AUTORIDADE E SUBMISSÃO - A importância da autoridade.

Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas. De modo que aquele que se opõe à autoridade, resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos condenação. Porque os magis­trados não são para temor quando se faz o bem, e, sim, quando se faz o mal. Queres tu não temer a autoridade? Faze o bem, e terás louvor dela; visto que a autoridade é ministro de Deus para teu bem. Entretanto, se fizeres o mal, teme; porque não é sem motivo que ela traz a espada; pois é ministro de Deus, vingador, para castigar o que pratica o mal. Ê necessário que lhe estejais sujeitos, não somente por causa do temor da punição, mas também por dever de consciência. Por esse motivo também pagais tributos: porque são ministros de Deus, atendendo constantemen­te a este serviço. Pagai a todos o que lhes é devido; a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem respeito, respeito; a quem honra, honra (Rm. 13:1-7).

Ele, que é o resplendor da glória e a ex­pressão exata do seu Ser, sustentando todas as cousas pela palavra do seu poder, depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade nas alturas (Hb. 1:3).

Como caíste do céu, ó estrela da manhã, fi­lho da alva! Como foste lançado por terra, tu que debilitavas as nações! Tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu; acima das es­trelas de Deus exaltarei o meu trono, e no monte da congregação me assentarei, nas ex­tremidades do Norte; subirei acima das mais altas nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo (Is. 14:12-14).
 E não nos deixes cair em ten­tação; mas livra-nos do mal (Mt. 6:13).

E, levantando-se o sumo sacerdote, pergun­tou a Jesus: Nada respondes ao que estes de­põem contra ti? Jesus, porém, guardou silên­cio. E o sumo sacerdote lhe disse: Eu te con­juro pelo Deus vivo que nos digas se tu és o Cristo, o Filho de Deus. Respondeu-lhe Je­sus: Tu o disseste; entretanto, eu vos declaro que desde agora vereis o Filho do homem as­sentado à direita do Todo-poderoso, e vindo sobre as nuvens do céu (Mt. 26:62-64).




O trono de Deus estabelecido sobre autoridade

Deus age a partir do seu trono, e o seu trono está estabelecido sobre a sua autoridade. Todas as coisas são criadas pela autoridade de Deus e todas as leis físicas do universo são mantidas através de sua autoridade. Por isso a Bíblia diz que Deus está "sustentando todas as cousas pela palavra do seu poder", o que significa que todas as coisas são mantidas pela palavra do poder de sua autoridade. Pois a autoridade divina  representa o próprio Deus enquanto o seu poder se expressa apenas pelos seus atos. O pecado contra o poder é mais facilmente perdoado do que o pecado contra a autoridade, porque este é um pecado contra o próprio Deus. Só Deus é autoridade em todas as coisas; toda a autoridade da terra foi instituída por Deus. A autoridade é uma coisa tremenda no universo — nada a so­brepuja. Portanto é imperativo que nós que de­sejamos servir a Deus conheçamos a autoridade de Deus.

A origem de Satanás

O arcanjo transformou-se em Satanás quando tentou usurpar a autoridade de Deus, competir com Deus, e assim se tornou um adversário de Deus. Foi a rebeldia que provocou a queda de Satanás.
Tanto Isaías 14:12-15 como Ezequiel 28:13-17 falam da ascensão e queda de Satanás. A pri­meira passagem, entretanto, enfatiza como Sa­tanás violou a autoridade divina enquanto a se­gunda enfatiza sua transgressão contra a santi­dade de Deus. Ofender a autoridade de Deus é uma rebeldia bem mais séria do que ofender a santidade de Deus. Considerando que é uma ques­tão de conduta, o pecado é mais facilmente per­doado do que a rebeldia, pois esta última é uma questão de princípio. A intenção de Satanás de estabelecer o seu trono acima do trono de Deus foi o que violou a autoridade de Deus; foi o princípio da auto-exaltação. O ato do pecado não foi o que provocou a queda de Satanás; esse ato não passou do produto de sua rebeldia contra a autoridade. Foi a rebeldia que Deus condenou. Quando servimos a Deus não devemos desobe­decer às autoridades, porque isso é um princípio satânico. Como podemos pregar a Cristo de acor­do com o princípio de Satanás? Pois é possível em nossa obra permanecermos com Cristo em doutrina e, ao mesmo tempo, permanecermos com Satanás em princípio. Que coisa iníqua pre­sumirmos que estamos executando a obra do Se­nhor. Por favor, observe que Satanás não tem medo quando pregamos a palavra de Cristo, mas como tem medo quando nos submetemos à au­toridade de Cristo! Nós que servimos a Deus jamais deveríamos servi-lo de acordo com o prin­cípio de Satanás. Sempre que o princípio de Cris­to está operando, o de Satanás se desvanece. Sa­tanás continua sendo um usurpador; ele será derrotado no fim dos tempos segundo o livro do Apocalipse. Se quisermos verdadeiramente servir a Deus temos de nos purificar comple­tamente do princípio de Satanás.
Na oração que nosso Senhor ensinou à sua igreja, a expressão "e não nos deixes cair em tentação" destaca a obra de Satanás, enquanto a expressão "mas livra-nos do mal" refere-se diretamente ao próprio Satanás. Imediatamente após estas palavras o Senhor faz uma declaração muitíssimo significante: "pois teu é o reino, o poder e a glória para sempre. Amém" (Mt. 6:13). Todo reino, autoridade e glória pertencem a Deus e somente a ele. O que nos liberta total­mente de Satanás é a percepção desta preciosíssi­ma verdade — que o reino é de Deus. Conside­rando que todo o universo está sob o domínio de Deus, temos de nos sujeitar à sua autoridade. Que ninguém usurpe a glória de Deus.
Satanás mostrou todos os reinos da terra ao Senhor, mas o Senhor respondeu que o reino dos céus é de Deus. Temos de perceber de quem é a autoridade. Pregamos o evangelho a fim de colocarmos os homens sob a autoridade de Deus, mas como podemos estabelecer a autoridade de Deus na terra se nós mesmos ainda não a conhe­cemos? Como nos seria possível enfrentar Sa­tanás?

Autoridade, a controvérsia do universo

A controvérsia do universo centraliza-se sobre quem deve ter autoridade, e nosso conflito com Satanás é o resultado direto de atribuirmos autoridade a Deus. Para manter a autoridade de Deus temos de nos submeter a ela com todo o nosso coração. É absolutamente necessário que reconheçamos a autoridade de Deus e que pos­suamos uma noção básica do que ela significa.
Antes de reconhecer a autoridade, Paulo tentou acabar com a igreja; depois de se encontrar com o Senhor na estrada de Damasco entendeu que era difícil recalcitrar (o poder humano) contra os aguilhões (autoridade divina). Imediatamente caiu ao chão e reconheceu Jesus como Senhor. Depois disso, foi capaz de se submeter à orien­tação que lhe foi dada por Ananias na cidade de Damasco, pois Paulo tomara conhecimento da autoridade de Deus. No momento em que foi salvo, reconheceu a autoridade de Deus além da salvação de Deus. Como podia Paulo, que era inteligente e capa­citado, dar ouvido às palavras de Ananias — um humilde e desconhecido irmão que só foi men­cionado uma única vez na Bíblia — se não reco­nhecesse a autoridade de Deus? Se não tivesse tido um encontro com a autoridade na estrada de Damasco jamais se teria sujeitado a esse obs­curo e humilde irmão na cidade. Isto nos faz ver que todo aquele que conhece a autoridade lida puramente com a autoridade e não com o ho­mem. Não consideremos o homem mas unica­mente a autoridade investida nele. Não obedeça­mos ao homem mas à autoridade de Deus que está nesse homem. De outro modo, como po­deríamos ficar sabendo o que é autoridade? Es­tamos trilhando uma estrada errada se vemos o homem primeiro, antes de obedecer à autorida­de. O oposto é o certo. Nesse caso não nos fará di­ferença quem é o homem.
Deus tem o propósito de manifestar sua auto­ridade ao mundo através da igreja. A autorida­de de Deus pode ser percebida na coordenação dos diversos membros do corpo de Cristo.
Deus usa seu poder máximo para manter sua autoridade; por isso a coisa mais difícil de en­frentar é a sua autoridade. Nós que somos tão cheios de justiça própria e ainda assim tão ce­gos, precisamos, uma vez em nossa vida, ter um encontro com a autoridade de Deus para sermos quebrantados até à submissão e assim começar a aprender a obedecer a essa autoridade. Antes que um homem se sujeite à autoridade delegada por Deus, é preciso que reconheça a autoridade ine­rente a Deus.

 Obediência à vontade de Deus — a maior das exigências da Bíblia

A maior das exigências que Deus faz ao homem não é a de carregar a cruz, servir, fazer ofertas, ou negar-se a si mesmo. A maior das exigências é que obedeça. Deus ordenou que Saul atacasse os amalequitas e os destruísse totalmente (1 Sm. 15). Mas, após a vitória, Saul poupou Agague, o rei dos amalequitas, junto com o que havia de melhor entre os bois e as ovelhas, os cordeiros e animais mais gordos e todas as coisas valiosas. Saul não quis destruí-los; argumentou que os poupara para sacrificá-los a Deus. Mas Samuel lhe disse: "Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar, e o atender melhor do que a gor­dura de carneiros" (versículo 22). Os sacrifícios mencionados aqui eram ofertas de cheiro suave — não tendo nada a ver com o pecado, pois as ofertas pelo pecado jamais foram chamadas de ofertas de cheiro suave. Eram oferecidas para aceitação e satisfação de Deus. Por que Samuel disse que "obedecer é melhor do que sacrificar"? Porque mesmo no sacrifício pode haver o elemen­to da vontade própria. Só a obediência honra a Deus de maneira absoluta pois só ela coloca a vontade de Deus no centro.
Para que a autoridade se expresse é preciso que haja submissão. Se é preciso que haja submissão, o ego precisa ficar excluído; mas de acordo com o ego, a submissão torna-se impossível. Isto só se torna possível quando alguém vive no Es­pírito. É a mais alta expressão da vontade de Deus.

 A oração de nosso Senhor no Getsêmani

quem pense que a oração de nosso Senhor no Getsêmani, quando o seu suor se transfor­mou em gotas de sangue, foi devido à fraqueza de sua carne, ao temor que tinha de beber o cáli­ce. De modo nenhum, pois a oração no Getsêmani fundamenta-se no mesmo princípio de 1 Samuel 15:22. É a oração suprema na qual nosso Senhor expressa sua obediência à autoridade de Deus. Nosso Senhor considerava o obedecer à auto­ridade de Deus mais importante do que o sa-crificar-se sobre a cruz. Ele ora sinceramente para conhecer a vontade de Deus. Ele não diz: "Eu quero ser crucificado, eu tenho de beber o cálice." Simplesmente insiste em obedecer. Na realidade, diz: "Se houver possibilidade de não subir à cruz", mas ainda aqui não é a sua von­tade que se destaca. Imediatamente ele conti­nua, dizendo: "mas seja feita a tua vontade."
A vontade de Deus é absoluta; o cálice (isto é, a crucificação) não é absoluto. Se Deus prefe­risse que o Senhor não fosse crucificado, então ele não teria de subir à cruz. Antes de conhecer a vontade de Deus, o cálice e a vontade de Deus eram duas coisas separadas; contudo, depois que tomou conhecimento que era de Deus, o cálice e a vontade de Deus se mesclaram numa só coisa. A vontade representa autoridade. Portanto, para conhecer a vontade de Deus e obedecê-la é pre­ciso sujeitar-se à autoridade. Mas como alguém pode sujeitar-se à autoridade se não ora ou não tem desejo de conhecer a vontade de Deus?
"Não beberei, porventura, o cálice que o Pai me deu?" disse o Senhor (João 18:11). Aqui ele sustenta a supremacia da autoridade de Deus, não de sua cruz. Mais adiante, tendo compreen­dido que beber o cálice — isto é, ser crucificado para expiação — é a vontade de Deus, imedia­tamente diz: "Levantai-vos, vamos!" (Mt. 26:46). Indo à cruz ele realiza a vontade de Deus. Conse­quentemente a morte do Senhor é a mais alta expressão de obediência à autoridade. Mesmo a cruz, o ponto culminante do universo, não pode ser mais importante do que a vontade de Deus. Jesus considera a autoridade de Deus (a vontade de Deus) mais importante que a sua própria cruz (seu sacrifício).
No servir a Deus não somos chamados à ab­negação ou ao sacrifício, mas a cumprir o pro­pósito de Deus. O princípio básico não é o de escolher a cruz mas de obedecer à von­tade de Deus. Se o princípio sobre o qual tra­balhamos e servimos inclui rebeldia, então Satanás receberá e desfrutará a glória mesmo através de nossos sacrifícios. Saul poderia ofere­cer bois e ovelhas, mas Deus jamais os aceitaria como sacrifícios oferecidos a ele porque havia um princípio satânico envolvido. Eis por que as Escrituras declaram que "a rebelião é como o pecado de feitiçaria, e a obstinação é como a idolatria e culto a ídolos do lar" (1 Sm. 15:23).
Na qualidade de servos de Deus, a primeira coisa que temos de fazer é travar relações com a autoridade. Entrar em contato com a autoridade é coisa tão prática como entrar em contato com a salvação, mas é uma lição mais profunda. An­tes de podermos trabalhar para Deus temos de ser conquistados por sua autoridade. Todo o nosso relacionamento com Deus é regulado pelo fato de termos ou não travado relações com a autoridade. Em caso afirmativo encontraremos a autoridade em todos os lugares, e sendo assim governados por Deus, podemos começar a ser usados por ele.

Como nosso Senhor e Paulo agiram em juízo

Mateus 26 registra o julgamento duplo que nos­so Senhor enfrentou após seu aprisionamento. Diante do sumo sacerdote ele recebeu julgamento religioso e diante de Pilatos, julgamento polí­tico. Quando foi julgado por Pilatos, o Senhor não respondeu, pois não se encontrava sob a jurisdição terrena. Mas quando o sumo sacerdote o conjurou pelo Deus vivo, então lhe deu respos­ta. Isto é obediência à autoridade. Conforme registrado em Atos 23, quando Paulo estava sen­do julgado imediatamente se submeteu ao des­cobrir que Ananias era o sumo sacerdote de Deus.
Por isso, nós que trabalhamos, temos de en­frentar face a face a autoridade. Caso contrário, nosso trabalho ficará sob o princípio rebelde de Satanás e trabalharemos sem o conhecimento da vontade de Deus. Não estaremos sob o prin­cípio da obediência à autoridade. Mas é somente trabalhando na obediência à autoridade que po­demos trabalhar de acordo com a vontade de Deus. Oh! isto realmente exige uma grande re­velação!
Em Mateus 7:21-23 encontramos nosso Senhor repreendendo aqueles que profetizam e expulsam demônios e fazem muitas coisas grandiosas em seu nome. Por que foram censurados? Porque o seu ponto de partida foi o ego; eles mesmos faziam coisas em nome do Senhor. Esta é a ati-vidade da carne. Por isso nosso Senhor declarou--os malfeitores e não seus obreiros. Ele enfatiza que só a pessoa que faz a vontade do seu Pai entrará no reino de céus. Só isto constitui obe­diência à vontade de Deus, isto que se origina com Deus. Não temos de procurar trabalho para fazer, mas temos de ser enviados por Deus para trabalhar. Quando entendermos isto, realmente experimentaremos a realidade da autoridade do reino dos céus.

Para perceber a autoridade é preciso uma grande revelação

Há dois importantes aspectos no universo: con­fiar na salvação de Deus e obedecer à sua auto­ridade. Confiar e obedecer. A Bíblia define o pecado como transgressão (1 João 3:4). A palavra em Romanos 2:12 "sem" lei é o mesmo que "con­tra" a lei. A transgressão é desobediência à autori­dade de Deus; e isto é pecado. Pecar é uma ques­tão de conduta, mas transgressão e uma ques­tão de atitude do coração. O presente século caracteriza-se pela transgressão. O mundo está cheio do pecado de transgressão, e logo o fruto desse pecado aparecerá. A autoridade no mundo está sendo cada vez mais solapada até que, final­mente, todas as autoridades serão destituídas e a transgressão governará.
Saibamos que no universo existem dois prin­cípios: o da autoridade de Deus e o da rebeldia satânica. Não podemos servir a Deus e simulta­neamente andar pelo caminho da rebeldia reve­lando um espírito rebelde. Satanás ri quando uma pessoa rebelde prega a palavra, pois nessa pessoa habita o princípio satânico. O princípio do serviço tem de ser a autoridade. Vamos ou não vamos obedecer à autoridade de Deus? Nós que servimos a Deus temos de perceber este cri­tério básico da autoridade. Alguém que já tenha experimentado um choque elétrico sabe que não pode ser descuidado com eletricidade. Do mesmo modo, uma pessoa que já foi ferida pela autori­dade de Deus, a partir daí mantém os olhos aber­tos para julgar o que é transgressão nela mesma e nos outros.
Que Deus nos conceda a graça de nos livrar da rebeldia. Só depois que reconhecemos a auto­ridade de Deus e aprendemos a obedecer podemos orientar os seus filhos pelo caminho da retidão.

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