O conhecimento que Davi tinha da autoridade.

Então os homens de Davi lhe disseram: Hoje é o dia, do qual o Senhor te disse: Eis que te entrego nas mãos o teu inimigo e far-lhe-ás o que bem te parecer. Levantou-se Davi, e furtivamente cortou a orla do manto de Saul. Sucedeu, porém, que, depois sentiu Davi bater-lhe o coração, por ter cortado a or­la do manto de Saul; e disse aos seus homens: O Senhor me guarde de que eu faça tal cousa ao meu senhor, isto é, que eu estenda a mão contra ele, pois é o ungido do Senhor (1 Sm. U-.U-6).
Davi, porém, respondeu a Abisai: Não o mates, pois quem haverá que estenda a mão contra o ungido do Senhor, e fique inocente? ... O Senhor me guarde, de que eu estenda a mão contra o seu ungido (1 Sm. 26:9, 11).
Davi lhe disse: Como não temeste estender a mão para matares o ungido do Senhor? (2 Sm. 1:1b).

Davi não buscou o trono ao preço da rebeldia

Quando o reino de Israel foi estabelecido, Deus inaugurou formalmente a sua autoridade sobre a terra. Os israelitas, tendo entrado em Canaã, pediram um rei a Deus. Por causa disso Deus comissionou Samuel para ungir Saul como o primeiro rei. Saul foi escolhido e estabelecido por Deus para constituir sua autoridade delega­da. Infelizmente, depois de se tornar rei, desobe­deceu à autoridade de Deus até o ponto de tentar destruí-la. Poupou o rei dos amalequitas e o que havia de melhor entre as ovelhas, os bois, os animais cevados, os cordeiros e tudo o que era bom. Uma vez que isto foi feito em desobediên­cia à palavra de Deus, Deus rejeitou Saul e ungiu Davi. Não obstante, Davi continuou um homem sob a autoridade de Saul. Pertencia ao povo de Saul, estava alistado no seu exército e foi, mais tarde, escolhido para ser genro de Saul, Portanto os dois eram ungidos. Mas Saul pro­curou, muitas vezes, matar Davi. Israel tinha dois reis! O rejeitado permanecia no trono; o esco­lhido ainda não subira. Davi se encontrava em posição dificílima.
Saul saiu à procura de Davi no deserto de En-Gedi. No trajeto entrou numa caverna em cujo interior se encontravam assentados Davi e os seus homens. Os homens de Davi sugeriram que Davi poderia matar Saul, mas Davi resistiu à tentação pois não se atrevia a levantar sua mão contra a autoridade. No que dizia respeito ao trono, não era Davi o ungido de Deus? E con­siderando que se encontrava diretamente no plano e vontade de Deus, poderia alguém proibi-lo de ser o rei? Por que, então, Davi não fez nenhum movimento nesse sentido? Não seria uma coisa boa ajudar a Deus a realizar a sua vontade? Mas Davi sentiu que não deveria matar Saul. Fazê-lo seria rebelar-se contra a autoridade de Deus, uma vez que a unção do Senhor permanecia sobre Saul. Embora Saul fosse re­jeitado, ainda era o ungido de Deus — alguém estabelecido por Deus. Se Saul fosse morto na­quele momento, Davi subiria imediatamente ao trono e a vontade de Deus não teria sido atra­sada em tantos anos. Mas Davi era um homem que sabia como negar-se a si mesmo. Ele pre­feria atrasar a sua subida ao trono a ser uma pessoa rebelde. Eis por que finalmente veio a ser a autoridade delegada por Deus.
Tendo Deus empossado Saul como rei e colo­cado Davi sob a autoridade de Saul, Davi teria de pagar o preço da rebeldia para obter o trono, matando Saul. Teria de se tornar um rebelde. Ele não se atrevia a tanto. O princípio envolvido é semelhante à reserva de Miguel em pronunciar um juízo injurioso contra Satanás (Judas 9). A autoridade, vemos assim, é uma questão de im­plicações extremadamente profundas.

A obediência é mais importante que o trabalho

Para que se sirva a Deus, a sujeição à au­toridade é uma necessidade absoluta. A        obe­diência transcende nosso trabalho. Se Davi rei­nasse mas fracassasse em sujeitar-se à autoridade de Deus, teria sido tão inútil quanto Saul. O mesmo princípio de rebeldia opera no Saul do Antigo Testamento e no Judas do Novo Testa­mento: o primeiro poupou o melhor que havia entre os bois e as ovelhas, ao passo que o se­gundo cobiçou as trinta moedas de prata. Consa­gração não esconde o pecado da rebeldia. Davi não se atreveu a matar Saul com suas próprias mãos a fim de executar o plano e a vontade de Deus. Ele aguardou que Deus operasse; seu cora­ção permaneceu silenciosamente obediente. Mes­mo naquela ocasião em que cortou um pedaço da capa de Saul, seu coração o acusou.
A percepão espiritual de Davi era tão aguda quanto a dos crentes do Novo Testamento. Hoje não deveríamos simplesmente condenar o homi­cídio; inclusive uma ação menor como a de cortar um pedaço da capa de outrem com uma faquinha deveria ser condenada, pois também é rebeldia. Falar mal, comportar-se mal ou resis­tir internamente não podem se classificar como homicídios, mas certamente constituem o mesmo que cortar um pedaço da capa de alguém. Tudo se origina de um espírito rebelde.
Davi conhecia a autoridade divina em seu co­ração. Embora repetidas vezes fosse caçado por Saul, submeteu-se à autoridade de Deus. Até mes­mo chamava Saul de "meu senhor'" ou "o ungido do Senhor". Isto revela um fato importante: sujeição à autoridade não se limita a estar sujeito a uma pessoa, mas é estar sujeito à unção que vem a ela quando Deus lhe ordena que seja uma autoridade. Davi reconhecia a unção que havia sobre Saul e sabia que ele era o ungido do Senhor Por isso preferia fugir para salvar a vida a estender a mão para matar Saul. É verdade que Saul desobedeceu à ordem divina e foi rejeitado por Deus; isto, entretanto, era coisa entre Saul e Deus. A responsabilidade de Davi diante de Deus era a de sujeitar-se ao ungido do Senhor.

Davi sustentou a autoridade de Deus

Davi defendia de maneira absoluta a autoridade de Deus. É exatamente esta qualidade que Deus deseja restaurar. Uma vez no deserto de Zife, surgiu uma ocasião parecida. A tentação de ma­tar Saul veio pela segunda vez: Saul dormia e Davi conseguiu entrar no acampamento. Abisai queria matar Saul, mas Davi lho proibiu, res­pondendo com  um juramento:  "Quem haverá que estenda a mão contra o ungido do Senhor, e fique inocente?"  (1 Sm. 26:9). Pela segunda vez Davi poupou Saul. Simplesmente retirou a lança e o jarro de água que estavam junto à cabeça de Saul. Foi um progresso em relação ao primeiro exemplo, porque desta vez ele apenas tocou em coisas fora do corpo de Saul, não em algo sobre o corpo de Saul. Davi preferia obe­decer a Deus e manter a autoridade divina a salvar a sua própria vida.
Em 1  Samuel 31  e 2  Samuel  1, lemos que Saul cometeu suicídio com a ajuda de um jo­vem amalequita. O jovem veio correndo a Da­vi em busca de uma recompensa, dizendo que tinha   matado   Saul.   Mas   a   atitude   de   Davi continuou sendo a de completa negação do ego e submissão  à  autoridade  de  Deus.  Disse  ao   jovem:   "Como   não   temeste   estender   a   mão   para matares o ungido do Senhor?" E imediatamente ordenou que o jovem tagarela fosse morto. Deus chamou Davi de homem segundo o seu próprio coração, porque Davi sustentou a autori­dade divina. O reino de Davi continua até o dia de hoje. O Senhor Jesus é um descendente de Davi. Só aqueles que se sujeitam à auto­ridade podem exercer autoridade. Este assunto é terrivelmente sério. Temos de arrancar to­das as raízes da rebeldia em nós.
 É absoluta­mente essencial que sejamos sujeitos à autoridade antes de exercermos autoridade. A igreja existe por causa da obediência. Ela não teme os fracos, mas teme os rebeldes. Temos de nos sujeitar à autoridade de Deus em nosso coração para que a igreja possa ser abençoada. O futuro da igreja depende de nós. Estamos atravessando dias so­lenes.

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