NEEMIAS: UM HOMEM A SERVIÇO DE DEUS


Jeová tem compaixão, Jeová consolou. Esse é o significado do nome de Neemias, o homem usado por Deus para  consolar, animar e dar um novo sentido à vida do seu povo.
No livro de Neemias encontramos orientação segura para uma liderança bem sucedida, principalmente em momentos de transição onde as crises se apresentam como enriquecedora fonte de autoconhecimento, conhecimento dos aliados e daqueles que fingem ser, além dos inimigos declarados. 

CAPITULO 1
Neemias, um judeu temente a Deus, morava em Susã, sede do governo persa. Era o copeiro do rei Artaxerxes, 464 – 424 a.C. v. 11.
Certo dia recebeu em seu local de trabalho, no ano vigésimo do reinado de Artaxerxes, no mês de Quisleu (dezembro), uma comitiva de judeus que veio visitá-lo.  Neemias perguntou-lhes sobre a situação dos judeus que estavam em Jerusalém, após o seu retorno do exílio em Babilônia.  v. 1 – 2.
As notícias não eram boas: o povo estava longe dos caminhos de Deus, a liderança política e religiosa era descompromissada, o povo passava fome. Pela opressão a desigualdade econômica e social havia aumentado. Finalmente, os inimigos zombavam da situação caótica da cidade de Jerusalém cujo muro e as portas ainda permaneciam queimados e reduzidos a um grande monturo. Esse quadro comprometia a imagem do Deus que os israelitas diziam adorar.  
A cidade de Jerusalém era uma foto sem retoques da decadência. v. 3. Os inimigos viam nisso o resultado da arrogância e rebeldia dos judeus contra o seu Deus.  Eles estavam vendo apenas a aplicação do juízo de Deus sobre Jerusalém, mas se espantariam quando a misericórdia do Senhor se manifestasse. Esse tempo estava próximo. Fora de Jerusalém, em Susã, Deus estava chamando o homem certo para aquele momento de incerteza na vida do povo judeu.
A idéia que temos de Deus está vinculada ao correto ou incorreto relacionamento que temos com Ele. Quem conhece Sua verdadeira natureza, como é apresentada nas Escrituras, mantém com Ele um relacionamento honesto e de fidelidade. Deus é fiel, amoroso, justo, paciente, perdoador e surpreende a todos diante do clamor humilde de seus filhos.   A história tem mostrado isso.

A reação de Neemias
Após ouvir o que os seus irmãos de nação falaram e internamente comparar a situação privilegiada em que vivia, de conforto e como homem de confiança do rei, Neemias, manifestou a sua sensibilidade: sentou-se, chorou, lamentou, jejuou e orou ao Senhor, mas não ficou só nisso.  v. 4. Se o Senhor o desejava em Jerusalém, estava pronto para partir.

A oração de Neemias
Na oração de Neemias encontramos: a) exaltação a Deus reconhecendo a sua grandeza, majestade, poder, conhecimento, presença e fidelidade com aqueles que O amam e obedecem aos Seus mandamentos. A graça de Deus ainda não estava desenvolvida no pensamento judaico, o que veio acontecer com a vinda de Jesus Cristo.
Neemias pede ao Senhor que em sua sensibilidade o ouça nesse dia de angústia quando intercede pelo seu povo, confessando os seus pecados. Roga ao Senhor que manifeste o seu perdão e misericórdia ocorridos, no passado, quando Moisés clamou ao Senhor pelo povo. Outras vezes, quando o povo se encontrava em aflição, se humilhava e obedecia, era socorrido pelo Senhor. 
Apela para o amor de Deus.  Apesar de tudo o que estava acontecendo, o Senhor não havia mudado e o povo ainda era o mesmo, em suas limitações.
Declara-se um servo temente ao Senhor e que procurava manter a sua fidelidade juntamente com um remanescente fiel esperava resposta.  Pede êxito no plano que tem, com Deus, para ajudar o seu povo.
Quando oramos apoiados na Palavra de Deus, oramos corretamente.

CAPÍTULO 2
A oração em ação
No mês de Nisã (abril), mês quando Israel fora, pelo Senhor,  libertado do Egito, Neemias se apresentou ao rei, de maneira diferente das anteriores.  Êxodo 12. 1; Deuteronômio 16. 1. Essa decisão, movida e apoiada por Deus, marcou um novo recomeço e o retorno da honra para Israel.  v. 1.
A serenidade e o bom humor que naturalmente se expressavam no rosto de Neemias em seu encontro diário com o rei, foram substituídos pela tristeza, nesse dia. v. 1 – 2.
Quando alguém de confiança do rei se manifestava triste diante dele, isso poderia dar margem a muitas interpretações. O rei não permitiria que isso ficasse no ar. A indefinição é um aliado daquele que deixa de ser de confiança.
Artaxerxes leu no rosto de Neemias que algo não estava bem e quis saber detalhes. Começou a argumentar com ele. Como seu servo não estava doente, de imediato percebeu que a causa da tristeza atormentava o interior de Neemias e isso precisava ser resolvido, de imediato, ali mesmo. 
As palavras do rei causaram medo em Neemias. Ele sabia como os reis persas tratavam os infiéis. Sem demora fez uma declaração de fidelidade e em seguida abriu o seu coração: “Como não estaria triste o meu rosto, estando a cidade, o lugar dos sepulcros de meus pais, assolada, e tendo sido consumidas as suas portas pelo fogo?”. “O que me pedes, agora?”, disse o rei. Antes de falar, em seu interior Neemias orou ao Senhor, pedindo humildade e sabedoria. A seguir declarou: “Se é do agrado do rei e se o teu servo achou favor em tua presença, peço-te que me envies a Judá, à cidade do sepulcro dos meus pais, para que a reedifique”. Neemias foi objetivo, conciso e claro em seu pedido. v. 3 – 5.
A gratidão do rei pelos bons serviços prestados foi imediata. O rei perguntou-lhe sobre o tempo que esse trabalho poderia durar e em seguida concedeu-lhe a licença. Providenciou o atendimento ao pedido complementar e honrou Neemias para que não fosse sozinho. Acompanhava-o uma caravana de oficiais do exército real e cavaleiros.  O bom servo é recompensado pelo seu senhor. Deus estava com Neemias. Com o apoio do céu e da terra, nada faltaria para que a obra fosse bem sucedida! Esse apoio não impediu que as lutas viessem. A presença de Deus conosco não pode ser interpretada como ausência de lutas, problemas e desafios. Veja a vida de Jesus e a dos servos de Deus no passado e no presente.
Neemias, teoricamente sabia como se conduzir. A prática da oração seguida da vigilância estariam presentes nessa missão.  Seu princípio era: a oração precisa antecipar qualquer ação. v. 6 – 9.

Inimigos no caminho (versão 1)
Os inimigos dos judeus tinham informantes entre os judeus. Assim que Neemias chegou a Jerusalém, sua presença foi denunciada.
Outro princípio seguido por Neemias: os inimigos do Senhor e do povo de Deus não podem ser nossos amigos. 
Aquele momento de crise vivido pelo povo judeu era uma oportunidade preciosa para que Neemias conhecesse quem estava do lado de Deus e quem era contra.
Três inimigos externos tiveram uma ação destacada e coordenada contra a obra iniciada por Neemias: Sambalate, Tobias e Gesém. Esse trio tem feito escola e também atua nas igrejas de hoje que se propõem a ser parceiras de Deus em grandes projetos. 
Quando Deus se propõe a abençoar o seu povo, os inimigos ficam irritados porque a glória que divulgam de si mesmos é desmascarada com o tempo.
Sambalate e Tobias não se agradaram de que alguém cuidasse do bem de Israel. v. 10.

A obediência a Deus está acima da ética dos homens
Assim que chegou a Jerusalém, Neemias descansou três dias. No final deles, tomou a decisão de fazer uma inspeção noturna para conhecer pessoalmente a situação. Não perguntou aos líderes e magistrados sobre o estado da cidade e nem comentou com eles o objetivo de sua missão. O caos de Jerusalém era o testemunho visível do descompromisso desses homens. A autoridade deles inexistia, considerando o abandono da cidade. Logo, estavam sem qualquer condição para opinar, ter conhecimento antecipado ou autorizar qualquer ação. A lideres oficiais que não lideram não se deve perguntar e nem adiantar nada. O episódio vivido por Jesus na expulsão dos vendedores do templo confirma esse raciocínio. João 2. 13 – 25.
Em sua inspeção noturna, iluminada pelos raios lunares, Neemias, discretamente levou consigo poucos homens de sua confiança. São suas palavras: . “não declarei a ninguém o que o meu Deus havia posto no coração para fazer em Jerusalém”. V 12..
Neemias glorificava a Deus no que fazia. Considerava sua missão um plano de Deus e não um plano humano. v. 11 – 12.  
Sobre um animal de montaria, esses foram os locais visitados à noite: Porta do Vale, Fonte do Dragão, Porta do Monturo, Porta da Fonte, piscina do rei. Onde o animal não poderia andar, devido aos entulhos, Neemias fazia o percurso à pé. v. 13 – 15.
Quando Deus tem para nós uma missão, ela está acima de qualquer padrão ético estabelecido pelos homens e desconsidera qualquer tipo de hierarquia.   v. 16.
Mais tarde, diante da liderança dos judeus em Jerusalém, Neemias demonstra o seu amor pelo povo, pessoalizando o sofrimentos deles, incluindo-se entre os que sofriam. “... bem vedes a aflição em que estamos...”v. 17.
Neemias sabia que a obra não poderia ser feita apenas por ele. Fez um convite para que todos se empenhassem na reconstrução da cidade a fim de que a zombaria dos inimigos cessasse. Quem habita numa casa em ruínas é objeto do escárnio de parentes descompromissados,  inimigos e desconhecidos. v. 17. -
  Neemias não se colocou como um estrangeiro no meio dos judeus.  Todos, agora, sabiam quem era ele, de onde viera e o apoio que havia recebido do rei. Sua liderança espiritual e política não poderia ser contestada. Tinha o apoio de Deus e do rei.  v. 18.
Seu exemplo de desprendimento e amor pela nação não poderiam ser negados e isso para vergonha daqueles que deveriam ser líderes e não eram. Aquilo que os líderes do local não haviam se sensibilizado para fazer, ele estava disposto a iniciar e terminar o que era, até então, considerado impossível aos olhos humanos. Nem sempre os de perto vêem os problemas que estão diante dos seus olhos. O ser humano tem a tendência de acomodar-se a uma situação que não lhes perturba tanto. Foi necessário que Deus trouxesse alguém de longe para que a situação fosse mudada. Diante dos líderes, Neemias glorificou a Deus que o havia trazido a eles para realizar aquela grande obra. “...declarei-lhes  como a mão do meu Deus me fora favorável”. v. 18. Essa atitude de fé lembra-nos a de Davi quando se encontrou com o amedrontado exército de Israel e com o arrogante filisteu que por quarenta dias desafiou o povo de Deus. 1 Samuel 17.  Sabemos o que aconteceu a Davi e  a Golias.
  As palavras cheias de fé de Neemias combinavam com o seu entusiasmo contagiante e com a facilidade de persuasão que o Senhor havia dado a ele. A reação dos judeus foi unânime: “ ... levantemo-nos e edifiquemos”. Deus promoveu esse encontro.  Assim a obra teve início. “ ...De maneira que deram início a essa boa obra”.  v. 18.
Ninguém resiste a um líder que  sabe o que quer, como quer e quando quer e que está dentro da vontade de Deus recebendo o Seu apoio. v. 18.
Líderes sem iniciativa e vacilantes não deixam boas marcas na história. 

Inimigos no caminho (versão 2)
Como já declaramos, Sambalate, Tobias e Gesém tinham informantes entre os judeus. E o pior: entre a liderança religiosa.   Falsos amigos são piores que o pior inimigo. Neemias 6. 17 – 19; 13. 28.
O trio de oposição externa quando soube que a obra de reedificação dos muros havia se iniciado, começaram a zombar. A zombaria é um sinal evidente de quem está sendo incomodado e cujo poder começa a ser abalado. O líder inteligente decodifica a zombaria como um incentivo para continuar. A zombaria revela que o caminho que segue é o certo e que interesses excusos estão sendo denunciados, combatidos e serão derrotados.
Os inimigos de plantão adicionaram à zombaria, a maledicência, mais conhecida como fofoca. Tentaram granjear ganhos políticos junto ao rei Artaxerxes e diziam: “... Quereis rebelar-vos contra o rei?”. V. 19. Não sabiam eles o grau de confiança que ligava Neemias ao rei Artaxerxes. Quem sabe uma palavra de Neemias ao rei seria suficiente para silenciar esses inimigos. O servo de Deus espera o tempo de Deus por mais que isso lhe seja custoso e desgastante. Só quem conhece a Palavra entende isso.  A atitude de Neemias é retratada pelo apóstolo Paulo. Romanos 12. 17 – 21.
Neemias responde aos zombadores, exaltando a Deus: “O Deus do céu é que nos fará prosperar”. Não é bom que o líder sempre divulgue a zombaria dos opositores porque isso os fortalece, massageia o seu ego e pontua a sua presença no lado contrário. Isso é gratificante para eles. v. 20.
A melhor maneira de  responder à oposição  é com a Palavra de Deus como fez Jesus diante das propostas de Satanás. Mateus 4. 1 – 11.
Aquela obra era de Deus e os seus servos estariam empenhados nela até o seu final. Não era da conta deles dar qualquer palpite ou realizar qualquer trabalho contra. Que cuidassem do que lhes competia com o povo deles.
Há pessoas interessadas em cuidar mais da vida dos outros que da sua própria. Esses são os fofoqueiros, agentes de destruição de vidas. Tem olhos para os outros e são cegos para si mesmos. Cobram dos outros, mas não  cobram de si mesmos.
Infelizmente, há momentos em que precisamos responder de público à minoria mobilizada cuja intenção é aproveitar-se da desmobilização do povo de Deus para tê-lo junto a si.
Nossa declaração deve mostrar que o Senhor está conosco pelas bênçãos que nos têm concedido.  Não podemos, no entanto, perder muito tempo com os inimigos de Deus. Nossas energias precisam estar concentradas mais no que Deus quer que façamos. Quem dá atenção aos zombadores, lamentadores e críticos acaba se contaminando com o seu espírito derrotista e conformista e reproduzindo o que eles são. 

CAPÍTULO 3
A divisão de trabalho multiplica
Neemias adotou a estratégia da divisão de trabalho para que a obra fosse realizada de forma rápida e articulada. Cada líder judeu recebeu a responsabilidade de edificar uma área do muro próximo de onde residia. Era necessário que o povo visse o empenho desses líderes para que se entusiasmasse e se unisse a eles. Quando os líderes aliados partem da verbalização para a ação, sua influência é sentida de imediato e o povo se motiva ao trabalho.    
Infelizmente, em meio à retirada dos entulhos e construção das portas e dos muros, muitos nobres não se sujeitaram ao trabalho manual. v. 5. Apesar desses omissos o trabalho feito pelas equipes de reconstrução formada por sacerdotes, levitas, ourives, perfumistas, líderes políticos, proprietários de terras e o povo em geral, começou a apresentar resultados.
Em todo o trabalho sempre há pessoas que confundem humildade com insignificância. Na verdade a grandeza de uma pessoa é conhecida pela sua humildade, desejo de ser parceiro, solidariedade. Precisamos de paciência para conviver com aqueles que são hábeis no discurso e nulos em boas obras. 
Quando cada um faz a parte que lhe cabe todo o trabalho é realizado e o entusiasmo se restabelece.
Dentro de alguns dias o povo começou a ver que o espaço ocupado pela destruição e sujeira estava cada vez menor. A visão de ordem e limpeza começou a aparecer e a crescer gerando bem estar em todos. Boas palavras e ações geram entusiasmo contagiante e o desejo de se autosuperar.  

CAPÍTULO 4
Inimigos no caminho (versão 3)

Sambalate era a personificação do próprio Satanás quando contempla o sucesso alcançado pelo povo de Deus. 
O avanço da obra de reedificação do muro e da restauração das portas muito indignou o inimigo dos judeus. A paz desse inimigo repousava no caos dos judeus. Agora que Jerusalém assumia uma nova aparência, Sambalate se uniu a Tobias e a Gesém para retomarem suas críticas, zombarias e desdém.   v.  1 – 3. Manifestavam seus sentimentos na frente dos edificadores com o objetivo de desanimá-los. Da obscuridade e sutileza passaram a ser ostensivos.  Precisamos declarar ao derrotista que ele é perfeitamente dispensável e sua contribuição consiste em permanecer em silêncio contemplando as obras que o Senhor faz através daqueles que temem o Seu Nome. A convicção do derrotista brevemente será a sua própria vergonha.  Nada temos a aprender com ele.
Neemias recorre à oração para enfrentar essa oposição dos inimigos. v. 4 – 5.
Em tempo não esperado pelos inimigos o muro chegou até à metade porque o povo se inclinava a trabalhar. v. 6. A inclinação ao trabalho é sempre  uma boa resposta para os murmuradores. A segunda metade precisava ser completada para que a cidade ficasse realmente protegida.
Ir até o fim é o desafio. Por mais que a metade nos alegre, não podemos ficar satisfeitos até que tudo termine.  V. 6.

Inimigos no caminho (versão 4)
Quando viram a metade do muro já pronta, os inimigos partiram das palavras para o planejamento de uma ação bélica  Também os derrotistas perdem a paciência...
O trio satânico se coligou para impedir que a outra metade fosse concluída.  v. 7 – 8.
Neemias levou a sério essa ameaça bélica e tomou duas providências: orou ao Senhor pedindo a proteção e reforçou a segurança. A fé não descarta a vigilância. V. 9.
A rapinagem dos derrotistas precisa ser tratada com armas espirituais e vigilância. Nunca se deve dar as costas para quem é hipócrita. É preciso olho no olho...
Uma palavra de desânimo foi lançada no meio do povo para desestimulá-lo. Os próprios judeus começaram a comentar entre si as ameaças bélicas do inimigo e o medo e a insegurança aumentaram. Quando se abre espaço para o medo ele se torna maior. v. 10 – 13.
Depois de tomar todas as providências de defesa, Neemias conclama o povo a confiar no grande Deus poderoso e temível, conhecido das gerações passadas pelas suas intervenções em Israel.  Cada um deveria estar disposto a defender a sua família, se houvesse algum ataque surpresa. V. 14 – 15. 
A vigilância desestimula os inimigos.
Os construtores se tornaram soldados também. Neemias ordenou que o corneteiro estivesse junto dele para que todos ouvissem o som da trombeta e obedecessem ao seu comando. A palavra de Neemias era: “O nosso Deus pelejará por nós”.v. 16 – 20.
Esse permanente estado de dependência de Deus e vigilância é uma característica daquele que anda com o Senhor e sente-se seguro da vitória.

CAPITULO 5
Inimigos no caminho (versão 4)
Como se fossem poucos os problemas causados pelos inimigos externos, surgiu no meio do povo um inimigo interno e muito poderoso: a tentativa de gerar uma guerra civil entre judeus ricos e pobres. Em meio à pressão externa os judeus ricos estavam oprimindo seus irmãos pobres.
Quando Neemias tomou conhecimento que uma implosão estava a caminho e que ela representaria a derrota de todos, providências urgentes foram tomadas.
Os pobres tinham perdido suas propriedades e seus filhos já estavam sendo entregues como escravos.  v. 1 – 5.
O ambiente se tornou insustentável. Os inimigos de Israel vibravam com esse problema interno que afetaria, com certeza, o término da construção do muro.
Neemias era um homem sensível e ficou indignado ao saber que a atitude egoísta e opressora dos ricos estava comprometendo a existência da própria nação de Israel. v. 6 – 12.
Foi convocada uma assembléia para tratar desse assunto. Neemias argumentou com os ricos, expondo-lhes o perigo que corriam. A permanência do impasse resultaria em derrota para todos. Um povo dividido contra si mesmo não prospera.  Felizmente o acordo permitiu a derrota do egoísmo e a obra pode prosseguir sem interrupção. Neemias usou dois argumentos inquestionáveis: o temor a Deus e a sua vida como exemplo. Nunca havia exigido o que tinha direito como governador e nunca havia feito uso indevido de sua autoridade. Mostrou ao povo que todos deveriam olhar para o mesmo objetivo: o bem estar da nação. v. 13 – 18.
Este capítulo se encerra com uma oração: “ Lembra-te de mim para bem, ó meu Deus e de tudo o que fiz a este povo”. v. 19.

CAPITULO 6
Inimigos no caminho (versão 5)
Inimigo insistente, reação persistente
Enfim, o muro ficou pronto! As portas precisavam ainda ser colocadas.  v. 1.
Os inimigos externos prepararam mais uma carga de oposição e tentaram dialogar com Neemias. É muito estranho quando os inimigos tentam colocar sobre sua carcaça de lobo uma pele de ovelha! Essas conversões instantâneas não são confiáveis.
Veja essas estratégias da oposição não inteligente:
a.Tentativa para um “encontro” no campo.Mensagem repetida quatro vezes. 
Resposta quádrupla de Neemias: “Estou fazendo uma grande obra, e não poderei descer. Por que cessaria a obra, enquanto eu a deixasse e fosse ter convosco?”. v.3 – 4. É preciso ter discernimento vindo de Deus para não ser atraído à conversações vazias e traiçoeiras. O desejo secreto dos inimigos é trazer dores aos líderes. Quem trabalha para o Senhor não desce até onde estão os inimigos de Deus.  
b. Carta com acusações falsas. As cartas diziam que Neemias queria se revoltar contra o rei; que Neemias queria ser o rei dos judeus; que Neemias teria alugado falsos profetas para proclamar ao povo os seus interesses tentando convencê-los  como vindos de Deus. 
Resposta de Neemias: nada do que dizem é verdade. v. 8.
A criatividade para gerar o mal é infinita na mente pecaminosa.
Neemias sabia que o objetivo dos inimigos era intimidá-lo e  desacreditá-lo  diante do povo para que o desânimo o impedisse de completar a obra. As investidas do inimigo tiveram o efeito contrário. Neemias se aproximou mais de Deus; “ Agora, ó Deus, fortalece as minhas mãos”. V. 9.
c. Falsa profecia de Semaías com o objetivo de atrair Neemias para o interior do templo onde pudessem matá-lo.  V. 10.
Resposta de Neemias: “Um homem como eu fugiria? E quem há, como eu, que entre no templo para salvar a vida? De maneira nenhuma entrarei”.v. 11.
Neemias teve o discernimento para descobrir que esse falso profeta havia sido subornado por Sambalate e Tobias. Ele volta a orar: “Lembra-te, ó meu Deus, de Tobias e Sambalate, conforme estas suas obras, e também da profetisa Noadia e dos demais profetas que têm procurado intimidar-me”. v. 14.   A falsa profecia é desacreditada pelos fatos.
É impressionante o poder de mobilização dos inimigos de Israel, trabalhando contra o bem estar do povo judeu, fazendo uso de falsos profetas judeus para intimidar Neemias.  Esses inimigos descobriram que se conseguissem atingir a pessoa de Neemias, os demais judeus seriam presas fáceis porque assim havia sido no passado recente quando o muro estava derribado.
No mês de Elul, setembro, sexto mês, o muro ficou pronto. Foram cinqüenta e dois dias de muita luta, uma verdadeira guerra espiritual.
Enquanto os judeus comemoravam esse feito, os inimigos ficaram temerosos e abatidos em seu próprio conceito porque reconheceram que a obra foi feita com a ajuda de Deus. v. 15. A perseverança tem a sua recompensa.
Neemias descobriu que alguns membros da nobreza judaica estavam comprometidos com os inimigos do povo judeu com os quais tinham parentesco e trocavam cartas entre si. 6. 17 – 19.
As ações do líder comprometido com Deus são dificultadas quando trabalha com pessoas que não merecem  confiança e com as quais não pode contar. Trabalhar com falsos amigos é pior que enfrentar os inimigos.  Precisamos ter cuidado com aquelas pessoas que vem trazer notícias de outros para nós. Elas são capazes de fazer o caminho inverso para que se mantenham bem informadas sobre ambos os lados e dessa maneira tirar vantagens pessoais dessas informações. V. 17 – 19.


CAPITULO 8
Reconstrução Nacional
No sétimo mês, Tisri ou Etanim, outubro, com a cidade toda cercada pelos novos muros e novas portas, o povo de Israel sob o comando do escriba e  sacerdote Esdras se reúne para um novo projeto: a reconstrução espiritual. Não basta morar numa bela cidade habitada por moradores em decadência espiritual. Neemias 8. 1 – 2.
O local escolhido para a leitura da Palavra de Deus foi diante da Porta das Águas. Durante toda a manhã até o meio dia o povo teve a oportunidade de ouvir a Palavra de Deus.  v. 3.
Assim que abriu o livro, Esdras louvou ao Senhor e todo o povo disse: amém.
Com o rosto em terra o povo humilhou-se diante do Senhor. Os levitas presentes davam ao povo as explicações do que se lia de tal sorte que o entendimento se tornou acessível. Era um novo começo para Judá. v. 6 – 8.
Felizes as igrejas cujos líderes conhecem experiencialmente  a Palavra e a partilham de forma contemporânea para que todos entendam e a tornem em vivência.
Enquanto Neemias, servo temente a Deus cuidava do governo da nação, Esdras cuidava do governo de Deus sobre o povo. v. 9.
O bem estar de uma nação está vinculado ao temor a Deus por parte dos líderes políticos e religiosos. Uma igreja e uma nação só serão fortes quando estiverem em obediência à  Palavra de Deus.  
O povo se emocionou ao ouvir novamente em sua própria terra, agora livre da humilhação, a Palavra do Senhor. Muitos choravam. Com a Palavra de Deus foi lançado o alicerce para o avivamento espiritual. A recomendação era para que todos se alegrassem no Senhor. “Não vos entristeçais porque a alegria do Senhor é a vossa força”. Neemias 8. 10b.
Durante sete dias o povo se alegrou no Senhor e no oitavo dia tiveram uma assembléia solene. 

CAPITULO 9
Momentos de Celebração
No dia 24 desse mesmo mês o povo se ajuntou para confissão de pecado, jejum, oração e juramento solene de obediência a  Deus.  Durante três horas leram a Palavra de Deus e durante três horas fizeram confissão de pecado e adoraram o Senhor. v. 1 - 3.
Os levitas convidaram o povo para adorar o Senhor e celebrar a sua majestade em manifestações de louvor.  
A história do povo foi recontada às novas gerações. v. 5.  Esse breve retorno às origens lembrou a todos que Deus é o que é: misericordioso, paciente, justo e perdoador.  A paz era o desejo de todos para que a prosperidade se estabelecesse.

CAPÍTULO 10
Não existe obediência por decreto
Aqueles que pudessem entender o significado daquele momento se dispuseram a fazer um pacto de obediência ao Senhor desde o maior até o menor. A intenção foi boa, mas a forma como a realizaram mostrou mais uma vez a fragilidade dos seus antepassados. Sob juramento de maldição declararam: “não negligenciaremos a Palavra de Deus e nem a sua casa”. V. 39b.


CAPITULO 11
Ocupando seu espaço na terra restaurada
O povo se dividiu entre aqueles que habitariam na cidade de Jerusalém e arredores e aqueles que ficariam em suas possessões.                                                

CAPITULO 12
Dedicação do muro de Jerusalém
A dedicação do muro foi uma festa onde a participação da liderança política e religiosa e de todo o povo foi notória juntamente com os instrumentistas e cantores. O texto relata que “...a alegria de Jerusalém se ouvia até de longe”. V. 43.
Será que todos aqueles que estavam presentes a essa festa tiveram parte na edificação ou fizeram o jogo dos inimigos? O Senhor julga os infiéis e traz à superfície suas ações secretas para que sejam envergonhados e se arrependam. Os compromissados, descompromissados e inimigos vivem no mesmo ambiente. A atitude de cada um revela sua natureza.  
Quando nos propomos a participar de um projeto de edificação de uma igreja dentro dos propósitos de Deus a luta que se trava hoje não é diferente daquela enfrentada por Neemias.
Vale para nós o exemplo de Neemias que deixou o seu conforto para enfrentar uma luta árdua e que lhe custou um envelhecimento precoce. Em tudo, no entanto, sentiu-se recompensado porque foi o amor de Deus que o moveu para esse projeto vitorioso e que será lembrado por todos aqueles que estão comprometidos com a obra de edificação de vidas, patrocinada por Deus.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                      

CAPITULO 13
Adequando-se à Palavra de Deus
Após a leitura do livro da Lei de Deus, o povo foi orientado a adequar-se a ele. Tudo que era contrário deveria ser eliminado, não importando a posição social ou religiosa dos atingidos.
Com o retorno de Neemias ao palácio de Susã, houve um relaxamento nos costumes. Até alguns líderes se tornaram repreensíveis.
Infelizmente há pessoas que vinculam sua fidelidade a Deus à presença dos seus líderes. Ainda não alcançaram a autonomia que só vem pela maturidade e vida com Deus. 
No ano 32 de Artaxerxes, Neemias retorna a Jerusalém e coloca ordem no culto, no sustento dos levitas e cantores e realiza uma campanha de integridade em toda a nação.
Eliasibe, o sacerdote, havia se aparentado com Tobias, inimigo do povo de Deus que possuía no templo um local onde tinha sua morada temporária. Neemias promoveu o despejo de Tobias e retirou seus móveis do templo. É impossível manter-se aliança com Deus conservando a aliança com Seus inimigos. v. 4 – 9.
No segundo momento de Neemias à frente do governo em Jerusalém o  povo voltou a dizimar, isto é, a dar voluntária e sistematicamente o seu dízimo para suprir as necessidades da casa do Senhor. v. 10 – 13.
Em tudo o que fazia, a oração estava presente na vida de Neemias: “Por isto, Deus meu, lembra-te de mim, e não apagues as beneficências que fiz à casa  do meu Deus e para o seu serviço”.v. 14. 
Neemias verificou que a aliança que o povo havia feito com Deus, sob juramento, estava sendo desconsiderada. Uma aliança só se mantém quando é alimentada pelo amor e não pela ameaça. 
O povo sempre carece de bons exemplos.
Quando os líderes não lideram, mas liberam, o povo relaxa na sua relação com Deus, entre si e com os estrangeiros. Chegou um momento em que não mais  respeitavam o sábado, casavam-se com estrangeiros, e isso acontecia na família sacerdotal.
Para conter atitudes liberais e que contrariam a Palavra de Deus, Neemias teve de ser enérgico com os líderes e o povo. A fim de permanecer fiel a sua condição de servo de Deus, Neemias sempre orava:  “Nisso também, Deus meu, lembra-te de mim, e perdoa-me segundo o teu grande amor”. v. 22b. “ Lembra-te  deles, Deus meu, pois contaminaram o sacerdócio, como também a aliança sacerdotal  e levítica”. v. 29.
Assim como Neemias trabalhou na reedificação dos muros, trabalhou muito mais na edificação e reedificação de vidas. Estas lhe foram extremamente trabalhosas.
A instabilidade humana é um desafio até para o próprio Deus.  Basta olharmos para Israel em sua travessia no deserto e chegaremos a essa conclusão.  A igreja de nossos dias não tem postura diferente em sua travessia até chegar o arrebatamento. .
Muitos líderes direcionam o seu trabalho na administração de coisas e não no cuidado de pessoas. Com isso perdem em qualidade de ministério.   Isso é um mecanismo de fuga.
O líder que investe o seu tempo na edificação de vidas investe na eternidade e a sua recompensa também será eterna. Jesus Cristo deu-nos o exemplo.

Lições vivas
1. Cinqüenta e dois dias foi o período usado por Neemias para devolver a honra à cidade de Jerusalém e seus moradores. A ação de Deus foi fundamental para que ele fosse bem sucedido. Neemias 6. 15. Quanto tempo a igreja terá para alcançar a estatura do seu fundador?
2. Líderes centralizadores fogem do modelo proposto por Deus para lideranças bem sucedidas. Moisés aprendeu a lição. Neemias aplicou-a em seu governo  em Jerusalém. A sua vivência política como copeiro do rei, com certeza, não deixou de influenciá-lo. 
3. O líder precisa conhecer a história das nações e de seus líderes. Desta maneira poderá adquirir  o necessário para que suas ações sejam bem sucedidas.
4. Estar sob a dependência de Deus em tudo o que   pensa, fala, sente e faz é o pré-requisito de todo aquele que deseja liderar no Senhor.
5. Os inimigos de Deus e do seu povo não são criativos em suas ações de oposição. Seguem modelos antigos, mas infelizmente ainda eficazes porque o seu mentor, Satanás, as orienta para que assim ajam.
6. A conversação permanente com Deus durante o dia e a meditação em Sua Palavra são elementos de sucesso na liderança. Quem se orienta com o Deus onipotente, onipresente e onisciente, discerne bem tudo.
7. Conhecer o caráter de Deus, nas Escrituras, ajuda a forjar o grande líder que será reconhecido por todos como o homem segundo o coração de Deus. 

Oração
Senhor, concede-nos a humildade, a sabedoria e a paciência para que possamos ser habilitados por ti tanto na liderança como na assessoria aos líderes colocados por ti à frente do teu povo.
Joel E. Bueno – São Paulo, 09 de fevereiro de 2002.

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