[ESTUDO DE PERSONAGEM] VIDA DE HABACUQUE

Nesta mensagem começaremos a considerar o livro de Habacuque. Abordaremos a palavra introdutória, o primeiro diálogo entre o profeta e Jeová, e a primeira parte do segundo diálogo entre essas partes. Como veremos, o único versículo de ouro em Habacuque é 2:4: "O justo viverá pela sua fé". Este versículo está relacionado à salvação eterna de Deus, à Sua salvação de nosso ser — espírito, alma e corpo. Tudo o mais em Habacuque é um pano de fundo para a liberação da revelação acerca da salvação eterna de Deus dos pecadores. Nós podemos comparar o livro de Habacuque a uma noz e então dizer que este versículo é a "semente" da "noz." Desse modo, quando lemos Habacuque, devemos focalizar nossa atenção neste único versículo. 
I. A PALAVRA INTRODUTÓRIA
A palavra introdutória é encontrada em 1:1.
A. O Significado do Nome Habacuque
O nome Habacuque em hebraico significa "abraçar" ou "agarrar", signifi-cando que precisamos buscar Deus abraçando-O ou agarrando-O. Para receber a salvação eterna de Deus, nós precisamos ser abraçados por Deus, e preci-samos agarrá-Lo. 
A salvação eterna é de fato o próprio Deus. Deus não nos salva perma-necendo nos céus e esticando o Seu braço para alcançar a terra. Para nos salvar, Deus se tornou um homem nesta terra e veio a nós. O pensamento central dos quatro Evangelhos é que o Deus salvador saiu da eternidade para o tempo, saiu dos céus para a terra, e saiu da divindade para dentro da humanidade para ser um homem. Dessa maneira Ele poderia abraçar o homem e o homem poderia agarrá-Lo. 
Enquanto Deus estava nos salvando, Ele não estava na aparência, a forma, de Deus. Antes, Ele estava na forma de um homem chamado Jesus. Oséias 11:4 nos diz que Deus nos atrai com cordas humanas, com laços de amor. As cordas salvadoras de amor são a humanidade de Cristo. O relato de Zaqueu em Lucas 19:1-10 nos mostra a maneira de Deus nos salvar ao vir a nós. Para sermos salvos por Deus, devemos ser abraçados por Ele e nós devemos agarrá-Lo. 
B. O Tempo do Ministério de Habacuque
O tempo do ministério de Habacuque era aproximadamente 626 a.C. Isto foi perto da época da invasão babilônica e o exílio para a Babilônia. 
C. O Lugar do Seu Ministério
O lugar do seu ministério era Judá.
D. O Objetivo do Seu Ministério
O objetivo do seu ministério era o reino sul de Judá. 
E. O Tema
O tema do ministério de Habacuque é o primeiro julgamento justo de Deus sobre Israel pelos Caldeus e então sobre os Caldeus pelas nações. Primeiro, Deus julgou o Seu eleito; o julgamento de Deus começa pela Sua casa (1Pe  4:17). Então Deus voltou o Seu julgamento para os Caldeus, usando as nações para julgá-los. O Império babilônico foi derrotado pelo Império Medo-persa; o Império Medo-persa foi derrotado pelo Império grego; o Império grego foi derrotado pelo Império romano; e o Império romano, restabelecido sob o governo do Anticristo, será derrotado por Cristo na sua vinda para destruir todo o governo humano, como descrito em Daniel 2:31-44. 
F. O Pensamento Central
O pensamento central de Habacuque é este: o Deus justo julgará o Israel maligno e os Caldeus violentos, e somente o justo viverá pela sua fé (2:4b), para que toda a terra possa conhecer a glória de Jeová (2:14) e fique calada diante de Jeová que está no Seu santo templo (2:20), e que aquele que O busca possa cantar a Ele em oração, louvando e confiando Nele (cap. 3). 
G. As Seções
O livro de Habacuque tem quatro seções: a palavra introdutória (1:1); o primeiro diálogo entre o profeta e Jeová (1:2-11); o segundo diálogo entre o profeta e Jeová (1:12-2:20); e o cântico do profeta a Jeová em oração, louvando e confiando Nele (3:1-19). 
II. O PRIMEIRO DIÁLOGO ENTRE O PROFETA E JEOVÁ
A revelação em Habacuque a respeito da salvação eterna de Deus aos pecadores surgiu de uma conversa entre o profeta e Deus. 
A. O Questionamento do Profeta a Jeová
No primeiro diálogo entre o profeta e Jeová, o profeta indagou Jeová a respeito da iniquidade, opressão, destruição, e contendas que ele viu (v. 2-4). A respeito da violência, ele disse, "Até quando, Senhor, clamarei eu, e tu não me escutarás? Gritar-te-ei: Violência! E não salvarás?" (v. 2). De acordo com a visão do profeta, a violência estava prevalecendo. Então o profeta continuou a perguntar, "Por que me mostras a iniquidade e me fazes ver a opressão?" (v. 3a). 
B. A Resposta de Jeová ao Profeta
Na Sua resposta ao profeta (vv. 5-11), Jeová disse que Ele estava fazendo uma obra nos dias do profeta que ele não acreditaria se ela fosse falada a ele (v. 5; cf. Atos 13:40-41). Então Jeová disse que Ele estava suscitando os Caldeus, nação amarga e impetuosa, que, sendo terrível e temerosa, viria fazer violência e devastação sobre Judá (vv. 6-11). 
III. O SEGUNDO DIÁLOGO ENTRE O PROFETA E JEOVÁ
No versículo 12 nós temos o começo do segundo diálogo entre o profeta e Jeová. 
A. O Questionamento do Profeta a Jeová
Habacuque 1:12-2:1 é o questionamento do profeta de Jeová. 
1. Pergunta Por que Jeová Se Mantém Silencioso                                                      Quando os Caldeus Devoram o Seu Eleito
No versículo 12a o profeta diz, "Não és tu desde a eternidade, ó Senhor, meu Deus, ó meu Santo? Não morreremos." Então ele disse que Jeová, a Rocha, designou os Caldeus para julgamento. Porém, ele continuou a perguntar por que Ele, que não vê o mal e que não pode contemplar a opressão, tolera aqueles que procedem perfidamente e Se mantêm calado enquanto os Caldeus malignos devoram o Seu eleito que é mais justo do que eles (vv. 12b-13). De acordo com Habacuque, o povo de Israel era mais justo do que os babilônicos, contudo eles estavam sofrendo a violência dos babilônicos. A palavra de Habacuque aqui indica que ele estava bravo com Deus. 
2. Diz Que Jeová Faz o Homem como os Peixes do Mar
Nos versículos de 14 a 16 o profeta diz que Jeová faz o homem como os peixes do mar e como os répteis; e que a todos tomam com um anzol, pesca-os de arrastão e os ajuntam em suas redes; e que eles oferecem sacrifícios às suas redes e queimam incenso a elas. Ele então concluiu seu questionamento perguntando, "Acaso, continuará, por isso, esvaziando a sua rede e matando sem piedade os povos?" (v. 17). 
3. Põe-Se de Pé e Observa para Ver o que Jeová Falará a Ele
Depois de fazer seu questionamento a Jeová, o profeta se levantou e observou para ver o que Jeová falaria a ele e o que Ele responderia a respeito da sua reclamação (2:1). 
B. A Resposta de Jeová ao Profeta
Em 2:2-20 nós temos a resposta de Jeová ao profeta. 
1. Diz a Ele que Escrevesse a Visão
Em Sua resposta ao profeta, Jeová lhe disse que escrevesse a visão, (a respeito do julgamento de Deus sobre os Caldeus) e gravasse-a claramente em tábuas, de forma que pudesse ler até quem passasse correndo (v. 2). 
2. A Visão Ainda Está para Se Cumprir
Jeová continuou a dizer que a visão (a respeito do Seu lidar com os Caldeus) estava, contudo para cumprir-se no tempo determinado, e que se apressa para o fim e não falhará. Embora ela tardasse, o profeta deveria esperar por ela; pois ela seguramente viria; não tardaria (v. 3). 
3. Os Caldeus São Expelidos, Sua Alma Não É Reta Neles,                                            mas o Justo Vive pela Sua Fé
No versículo 4a Jeová disse que os Caldeus seriam expelidos e que a sua alma não era reta neles. Seguramente seria razoável e justo Jeová julgá-los. 
Dos livros dos Profetas Menores, somente Habacuque nos mostra a salvação eterna de Deus aos pecadores. Este assunto é revelado em 2:4b: "Mas o justo viverá pela sua fé". O apóstolo Paulo citou esta palavra três vezes no Novo Testamento (Rm 1:17; Gl 3:11; Hb 10:38). Aqui, viver significa ter vida e viver. 
De acordo com o pano de fundo de Habacuque, ambos Israel (o eleito de Deus) e os Caldeus (as nações) estavam debaixo do julgamento de Deus. Debaixo do julgamento de Deus todos os pecadores, quer seja judeus ou gentios, estão destinados a morrer (Rm 6:23). Como os pecadores podem escapar do julgamento de Deus e serem salvos eternamente? A única maneira para os pecadores obter a salvação eterna de Deus é crer na corporificação de Deus, Cristo, para que possam se tornar justos e serem justificados para ter vida e viver. 
A salvação eterna de Deus não é meramente salvar nosso corpo de sofrer, mas salvar todo o nosso ser — espírito, alma e corpo — para a eternidade (1Ts 5:23). A maneira para nós recebermos tal salvação é crer em Cristo de forma que possamos ser justificados por Deus e assim possamos ser qualificados para ter vida, a vida eterna, a vida divina, e viver por esta vida (Rm 3:24; 5:1-2; Ef 2:8). Este é o evangelho do Novo Testamento num livro profético do Antigo Testamento. 


















Sobre Habacuque
(2)

CRISTO COMO O FATOR QUE UNE EM                                                 MIQUÉIAS, JONAS E HABACUQUE                                                                                                                             E                                                                                                                                                       A BÍBLIA COMO A REVELAÇÃO DIVINA DADA PELO                                                    FALAR DE DEUS POR MEIO DO HOMEM
Leitura bíblica: Miquéias 5:2; Jonas 1:17; Habacuque 2:4
Na mensagem anterior nós abordamos a palavra introdutória, o primeiro diálogo entre o profeta e Jeová, e a primeira parte do segundo diálogo entre eles, e na próxima mensagem nós abordaremos a segunda parte deste diálogo e o cântico do profeta a Jeová. Nesta mensagem, que é uma inserção, tenho o encargo de falar uma palavra sobre dois assuntos: Cristo como o fator que une nos livros de Miquéias, Jonas e Habacuque, e a Bíblia como a revelação divina dada por Deus por intermédio do homem. 
CRISTO COMO O FATOR QUE UNE EM                                                      MIQUÉIAS, JONAS, E HABACUQUE
Aparentemente, os livros de Miquéias, Jonas e Habacuque estão sepa-rados e não estão unidos por nada. Porém, se entrarmos nos conteúdos intrínsecos destes três livros, nós veremos que há um fator que une e que este fator que une é Cristo. 
A Origem e o Nascimento de Cristo
Miquéias 5:2 diz, "E tu, Belém Efrata, pequena demais para figurar como grupo de milhares de Judá, de ti me sairá o que há de reinar em Israel, cujas origens são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade." Aqui vemos que Cristo é o Eterno; Sua origem está na eternidade. Mas um dia Ele nasceu como um homem em Belém. Portanto, aqui nós temos a origem e o nascimento de Cristo. 
A Morte e a Ressurreição de Cristo
Jonas 1:17 diz, "Jeová preparou um grande peixe para engolir Jonas, e Jonas esteve no estômago do peixe por três dias e três noites." Aqui Jonas é um tipo de Cristo, que morreu, que esteve no coração da terra três dias e três noites, e que então foi ressuscitado (Mt 12:40-41). Assim, no tipo de Jonas, nós vemos a morte e a ressurreição de Cristo. 
O Justo Viverá pela Sua Fé
No livro de Jonas, a salvação de Jeová foi trazida para a cidade mais maligna dos gentios por meio da pregação do profeta. Hoje a salvação de Deus veio a nós por meio da pregação do evangelho. Temos recebido e aplicado a salvação de Deus pela fé. É isto que é mencionado no único versículo dourado no livro de Habacuque, 2:4: "O justo viverá pela sua fé". Por fé nós temos recebido a salvação que estava preparada, completada e consumada pela vinda de Cristo, e como resultado nós somos agora crentes que constituem o Corpo de Cristo. Por fim, esses crentes que são os vencedores estarão com Cristo quando Ele vier para derrotar Seus inimigos e estabelecer Seu reino na terra. 
A Necessidade de Ver Algo Intrínseco
Desse antecedente podemos ver que Cristo é o fator que une nos Profetas Menores. Nós vimos a Sua origem, Seu nascimento, Sua morte e ressurreição. Nós temos também visto que por meio da Sua ida depois da ressurreição, a salvação completa de Deus veio a nós e que a temos recebido pela fé. 
Considerando que podemos ver Cristo como o fator que une, as pessoas mundanas veem somente o fator consumidor (os gafanhotos) e o fator sofredor (Israel). Por vinte e sete séculos Israel tem sofrido sob a opressão dos gafa-nhotos cortador, migrador, devorador e destruidor (Jl 1:4). Os jornais estão cheio de relatórios sobre os gafanhotos e Israel. Precisamos ver algo mais do que é informado nos jornais. Precisamos ver algo intrínseco. Isto significa que precisamos ver que Cristo, o Eterno, veio em Sua encarnação, crucificação e ressurreição e que Sua vinda continua ainda hoje à medida que mais crentes são acrescentados a Ele. Podemos comparar a Sua vinda ao movimento de um trem que faz várias paradas de forma que mais mercadorias possam ser carregadas para dentro dele. Cristo é o "trem" e nós somos os "bens" que estão Nele. Por fim, este trem com seus bens alcançará seu destino. 
A BÍBLIA COMO A REVELAÇÃO DIVINA DADA PELO                                        FALAR DE DEUS POR MEIO DO HOMEM
A Bíblia é a revelação divina dada por meio do falar de Deus. Sobre isto, precisamos perceber que não é fácil Deus falar diretamente com os seres humanos. No Antigo Testamento a encarnação não tinha sido, contudo realizada; entretanto, Deus sabia que Ele pretendia se tornar um homem. Sua encarnação foi o primeiro passo de todos os Seus movimentos, e Deus estava se antecipando a isto. O princípio de acordo com a revelação divina é que Deus não faria nada diretamente, mas faria tudo por meio do homem, com o homem, e no homem. 
Transferido de Adão para Cristo
A questão de Deus estar no homem não é visto claramente no Antigo Testamento, mas no Novo Testamento, especialmente começando de João, há frases como em Mim (14:20) e permanecei em Mim (15:4). Nós cremos no Senhor Jesus (3:16), e agora estamos Nele. Antes de crer nós estávamos fora de Cristo; nós estávamos em Adão. Mas um dia nós fomos transferidos de Adão para Cristo, a corporificação do Deus Triúno. Agora somos pessoas em Cristo. Infelizmente, não muitos cristãos percebem que os cristãos genuínos, vivos, são aqueles que estão de fato e de maneira prática em Cristo. A importância de estar em Cristo é enfatizada por Paulo em suas Epístolas onde, especialmente em Efésios, a curta frase em Cristo é tão usada frequentemente. 
A Forte Ênfase no Antigo Testamento
No Antigo Testamento é difícil encontrar um caso que prove que o povo de Deus são aqueles que foram transferidos para dentro do Deus Triúno. Não obstante, em cada um dos livros dos profetas, onde quer que eles falem a respeito de Cristo, essa é a forte ênfase desse livro. Por exemplo, a forte ênfase do livro de Joel não são os gafanhotos, mas o derramamento do Espírito consumado. De fato, essa é a ênfase de todo o Antigo Testamento, pois o derramamento do Espírito é a compreensão prática de Cristo que é o Espírito vivo, composto, consumado, que dá vida, que habita interiormente. Este Cristo é o próprio Deus Triúno, consumado pelos processos de encarnação, viver humano, morte, ressurreição e ascensão. Mas isto não é tudo. Seguindo a Sua ascensão, Seu ser é derramado, Sua vinda, para habitar no homem e mesclar-Se com o homem. Essa mescla implica a santificação disposicional, renovação, transformação, conformação, amadurecimento e glorificação. Por fim, essa mescla nos faz um com a pessoa divina do Deus Triúno processado, cuja corporificação é Cristo e cuja realidade é o Espírito. Hoje este Espírito é Aquele que é todo-inclusivo habitando em nós, movendo em nós, nos ungindo, e mesclando conosco. 
O Núcleo, a Parte Intrínseca, do Antigo Testamento
Cristo é revelado no Antigo Testamento pelos tipos, as profecias, os escritos históricos e os Salmos. Os tipos de Cristo, as profecias a respeito de Cristo, e os escritos históricos não precisam ser purificados, mas nós temos que estudar os Salmos de maneira purificadora. Entre os primeiros quarenta e um salmos, apenas sete apresenta uma revelação clara de Cristo (Sl 2, 8, 16, 22-24, 40). O salmo 1 é bom, mas é bom de acordo com o conceito natural. Contudo, este salmo é necessário, pois sem ele, como a beleza do salmo 2 poderia ser manifestada? 
Vamos usar uma laranjeira como ilustração. Para crescer, uma laranja precisa não somente da sua casca, mas também de toda árvore com as raízes, o tronco, os galhos e as folhas. Porém, nenhum destes deve ser comido. Na verdade, para comer ou beber, a única coisa que precisamos é o suco da laranja. Esta ilustração aponta para algo crucial relacionado ao desfrute de Cristo, o comer de Cristo. Para ver Cristo em realidade, nós precisamos de todos os cento e cinquenta salmos, mas para desfrutar Cristo, alimentar de Cristo, precisamos entrar na revelação de Cristo nos Salmos. 
A Bíblia é o falar divino, mas este falar divino não é algo que veio diretamente do próprio Deus. Este falar é através de Deus por meio homem. Por exemplo, Deus encarregou Davi de falar o que está no salmo 2, mas por Davi estar cheio de opiniões e conceitos e porque ele amava a lei ao máximo, ele falou o salmo 1. Ele adicionou algo por conta própria. Hoje quando vamos à Bíblia, nós podemos não saber o que é a mensagem real e o que é adição humana. Esta pode ser nossa situação quando vamos aos Profetas Menores. Nestes livros há alguns conceitos humanos. Quando Jonas ficou bravo com Deus e discutiu com Ele, ele estava expressando o seu próprio conceito humano. O ponto vital aqui é que considerando que a Bíblia como um todo é a revelação divina, é o núcleo, a parte intrínseca, que é boa para comer e beber para nos nutrir. 









Sobre Habacuque
(3)

O SEGUNDO DIÁLOGO ENTRE O PROFETA E JEOVÁ                                                      E                                                                                                                                                      O CÂNTICO DO PROFETA A JEOVÁ
Leitura bíblica: Habacuque 2:5-3:20
Nesta mensagem continuaremos a considerar o segundo diálogo entre o profeta e Jeová e então continuar a considerar o cântico do profeta a Jeová. 
4. Cinco Calamidades para os Caldeus
Depois do questionamento do profeta a Jeová (1:12-2:1), Jeová respondeu para Habacuque (2:2-20), revelando Seu julgamento sobre os Caldeus (vv. 5-20). Na Sua resposta ao profeta, Jeová falou a respeito das cinco calamidades para os Caldeus. 
a. A Primeira Calamidade

Primeiro, por terem os Caldeus saqueado muitas nações, os Caldeus seriam saqueados e seria feito despojo para as nações (vv. 5-8). Depois apenas de setenta anos, Deus recompensou a Babilônia. Enquanto o rei, o neto de Nabucodonosor, estava festejando no seu palácio usando os utensílios do templo de Deus, ele viu a visão da escritura na parede (Dn 5). Naquela mesma noite, Dario o Medo derrotou a Babilônia e matou o rei. 
b. A Segunda Calamidade

Segundo, Jeová julgou os Caldeus por causa dos bens mal adquiridos para suas casas por meio de violência, pecando contra a própria alma deles (vv. 9-10). Como resultado desse julgamento, a pedra clamaria da parede das suas casas e a viga responderia do madeiramento (v. 11). 
c. A Terceira Calamidade
Terceiro, os Caldeus receberia a justa recompensa por edificar cidades por meio de matança e estabelecê-las por meio de iniquidade (v. 12). Vinha de Jeová que os povos labutassem pela vaidade e que a terra fosse enchida do conhecimento da glória de Jeová como as águas cobrem o mar (vv. 13-14). Isto é misterioso. Enquanto todas essas coisas estivessem acontecendo, algo parti-cular, algo misterioso estaria acontecendo na terra — a terra seria enchida do conhecimento da glória de Jeová. 
d. A Quarta Calamidade
Quarto, por terem os Caldeus feito seus companheiros beberem bebidas com veneno para olhar a nudez deles e cometer violência, destruição, e derramamento de sangue às suas cidades, eles seriam fartos de opróbrio, com o calice da mão direita de Jeová e com desgraça sobre a sua glória (vv. 15-17). 
e. A Quinta Calamidade
Quinto, os Caldeus faziam ídolos esculpidos, ídolos fundidos, e os ídolos mudos e diziam a eles, "Acorda!" e "Desperta!" Então, eles seriam enganados pelos ídolos e não obteriam nenhum proveito (vv. 18-19). O versículo 20 conclui, "Jeová, porém está no seu santo templo; cale-se diante Dele, toda a terra!" 
IV. O CÂNTICO DO PROFETA A JEOVÁ
Habacuque 3:1-19 é o cântico do profeta a Jeová. 
A. Na Oração
Primeiro, nós temos o cântico do profeta em forma de oração (vv. 1-2). Em sua oração ele pediu a Jeová que avivasse a Sua obra no decorrer dos anos (vv. 1-2a), e ele Lhe pediu que a fizesse conhecida e que se lembrasse da misericordia na ira. 
B. No Louvor
No louvor, o profeta louvou a Deus na sua majestade e esplendor (vv. 3-4), no seu terrível julgamento sobre as nações (vv. 5-12), e na Sua salvação do Seu povo e do Seu ungido (vv. 13-15). 
C. Na Confiança em Jeová
Nos versículos de 16 a 19 o profeta declara sua confiança em Jeová. 
1. O Profeta Treme no Seu Intimo
O versículo 16a diz que o profeta, depois de ouvir a voz de Jeová, tremeu em seu intimo, à Sua voz seus lábios tremerem e a podridão entrou em seus ossos. O que Habacuque está escrevendo aqui é muito poético. 
2. O Profeta Espera pelo Dia da Angústia
No versículo 16b o profeta continuou a dizer que ele tinha que esperar em silêncio pelo dia da angústia, quando os Caldeus, aqueles que atacariam (ou invadiriam) Israel, viria contra o povo. 
3. O Profeta Exulta em Jeová e Se Alegra no Deus da                                        Sua Salvação, e Jeová o Senhor É a Sua Força
"Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas sejam arrebatadas do aprisco, e nos currais não haja gado, todavia, eu me alegro no Senhor, exulto no Deus da minha salvação. O Senhor Deus é a minha fortaleza, e faz os meus pés como os da corça, e me faz andar nos lugares altos" (vv. 17-19a). Estes versículos indicam que numa época de escuridão, uma época quando não havia nada, Habacuque confiava em Jeová. 
Todos estes versículos parecem muito bons, mas a maior parte deles expressa o conceito natural de Habacuque, sem muita revelação de Cristo. Até mesmo o conceito de Habacuque de confiar em Jeová durante uma época de necessidades era natural. Não há nenhuma comparação entre estes versículos e os escritos de Paulo. O conceito de Paulo era diferente. Quando ele estava com problemas, ele orou três vezes, mas o Senhor disse a ele que não removeria o espinho e que a Sua graça era suficiente para ele (2Co 12:7-10). Quando Paulo esteve com escassez de comida, ele não confiou no Senhor do modo como Habacuque fez; antes, ele aproveitou a oportunidade para jejuar. De certo modo, ele não precisou confiar no Senhor, porque ele já estava no Senhor, e o Senhor estava nele. Além disso, em vez de tentar guardar a lei, ele viveu Cristo (Gl 2:20; Fp 1:21a). 
Considerando que muitos cristãos apreciam versículos tais como Haba-cuque 3:17-19a, nós precisamos ser trazidos para um outro reino, o reino de Cristo. Estes versículos não estão de acordo com a revelação divina a respeito de Cristo, mas de acordo com o conceito natural, humano e religioso do profeta. Se formos trazidos para o reino de Cristo, nós não apreciaremos o pensamento natural, religioso expressado em muito do Antigo Testamento. Antes, aprecia-remos a revelação divina na Palavra. Além disso, em vez de "confiar" no Senhor como Habacuque fez, nós veremos que a questão crucial não é confiar, mas perceber que estamos em Cristo e que Cristo está em nós. 
Em nossa leitura do livro de Habacuque, não devemos apreciar essas coisas que se encaixam ao nosso conceito natural, religioso, mas não estão de acordo com a revelação divina. É por isso que enfatizo o fato de que a única questão que precisamos apreciar em Habacuque é encontrada em 2:4b — o justo terá vida e viverá pela fé. 
Mais de sessenta anos atrás eu li algo do Irmão Nee que dizia que era errado orar e pedir ao Senhor que nos ajudasse. Naquele momento eu não entendi o que ele quis dizer. Porém, eu aprendi por experiência que a única oração que me dá alegria é esta: "Louvado Seja, Senhor. Tu és um comigo. Independente de quão fraco e pobre eu seja, eu estou em Ti e Tu estás em mim." Mas suponhamos que eu ore, "Senhor, eu ainda preciso de Sua ajuda. Eu sou fraco e pobre, e eu não tenho nada. Eu Te peço que venhas para me ajudar.” Se eu orasse dessa maneira, a alegria teria ido embora. 
No que diz respeito à oração, nós devemos tomar Paulo como nosso exemplo, não Habacuque. Paulo não orou por coisas comuns. Pelo contrário, ele orou para que "o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, pudesse conceder a você um espírito de sabedoria e revelação no pleno conhecimento Dele" (Ef 1:17). Todos nós precisamos ter nossa visão elevada. 
D. O Cântico É para o Mestre da Música
A última parte de versículo 19 diz que o cântico do profeta é para o mestre de musica, com os instrumentos de cordas do profeta. 

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