Usando bem as palavras.

Boa parte dos problemas de relacionamento que enfrentamos tem origem na falta de cuidado com o que falamos. Estamos tão ávidos para expressar nossas opiniões que acabamos negligenciando a sabedoria de pensar antes de falar.
Os exemplos são numerosos, vejamos apenas um: o filho chega perto do pai e, na sua curiosidade em conhecer o mundo que o cerca, começa a fazer perguntas e mais perguntas. O pai, nervoso, envolvido em outras preocupações, responde alto, sem pensar: "Pára de fazer tanta pergunta! Que coisa mais chata!" Seguem-se alguns minutos de silêncio e, quando parecia ao pai que tinha conseguido a tranqüilidade tão deseja, o filho fala baixinho, temeroso: "Pai, por quê você tem que falar brigando comigo?"
É um choque. Chamado à vida real, o pai fica intimamente envergonhado. Percebe que foi preciso a simplicidade de uma criança pequena para chamar-lhe a atenção para a importância de usar bem as palavras.
As palavras tem o poder de criar situações, de modificar ambientes, de alegrar ou entristecer as pessoas. Podem significar a valorização de alguém ou sua completa aniquilação. Edificam, motivam, incentivam mas, também, destroem, magoam, agridem e humilham.
Com tanto poder envolvido, não podemos deixar para o acaso ou para a "sorte" a responsabilidade pelos resultados das nossas palavras.
Cuidados com o que falamos

    •  Ofensas, gritarias e xingamentos
    •  Críticas, sarcasmo, ironia
    •  Rotular pessoas, atacar o caráter
    •  Mentiras, maledicência
Cuidados sobre como falamos
    •  com raiva, sem controle emocional
    •  intenções destrutivas com caretas, resmungos,
    •  tom de voz inadequado,
    • postura superior, agressiva 
Os exemplos relacionados mostram que precisamos estar atentos à forma como agimos em situações estressantes, especialmente nos momentos de conflito no relacionamento familiar.
Se deixarmos as palavras saírem sem qualquer tipo de controle poderemos nos arrepender logo depois. Uma vez faladas, as palavras percorrem os seus próprios caminhos, saem do nosso controle e produzem efeitos para os quais não estamos preparados. É importante agir com inteligência para alcançar resultados mais satisfatórios, para preservar os relacionamentos importantes que temos em família.
Muitos casamentos têm um nível de qualidade baixo no relacionamento interpessoal por não valorizarem uma comunicação eficaz. Os momentos em que as diferenças poderiam ser superadas são utilizados para extravasar raiva e mágoas represadas. Em vez de atacar o problema, ataca-se o parceiro. Quando começam as trocas de acusações há uma escalada na intensidade da voz (que aumenta) e nos argumentos (que ficam mais ferinos e mordazes), às vezes incontrolada, que pode levar até à agressão física. Para a vergonha de alguns, essa situação é comentada por toda a vizinhança.
Encontros tão tensos e cheios de emoções negativas não são favoráveis à solução adequadas dos problemas de relacionamento interpessoal. A motivação, em tais circunstâncias, é de derrotar o outro, deixando claro quem está com a razão, quem é melhor nos argumentos e quem deve ceder. Assim, toda a energia é utilizada para conseguir uma vitória a qualquer custo, pouco importando se há a necessidade de utilização de recursos escusos ou "golpes baixos".
Percebe-se que os problemas não são devidamente corrigidos ou superados. Logo voltarão a ser ventilados e novos embates se estabelecerão. A repetição deste processo gera desgastes sérios no relacionamento e conduz, se não rompido o ciclo vicioso, à ruptura.
Há uma estória de um sábio que dizia ter dentro de si dois cães: um feroz e disposto a destruir o que visse pela frente. O outro, ao contrário, manso e sempre disposto a dar carinho. Perguntado sobre qual dos dois era mais forte nos seus relacionamentos ele respondeu: "Aquele que eu alimentar mais."
Assim também acontece na vida familiar. Cada um deverá escolher a qual das duas atitudes alimentar mais - a agressividade e a competição ou a compreensão e a cooperação.
Nos momentos em que há necessidade de resolver questões sensíveis no relacionamento, a pergunta fundamental é: qual a motivação que está por trás da discussão? Desejam resolver a questão de forma mutuamente satisfatória e restabelecer a unidade emocional? Ou querem descarregar suas razões e defender suas posições?
Os que desejam defender posições e se justificar podem continuar usando os recursos que constam do quadro acima. A relação será muito prejudicada e sua qualidade de vida estará bem comprometida. Como os problemas não são resolvidos, as cenas indesejadas tenderão a se repetir muitas vezes mais.
Mas, se você almeja um relacionamento maduro e cheio de momentos agradáveis, vale o esforço de melhorar a comunicação. Vale o esforço de desenvolver as habilidades necessárias para OUVIR e COMPREENDER as necessidades do parceiro e para ser OUVIDO e COMPREENDIDO.
Usar bem as palavras requer treinamento sério e dedicação. Os bons resultados certamente virão. Além do mais, pessoas inteligentes não se contentam em extravasar sentimentos negativos sem conseguir resolver as questões que os produzem.
Falar com calma, exercitar controle de suas emoções, respeitar as diferenças, colocar-se no lugar do outro, ser honesto e transparente são atitudes que melhorarão significativamente a qualidade de seu relacionamento. Refletirá positivamente em todas as áreas da vida, inclusive no ajustamento sexual.
Pare, respire e olhe para o seu relacionamento: você pode torná-lo melhor se investir no aperfeiçoamento de sua comunicação.

Por Lúcio César Menezes

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