ESTUDO BÍBLICO SOBRE SANTIFICAÇÃO

“ESTUDO BÍBLICO SOBRE SANTIFICAÇÃO”
INTRODUÇÃO
            A Declaração Doutrinária da Convenção Batista Brasileira dedica o item V à doutrina da salvação. Divide-o em quatro tópicos, a saber: regeneração, justificação, santificação e glorificação. Sobre este último aspecto, diz a Declaração:
A santificação é o processo que, principiando na regeneração, leva o homem à realização dos propósitos de Deus para a sua vida e o habilita a progredir em busca da perfeição moral e espiritual de Jesus Cristo, mediante a presença e o poder do Espírito Santo que nele habita (Jo 17.17, 1Ts 4.3, 5.23 e 4.7). Ele ocorre na medida da dedicação do crente e se manifesta através de um caráter marcado pela presença e pelo fruto do Espírito, bem como por uma vida de testemunho fiel e serviço consagrado a Deus e ao próximo (Pv 4.18, Rm 12.1-2, Fp 2.12-13, 2Co 7.1 e 3.18, Hb 12.14, Rm 6.19, Gl 5.22 e Fp 1.9-11)
            Bem sucinta, a Declaração (um documento muito bem elaborado e teologicamente correto) tem ainda o mérito de definir santificação acertadamente, em termos éticos e relacionais e não em termos místicos, internalizados, sem qualquer objetividade nos relacionamentos. Em muitas vezes a santificação foi descrita como um comportamento esquisito ou atitudes estereotipadas. Para muitos, ser santo é manifestar um espírito crítico sobre a vida alheia ou manter uma atitude espiritual arrogante, depreciando os demais.  Assim, com as palavras da Declaração Doutrinária,  caminhamos no rumo certo.
OS TERMOS BÍBLICOS
            Todo estudo bíblico tem que mostrar o que a Bíblia diz sobre determinado assunto. Este caso não é diferente. Comecemos pelo significado dos termos bíblicos.
             O Antigo Testamento usa três termos que nos ajudarão a entender o assunto: qadosh (santo), qadash (santificar) e qodesh (santidade). Estes termos aparecem quase mil vezes no Antigo Testamento, sendo que a maior parte está no Pentateuco (os cinco primeiros livros da Bíblia). Qadash tem a idéia de “cortar”, “tirar de algum lugar”. Os usos mais antigos, registrados em papiros, se ligam ao serviço dos operários cortando blocos de pedra nas pedreiras. Por isto muitos definem santidade como sendo “separação”. Mas ninguém corta bloco de pedras apenas para separá-los da pedreira. Eles são cortados para terem uma utilidade. Esta compreensão de apenas separar faria da santidade um conceito negativo, isolacionista. Mas se seguirmos o significado da palavra veremos que santidade não é se isolar de outras pessoas, mas estar em outra esfera de vida. O bloco de pedra não deixa de ser bloco de pedra, mas está em outro lugar. Saiu de onde estava e tem um propósito, agora.
             O próprio Deus declara que ele  é santo (Lv 19.2). Isto não significa que ele  seja isolado. Ele é diferente, mas não isolado. Ele se envolve com as pessoas. Sua santidade está relacionada com seu caráter e não com  seu isolamento ou solidão. Deus não é solitário, tanto que busca a companhia dos homens. Assim como ele é santo, seu povo deve ser santo, mostra-nos o texto, mas o povo não deveria se isolar e sim viver de maneira que se ajustasse ao caráter de Deus.
             A idéia de qadosh aplicado a Deus é significativa. O conceito é dinâmico, e não passivo, como se Deus tivesse que se separar para não ser contaminado por qualquer coisa.  Dá a idéia da transcendência (ser de outra esfera) de Deus. Mostra que há uma distância entre ele e o homem pecador. Neste sentido, a santidade é a própria divindade de Deus, o que o distingue de nossa humanidade.
       A santidade humana pode ser contaminada, mas a divina é absoluta e por isso não pode ser contaminada. Sua principal linha não é a preocupação de não ser contaminada e sim a de influenciar. Por exemplo: Deus é santo e a terra onde ele habita é terra santa (Êx 3.5). O monte Sião, onde ele habitava (Sião é um símbolo da igreja) é santo (Sl 99.9) por causa dele. Tudo que promana de Deus é santo. A lei é santa (Rm 7.12). Tudo que é dado ao Senhor passa a ser santo. A santidade passa a ser um dos atributos mais enaltecidos de Deus. Não significa que ele seja  algo de utilidade, mas que ele é ativo, não apenas separado do mundo; que ele é distinto, acima dos demais. Quando o termo santo é aplicado a Deus é neste sentido: ele é distinto dos demais, absolutamente cortado do nosso ambiente moral, mas nunca isolado. Santidade não é um atributo negativo, mas positivo. A começar pela santidade de Deus. Quando digo que ela não é negativa mas positiva não é apenas na questão de não poder ser maculada pelo homem, mas que ela é a base da bondade de Deus. O mal é uma impossibilidade moral e dinâmica em Deus por causa de sua santidade absoluta. Ele é a fonte de todo bem. O texto de Tiago 1.17 expressa esta verdade muito bem. Deus é tão santo que o mal não tem poder sobre ele.
            O Novo Testamento emprega, costumeiramente, entre outros termos,  hágios (santo) e hagiádzo (santificar) como os termos mais comuns para a idéia mostrada no Antigo Testamento. A idéia é de algo ligado à divindade, já sendo usado no grego comum para os deuses do paganismo. A idéia é de respeito, solenidade, mas também o temor de alguma maldição. Usava-se para algo acima da esfera humana. Ser santo é estar acima da esfera do mundo. 1João 2.15-16 ilustra bem esta verdade. O filho de Deus não deve viver no mundo (um sistema moral corrompido e dominado pelo Maligno, como se lê em 1João 5.19).
             Assim vemos que os termos hebraico e grego apontam para algo superior, incomum, acima do homem. Diferente dele, mas que pode vir até ele.
 AINDA SOBRE A SANTIDADE DE DEUS
            Andemos mais um pouco na questão da santidade vendo o caráter de Deus. É que o caráter de Deus é a base para toda a discussão sobre santidade.
(1) Ele é incomparável em sua santidade: Êxodo 15.11 e 1Samuel 2.2
(2) Ela é tão grande nele, que faz parte de seu caráter: Salmo 22.3, Isaías 57.15  e João 17.11
(3) Ela se mostra em suas palavras: Salmo 12.6
(4) Ela é reconhecida por quem entra em comunhão com ele:  Isaías 6.3-5
Mas pode se perguntar: se estamos estudando santificação, por que estamos usando tempo para falar sobre a santidade de Deus?  Porque  a santidade de Deus é a base para a santificação dos fiéis: Levítico 11.44-45,  19.2 e 20.26. Estas passagens em Levítico são importantes. Elas mostram o início do relacionamento de Deus com Israel, depois que o tomou como seu povo. Aqui Iahweh mostra como seu povo deve ser. Mas isto não se restringiu a Israel e à época do Antigo Testamento, porque a mesma exigência é feita à Igreja: 1Pedro 1.16.  Porque a Igreja substituiu Israel e recebe, no Novo Testamento, os títulos que eram de Israel, inclusive o de ser a nação santa: 1Pedro 2.9. Por isto tem a responsabilidade também de ser santa.
Vemos, então, que a santidade de Deus é a base para a santidade dos fiéis, particularmente da Igreja. O povo de Deus deve ter o mesmo caráter moral de Deus.
COMO ACONTECE A SANTIFICAÇÃO?
            O Novo Testamento descreve a santificação, primeiro, por um ângulo negativo, ou seja, romper com o erro, fugindo do mal:  2Coríntios 6.14 a 7.1 e 1Tessalonicenses 4.3-7. Isto não quer dizer que ser santo seja ser do contra. Muitas pessoas confundem ser santo com ser emburrado ou ser uma pessoa sempre sisuda. Significa que certas atitudes e determinados comportamentos não são compatíveis com o caráter cristão. É que a conversão nos transporta de um nível de vida para outro, mudando nosso interior e, consequentemente, nossas atitudes. Veja-se isto em Efésios 2.1-3. A santificação é o progresso na vida cristã. É seguir na caminhada com Cristo.
            Após o rompimento com o erro e com o pecado, o fiel deve entender e buscar a santificação pelo seu ângulo positivo. Deve ele nutrir a compreensão de que ela é a vontade de Deus para sua vida (1Ts 4.3). Não é uma opção, mas é o propósito divino para cada um de nós. Ser cristão é estar em Cristo e estar em Cristo é ter uma qualidade de vida diferente (2Co 5.17). Depois do aspecto negativo, vem o positivo. Em Efésios 5.1-18 temos uma boa descrição disto que está sendo dito. Ser santo é buscar o caráter de Deus, é procurar ser como ele (v. 1), é não ter mais em sua vida os resquícios do passado (vv. 3-8). O fiel, agora, anda na luz, e deve produzir o fruto da luz:  bondade, justiça e verdade (v. 9). Deve encher –se do Espírito e não de vinho (v. 18). Esta palavra de Paulo é bem significativa e deve ser entendida no contexto cultural da época. A embriaguez era uma constante nos tempos antigos (ainda é comum hoje). Estar embriagado significa que a pessoa está controlada pelo álcool. Mas quem deve controlar o fiel que busca santidade é o Espírito Santo e não o álcool. A frase final do versículo 18 é o clímax da argumentação: ser santo é ser controlado pelo Espírito.
            É óbvio que esta busca de santificação não deixará de trazer muitas lutas para o fiel. Se o Maligno não conseguiu impedir sua conversão, tentará impedir sua santificação. Um membro de Igreja que tenha uma vida mundanizada é uma vitória do Maligno. E uma derrota para o reino de Deus. A maior parte do tempo de um pastor é gasta com crentes mundanos, com problemas de mundanismo na Igreja, mais do que com busca de alimentação espiritual ao rebanho. Crentes mundanos ocupam a maior parte dos esforços da Igreja. Além de requererem visitação, aconselhamento e trato com luvas de pelica (como são melindrosos os crentes mundanos!), dão mau testemunho e contaminam os demais. São uma lástima!
            Como superar esta luta e estas dificuldades? Mais uma vez vamos a Efésios. Em 6.10-18 temos uma excelente exortação. Para esta batalha espiritual, precisamos nos armar. Não com espada ou com um fuzil AR-15.  A verdade e a justiça protegem o peito (v. 14), os pés têm no evangelho um excelente par de botas (v. 15), a fé protege das armas do Maligno (v. 16), a certeza da salvação e de que somos filhos de Deus protege nossa cabeça, que simboliza a nossa mente (v. 17a) e para atacar, temos a Palavra de Deus que deve ser internalizada na vida (v. 17b). Lembremos que foi a Palavra de Deus que Jesus utilizou para resistir a Satanás e fazê-lo retirar-se dele (Mt 4.4, 7 e 10). É a Palavra de Deus internalizada na vida, assumida como fonte de vida, que nos ajuda a vencer Satanás e caminhar na direção da vontade de Deus, que é nossa santificação. Veja os textos de 1Samuel 15.22,  Salmo 119.9, 11 e João 17.17. É a exposição da Palavra de Deus que dá entendimento: Salmo 119.130. Este entendimento é espiritual, não acúmulo de informações ou de experiências. Ele nos ajuda na luta contra Satanás: 1Pedro 5.8-9 e Tiago 4.7. Observe neste último texto que há duas orientações para nós. A primeira é submeter-se a Deus, e a segunda é resistir ao Diabo. Toda luta espiritual sem uma submissão a Deus será frustrada.  Seremos derrotados. Santificação é, também, luta contra o pecado, que só pode ser bem sucedida se antecedida por uma submissão a Deus.
MAS, O QUE FAZER COM A SANTIFICAÇÃO?
            Não conseguindo impedir a conversão da pessoa, Satanás tenta impedir sua santificação. Não conseguindo impedir sua santificação, tenta impedir sua utilização prática. Impressiona ver algumas pessoas que alegam ter passado por uma experiência com Deus e se tornam insuportáveis no relacionamento com os demais. As pessoas mais difíceis de se lidar, numa Igreja, não são os mundanos. São os santos aos seus próprios olhos, aqueles que se vêem como superiores aos demais, do ponto de vista espiritual, e se tornam críticas da vida alheia, e não raro, fofoqueiros de plantão. Santidade não deve ser confundida com soberba espiritual.
            Se o conceito de qodesh é ser cortado para ter alguma utilidade, qual é a utilidade da santidade, em termos práticos, na vida do crente e de sua Igreja? Cortava-se um bloco para construir alguma coisa. Uma casa, um palácio, um templo. O santo, o qadosh, é alguém separado para construir, e não para destruir. Sua vida deve ser positiva, no relacionamento com os demais. A santificação leva o crente a ser um instrumento para o serviço do Senhor (2Tm 2.21). Ela nunca é uma finalidade para o crente, mas um meio de se preparar para o serviço de Deus. No Antigo Testamento, todos os objetos do culto eram santificados ao Senhor para poderem ser usados. A santificação é para se ser usado por Deus. É triste ver alguém fazendo a obra de Deus no poder da carne. O resultado sempre é frustrante. A derrota é inevitável. A santidade é necessária para o desempenho do serviço cristão.
            Quando Paulo diz que Cristo vive nele (Gl 2.20) está nos dando o maior exemplo do que é  santificação. Santificação é cada vez mais Cristo em nós e cada vez menos nós em nós mesmos. Quanto mais de Deus houver na nossa vida, quanto mais de Cristo, mais santos seremos. Por isso, a santificação pode ser definida como “cristificação”. Veja como Paulo definiu bem isto em 1Coríntios 11.1.


O PAPEL DE DEUS E O NOSSO PAPEL NA SANTIFICAÇÃO
            A Bíblia ensina que é Deus quem nos santifica (1Ts 5.23). Para isto, ele se vale do processo de nos educar como filhos (Hb 12.5-11). Desejar a santificação e tê-la em nossa vida é obra de Deus (Fp 2.13). Assim ele nos aperfeiçoa cada dia, para fazermos sua vontade e lhe sermos agradáveis (Hb 13.20-21). Esta é a vontade e a obra do Pai.
            O Filho conquistou a santificação para nós. É isto que Paulo diz em 1Coríntios 1.30. No processo de santificação, ele é o alvo para o qual devemos caminhar (Hb 12.2). Aqui temos, novamente, o conceito de cristificação. Ser santo significa caminhar sempre na direção de Cristo. Ele é nosso modelo (1Pe 2.21). Ser santo é procurar viver como ele viveu: 1João 2.6.
            O Espírito atua em nós para nos transformar e modificar, cada dia.  A santificação é obra do Espírito Santo em nós (1Pe 1.12, 2Ts 2.13). É o Espírito quem produz em nós o seu fruto (Gl 5.22), que melhor evidencia nossa santificação. Ser santificado é deixar-se guiar pelo Espírito e andar nele (Gl 5.16-18 e Rm 8.14).
            Mas nós temos parte na santificação. Não somos passivos. Nossa parte começa com o fato de que devemos oferecer-nos a Deus para que ela aconteça (Rm 6.13 e 19). O texto de Romanos 12.1-2 vem corroborar isto, lembrando que “corpos” é o grego sôma, que é mais que o corpo físico, designando toda a personalidade da pessoa. A santificação significa dar toda a nossa personalidade a Deus: pensamentos, bens, talentos, jeito de ser, a vida, enfim. Quando deixamos o Espírito agir em nossa vida  e mortificamos as obras do corpo, então temos a vida abundante (Rm 8.13). Neste sentido, a santificação é a parte da salvação que nós desenvolvemos (Fp 2.12-13).
COMO ALCANÇAR A SANTIFICAÇÃO?   
            Se falhou em impedir a conversão do fiel, se falhou em impedir sua santificação, Satanás tentará impedi-lo de seguir o caminho certo e lhe mostrará atalhos pelos quais enveredar. Há hoje uma oferta incrível de atalhos: liturgia barulhenta, novos modelos de igreja, doutrinas novas, etc. Mas há algo que deve ser dito: não há atalhos para a santificação. O caminho correto passa pelas seguintes atitudes:
(1)  A vontade, colocada pelo Espírito Santo, na medida em que nos entregamos mais e mais a Deus, como já se comentou anteriormente. É preciso querer. Ninguém é salvo contra sua vontade. Da mesma forma, ninguém é santificado contra sua vontade.
(2)  A leitura da Bíblia e a meditação em seu ensino, não a mera leitura, como quem lê um romance. Não se preocupe em ler a Bíblia toda em um ano. Preocupe-se em ler todos os dias, e aplicar cada dia o que leu. Você não pode comer por um ano e parar. Precisa comer cada dia. Alimente-se espiritualmente da Palavra, todos os dias, medite nela todos os dias, aproprie-se dela todos os dias. Veja os textos de Salmo 1.2, Mateus 4.4 e João 17.17. A Bíblia é a Palavra de Deus e ninguém pode descobrir a vontade de Deus sem lê-la com fome, e aplicá-la na sua vida.
(3)  A oração é indispensável ao crescimento espiritual e à santificação. Veja Efésios 6.18 e  Filipenses 4.6-7. Na leitura da Bíblia, Deus fala conosco e através da oração podemos abrir o coração com Deus e falar com ele.  A oração é a janela da nossa alma que se abre para Deus.
(4)  A adoração a Deus, no culto público, é indispensável. Veja e reflita bem sobre Efésios 5.18-21. A atitude de adoração ali prescrita implica em relacionamento com os demais. Participar dos cultos é um elemento poderoso na santificação. É como a história do carvão e da brasa. Tire uma brasa da fogueira e ela se apagará, virará um carvão. Ponha um carvão junto às brasas e ele se acenderá. Um dos primeiros sintomas de frieza espiritual e de queda no relacionamento com Deus é a fuga dos cultos. Poucas desculpas são mais descoradas do que aquela de “estou sem ir à Igreja, mas mantenho minha relação com Deus no mesmo nível”. Só se for no nível baixo de sempre. A Bíblia nos exorta a não deixarmos de participar dos cultos: Hebreus 10.19-25. Preste atenção que entrar na presença de Deus leva a pessoa a considerar os irmãos e dar e receber admoestação deles, sem deixar as reuniões de culto.
(5)  O testemunho nos ajuda a fortalecer a fé. Quando Jesus nos exortou a testemunharmos (Mt 28.19-20) não foi apenas para que as pessoas se convertessem. Testemunhar é o exercício da fé. Se  a Palavra, a oração e o culto nos alimentam, o testemunho nos faz exercitar-nos. Evita a má saúde. Quem só come e não se exercita pode ter problemas.
(6)  A autodisciplina ou o domínio de si mesmo é algo indispensável na busca da santidade. É mortificar-se cada vez mais e procurar ser como Cristo. Leiamos Gálatas 5.23-24 e Tito 1.8 (na palavra “temperante”). Este último versículo alude às virtudes do bispo, mas deve-se notar que, no Novo Testamento, o que se pede da liderança é o que se pede de todos os crentes, pois não há um clero e um laicato. Todos somos iguais diante de Deus, no Novo Testamento.
(7)  O companheirismo cristão é um outro elemento muito forte. Veja 1Tessalonicenses 5.12-23.  Alguém disse que “a Igreja é o único exército que atira em seus próprios soldados”. É verdade! Como os crentes falam mal uns dos outros! Como se criticam! A mutualidade é um elemento muito forte no processo de santificação. Faz com que aprendamos de nossos irmãos e faz com que nos exercitemos. Somos fortalecidos na fé pelo companheirismo. Veja o porquê  do desejo de Paulo em conhecer os crentes de Roma: Romanos 1.11-12.
CONCLUSÃO
            Santificação não é exotismo, nem barulho, nem ser contra tudo e contra todos. É antes uma atitude espiritual positiva. É um desejo inabalável de querer ser do Senhor e agradá-lo em tudo, na vida. Para isto é preciso deixar certas atitudes, incompatíveis com a natureza de um filho de Deus,  e assumir outras, que evidenciam nossa filiação espiritual. Isto requer, da parte do crente, vontade e submissão a Deus. Da parte de Deus, esta é sua vontade para nós, e ele age em nós, na medida em que permitimos que isso aconteça. Não é algo sacrificial, no sentido de nos tornar infelizes. Se for custoso e duro, será por termos que deixar atitudes às quais nos acostumamos, mas das quais podemos nos livrar. Santificando-nos, estaremos no centro da vontade de Deus para nossa vida. Estando no centro da vontade de Deus, nunca estaremos infelizes ou frustrados. 
Terminemos nosso estudo com 1Tessalonicenses 4.3-7: “A vontade de Deus é que vocês sejam santificados: abstenham-se da imoralidade sexual. Cada um saiba controlar o seu próprio corpo de maneira santa e honrosa,  não dominado pela paixão de desejos desenfreados, como os pagãos que desconhecem a Deus. Neste assunto, ninguém prejudique seu irmão nem dele se aproveite. O Senhor castigará todas essas práticas, como já lhes dissemos e asseguramos. Porque Deus não nos chamou para a impureza, mas para a santidade”.
Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

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