VOCÊ TEM TEMPO PARA DEUS?


Recentemente li um livro no qual um pastor procurava impressionar um jovem sobre a
importância de passar tempo a sós com o Senhor todos os dias. O jovem respondeu ao
pastor que gostaria de orar e de se envolver mais com a igreja, mas que estava ocupado
demais mantendo um emprego e acompanhando as aulas no colégio. Simplesmente não
sobrava tempo para mais nada.
Pouco tempo depois, porém, ele se enamorou de uma moça e descobriu que era
possível arranjar bastante tempo no seu dia para estar com ela. Pelo fato deste
relacionamento ser uma prioridade na sua vida, ele queria encorajá-lo e deixá-lo crescer.
Estava disposto a sacrificar tempo no seu dia atarefado para este fim. Com efeito, seu
relacionamento com a moça era mais importante para ele do que seu relacionamento com o
Senhor; ele estava ansioso para sacrificar em favor do primeiro, mas não do segundo.
Até que ponto nos é importante o relacionamento com o Senhor? É uma prioridade na
nossa vida? Estamos dispostos a fazer todo esforço para o desenvolver e fortalecê-lo? Se a
resposta for afirmativa, então em princípio não haverá nenhuma circunstância capaz de
impedir-nos de edificar este relacionamento que, como todos os relacionamentos pessoais,
dependerá de um certo esforço da nossa parte.
Além disto, haverá necessidade de um significativo investimento pessoal. Depois do
meu batismo no Espírito Santo, fiz uma das maiores descobertas da minha vida: o Senhor
se importava comigo pessoalmente; amava-me e queria me atrair para mais perto de si
mesmo. Esta descoberta revolucionou a minha vida. De repente reconheci que meu
relacionamento com o Senhor era uma via de duas mãos. O Senhor investira a si mesmo em
mim, se tornara homem e morrera na cruz, e agora queria continuar se doando para mim.
Isto significava que eu tinha de responder-lhe, procurando encontrá-lo a fim de investir a
minha vida nele.
Ouvi certa vez uma profecia que sugere a intensidade deste compromisso: “Você tem
sido o primeiro nos meus pensamentos”, o Senhor disse. “Eu tenho sido o primeiro nos
seus?” A maioria de nós teria dificuldade para dizer sim a esta pergunta em cem por cento
do nosso tempo. Porém, há diversos passos que podemos tomar para colocá-lo mais e mais
no centro das nossas vidas e na preeminência dos nossos pensamentos.
Se duas pessoas estão interessadas em formar uma amizade, elas devem passar
tempo juntas. No relacionamento de uma pessoa com Deus, isto significa separar um tempo
todos os dias para a oração. Podemos nos enganar pensando que é suficiente orar
esporadicamente através do dia inteiro _ andando para a loja, por exemplo, ou lavando
roupa _ mas isto não dá! Nenhum relacionamento profundo prosperará se o tratarmos
casualmente desta forma. Comunicação regular é a base de todo bom relacionamento,
inclusive do nosso relacionamento com o Senhor.
É uma coisa reconhecer a importância da oração, e outra bem diferente separar
tempo para orar na nossa vida diária. A melhor maneira é designar um horário definido para
este fim todos os dias, e depois nos comprometer a guardá-lo com fidelidade. Nosso tempo
de oração diária deve tornar-se uma parte vital dos nossos compromissos do dia, tão
importante que seria impossível nos esquecermos dele.
Podem surgir emergências para cancelar o horário de oração mesmo na vida do mais
zeloso indivíduo. Podemos compensar por esses desequilíbrios ocasionais planejando
alguns horários alternativos. Se oramos às seis e meia da manhã, devemos marcar um outro
horário mais tarde no dia que servirá de substituto caso for necessário. Nosso primeiro
compromisso deve ser orar no tempo marcado no horário, mas se necessário nosso horário
alternativo poderá nos dar uma saída.
Quando procuramos um horário disponível para orar, devemos lembrar que é o
horário melhor, e não o que sobra, que pertence ao Senhor. Aprendi isto de maneira bem
difícil. Quando eu me dediquei novamente ao Senhor, separei as horas mais alertas para os
meus estudos e deixei a oração para um horário tarde à noite. É claro que naquela hora eu
estava cansado e minha mente fervia com as preocupações do dia. Eu me achava pensando
sobre os meus estudos ou sobre os acontecimentos do dia, e depois chamava isto de
oração. Eu estava cansado demais para fazer algo além disto. Meu relacionamento com o
Senhor caiu consideravelmente até que resolvi dar-lhe o melhor tempo do meu dia. Depois
disto meu amor por ele e o meu conhecimento dele receberam uma nova dimensão.
Pode ser que ao olhar para os nossos compromissos diários digamos: “Impossível!
Não posso separar o melhor horário do dia para o Senhor”. Mas se estivermos sérios em
relação à vida cristã, descobriremos uma maneira de fazê-lo. Um bispo contou para um
amigo meu que estava atarefado demais para orar uma hora por dia. Meu amigo retrucou
desafiando o bispo para tirar duas horas do seu melhor horário para a oração. O bispo ficou
atônito, mas aceitou o conselho e conseguiu resgatar duas horas da sua agenda preenchida.
Uma nova paz e força entraram na sua vida e seu amor pelo Senhor floresceu. Ele queria
encontrar esse tempo e por esta razão o encontrou.
As tarefas de pais e mães e de outros com numerosas responsabilidades podem
representar um desafio tão grande quanto a agenda diária do bispo. As mulheres casadas,
por exemplo, muitas vezes acham difícil separar tempo para orar porque suas
responsabilidades vão desde a manhã cedinho até o fim do dia. Quando chega a noite, o
melhor horário já passou. Para maridos e esposas, pode ser necessário muito discernimento
do Senhor e cooperação prática de seu cônjuge a fim de conseguir um bom horário de
oração. Especialmente os maridos devem tomar qualquer medida necessária para que suas
esposas possam ter um horário tranqüilo, sem perturbação, para orar todos os dias.
Quanto tempo devemos reservar para a oração? Crentes novos, na sua primeira força
de entusiasmo, são propensos a se lançarem a períodos de uma hora, somente para
descobrir que ficam enfastiados e inquietos depois dos primeiros dez minutos. Em geral,
quando somos principiantes em oração, é melhor escolher um período mais curto ao invés
de um período muito longo. Poderíamos começar com quinze minutos, por exemplo. Então,
à medida que aprendemos a orar e nos sentimos mais à vontade em oração, podemos ir
estendendo o período até chegar ao tamanho ideal para nós. O importante, tanto para
principiantes como para cristãos mais maduros, é escolher um horário razoável e ficar firmes
com ele.
O lugar onde oramos é tão importante quanto o horário e a duração do nosso tempo
de oração. Nem todos os lugares disponíveis são adequados para este fim. Quando eu era
professor universitário, eu tentei orar no meu escritório com o único resultado de ser
convencido de que isto era impossível. Eu estava cercado por distrações: trabalhos dos
alunos para corrigir, formulários para preencher, uma preleção para dar na próxima aula,
alunos para atender. Entretanto, não conseguia encontrar nenhum outro lugar para orar e
por isto pedi ao Senhor para me ajudar. Logo depois descobri um escritório desocupado
num outro departamento próximo ao meu. E não só isto, havia uma secretária cristã naquele
departamento que prometeu não deixar ninguém me perturbar enquanto eu orasse ali.
Se tivermos dificuldade para achar um lugar para orar, devemos pedir ao Senhor e
também a outros cristãos para nos ajudarem a encontrar um local adequado. Se possível, o
lugar escolhido deve nos dar liberdade de orar e cantar em voz alta. Não devemos ficar
satisfeitos com um lugar que não permite oração com liberdade de expressão.
Depois de escolher um horário e um local, o que devemos fazer? Em primeiro lugar,
devemos decidir que ficaremos abertos para a inspiração do Espírito Santo. Esta atitude
pode não ser muito fácil para quem só conhece oração formal, mas de fato o Espírito nos
quer guiar. Se chegarmos diante do Senhor com isto em mente, descobriremos que nossa
oração será incalculavelmente enriquecida à medida que cedermos aos impulsos do
Espírito.
Por outro lado, a oração não é uma atividade totalmente espontânea; ajuda muito
colocar elementos específicos no nosso tempo diante do Senhor, como por exemplo, a
leitura da Bíblia, intercessão, etc. Seja qual for nossa decisão neste sentido, devemos deixar
o tempo flexível o suficiente para que o Espírito modele nossa oração de forma a nos
aproximar mais do Senhor.
Enquanto aprende a orar, a maioria dos cristãos encontra alguns obstáculos comuns.
Reconhecer esses obstáculos pode ajudar-nos a tratar com eles. Recentemente conversei
com alguns amigos sobre o que fazemos no nosso tempo de oração; alguns de nós
reconhecemos que durante a oração acabamos pensando sobre nossas vidas, famílias ou
emprego. Alguém comentou imediatamente: “Isto não é oração”, e ele tinha razão. Se
durante nosso tempo de oração estivermos pensando sobre nossos filhos ou nossa agenda
para aquele dia, ou estamos sendo distraídos, ou estamos sinceramente procurando
raciocinar sobre as coisas na presença de Deus. Embora este último possa ser uma
atividade válida, não é necessariamente oração.
Na oração devemos nos entregar ao Senhor para que cresçamos no nosso
conhecimento e amor por ele, e na nossa capacidade de ouvir e obedecê-lo. Isto significa
que, embora possamos pensar sobre nossas preocupações durante a oração, elas não
devem ocupar nossa mente durante todo o período. É correto trazer nossas preocupações
diante do Senhor, e devemos freqüentemente interceder em favor delas, e até mesmo pesar
cuidadosamente as vantagens e desvantagens de um determinado curso de ação em
espírito de oração. Entretanto, devemos vigiar contra transformar nossa intercessão numa
especulação infindável de como devemos agir com determinados problemas.
Avaliando nossos períodos de oração pode ser um outro obstáculo à oração. Um
amigo meu disse que seus tempos de oração não eram muito bons até que alguém o
aconselhou a não mais avaliá-los. De fato, disseram-lhe que o único critério que deveria usar
para avaliar sua oração era sua fidelidade em cumprir um horário certo diariamente diante
do Senhor. Ele seguiu este conselho e foi retirada dele uma enorme pressão.
Devemos parar de avaliar nossa oração. Jesus é o único qualificado para fazer isto.
Podemos estar fazendo exatamente o que ele quer e ele pode estar muito contente conosco,
mas se seguirmos os nossos sentimentos podemos dar a nós mesmos uma avaliação baixa
e achar que somos um grande desapontamento para ele.
Nas “Cartas do Infermo” de C.S. Lewis, um demônio mais idoso, Murcegão,
aconselha um demônio mais novo, Cupim, sobre desviar pessoas do Senhor, chamado por
ele “o inimigo”. Murcegão insiste particularmente em que os períodos de sequidão - vales ou
depressões - são de imenso valor para o Inimigo estimular o crescimento do crente
individual.
De fato, Murcegão escreve: “Alguns dos seus prediletos especiais (do Senhor) têm
passado por vales mais longos e mais profundos do que os demais”. Ele aconselha Cupim a
se lembrar que “as orações oferecidas nos períodos mais depressivos são as que mais lhe
agradam... Nossa causa nunca estará em maior perigo do que quando um homem, não mais
querendo, mas mesmo assim pretendendo fazer a vontade de nosso Inimigo, perscruta o
universo do qual se parecem ter apagado todos os traços de sua presença e interroga por
que é que foi desamparado _ e ainda assim persiste em obedecer.”
É claro que nossa oração e relacionamento com o Senhor não devem ser um período
interminável de depressão. Devemos experimentar, no decorrer normal da vida, tanto os
cumes como as depressões.
Mesmo quando sentimos que nossa oração está mais seca do que um deserto, não
devemos ser influenciados por isto. Na verdade, todo cristão experimenta sequidão na
oração em algum período da sua vida. O Senhor deixa isto acontecer para que possamos
dizer: “Jesus, não importa como estou me sentindo, não importa se passo todo este tempo
sem sentir nada. Eu te amo e vou passar este tempo contigo”. Isto agrada profundamente ao
Senhor.
Nosso relacionamento com o Senhor não deve ser menosprezado. É um
compromisso muito sério. Se o negligenciarmos, colheremos os resultados de uma vida
cristã sem poder, destituída, na maior parte, de paz e direção. Se o alimentarmos através de
oração e da Palavra, nossa vida será um testemunho da alegria, força e confiança que se
encontram somente num relacionamento com o Senhor.

Assine Agora.

Receba Estudos Biblicos diariamente no seu E-mail.