainda assim elas estão esperando santidade
diante de Deus. Porque? Porque elas só encontraram santidade. Já que o Senhor é
santificador, elas pedirão a Ele para lhes dar força para serem santas. Por prosseguirem neste
curso, no entanto, cedo descobrem sua impossibilidade de serem santas. Somente depois que
Deus lhes abre os olhos e lhes dá luz para ver que Cristo é sua santidade - e não o seu desejo
por santidade nem de Deus lhes garantir poder para serem santas - é que superam sua
dificuldade, pois Cristo se torna santidade nelas. Deixe-me dizer-lhes que podemos perder
poder mas não podemos nunca perder Cristo. Nossa santidade não está nas coisas que
fazemos ou o que Ele é para nós. Quando O conhecemos como tudo, todos os nosso
problemas são resolvidos. Portanto não tenho outra mensagem além desta: Cristo é tudo.
Aqui esta a dificuldade: conheço muitas pessoas que conhecem Cristo como seu Senhor
mas não O conhecem como suas coisas e questões. Se percebemos Cristo somente como “or”
e não como “ção” nós somente conhecemos Seus atos e não a Sua própria pessoa. Podemos
conhecê-lo como redentor, santificador, e justificador, ainda assim Deus quer que O
conheçamos como redenção, santificação, e justificação.
Você conhece o Senhor Jesus como seu salvador, ou como sua salvação? seu redentor
ou sua redenção? seu libertador ou sua libertação? seu santificador ou sua santificação? seu
justificador ou sua justificação? Conhecê-Lo como “or” é conhecimento primário; conhecê-Lo
como “ção” é conhecimento adicional e mais profundo.
Nos dias de hoje existem muitas coisas na vida dos filhos de Deus. Tudo estará bem se
um dia conhecermos que “Ele é”, e que assim todas as coisas revelam uma pessoa. O
propósito eterno de Deus está desta maneira realizado.
Enquanto nossa santificação, redenção, regeneração, poder, graça e dom permanecem
como objetos, ainda permanecemos na marginalidade do cristianismo. Mas quando as vemos
não como coisas mas como a pessoa do Senhor, começamos a conhecer Deus e entrar no
Seu propósito eterno. Daqui por diante elas são Ele, e nunca mais coisas.
É por causa disto que mencionei no princípio que muitas coisas que as pessoas possuem
são mortas. Uma vez que elas compreendam isto, suas coisas terão personalidade e revelarão
Cristo. Pois minha regeneração não é uma coisa; ela tem uma personalidade. Cristo a quem
possuo é uma pessoa, não uma coisa. Tudo o que tenho tem uma personalidade porque o
Senhor é tudo. Um dia Ele me levou a conhecê-Lo, agora Ele de novo me leva a conhecê-Lo
como todas as coisas para mim. Assim sou liberto da minha própria vida e também de todas as
coisas do mundo espiritual. Daqui por diante posso verdadeiramente dizer que o Senhor é tudo
em todos. Posso testificar que em minha vida diária Ele é tudo. Se hoje sou paciente, não sou
eu mas Ele que vive em mim que é paciente. Se hoje amo, não é por que tento fazer o melhor
para amar, pois o poder do amor não está em mim; mas é porque há Um que ama em mim. Se
hoje perdôo, não é devido à minha generosidade ou esforço ou habilidade, ao contrário é
puramente devido ao Um que vive em mim e sempre perdoa. De fato, Ele é o meu perdão. Se
hoje sou humilde, isto não acontece porque me lembrei o quanto sou orgulhoso e que portanto
preciso ser humilde. Minha humildade não vem através da supressão do meu orgulho ou
através da determinação de ser humilde; é a pessoa que está em mim que é humilde. Isto é
chamado de lei da vida. O que é lei da vida? Não é outra senão Cristo tornando-se nossa vida
e também nossas coisas.
Conseqüentemente, irmãos e irmãs, desejo que todos nós peçamos a Deus para abrir os
nossos olhos para que nós realmente vejamos que cedo ou tarde todas as coisas passarão
mas o que ficar será Cristo. Portando, deixemos Cristo ser tudo hoje.
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Capítulo V - Somente Cristo
“Disse-lhes pois Jesus: Quando levantardes o Filho do homem, então
conhecereis quem eu sou,” (João 8:28)
“Porque já estais mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus.
Quando cristo que é a nossa vida se manifestar, então também vós vos
manifestareis com ele em glória.” (Colossenses 3:3-4)
“Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra,
visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam
potestades: tudo foi criado por ele e para ele. Ele é antes de todas as coisas, e
todas as coisas subsistem por ele. E ele é a cabeça do corpo da igreja; é o principio
é o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência. Porque
foi do agrado do Pai que toda a plenitude nele habitasse, e que havendo por ele
feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo
todas as coisas, tanto as que estão na terra como as que estão nos céus.”
(Colossenses 1:16-20)
Conceito e Pedido do Homem
O dom que recebemos das mãos de Deus é Seu Filho, Jesus Cristo. Ainda assim é um
tanto variado o entendimento de muitas coisas acerca do Senhor Jesus. Se você me permiti
dize-lo, entre os filhos de Deus alguns consideram o Senhor Jesus como um dos muito dons de
Deus enquanto outros O apreciam como o único dom de Deus. Alguns recebem o Senhor
como seu primeiro dom, pois acreditam que há muitos outros dons junto dEle – dons que
podem girar em torno de milhares ou dezena de milhares em número; ao passo que outros
confessam que o Senhor Jesus é o dom de Deus, ou seja, Ele é o único dom de Deus.
Muitos são salvos quando a princípio recebem o Senhor Jesus. Mais tarde, eles
aprendem que ainda têm muitas deficiências e necessidades. Alguns podem descobrir que seu
temperamento agitado persiste mesmo depois de serem salvos; outros notam que seu orgulho
os segue; enquanto ainda outros podem achar que sua covardia permanece com eles.
É um tanto surpreendente que notemos as nossas necessidades quando começamos a
seguir o Senhor. No entanto já não somos cristãos? Porque então podemos estar em
necessidade? No entanto é como de fato nos sentimos. Somos novos cristãos mas com
deficiências. Qualquer que realmente sejam as nossas deficiências, não são corretas; nós
entretanto nos esforçamos para tratar com elas.
Na experiência dos filhos de Deus é freqüentemente observado que depois de serem
salvos muitos estão pedindo, esperando, crendo, e orando diante de Deus a respeito de
muitos, muitos dons os quais no devido tempo recebem. E eles enumeram Cristo na lista
destes muitos dons, vendo-O como mais um, embora evidentemente o primeiro e principal, dos
dons de Deus.
Oramos e esperamos, cremos e desejamos, e depois disso, alcançamos o que
necessitamos. E isto certamente parece bom quando superamos nossa deficiência especial.
Nosso coração alegra-se sobre o fato de que obtivemos um dom.
Agora neste tipo de situação muitos dos filhos de Deus vêem o dom de Deus e a graça
como aquilo que completa nossa necessidade. De fato, um número de pessoas provavelmente
dirá, o que mais pois é a graça de Deus se ela não é para preencher nossa carência? Tenho
aqui uma Bíblia com milhares de páginas. Está desaparecida a página que pede a Deus para
me preencher com Sua graça (se há de fato semelhante página). Em outras palavras, o que
preciso são somente pedaços e fatias, mas estarei completo quando aquelas fatias são
preenchidas. Algumas pessoas precisam de cinco fatias; outras necessitam de dez fatias
porque é o que elas carecem. Meu amor pessoal é provavelmente quase perfeito, no entanto
ele será também melhor se um pouco de humildade e um pouco de paciência são adicionados.
Posso ainda precisar destes pedaços mas serei perfeito depois destes serem suplementados.
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O conceito do homem é sempre uma questão de carência ou necessidade; conseqüentemente,
ele usualmente pede a Deus por aquele suprimento particular.
Por esta razão a situação é como segue. O que carecemos e pedimos são todas coisas,
objetos os quais podem ser contados em número. Declaramos que estamos esperando nisto
ou naquilo, e somente se Deus provê-los, então tudo estará bem.
Suponha que carecemos paciência. Exatamente que tipo de paciência estamos
esperando ter? Nossos olhos raramente olham para o céu como nosso padrão; pelo contrário,
usualmente olhamos em torno de nós: “Que pena que não sou tão bom quanto Fulano-e-
Siclano! Ele é tão paciente, enquanto eu sou tão impaciente. Ele é tão manso, ao passo que
sou tão orgulhoso. Pudesse eu ser tão paciente e tão manso quanto ele.” Algum tempo atras,
sendo a primeira vez que orava após minha salvação, pedi a Deus que me desse uma Bíblia
igual a que um certo irmão tinha. Freqüentemente oramos somente pelo que vemos a respeito
de outros. Não estamos aptos para pedir por alguma coisa do céu a qual nunca vimos. Nós
portanto oramos por paciência ou humildade semelhante a que uma certa pessoa tem. Nós já
temos descrito em nossa mente o que é humildade ou paciência.
Posso perguntar-lhe uma questão hipotética? Você ficaria feliz se logo depois de você ter
crido no Senhor, Deus pegasse a paciência de uma certa pessoa e depositasse em seu
interior? Você muito provavelmente se consideraria perfeito e totalmente satisfeito por uma
semelhante adição.
Você vê paciência como uma coisa, que outra pessoa possui. Já que há um traço
semelhante chamado paciência entre irmãos e irmãs, você também deseja ter aquele traço.
Freqüentemente você descamba a odiar a si mesmo porque foi mal concebido com tal mau
humor. Quão agradável seria estar onde você tem somente aquela coisa que a outra pessoa
tem. Por esta razão, muitos dos filhos de Deus admiram paciência como uma coisa; quer dizer,
eles anseiam por alguma coisa semelhante a um temperamento controlado. Para eles
paciência é uma coisa que Deus tem, que algumas pessoas na terra têm, mas que eles não
possuem. Sua necessidade urgente é ter paciência adicionada a eles, fazendo-os desta
maneira pessoas pacientes também.
Falando muito francamente, aqui se encontra a diferença básica entre o real e o falso
cristianismo. Muitos do povo de Deus estão procurando alguma coisa que parece ser em toda
parte mais esperada em suas próprias vidas. Eles notam que muitos aqui , e muitos ali, e
muitos em toda parte mais a têm, mas eles não. Por esta razão procuram uma coisa, pois
alguma coisa existe sobre a terra. Tal idéia é comum no cristianismo. Pessoas perseguem e
então possuem algum item. Elas se alegram e estão agradecidas pelas coisas que recebem.
Cristo Sozinho
O que a maioria das pessoas falham em reconhecer é que na esfera espiritual não há
nada mais que Cristo. Não há paciência nem humildade nem luz no mundo espiritual; estas
coisas não existem. É Cristo e Ele sozinho.
Em vista disto precisamos ter um trabalho adicional feito por Deus em nossa vida.
Quando fomos salvos foi-nos mostrado que o que precisávamos era Cristo, não obras. Fomos
salvos através de Cristo e não pelo nosso esforço. Similarmente devemos ter uma drástica e
profunda revelação em nossa preocupação presente; a saber, que o que precisamos é Cristo,
não coisas. Exatamente como foram eliminadas muitas questões quando pela primeira vez
cremos, assim muitas mais questões devem ser totalmente destroçadas hoje. A única diferença
é, que o que foi destruído primeiro eram pecados, enquanto que o que mais tarde é demolido
são coisas espirituais. Foi no princípio que nosso orgulho, ciúme, vanglória, mal humor, ou
algum outro pecado(s) foram destruídos; hoje nossa paciência, humildade, e estilo próprio de
santidade devem também ser destruídos para que possamos entender que Cristo é nossa vida
e nosso tudo. Quão vastamente oposto é este cristianismo do cristianismo que as pessoas
usualmente concebem.
Um número de irmãos e irmãs freqüentemente vem falar comigo e me fazer muitas
perguntas. Você pode estar no meio daquele número que pode considerar a si mesmo melhor
que muitas outras pessoas, mas estou temeroso de que você permaneça o mesmo por toda a
sua vida, porque o que você tem em si mesmo são nada mais que coisas. Como você estima a
paciência, você verdadeiramente tem paciência; como você estima a humildade, você é
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certamente bastante humilde; você é muito brilhante em realizar tarefas e bastante bom em sua
conduta. Você tem amor e está sempre pronto para ajudar e para perdoar. De acordo com o
padrão do homem, onde mais alguém pode encontrar um bom cristão semelhante a este?
Mesmo assim, devo dizer honestamente e diretamente que o que você tem em si mesmo são
meras coisas. Você deveria perceber diante de Deus que aquilo que é espiritual não é uma
coisa mas é o Senhor Jesus Cristo; não o que você tem, nem o que você pode fazer, nem
ainda o que você pode obter, mas somente o que Cristo é. A não ser que Ele venha a ser
aquela coisa na sua vida, nada mais é de algum valor espiritual. No mundo espiritual não há
nada mais que Cristo já que Ele é todas as coisas de Deus.
Qualquer Um que Tocar Cristo Toca Vida
Pode ser de grande ajuda aqui se relatarmos uma experiência pratica. Permitam-me
relatar um pouco sobre minha experiência pessoal. Vários dias atrás aconteceu alguma coisa
na casa de um irmão. De acordo com a obrigação, naturalmente deveria visitá-lo; pois a menos
que alguém decida não ser um cristão, ele naturalmente deveria desejar ser uma pessoa
compassiva. Se eu fosse vê-lo, poderia estar apto para ajudá-lo por um lado dividindo com ele
alguma coisa do meu sentimento pessoal, e por outro lado por livrá-lo de incontáveis problemas
no futuro. Então comecei minha caminhada para visitar o irmão. Entretanto, quanto mais longe
caminhava quanto mais frio interiormente me tornava até que não havia ficado mais espírito em
mim. Imediatamente percebi que era eu outra vez que desejava fazer alguma coisa
compassiva. Estava tentando realizar um ato de amor ao irmão, ainda assim eu já havia tocado
a morte. O ato era ambos elogiável e certo, mas não era Cristo porque eu o estava fazendo.
Qual seria a conseqüência se eu me incumbisse da tarefa? A resposta: morte interior,
congelamento interior. Posso ter iniciado um ato recomendável, mas não encontrei vida. Era
sem dúvida um ato de compaixão, ainda assim eu não poderia encontrar o Senhor nele. Tudo o
que poderia ter dito era que eu estava compassivo. Permita-me reiterar que todas as vezes que
você toca Cristo, e não conduta, você toca vida. Onde você somente toca conduta você poderá
morrer, já que é você quem está fazendo.
Devemos entender que cristianismo é Cristo, e a vida do cristianismo é também Cristo.
Não empilhe milhares de itens bons e olhe aquela pilha como vida cristã. Se você estivesse
apto para reunir toda a humildade sobre a terra e também reunir dezenas de milhares de outros
bons traços, você ainda poderia não ter criado um cristão. Tudo que pode ser visto é uma série
de coisas; não se pode ver Cristo.
Alguns anos atrás meus obreiros freqüentemente implicavam comigo da minha tentativa
para salvar as aparências. Desejava salvar as aparências de outros assim como a minha. Não
gostava de expor as questões dos outros; eu não costumava permitir indivíduos deixar minha
casa sentindo-se magoado; e era muito relutante em constranger qualquer um. Se alguém se
sentisse inútil, era eu que o encaminhava muito antes. Eu queria ser uma pessoa mansa. No
entanto, freqüentemente em meu contato com este ou aquele irmão sentia morte - morte
instantânea, sem nenhum toque de vida - quando eu tentava ser uma pessoa boa e terna para
ele. Só poderia ter uma explicação para isto: esta ternura era uma coisa, o produto de meu
próprio esforço. Não era Cristo, por esta razão eu morria instantaneamente. Eu tinha tocado um
corpo morto; estava enfraquecido por dentro. Não havia ficado nenhuma força em mim, e então
estava interiormente acabado.
Isto, então, é o essencial de toda a questão. Como vivemos diante de Deus,
experimentamos morte quando vemos somente as coisas. Se o que temos é meramente uma
coisa imediatamente tocamos a morte, porque não é Cristo . Tivéssemos tocado Cristo,
teríamos pelo menos uma vez tocado vida, já que a pessoa dEle é vida.
A Árvore da Vida É Viva
Freqüentemente somos reprovado em nosso trabalho. Suponho que todos saibam que os
que servem a Deus sempre desejam fazer mais para Ele. Agora servir a Deus é basicamente
uma excelente e correta incumbência. Muito freqüentemente isto nos faz sofrer, gastar e ser
gasto. Apesar disso, muitas vezes em nosso serviço não podemos tocar vida, ao contrário
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sentimos ter tocado morte. Nosso interior começa a ser enfraquecido, e somos internamente
censurados como estando errados. Em que ponto no tempo fomos errados? É no momento em
que concebemos a idéia de que então trabalharemos para Deus que somos enfraquecidos e
interiormente censurados. Oh, é totalmente possível recebermos severas reprovações em
nossa “boa ação” e também em nossa “má ação”!
Quantas pessoas que crêem que Deus nos repreenderá somente porque quando
pecarmos! Posso sugerir que Ele que habita em nós nos repreende quando fazemos o bem.
Pois o princípio diante de Deus não é a árvore do conhecimento do bem e do mal, é a árvore
da vida. O conhecimento do bem e do mal é inadequado, já que o caso é uma questão de vida.
No dia em que alguém come o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, ele deve
morrer. Somente a árvore da vida é viva.
DOIS TIPOS DE VIDA CRISTÃ
Existem dois tipos de vida entre os filhos de Deus: um tipo é cheio de coisas enquanto
que o outro tipo é Cristo. Na aparência eles parecem quase o mesmo. Por esta razão é
extremamente difícil localizar suas diferenças. Ambos podem falar de humildade, mansidão,
amor, ou perdão. Eles são dificilmente distinguidos aparentemente. Mesmo assim, um é nada
mais que uma série de coisas, enquanto que o outro é a pessoa de Cristo. Quão distintos eles
são interiormente.
A Cruz de Cristo
Deixem-me afirmar bastante diretamente: se seu tipo é coisas, você não precisa da cruz;
mas se seu tipo é Cristo, você aprende a ter a cruz. A cruz não é somente para a exclusão dos
nossos pecados, ela também inibe nossas atividades. Ela refreia nossa ação assim como
confere nossos pecados. Muitas dificuldades surgem justamente neste ponto - que os filhos de
Deus consideram bom se eles fazem bem, ainda assim eles falham em perceber que seu bem
é meramente uma coisa. Na presença de Deus a questão toda é Cristo. Se Ele se mantém
quieto, como podemos nos mover? Podemos facilmente proferir muitas palavras, mas se Ele
não falar nós mesmos não ousamos falar. Pois se o fizermos tocaremos a morte, e nos
tornaremos interiormente fracos e despedaçados. Podemos sem esforço ajudar as pessoas em
muitas preocupações e ganhar o louvor dos homens por sermos terno; ainda assim quando
começamos a prestar estas ajudas imediatamente nos sentimos derrotados interiormente.
Aqui vemos a cruz: que qualquer coisa que possamos realizar por nossa bondade não
requer cruz; é somente quando permitimos ao Senhor viver em nossa vida que então Ele pode
ser nossas coisas e nosso tudo que precisamos da cruz. Se Ele não faz nenhum movimento,
como podemos nos mover? Oh como precisamos pedir a Deus para nos livrar das nossas boas
obras exatamente como pedimos a Ele para nos libertar dos nossos pecados. Como muitas
vezes é relativamente mais fácil ser libertado dos nossos pecados (já que o pecado é
condenado) do que ser libertado da vida natural (já que para muitos isto não é nem condenado
nem rejeitado).
Cristo É Cura
O que realmente significa para nós quando dizemos que Cristo é nossas coisas? O que
uma declaração como esta nos expressa? Penso que podemos aprender uma boa lição em
nosso corpo físico. Muitas pessoas, fisicamente fracas, oram a respeito de cura. Aqui podemos
distinguir três diferentes conceitos de fé. Alguns crêem que Deus é seu médico; outros crêem
que Deus pode lhes dar cura e saúde; enquanto que ainda outros crêem que Deus é sua cura.
Quando as pessoas contraem alguma enfermidade ou problema físico, o que elas
procuram em seguida? Elas esperam que Deus seja seu médico. Já que Deus é o Deus vivo,
Ele pode tocar o corpo com Seu poder e curar. Se este é o caso, deixe-me dizer que seu Deus
está tão distante delas como está o seu próprio médico. Pergunto a mim mesmo se você
realmente acompanhou o que acabei de dizer. Muitos esperam que Deus seja seu médico,
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porém eles parecem se esquecer que justamente tanto quanto um médico terrestre está
distante de seus pacientes, Deus está distante deles também.
Outros talvez possam mostrar melhor entendimento, pois eles contam com Deus para a
cura e saúde. Um dia Deus lhes dá saúde, e então eles ficam bem. Muitos estão orando e
procurando por saúde. No entanto, há ainda muitos corpos fracos caindo aqui e ali. Porque
isto? Porque por esperarem que Deus seja um médico ou cure, os crentes estão ainda
procurando por alguma coisa externa.
Algumas vezes Deus de fato cura , pois esta é Sua maneira de treinar criança pequena.
Para uma pessoa que recentemente crê, Deus pode desejar ser seu médico ou lhe conceder
saúde. Mas depois que ele confiou no Senhor por um tempo este crente estará ma mão de
Deus para educação e treinamento. Deus não será mais seu médico nem lhe dará saúde,
porque Ele reserva o melhor para Seus excelentes filhos. Deus quer ser sua saúde: não
outorgar saúde, mas ser a saúde: não meramente como o Deus que cura, mas mais como o
Deus da saúde. Deus é a minha saúde. Pois na falta de uma expressão adequada, somente
posso reverentemente dizer, diante de Deus, que Cristo é a nossa saúde.
Incontável número de pessoas tomam saúde como um objeto, como alguma coisa fora de
Cristo. Tão logo que Ele cura, tudo está bem. Relembrem a mulher que tinha uma hemorragia
(ver Lucas 8:43). Ela de fato tocou Cristo, mas o que a Bíblia diz? Cristo estava consciente de
que poder havia saído dEle. Era do próprio Cristo que tinha saído. Não que Ele estivesse
fazendo a obra de cura, mas que dEle saiu a cura. Quando Ele vai adiante como cura, as
pessoas ficam curadas.
Quão freqüentemente estamos aptos a olhar para cima, apesar da fraqueza contínua e
das dores físicas, e dizermos: “Senhor não espero que Tu sejas meu médico e vá embora
depois que a doença é curada; nem conto contigo para curar como uma coisa garantida a mim
para meu prazer temporal mas seguir adiante contigo mesmo. Senhor, quero a Ti para ser
minha cura. Se médico, o médico que habita em mim; se cura a cura com uma personalidade.”
Minha cura tem uma personalidade; ela é uma pessoa que se torna minha saúde. Deus é a
minha saúde, Cristo é a minha saúde. Você vê a diferença? Quão distintos eles são. Um dia
quando aprendemos esta lição temos mais do que cura como coisa, porque temos uma pessoa
que se torna a vida de nosso corpo. Imediatamente todos os outros problemas são resolvidos.
Pois agora ela é uma relação entre nosso corpo e o Senhor. Se alguma coisa acontece entre
nós e o Senhor, nosso corpo sofrerá as conseqüências disto. Todas as nossas coisas são
levadas ao Senhor. Não podemos fazer nada exceto esperar nEle. Isto é bastante oposto de
cura como uma coisa.
Agradeço ao Senhor, pois tenho recebido cura numerosas vezes. Estou pronto para lhes
dizer como em uma certa data eu estava doente e como em outra data definida eu estava
curado por Deus. Posso relatar muitos incidentes sobre cura. Quanto mais conto estes
incidentes, maior se torna o número deles. Porém todos estes exemplos são somente
pequenas curas, sendo casos históricos que podem ser enumerados. Entretanto, posso lhes
apresentar um outro incidente, que em um certo dia em um certo mês de um certo ano Deus
abriu meus olhos para ver que Cristo é minha cura. Isto não pode ser repetido, nem pode ser
numerado. É uma vez por todas. Não é um caso mas é uma pessoa ou uma cura
personificada. Minha cura agora tem uma personalidade. Cristo é minha cura para sempre.
Louvo ao Senhor, isto é um fato. Ter o Senhor me curado e ter a Ele como minha cura são
duas estradas totalmente adversas. Uma é uma coisa enquanto que a outra é uma pessoa.
Posso lembrar-lhes que embora Paulo não tenha obtido cura ele no entanto foi curado.
Você pode notar a diferença aqui? Em II Coríntios 12 Paulo nos diz que ele não obteve cura
como uma coisa, porém em sua vida ele tem Um que continua a ser sua cura. Embora sua
fraqueza persista, sua cura igualmente persiste. Sua fraqueza é prolongada, mas sua cura é
prolongada também. Qual é o nosso conceito de cura depois disto tudo? Cura para a maioria
de nós é uma questão de eliminação. Isto não é assim. Cura não é uma eliminação
absolutamente, cura é ter Alguém lá. Não é a ausência de fraqueza mas é a presença do
Poder.
Lembro-me quando pela primeira vez vi isto, quão lentamente a luz surgiu sobre mim. Era
porque o que minha mente podia entender eram somente coisas e que o que eu via perto de
mim era também coisas. Não sabia que o Senhor poderia ser todas as coisas para mim, nem
entendia que cura não era uma coisa. Só sabia que o Senhor tinha me dado uma promessa.
Não sabia que Ele era a minha cura. Um dia estava lendo a história de Paulo em II Coríntios.
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Meditei em quão fácil era para o Senhor dar cura. Pois para Ele tirar aquele espinho de Paulo
era uma questão simples. Como era estranho que Deus não tivesse feito isto. Portanto voltei a
orar.
Como eu estava orando visualizei uma cena de anos atrás. Em 1923 fui convidado para
pregar em uma certa cidade. Peguei um pequeno barco que estava subindo o rio Ming. Notei
que o barco freqüentemente raspava contra o leito do rio, pois a água estava rasa e o fundo do
rio era acidentado. Algumas vezes o barqueiro tinha que puxar o barco rio acima por uma
corda. Em minha oração eu repentinamente lembrei este incidente. Eu disse, “Deus, é fácil
para Ti remover estas pedras. Como seria bom para o barco navegar com água por baixo se
Tu removesses estas pedras.”
Li novamente II Coríntios 12, onde descobri ser precisamente esta a oração de Paulo. A
água estava rasa e as pedras se projetavam bruscamente do fundo do leito do rio. Por esta
razão Paulo esta orando “O Deus, Tu poderias remover estas pedras para que meu barco
possa navegar na água.” Para o que Deus respondeu, “Eu não removerei estas pedras, mas
farei com que a água suba. Quando a água sobe, o barco pode facilmente navegar.” Isto é o
que Deus faz. O que pedimos é cura como um objeto para se obter, mas Deus deseja ser Ele
mesmo nossa cura. Ele nos conduzirá. Aquela fraqueza particular de Paulo ainda continuou
com ele; porém ele não estava tentando superar sua fraqueza por sua própria força. Se ele
tivesse que fazer isto, ele estaria se ofuscando a si mesmo com seu próprio poder. Mas era o
poder de Cristo que o ofuscava; era o próprio Deus que estava trabalhando. Aqui outra vez
está a distinção básica, que de um lado é Deus dando uma coisa, e do outro lado é o próprio
Deus sendo aquela coisa.
Coisas Contáveis Não Duram
O que muitas pessoas buscam intensamente? Elas estão a busca de uma coisa. Um
grande número de irmãs vem falar comigo. Como elas anseiam por paciência! No entanto eu
freqüentemente medito quão rala realmente deve andar sua paciência! Seu pensamento é: Se
eu pudesse somente ser paciente, se Deus me desse somente uma dose de paciência para
engolir, então eu estaria bem. Elas procuram por paciência como se fosse uma dose de
medicamento. Elas podem estar aptas a serem pacientes por três ou cinco dias, mas esta
paciência tem um tempo limitado. Depois de serem pacientes por um momento, esta
“paciência” murcha até que um dia desaparece completamente. Se ela é nada mais que uma
coisa ela será consumida. E embora seja obtida através de oração, ela contudo será esgotada.
Pois em consideração à necessidade temporária dos filhos de Deus e a fim de acomodar suas
tolices, Deus algumas vezes ouve suas preces e concede a eles seus pedidos. Ele contudo
não ouvirá a eles em todas as ocasiões, pois tal condição nunca deverá ser prolongada.
Devido ao fato de que em Seu mundo não há coisas mas Cristo - Cristo sendo tudo em
todos - Deus não permitirá paciência ou humildade ou mesmo amor como uma coisa se
prolongar indefinidamente na terra. Finalmente Deus nos mostrará que Cristo é paciência,
Cristo é humildade, ou que Cristo é amor. É Cristo, não um item, que Ele outorgou. No dia em
que nossa relação com o Senhor é verdadeiramente normalizada, nós naturalmente veremos
como todos os nossos problemas são resolvidos. Não é realmente uma questão de paciência
ou de qualquer outra coisa; é uma questão de Cristo. Tão cedo quanto nosso relacionamento
com Cristo é totalmente restaurado para aquilo que Deus tem designado, nossos mil e um
problemas serão todos devidamente resolvidos. Pois a questão toda é Cristo, não uma coisa ou
coisas.
Devemos Conhecer Cristo
Diante de Deus todas as questões giram em torno de uma proposição de conhecer
Cristo. O que significa conhecer Cristo? Algumas pessoas O conhecem como seu amor; outras
pessoas O conhecem como sua humildade. Algumas conhecem mais de Cristo enquanto que
outras conhecem menos dEle. Na medida do nosso conhecimento de Cristo como nossas
muitas coisas está a medida do nosso conhecimento dEle, pois só isto é contado como nosso
conhecimento apropriado. Conhecer Cristo não é um termo abstrato aplicado somente para
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verdade objetiva; conhecer Cristo é ambos ativo e substancial. É percebe-Lo como nossas
coisas: Ele é estas nossas coisas e Ele é aquelas nossas coisas.
Alguém pode estar apto a se levantar e testificar como ele não sabia nada sobre pureza -
pois seu coração, cabeça, pensamento e tudo o mais eram impuros; mas agora, agradece a
Deus, Cristo tornou-se sua pureza porque Deus assim O fez. Imediatamente você compreende
que aquilo não é uma coisa que você possui, mas ela é Cristo. Já que Cristo habita em você,
Ele traz aquela coisa para você. Não que venha para você mesmo mas que Ele a traz nEle
mesmo - isto é cristianismo.
Em vista disto tudo que temos dito, permita-me francamente colocar que a menos que os
olhos do filho de Deus sejam abertos por Ele para ver que Cristo é suas coisas, aquela pessoa
é de muito pouca utilidade para Deus. Porque o que ele tem são simplesmente suas obras, as
quais ele mesmo faz. Mesmo que ele ore e receba de Deus, o que é dele é temporário, tendo
pouco valor espiritual diante Deus.
Aliás, quanta graça que muitas pessoas recebem de Deus é nada mais que coisas.
Alguns, no entanto, recebem graça com uma personalidade: sua graça é o Filho de Deus.
Esperem até que um dia vocês estejam aptos a dizer para Deus: “Eu Te agradeço e louvo,
porque a graça que recebi é Cristo. Minha graça é uma pessoa, tem uma personalidade.” Oh,
deixe-me dizer-lhes que assim que vocês vejam tal diferença vocês poderão imediatamente
distinguir vida de morte. Muitos dos irmãos podem apenas distinguir entre bem e mal; eles não
podem diferenciar vida e morte. A razão para isto é simplesmente que eles falham em ver que
todas as coisas estão em Cristo, Ele é ambos a coisa e a questão. Na esfera espiritual não há
nem coisa nem questão mas somente Cristo.
Se Deus realmente abriu seus olhos, você imediatamente começa a reconhecer coisas
quando você as encontra. Esta colocação soa estranha, mesmo assim ela é real. Alguém pode
parecer paciente, manso, humilde, fiel, amoroso, caloroso e piedoso, mas para você cujos
olhos foram abertos ele é meramente cheio de coisas. Justamente como todo mundo pode
distinguir um anel de um dedo, um chapéu de uma cabeça, óculos de olhos, e roupas de um
corpo, também uma pessoa pode diferenciar coisas de Cristo. Para os não iniciados isto pode
parecer espetacular, mas para aqueles que compreendem, isto é bastante simples. Tudo o que
procede de coisas é morte interior e produz morte exterior. Se alguém tem sensibilidade
espiritual ele sentirá a morte quando fizer isto. O resultado de tal obra externa só pode ser
morte e não vida.
Alguém pode ser muito amável, porém se sua influência está limitada pelo domínio do
bem e do mal, não tem efeito espiritual. Um irmão que é bom naturalmente, paciente,
longânime, sofredor e amável pode talvez ajudá-lo, mas se estas características são somente
traços elas suscitarão em você uma sensação de morte. Você não estará apto a abraçá-las;
pelo contrário, uma resistência brotará em você. Ninguém pode calcular o poder desta
resistência da vida. Algumas vezes as pessoas dizem uma palavra que soa bastante bem mas
no entanto é inadequada, e tira de você uma tremenda resistência. Diga-me por exemplo
porque em uma reunião de oração você toda vez responde com um amém? Porque você é
tocado pela vida. Quando um irmão está orando ele tocou sua vida, você por isso
espontaneamente diz amém. Mas alguma outra oração pessoal, embora possa soar séria e
atraente, produz um esfriamento interior. Você anseia que ele cesse de orar, pois sua oração
não é diferente de sua personalidade. Ele tem alguma coisa, somente que aquela coisa tem o
toque da morte. Uma coisa não produz morte somente na própria pessoa mas nos outros
também. Não há absolutamente nenhum valor espiritual naquilo, pois é feito pelo homem.
Já que esta é a situação, nós não podemos fazer nada diante de Deus somente esperara
nEle. Mais e mais veremos a maldade das nossas próprias obras. Pois se estamos realmente
sendo guiados por Deus, certamente descobriremos que Ele odeia nossas obras tanto quanto
nossos pecados. Os que pecam, devem perecer; os que dependem de suas próprias obras,
não podem ser salvos. Deus rejeita nossas obras justamente como Ele repudia nosso pecado.
Ele aceita somente uma coisa, e ela é Seu Filho Jesus Cristo. É Cristo que se torna todas as
coisas para nós. Agradeço a Deus, é o Senhor e não eu. Não sou eu tentado ser humilde, mas
Ele sendo humilde em mim. Não sou eu lutando para amar, mas ao invés disso é Seu amor.
Ele não me dá poder porque Ele mesmo é o meu poder.
Oh irmãos e irmãs, não sei quão melhor eu poderia dizer isto; eu especialmente desejo
que os recém salvos notem isto. Quando você for liberto das coisas espirituais, você tocará o
Senhor. É muito melhor para você perceber isto o mais cedo possível, de outra maneira se
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tornará progressivamente mais difícil quando o tempo passar. Quanto maior for a pilha de
coisas mais difícil é para você estar apto a enxergar. Quanto Deus deve derrotá-lo e
arremessá-lo de diante dEle. Ele está pronto para tirar estes itens de você e então você poderá
receber Cristo. Digo que isto Deus certamente fará.
Estou esperando pelo dia quando todas as coisas - ambas as coisas no céu e estas
sobre a terra - serão somadas em Cristo. Naquele dia a Palavra de Deus será cumprida em
que Cristo é tudo. Deixe-me desafiá-lo. Como você pode esperar que Cristo seja tudo se hoje
você não O conhece como seu tudo? Mesmo agora Cristo se tornará todas as nossas coisas.
Deus deu Seu próprio Filho para nós; Deus deu a si mesmo para nós. Cristo deve ser tudo para
nós hoje. Não deve haver nenhuma divisão entre Cristo e as coisas. Nada é espiritual, somente
Cristo. Ele é tudo em todos. A realidade disto deve começar a ser evidente agora na igreja e
conosco. Possamos declarar hoje que Cristo é tudo e que Ele está em todos. Ele é minha
paciência, Ele é minha mansidão, Ele é meu amor. Pois Ele é tudo. Quanto aguardamos aquele
dia quando o Filho de Deus é manifesto para ser tudo em todos. Ele mesmo tem a
preeminência sobre todas as coisas, e então saberemos que as lições que aprendemos hoje
são para usar naquele dia. Deus nos abençoe.
Uma Oração
Nosso Senhor, estamos diante Ti pedindo graça. Senhor, confessamos que nossos olhos
são tão cegos que não podemos ver claramente. Coisas nós conhecemos, Cristo nós não
conhecemos. Tu, Senhor, pareces estar um tanto distante de nós. As coisas parecem tão reais,
enquanto que a pessoa de Cristo não é tão real. Senhor, nós realmente Ti pedimos que nos
faças ver. Possa Cristo tornar-se real para nós. Permitas que as coisas passem, permitas que
vida nos encha. Senhor, nós sinceramente Ti pedimos que nos livres dos objetos que podem
ser contados para que possamos conhecer ao Senhor que é uma pessoa. Permitas que o
Senhor pessoalmente sejas todas as nossas coisas contáveis. Permitas que todas as coisas
em nós sejam vivas e cheias de vida de tal modo que as pessoas possam ver Cristo quando
elas olham para estas coisas. Senhor, faça-nos entender quão totalmente adversos são estes
dois caminhos. Quanto diferente é o caminho do justo do caminho do pecador; da mesma
forma, quanto bastante diferente é o caminho do verdadeiro cristianismo do que é falso. Há
necessidade de mais aniquilamento. Aniquila-nos, Senhor. Não nos deixe enganar a nós
mesmos: nos considerando como tendo visto enquanto não vemos nada, como tendo tocado o
caminho quando estamos longe dele, como sendo cheios de vida enquanto somos cheios de
coisas. Senhor, toca-nos. Estabeleces a Ti mesmo firmemente em nós para que do nosso
interior para o nosso exterior possa ser Cristo e Cristo pessoalmente.
Senhor abençoe estas palavras para que elas produzam frutos trazendo pessoas de volta
para a Tua abundância. Naquilo que o homem falha em dizer, dizes Tu. Possas cobrir a
fraqueza humana e perdoar a loucura dos homens. Possas tomar alguma coisa para Ti de
entre nós. Necessitamos ser colocados despidos. Possa este ser o dia de expor para muitas
pessoas, que precisamos ver-nos como Tu nos vês. Possa um raio de luz bater em nós para
descobrir toda a falsidade e identificar a Ti de todos os substitutos. Abençoas Tua própria
palavra e glorificas Teu nome. No nome do Senhor Jesus Cristo. Amém.

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