A CHAVE DE RENOVAÇÃO ESPIRITUAL: UM CORAÇÃO RESPONSIVO.

A pergunta dos discípulos foi clara e lógica: “Por que lhes falas por parábolas?” (Mt
13.10). Mas a resposta de Jesus a essa pergunta simples foi, e ainda é, difícil de se
entender. “Ao que respondeu: Porque a vós outros é dado conhecer os mistérios do reino
dos céus, mas àqueles não lhes é isso concedido”. (v.11).
A GRANDE INTERROGAÇÃO
Será que Jesus amava mais aos seus discípulos que aos outros? Como poderia o
Salvador da humanidade dar preferência a uns poucos selecionados?
O que qualificava os discípulos a receberem o privilégio de conhecer os mistérios do
reino dos céus? Por que tantos outros que ouviam as palavras de Jesus não receberam este
privilégio? Você nunca quis saber por que algumas pessoas crescem e se desenvolvem
espiritualmente, enquanto outras permanecem infrutíferas?
A chave que desvenda as respostas a essas perguntas está no versículo 12. “Pois ao
que tem se lhe dará, e terá em abundância; mas, ao que não tem, até o que tem lhe será
tirado.”
Muitas vezes, ao ler essas palavras de Jesus “ao que tem”, tenho desejado perguntar:
“ao que tem o quê?” Parecia-me que uma palavra estava faltando! Depois, mais na frente,
eu queria saber o quê mais seria dado, e precisamente o quê seria retirado.
Enquanto meditava nestas perguntas em oração, algumas idéias me ocorreram, como
essas a seguir: “Pois ao que tem um coração responsivo se lhe dará mais oportunidade de
responder, e terá oportunidades divinas em abundância; mas, ao que não tem um coração
responsivo, até as oportunidades que tiver lhe serão tiradas.”
UM CORAÇÃO RESPONSIVO
Quando alguém tem a oportunidade de conhecer os tratamentos de Deus, deve
responder imediatamente. Pela fé, deve apoderar-se da oportunidade concedida por Deus.
Isto permite que Deus o conduza ao próximo passo ou área de obediência. Pois, a menos
que a pessoa tome o passo que se lhe oferece, Deus não lhe dará oportunidade de tomar
outro.
Os professores na escola muitas vezes passam seus alunos para o próximo ano
mesmo quando não aprenderam de fato as suas lições. Deus, porém, nunca permite que eu
ou você subamos a um lugar mais alto, enquanto não tivermos cumprido a sua vontade
imediata.
Deus nos há de julgar pela nossa resposta à luz que ele brilhou nas nossas vidas. Se
uma pessoa recebeu muita iluminação espiritual, terá de dar contas daquela luz. Por isso, se
Deus confiasse muita responsabilidade nas mãos de uma pessoa cujo coração não fosse
responsivo, estaria prejudicando essa pessoa. Portanto, Deus procura corações tenros e
sensíveis. Ele oferece oportunidades de desenvolvimento e crescimento àqueles que o
ouvem e o obedecem. Se usarmos mal ou negligenciarmos uma oportunidade por termos
corações insensíveis ou infiéis, não só perderemos esta oportunidade, mas possivelmente
as conseqüências felizes de outras vitórias anteriores que Deus já operou nas nossas vidas.
CRESCIMENTO CONTÍNUO
A vida cristã consiste em uma série de oportunidades que podem ser apropriadas ou
ignoradas por nós. Tudo depende do nosso coração – se é ou não responsivo. Só podemos
dar um passo de cada vez. Deus só concede graça e força suficientes para cumprir o que
ele tem ordenado para o momento atual. Não há outra forma de caminhar, a não ser um
passo de cada vez.
É nossa natureza humana permanecer no mesmo lugar. Gostamos de nos acomodar.
Não gostamos de mudanças e preferimos nos contentar com as coisas como estão no
momento. Mas Jesus, o Salvador imutável, está sempre nos mudando! É por isso que seus
comentários sobre vestidos velhos e odres que precisam ser jogados fora (Mt 9.16,17) são
de tanta importância. As coisas antigas eram boas no seu tempo. O que Deus operou nos
dias passados foi maravilhoso. Entretanto, agora precisamos prosseguir. Devemos nos abrir
para receber e obedecer novas direções de Deus. Sem dúvida, uma fé como essa será
galardoada!
Não consigo me lembrar de nenhum dos personagens bíblicos – daqueles que
realmente serviam a Deus – com quem Deus tivesse operado da mesma forma que operava
com outras pessoas ou em outras épocas. Por exemplo, Deus ordenou que alguns dos
profetas do Velho Testamento assegurassem ao povo a sua proteção ou libertação de
invasores estrangeiros (Isaías prometeu a Ezequias que Deus o libertaria do sítio de
Jerusalém pelos assírios, em 2 Rs 19). Outros profetas em outras épocas tiveram de
profetizar sobre destruição e ruína (Jeremias disse a Zedequias que os babilônios tomariam
Jerusalém e a queimariam com fogo, em Jr 34).
Uma vez, durante as peregrinações dos israelitas no deserto, quando queriam água,
Deus falou com Moisés para ferir a rocha (Êx 17.1-7). Numa outra ocasião, em
circunstâncias semelhantes, o Senhor ordenou que Moisés apenas falasse a uma
determinada rocha (Nm 20.2-9). A desobediência de Moisés (que feriu obstinadamente a
rocha com a vara, como fizera da primeira vez) lhe custou muito caro (Nm 20.10-13). Os
apóstolos primitivos estavam tendo bom êxito na pregação do evangelho na Ásia Menor,
quando inesperadamente o Espírito Santo alterou o seu curso, e os dirigiu para a Europa (At
16.6-10).
VISÃO CEGA E AUDIÇÃO SURDA
Diante disto, Mateus 13.13 agora nos é mais significativo. As pessoas podem ver,
contudo não enxergar; podem ouvir, porém não escutar. Conhecem a vontade de Deus, mas
não a cumprem. São capazes de enxergar uma oportunidade concedida por Deus, e não se
apoderar dela por requerer deles uma nova fé e uma nova obediência.
Quatorze vezes no Novo Testamento encontramos estas palavras: “Quem tem
ouvidos para ouvir, ouça” (Mt 11.15; 13.9,43; Mc 4.9,23; Lc 8.8; 14.35; Ap 13.9; 2.7,11,29;
3.6,13,22). De fato, esta frase em Mateus 13.9, vem logo antes da pergunta dos discípulos
que estamos examinando. A versão inglesa Phillips traduz esta frase assim: “o homem que
tem ouvidos para ouvir deve usá-los”. Evidentemente, Jesus está falando sobre algo além do
uso dos nossos ouvidos naturais. Está nos exortando a possuir percepção espiritual, para
ouvirmos com o auxílio do Espírito Santo, a fim de podermos compreender.
Lemos em Marcos 4.24 que devemos ter cuidado no que ouvimos, e em Lucas 8.18,
somos advertidos quanto a como ouvimos. Em ambas as passagens, a afirmação de Jesus
é repetida: “ao que tiver, se lhe dará...” Aquele que prestar atenção à orientação de Deus
com uma atitude voluntária receberá, como os discípulos, a aprovação de Jesus: “Bemaventurados,
porém, os vossos olhos, porque vêem; e os vossos ouvidos, porque ouvem”
(Mt 13.16).
EM CUMPRIMENTO DA PROFECIA DE ISAÍAS
Jesus disse que as pessoas que vêem mas não percebem, e que ouvem mas não
entendem, cumprem as palavras em Isaías 6.9,10 (Mt 13.14,15). Muitos daqueles que são
expostos ao ministério de Cristo continuam ouvindo e vendo, contudo não conseguem
entender ou perceber.
Por quê? Porque o coração do povo se endureceu. Isto significa que tornaram-se
tapados, calejados e insensíveis. Não querem responder à orientação de Deus, nem fazer a
sua vontade.
Talvez um dos versículos mais mal-entendidos desta passagem seja o final do
versículo 15: “para não suceder que vejam com os olhos, ouçam com os ouvidos, entendem
com o coração, se convertam e sejam por mim curados”. Isto significa que Deus quer manter
as pessoas em cegueira e surdez espiritual? Não! Deus quer curar a todos que se chegarem
a ele.
Se, porém, forem curados para conhecerem a verdade e depois se recusarem a
obedecer essa verdade, melhor lhes seria se nunca fossem curados! Somos responsáveis
pelas verdades que conhecemos; portanto, se soubermos o que fazer e não o fizermos,
traremos maior condenação sobre nós mesmos. Por misericórdia, então, Deus permite que
os olhos e ouvidos espirituais dos corações calejados permaneçam incuráveis. A cura os
prejudicaria!
O CONTRASTE ENTRE DOIS HOMENS
Jesus desafiou dois homens de bens a segui-lo. O primeiro foi Zaqueu, um dos
principais coletores de impostos de Jericó. Sendo pequeno em estatura, não podia ver Jesus
na multidão. Por isso, correu adiante e subiu numa árvore. Para a surpresa de todos, Jesus
parou debaixo da árvore, chamou o homenzinho assustado para descer, e se convidou para
a sua casa. O coração de Zaqueu respondeu à mensagem de Jesus. Prometeu restaurar
quatro vezes o que havia defraudado, e dar metade das suas possessões aos pobres. Jesus
o elogiou pelo seu arrependimento (Lc 19.1-10).
Em contraste a isto, o jovem rico de Mateus 19.16-22 não respondeu ao desafio de
Jesus. Seu coração estava endurecido e indisposto por causa do seu amor às riquezas.
Retirou-se da presença de Jesus e foi embora triste.
UMA PERGUNTA FINAL
Será que Deus ama mais a uns que aos outros? Não, ele ama a todos da mesma
forma. Entretanto, ele concede a oportunidade de ser abençoado apenas às pessoas de
coração responsivo. Fiquei empolgado um dia enquanto lia Marcos 3.13. Jesus subiu num
monte e levou consigo aqueles que ele mesmo quis para estarem com ele. Embora amasse
o mundo inteiro, ele determinou revelar-se apenas a poucas pessoas.
Em outro lugar, ele disse: “Vocês são os meus amigos se fizerem aquilo que lhes
ordenei. Não os chamarei mais de servos, pois o servo não goza da confiança do seu
mestre. Não, chamei-lhes de amigos, agora, pois lhes tenho contado tudo que ouvi do Pai”
(Jo 15.14,15, da versão Phillips).
Jesus investe a sua vida naqueles que respondem a ele. Os discípulos que escolheu
poderiam ser, aparentemente, candidatos improváveis para o seu reino, mas Jesus lhes
conhecia o coração. Pedro, por exemplo, tinha seus altos e baixos, mas estava determinado
para fazer a vontade de Deus. Essa atitude fez dele um amigo de Jesus e um líder da igreja.
Cada um de nós precisa considerar o que Deus está fazendo e dizendo às nossas
vidas. Se respondermos positivamente, novas oportunidades se abrirão diante de nós. Mas,
se endurecermos nosso coração contra novos tratamentos e revelações de Deus, não
poderemos crescer nem dar fruto.
Se você for um líder, procure pessoas de coração responsivo. Um investimento de
tempo e esforço em tais discípulos resultará numa colheita de grande valor. Mas quem não
responde num determinado nível de verdade, nunca agirá de forma diferente num nível mais
alto.
Acima de tudo, guardemos nosso próprio coração, para que seja sempre responsivo,
percebendo e ouvindo o que o Espírito está dizendo à igreja dos nossos dias.

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