O ABC da Língua Maldita.

"Ora, a língua é fogo; é mundo de iniqüidade; a língua está situada entre os membros de nosso corpo, e contamina o corpo inteiro, e não só põe em chamas toda a carreira da existência humana, como também é posta ela mesma em chamas pelo inferno." Tiago 3:6.

A língua é um dos membros mais moles do corpo humano. Mas é dura no falar. As pancadas da língua doem mais do que as cacetadas dos soldados. Estas deixam hematomas, mas a língua aleija. Há mais pessoas deformadas com veneno de língua do que com picada de víbora. Quantas famílias têm sido destruídas com a peçonha do cuspe! Palavras molhadas com o chuvisco de saliva desancam personalidades e demolem relacionamentos. Tanto o conteúdo como a forma como se fala são responsáveis pelas feridas da alma. Uma língua frouxa freqüentemente deixa os ouvintes em apertos. Quantas cabeças têm rolado sob o corte afiado deste músculo ferino! Todos os dias, vidas e mais vidas são destroçadas com o poder de uma língua amolada.

Nada é tão aberto para o engano como a boca, e nada é tão escorregadio como a língua. Uma boca escancarada e uma língua lisa são elementos propícios para a disseminação da fraude. Muitas pessoas têm caído espetacularmente por dar crédito a mensagens enganosas. As mentiras não têm pernas, mas voam rápido pelo dorso da língua. Uma língua fraudulenta tem poder destruidor maior que uma bomba atômica, pois os efeitos desta, por mais irradiação que tenha, ficam sempre localizados, mas a contaminação da língua roda o mundo em poucos instantes. A morte e a vida estão no poder da língua. Provérbios 18:21a.

Uma língua incendiada com as mentiras do inferno causa danos irreparáveis numa coletividade. Alguém já disse que os dentes podem ser postiços, mas a língua deve ser sempre verdadeira. E a grande vantagem de falar sempre a verdade é que a pessoa não precisa ficar preocupada em lembrar-se do que disse. A língua mentirosa precisa adaptar novos detalhes, pois o desgaste da memória em face do seu malabarismo acaba por torná-la mais incoerente. A mentira pode ser muito bem vestida para parecer com a verdade, mas a vestimenta aparecerá sempre gasta, insiste Eleonor L. Doan.

O abc de uma língua maldita começa com as afrontas. Muitas pessoas são ultrajadas com o espeto afiado da língua. Usamos a ponta fina deste órgão para traspassar o caráter de alguém. As ofensas deixam imobilizados os mais sensíveis e envergonhadas as pessoas de bem. O ataque da língua maldita sempre deforma. Afirmo isto como um fato: se todas as pessoas soubessem o que cada uma diz da outra, não haveria quatro amigos no mundo, considera Blaise Pascal. Ofender as pessoas é uma das principais atividades de uma língua maligna. Há sempre um prazer mórbido em manchar a personalidade e uma volúpia em ferir o caráter. Afrontar é um prato feito para uma língua infernizada.

Os boatos também fazem parte integrante do abc da língua maldita. Toda pessoa que conta boatos sofre de uma inflamação na língua. A doença da língua solta sempre reflete um caráter maldoso, murmurador e maledicente. Costumam dizer que onde há fumaça há fogo, mas a fumaça, em certos casos, é apenas o bafo quente de uma boca suja num inverno moral.

Spurgeon dizia: Não creia em metade do que você ouve; não repita metade do que crê; quando ouvir uma notícia negativa, divida-a por dois, depois por quatro, e não diga nada a ninguém do restante dela.

A língua maldita, ainda, é especialista em calúnia. Define-se calúnia como algo que entra por um ouvido podre e sai como vômito por uma boca fétida. A calúnia é como lesma: deixa sempre o visco onde passa. O caluniador é o parente mais próximo do demônio, e o mais interessante com esta família é que, tanto os que divulgam como os que escutam se eqüivalem. A calúnia é um fogo devorador, que consome tudo em que toca, e enegrece o que não pode consumir.

Afrontas, boatos e calúnias constituem o abc da língua do mal. Sabemos perfeitamente que uma pessoa é do maligno pelo conteúdo de sua linguagem. A conversa é um dos melhores instrumentos de diagnóstico. Raça de víboras! Como podem dizer coisas boas sendo maus? A boca fala daquilo que o coração está cheio. Mateus 12:34. Não pode ser puro o coração de alguém cuja língua não é limpa. Não é preciso uma bateria de testes, basta cinco minutos de conversa para se constatar o caráter de uma pessoa.

Conta-se que, um dia, um amigo foi procurar Sócrates, o célebre filósofo grego, desejando contar-lhe alguma coisa sobre a vida de Andréas, amigo comum. O filósofo indagou do seu interlocutor, se ele tinha submetido o assunto às três peneiras. Perplexo, o amigo quer saber quais são as três peneiras, e Sócrates especifica:

- Primeira peneira: A coisa que vais me contar é verdadeira?
- Creio que sim, pois me foi contada por alguém de confiança.
- Bem, alguém te disse. Vejamos a segunda peneira: A coisa que tu pretendes contar-me é boa?
- Não, exatamente... respondeu o amigo, hesitante.
- Isso começa a me esclarecer. Verifiquemos a terceira peneira, que é a prova final: O que tu tinhas intenção de contar-me é de utilidade tanto para mim como para nosso amigo Andréas e para ti mesmo?
- Não, não, não.

- Então, caro amigo -- disse-lhe Sócrates -- a coisa que tu pretendias contar-me não é certamente verdadeira, nem boa, nem útil. Assim sendo, não tenho intenção de conhecê-la e aconselho-te a não procurar veiculá-la.

A linguagem deve apresentar o homem. Uma língua verdadeira constitui grande patrimônio. Não podemos proclamar a mensagem do reino de Deus falando um dialeto contaminado de mentiras. O idioma do céu comunica, com o estilo da verdade, aquilo que é de fato verdadeiro.

O apóstolo Paulo põe a sanidade da mente nos padrões do pensamento correto, que é o fundamento de uma linguagem sadia. Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento. Filipenses 4:8. Um pensamento correto conduz uma conversa coerente. Samuel Smiles advertiu: Tenha cuidado com os seus pensamentos ocultos, eles podem explodir em palavras a qualquer momento. O descuido com os pensamentos é tão desastroso quanto o manuseio acidental de um explosivo. Por isso cultivar a ortogenia do pensamento, ou seja: a origem correta do pensamento, é parte fundamental de uma palestra edificante. A primeira tarefa de quem fala é cuidar dos seus pensamentos.
E não vos conformeis com este século, mas sede transformados pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. Romanos 12:2. Só um entendimento corrigido pela fôrma da Palavra de Deus pode garantir uma conversação irrepreensível. Alimente a sua mente com as verdades das Escrituras e abra a sua boca para falar a linguagem da edificação. Vocês não devem dizer palavras sujas, mas somente palavras boas para a necessária edificação das pessoas, e que levem benefícios aos que as ouvem. Efésios 4:29. (VFL - Versão de Fácil Leitura).

Por Glenio Fonseca Paranaguá

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