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O DISCURSO BÍBLICO A PARTIR DE QUATRO MULHERES NO NOVO TESTAMENTO: UMA EXEGESE FEMININA.

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O DISCURSO BÍBLICO A PARTIR DE QUATRO MULHERES NO NOVO TESTAMENTO: UMA EXEGESE FEMININA.
Leitura, a partir de uma perspectiva feminina, das descrições da mulher no Novo Testamento, especialmente as de Maria, Maria Madalena, Maria de Betânia e a Mulher Samaritana.

PALAVRAS-CHAVE: Mulher. Cristianismo. Discurso Bíblico.


As mulheres do Novo Testamento foram escolhidas pelo Messias, juntamente com os discípulos, para serem testemunhas, propagadoras do Reino de Deus e, em função disso, estiveram sempre envolvidas no ministério de Evangelização, expandindo o cristianismo por todo o mundo, ação da qual resultaram as narrativas que compõe o discurso bíblico do Novo Testamento.
Elaborado nos mais variados contextos, por homens das mais diversas formações, o discurso bíblico é informado pelos mais diversos conteúdos, como atesta a magnitude temporal, necessária à sua elaboração: doze séculos. Tal período não se aplica ao Novo Testamento que só começa a ser propagado, nos Sessenta e cinco, do século I, isto é, depois de Cristo. A essa pluralidade de informações se somaria toda uma variedade discursiva, oriunda da formação diversa de seus elaboradores e propagadores.
Elaborado a partir das mais distintas vozes, por homens de formação e condições diferenciadas; o texto bíblico é organizado por uma multiplicidade de gêneros discursivos e linguagens que acentuariam, ainda mais, o seu caráter de heterogeneidade e polifonia. Tal polifonia, alicerçada pelo discurso oral, também informa o Novo Testamento envolto num universo de esperança e projeções, onde se revela o Acontecimento: Jesus.
Em face do nosso estudo exegético sobre os Evangelhos sinóticos, optamos analisar as mulheres, observando as maneiras com as quais os Evangelistas tecem suas várias configurações do feminino. Essas mulheres não eram meras espectadoras no Novo Testamento, elas exerceram papel ativo, vital na criação e na expansão do Cristianismo. São profetisas, pedagogas, discípulas e ministras. Amigas de Jesus.
Sobre Maria, em todos os Evangelhos e no livro de Atos, é a mulher preparada, de modo especial, para participar da vida de seu filho na terra. Nessa descrição, Maria se apresenta como o feminino de Deus, em uma linguagem de dimensão do amor presente nas mulheres e nos homens.
Dono de uma vasta erudição, considerado como o mais literário entre os evangelistas, Lucas se revela um exímio narrador, ao longo de seu discurso. Ao tratar de Maria acrescenta, a sua descrição, o diálogo que se trava entre Maria e o Arcanjo Gabriel – Como se fará isso? (LUCAS 1.34). Eis a serva do Senhor! (LUCAS 1,38). Minha alma exalta o Senhor! (LUCAS 1,47-55). Por que agiste assim conosco?( LUCAS 2,48). Abrindo seu texto a voz feminina.
Dessa forma, Lucas nega a passividade e o silêncio de Maria, atributos que caracterizam as várias descrições dos demais evangelistas, ao se referir à Anunciação de Jesus. Expresso apenas no Evangelho de Lucas, esse diálogo nos revela os sentimentos de Maria, suas dúvidas, mesmo sabendo da grandeza divina, Maria fala, reflete, argumenta com o anjo de Deus, e sua resposta revela perfeita compreensão das Escrituras e sua disposição e obediência a Deus, conforme salienta Wilma Martins de Mendonça, em sua leitura da mulher, no Evangelho de Lucas:

Maria de Nazaré não aceitou passivamente o plano divino de ser a mãe do Salvador. Ante o mensageiro de Deus o anjo Gabriel, plena da graça divina, Maria reflete, questiona, antes de se decidir. Somente após a esse exercício de argüição é que Maria, á revelia de seu marido, de sua comunidade, dispõe livremente de seu corpo, de seu destino. É evidente que a aceitação de Maria em se tornar a mediadora entre Deus e os homens não é isenta de grandes riscos. O perigo do repudio do marido e o conseqüente apedrejamento moral e físico pela sua comunidade não eram apensa possibilidades, mas práticas arraigadas, inexoravelmente cumpridas. E se isso não ocorre, deve-se à pronta intervenção de Deus, que, conhecendo o propósito de José, o de abandonar Maria, envia-lhe o Anjo Gabriel.
 (MENDONÇA, 2005,1-2)

Maria ao dispõe-se livremente de seu corpo e de seu destino, idéia assustadora de entregar-se como instrumento para a ação do Espírito Santo, mesmo sabendo que enfrentaria os preconceitos e os riscos da sociedade patriarcal. “Então disse Maria: ‘Está aqui a serva do Senhor, que se cumpra em mim conforme a tua palavra’. E o anjo se ausentou dela”. (LUCAS 1.38)
E de Maria nasce Jesus que se voltaria para a alma e o coração feminino. Jesus foi um amigo das mulheres; o primeiro e praticamente o último que as mulheres tiveram na Igreja. Os Evangelhos apreenderiam as discípulas de Jesus, como Maria Madalena, Joana e Susana através dos velhos preconceitos dos judeus. Em relação à Madalena, alvo número um desses preconceitos, é preciso ressaltar que ela é mencionada e descrita nos quatro evangelhos canônicos como a primeira testemunha do evento e da fé pascal.
Não obstante considerado o “evangelista das mulheres, Lucas omite o seu papel de primeira testemunha, frisando que o Senhor ressuscitado apareceu a Pedro, omitindo assim a aparição pascal às discípulas mulheres, assim como as palavras dessas mulheres lhes parecem como desvario e não lhes dá crédito (LUCAS 24, 11).
Essas informações, nós só teríamos na EPISTOLA APOSTOLORUM, documento apócrifo do século segundo, no qual se sublinha o ceticismo dos discípulos varões. Nesta versão, Maria Madalena, Sara ou Marta e Maria são enviadas para anunciar aos apóstolos que Jesus ressuscitou. Os apóstolos, porem, não acreditam nelas, mesmo quando o próprio Senhor corrobora seu testemunho. Somente depois de toca-lo, reconhecem que ele ressuscitou verdadeiramente na carne”.(Elizabeth S. Fiorenza. p.371,1992)
“A ação simbólica e profética da mulher não veio a se tornar parte do conhecimento evangélico dos cristãos”, porque os Evangelhos foram escritos por varões, nas palavras de Judy Chicago: “Todas as instituições de nossa cultura dizem-nos – por palavras, fatos e, pior ainda, pelo silêncio – somos insignificantes. Mas nossa herança é nossa força” (FIORENZA, 1992, p.16).
Ao se voltar para o episódio em que uma mulher unge Jesus, identificada no Evangelho de João como Maria de Betânia, Lucas desvia o foco da narrativa da mulher como discípula para a mulher como pecadora, se afastando, assim, da descrição de João que a vê como amiga e discípula de Jesus ( JOÃO 12;3 e LUCAS 7,37-50). Alguns exegéticos relatam que está historia foi escrita primeiro em Marcos e que possivelmente Lucas escreveu a partir dele, é possível que tenha cometido um erro exegético da leitura oral à escrita, a mulher converte-se numa grande pecadora que ao ungir os pés de Jesus é perdoada.
 A representação das seguidoras de Cristo é feita através de uma diversidade de matizes que as destacam como importantes personagens dessa época histórico-religiosa, marcada por preconceitos e hostilidades à mulher. Assim, ora se acentuará, nos discursos bíblicos, as suas condições de ex-possessas, ora como apostolas de Jesus, ou mesmo financiadoras do projeto de Cristo, como Maria chamada Madalena , Joana, Susana e outras firmes lideranças a quem Cristo apareceria, tornando-as suas mediadoras entre os apóstolos, como se vê a seguir:

E aconteceu, depois disto, que andava Jesus de cidade em cidade e de aldeia em aldeia, pregando e anunciando o evangelho do reino de Deus, os doze iam com ele, e também algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual saíra sete demônios, e Joana, mulher de Cuza, procurados de Herodes, Suzana e muitas outras, as quais lhe prestavam assistência com os seus bens.
(LUCAS .8.1-3)

Maria Madalena transformou-se na personificação da devoção cristã, definida como arrependimento. Percebe-se que ela foi identificada, de forma imprecisa, pelo Evangelista Lucas que desvia o foco da narrativa da mulher como discípula para a mulher como pecadora e possessa, da qual havia saído sete demônios, não obstante ser, nos evangelhos canônicos, a figura feminina mais importante, conforme afirma Caroll:

Maria passou da condição de uma discípula importante, cujo status superior dependia da confiança que o próprio Jesus nela depositava, à condição de uma prostituta arrependida, cujo status dependia da carga erótica de sua história e da atribulação de sua consciência angustiada.
(James Carrol , Copyright ,2006– este artigo foi publicado no livro de Dan Busrstein & Arne J.de Keijser. p.36)

Em relação à possessão, é interessante observar que tal condição é circunscrita ao feminino. Na Bíblia, não há possessos ou ex-possessos, há apenas possessas ou ex-possessas, como observara, em 1995, Josep Rius-Camps. Ao registrar esse fato, Camps atribuiria esse comportamento escritural à tradição israelita, na qual as mulheres eram representadas como classes marginalizadas, como se comprova de sua análise:

Maria tinha estado possuída por “sete demônios”, isto é, por todas as ideologias contrárias ao homem (“demônios”) que se possam imaginar (“sete”:universalidade), e tinha ficado definitivamente livre deles no passado (sentido mais-que- perfeito); ademais, predica-se das três: “haviam sido curadas de espíritos malignos e doenças”, isto é, da maneira de pensar da sociedade opressora que priva de liberdade a pessoa e a torna doente.Dos doze não se afirmou, no momento, que tinham sido libertados de nada. Acaso não estavam condicionados pelos princípios que regiam aquela sociedade?
(CAMPS, 1995,  p.126,)


É importante salientar que o valor da liderança exercida por Maria Madalena entre os primeiros cristãos, bem como a predileção de Jesus por ela, rompe com a visão sexista da Igreja, agride o ego masculino e provoca uma reação a fim de eliminar essa imagem e exemplo. Considerar Maria Madalena uma prostituta significava também subestimar o valor da mulher enquanto liderança e reduzi-la à passividade e ao arrependimento. Durante a construção da Igreja, enquanto instituição organizada e poderosa pelos séculos, a imagem de “Maria Madalena foi reinventada de prostituta a sibila, freira celibatária, colaboradora passiva, ícone feminista e matriarca da dinastia secreta da divindade.”
No encontro com Jesus, ela recupera a harmonia interior e entra em um processo de crescimento e amadurecimento pessoal até atingir a plenitude do seu ser na experiência pascal: “Vi o Senhor! Gritou ela com entusiasmo sem igual ao pequeno grupo de discípulos desorientados e incrédulos’ (MARCOS 16-11)”.
Nos evangelhos sinóticos, Maria Madalena é citada em primeiro lugar, indicando sua liderança no grupo de discípulas de Jesus. Por isso, desde o começo da tradição apostólica, Maria Madalena recebeu o título de apóstola dos apóstolos, porque ela recebeu a principal ordenação, sem a qual nenhuma outra teria sentido: ela recebeu a ordem de anunciar que Jesus estava Vivo, que ele havia ressuscitado, vendido a morte..
Da linhagem feminina bíblica, encontramos, ainda, Maria de Cleópas, prima ou irmã da mãe de Jesus, Salomé, mãe de João e Tiago, Marta e Maria de Betânia, irmãs de Lázaro e Isabel, mãe de João Batista, assim como a Mulher Samaritana, personagem retratada somente pelo Evangelista João, excluída do convívio social, e por ter tido cinco maridos.
Jesus encontrou essa mulher no poço de Jacó, perto da cidade de Sicar, e falou com ela, problematizando três códigos sociais, duramente incrustados na sociedade judaica: o da inferioridade feminina, o da inferioridade dos samaritanos e do desprezo, explícito e público, da prostituta..
Jesus ignorou todas essas barreiras sociais ao conversar com a Samaritana. Ele se revelou como Messias que todos aguardavam ansiosamente, oferecendo perdão, redenção e uma nova vida. Ela bebeu da taça de água viva que Jesus lhe ofereceu e foi correndo até a cidade, para da notícia àquelas mesmas pessoas que a desprezavam: o povo de Samaria. Ao chegar lá, proclamou radiante, e sem qualquer constrangimento, a vinda do Messias prometido.
A atitude de Jesus não escandaliza apenas os fariseus, aos olhos dos próprios discípulos a abertura de Jesus para com as mulheres era incomum, como se apreende da passagem de João: Nisso seus discípulos chegaram e maravilharam-se de que estivesse falando com uma mulher. Ninguém, todavia perguntou: Que perguntas? Ou: Que falas com ela?(JOÃO 4,27)
Em relação a Maria de Betânia, o discurso dos evangelistas mostram-na dotada de uma grande capacidade de tomar decisões. É ela que, após morto Jesus, derrama-lhe óleo sobre o corpo, preparando-o assim para o sepultamento. Três evangelhos relatam seu significativo gesto sacrifical: 300 gramas de puro ungüento de nardo indiano, valendo o salário de um ano de trabalho, generosamente derramados, com humildade, sobre o seu Salvador (MATEUS 26.6-13; MARCOS 14.1-9).
As descrições de Maria de Betânia revelam, aparentemente, que era solteira e vivia com sua irmã marta e seu irmão Lázaro. Esta mulher, mais do que qualquer outra personagem do Novo testamento, é caracterizada pela lucidez espiritual e pela disposição de agir de acordo com sua fé, o que lhe valeu o elogio de Cristo (MATEUS 26.13).
Se Deus não faz acepção de pessoas, no ministério não há como excluir aquelas que mais significado e importância têm na transmissão da fé. Jesus rompe o passado e com os obstáculos que impedem o anúncio da graça para os pobres e oprimidos.
Para nos libertar das ideologias e preconceitos machistas, nada melhor que mergulhar na historia Sagrada da Bíblia, procurando desvendar os mitos e enigmas ainda não decifrados  a respeito das mulheres.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BURSTEIN , Dan; KEIJZER, Arne J. de. Secrets of Mary Magdalene. Traduzido por Alexandre Martins e Marcos José da Cunha. Rio de Janeiro: Ediouro, 2006.

FIORENZA, S Elisabeth. As origens Cristãs a partir da mulher: uma nova hermenêutica. São Paulo: Edições Paulinas. 1992.

HEINEMANN, Ranke. Eunucos pelo reino de Deus: mulheres, sexualidade e a Igreja Católica. 2ª edição. Rio de Janeiro: Record: Rosa dos Tempos, 1996.

JOSAPHAT, Carlos. As santas doutoras: espiritualidade e emancipação da mulher. São Paulo: Paulinas, 1999. NELSON, Thomas. The Woman’s Study Biblie - BOFF, Lina. Maria e o feminino de Deus – Para uma espiritualidade mariana. 3ª edição. São Paulo: Paulus, 2005A Bíblia da Mulher. Tradução de João Ferreira de Almeida. 2ª edição. São Paulo:Mundo Cristão, 2003.

MENDONÇA, Wilma Martins de. Artigo em homenagem à Anayde Beriz. João Pessoa, 2005.

RIUS_CAMPS, Josep.  O Evangelho de Lucas: o êxodo do homem livre. São Paulo: Paulus, 1995.

Benedita Aguiar Ferreira*
*(Mestranda em Ciências das Religiões)



O que é ser uma mulher ? [Reflexão]

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O que é ser uma mulher ?

Aqueles rostos pálidos, emaciados, encovados me seguiam, seus olhos tristes e confusos fitando-me da capa brilhante das revistas cujo artigo principal ilustravam. Eu os via por toda a parte na cidade de Nova York, onde estava visitando minha filha. São as refugiadas de um campo de concentração? As vítimas de uma guerra étnica moderna? Não! São todas estudantes de grandes universidades norte-americanas – cultas, bonitas, financeiramente bem de vida, mas bulímicas e anoréxicas, magérrimas, quase mortas de inanição embora vivendo na cultura mais rica e farta do mundo. A anorexia e a bulimia são moléstias que atacam apenas as mulheres, e são causadas por insegurança e confusão quanto à sua identidade e valor como pessoas. A voz da cultura que promove a magreza como padrão para serem aceitas e valorizadas fala mais alto até do que as necessidades básicas da sobrevivência, levando inúmeras mulheres a se matarem deliberadamente de fome.
O que está acontecendo com aquelas jovens? Será que elas constituem um fenômeno isolado, fruto de uma civilização rica e decadente, ou representam algo que está afetando muitas outras mulheres em todo o mundo? Será que nós, mulheres deste final de século, que desfrutamos as conquistas obtidas pelo movimento de libertação feminina, estamos nos realizando plenamente como pessoas ou ainda estamos vivendo escravizadas por conceitos que desconsideram fatos básicos e fundamentais da nossa existência como mulheres?
Há muitas vozes dizendo quem somos e como devemos viver. A revolução feminista lutou contra as imposições culturais machistas que massacravam as mulheres como seres humanos e isso foi certo e bom. Entretanto, essa mesma libertação pretendeu apontar um novo rumo para as mulheres, rumo esse que não levava em consideração sua identidade única como mulheres, colocando os valores masculinos de competição, trabalho e sucesso financeiro como os únicos que podem trazer a realização que por tanto tempo lhes foi negada. Assim, as mulheres invadiram o mercado de trabalho para se realizarem como seres humanos. Mais uma vez, tudo certo e bom. As mulheres são extremamente capazes e se dedicaram com afinco a essas tarefas, deixando já sua marca, embora ainda leve, na civilização.
Entretanto, há muitas mulheres questionando a validade de muitas dessas conquistas e não só o que realmente querem da vida como também onde encontrá-lo.
Conversei recentemente com certa mulher, jovem ainda, bonita, inteligente, culta, cujo cargo importante que ocupava em certa firma a sustentava com largueza. Ela afirmou categoricamente que tinha de olhar dentro de si mesma para determinar como viveria para encontrar a felicidade. Em outras palavras, sou absolutamente dona do meu nariz. Tenho de buscar minha própria felicidade primeiro.
Ela não era má nem excessivamente egoísta, pois dedicava boa parte do seu tempo a ajudar outras pessoas a encontrar o caminho da felicidade segundo seu próprio conceito. Era apenas insensata, pois deixava de reconhecer uma verdade fundamental com a qual convivemos diariamente – não somos donas da nossa vida.
Sei que estou falando com mulheres de fé, que já crêem no que estou dizendo aqui. Mas, como já disse um escritor cristão muito perspicaz, “não é de novas verdades que precisamos, e, sim, de sermos relembrados vez após vez das verdades antigas”*, e imutáveis, acrescentaria eu. Precisamos examinar as mensagens que recebemos diariamente da nossa cultura e até nas nossas igrejas pelo prumo da Palavra de Deus, que foi escrita para homens e mulheres comuns como nós, e que é a única que nos pode trazer a verdadeira liberdade e nos transformar nas pessoas saudáveis, livres e realizadas que Deus projetou quando nos criou.
E o que a Bíblia diz sobre quem somos?
Diz que somos criaturas. Esse é um fato tão básico da nossa existência que mal pensamos nele. Entretanto, ele determina tudo que é mais importante a nosso respeito. Para entender do que estou falando, responda às seguintes perguntas: Foi você quem decidiu onde iria nascer, de que sexo seria, quais as suas características físicas, de que raça seria, qual a cor do seu cabelo, dos seus olhos, a altura que teria quando adulta, etc. etc.? Acho que você já pôde perceber que não foi consultada em nenhuma dessas decisões. Alguém muito maior do que você decidiu tudo isso a seu respeito. E assim, somos levadas forçosamente à conclusão de que é somente esse Alguém que pode dizer o que tinha em mente quando nos fez como somos e por que nos fez assim.

Nossa vida se desenrola dentro de uma realidade muito maior do que nós, embora em grande parte invisível. E essa realidade é tão sólida e concreta quanto a realidade do mundo físico. Ignorá-la é sinal de insensatez (ou burrice, em português mais claro!). Por exemplo, você pode resolver que quer sair de uma sala sem passar pela porta por não gostar de portas. Entretanto, dará de cara com uma parede sólida e fria e se machucará se insistir em ignorar a lei que diz que dois objetos sólidos não podem ocupar o mesmo espaço. Foi com base nessa lei que as portas foram inventadas!
Também podemos querer viver nossa vida pessoal da maneira como nos der no nariz, e nos depararmos com uma realidade que não criamos e que é regida por leis igualmente sólidas.
O fato de sermos mulheres e de sermos as mulheres que somos também não é fruto do acaso nem da vontade do ser humano. Na ocasião da concepção há a possibilidade de que qualquer um dentre os milhões de espermatozóides do pai fertilizar o ovo da mãe. Cada um deles leva caractéres genéticos diferentes. Meu marido tem olhos negros e eu, castanhos. Temos quatro filhos. Minha filha mais velha tem olhos castanhos bem escuros, embora seja parecida com o pai. Os outros três têm olhos claros de diversos tons. O rapaz se parece mais com o tio do que com o pai, e duas moças puxaram mais à mãe, a mais nova é a cara do pai. E todos saíram do mesmo casal! Variedade é a palavra de ordem! Mas não fomos nós que determinamos nada disso. Fomos apenas os instrumentos de uma sabedoria e um propósito maior do que cada um de nós individualmente e maior do que os dois juntos.
Da mesma forma, seu pai forneceu metade de suas características, sua mãe a outra metade. Mas quem determinou quais dentre todas as disponíveis? Alguém, o mesmo Alguém que criou o universo gigantesco e as células microscópicas. É por desígnio dele que você é exatamente como é. O salmista diz: “Tu criaste todas as partes internas do meu corpo; tu uniste todas essas partes para formar o meu corpo, enquanto eu ainda estava no ventre de minha mãe. Eu te agradeço por me teres criado de maneira tão perfeita e maravilhosa! O teu trabalho é um verdadeiro milagre e na minha alma sei disso muito bem. Tu conhecias perfeitamente cada parte do meu corpo enquanto eu ainda estava sendo formado no ventre de minha mãe, como a semente que cresce debaixo da terra. Antes mesmo de o meu corpo tomar forma humana tu já havias planejado todos os dias da minha vida; cada um deles estava registrado no teu livro! Senhor, como são importantes para mim os teus pensamentos sobre a vida!” (Salmo 139:13-15 – A Bíblia Viva).
Está percebendo como você é um ser especial, apenas por ser quem é?
E tem mais.
A narrativa da criação no princípio da Palavra de Deus conta que fomos feitas à imagem e à semelhança do nosso Criador – por sermos como somos, de certa forma refletimos o Senhor do universo. Os seres humanos foram feitos como homens e mulheres. “Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança. . .Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. E Deus os abençoou” (Gênesis 1:26-28).

Você, como mulher, reflete o seu Criador! É verdade que é um reflexo incompleto, pois os seres humanos foram criados como homens e mulheres para, juntos, refletirem o Criador e com ele formarem uma trindade harmoniosa e perfeita. Sem você, algo estaria faltando. Não por nada que você faça, mas pelo simples fato de existir como mulher!
Quando focalizamos o propósito do Criador ao nos fazer, muda a nossa perspectiva com relação a quem somos e como fomos feitas para viver.
Como você responderia agora à pergunta: “Quem é você?”
É diante de Deus, o nosso Criador, que nossas indagações e confusões se aquietam, que nosso espírito encontra refúgio e repouso e a única felicidade concreta e palpável que nenhuma circunstância da vida nos pode tirar.
Quem é você, mulher de hoje?
Responda agora a essa pergunta para si mesma. Escreva sua resposta e medite sobre ela.
Conversaremos mais sobre o propósito de Deus ao criar a mulher em outros artigos desta seção. Se quiser, querida leitora, pode me escrever e dizer o que pensa sobre os assuntos que estamos discutindo aqui, e isso enriquecerá muito a nossa seção.

As 4 Mulheres na Vida de Jesus [Estudos Biblicos]

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AS QUATRO MULHERES NA VIDA DE JESUS

Mateus 1.1-17

Introdução:
Mulheres que fazem história.

Transição:
A história que Deus está escrevendo é feita através da história de pessoas que não possuem muitas qualificações. A história de Deus é uma loucura para o mundo e é sobre a história de quatro mulheres na vida de Jesus que queremos contar.

I.         Uma História de Justiça - Tamar (Gn 38)
A. Esta história não tem nenhuma relação com o contexto. No Cap. 37 José tem um sonho e no Cap. 39 José foi vendido ao Egito por causa dos seus sonhos.
B. O texto fala da prática do Levirato, cf Dt 25.5-10. Se um homem morre sem o seu herdeiro, o próximo irmão deve casar-se com a viuva para um herdeiro ao irmão morto. Seu marido Er que era perverso veio a morrer. Onã não queria deixar um filho para Er, também morreu. Judá prometeu então o seu filho que ainda era novo: "Então, disse Judá a Tamar, sua nora: Permanece viúva em casa de teu pai, até que Selá, meu filho, venha a ser homem. Pois disse: Para que não morra também este, como seus irmãos. Assim, Tamar se foi, passando a residir em casa de seu pai" (11).
C. Neste período morreu a esposa de Judá.
D. Judá toma Tamar como uma prostituta cultual (sagrada) e, depois, informado de que ela está grávida, disse: "Tirai-a fora para que seja queimada". Foi neste momento que ela apresentou os pertences de Judá dizendo que o dono dos mesmos era o pai de seu filho.
E. "Mais justa é ela do que eu". E ela concebeu gêmeos: Perez e Zera.
F. Esta história é uma crítica da moralidade. Aquele que tem tudo e boa reputação na comunidade pode todas as coisas. Tamar, que não pode ser louvada pela sua atitude, não encontra nenhum meio legal de fazer valer os seus direitos. Ela comete o pecado que "as pessoas de bem" condenam, mesmo que elas tenham cometido o mesmo pecado que agora condenam (W. Brueggemann).
G. Tamar mostra que a velha justiça que sanciona a opressão em nome da propriedade não serve para nada. Ela é a sombra Daquele que virá trazendo um nova justiça.
H. De Tamar nascem Acã, aquele que destroi a comunidade e Jesus Cristo, o construtor de uma nova comunidade. A comunidade onde a justiça é marca registrada.
I. "Todavia, um dos anciãos me disse: Não chores; eis que o Leão da tribo de Judá, a Raiz de Davi, venceu para abrir o livro e os seus sete selos" (AP 5:5).


II.        Uma História de Fé - Raabe (Js 2, 6; Sl 87.4, 89.10; Hb 11.31; Tg 2.25)
A. 2.1: "De Sitim enviou Josué, filho de Num, dois homens, secretamente, como espias, dizendo: Andai e observai a terra e Jericó. Foram, pois, e entraram na casa de uma mulher prostituta, cujo nome era Raabe, e pousaram ali".
B. Sabedora de que Israel haveria de invadir Jericó, o texto afirma: "Ouvindo isto, desmaiou-nos o coração, e em ninguém mais há ânimo algum, por causa da vossa presença; porque o SENHOR, vosso Deus, é Deus em cima nos céus e embaixo na terra".
C. SALMOS 87: [1]  Fundada por ele sobre os montes santos, [2]  o SENHOR ama as portas de Sião mais do que as habitações todas de Jacó. [3]  Gloriosas coisas se têm dito de ti, ó cidade de Deus! [4] Dentre os que me conhecem, farei menção de Raabe e da Babilônia; eis aí Filístia e Tiro com Etiópia; lá, nasceram.
D. Hb 11.31: " Pela fé, Raabe, a meretriz, não foi destruída com os desobedientes, porque acolheu com paz aos espias".
E. Tg 2: [24]  Verificais que uma pessoa é justificada por obras e não por fé somente. [25] De igual modo, não foi também justificada por obras a meretriz Raabe, quando acolheu os emissários e os fez partir por outro caminho?"
F. Raabe é uma simples mulher, que perdida em seus delitos e pecados, encontra uma porta aberta. Uma porta que daria a ela um novo futuro e uma nova vida. Agarra-se a esta porta com fé.

III.      Uma História da Previdência - Rute
A. Rute 1:15: "Disse Noemi: Eis que tua cunhada voltou ao seu povo e aos seus deuses; também tu, volta após a tua cunhada. [16]  Disse, porém, Rute: Não me instes para que te deixe e me obrigue a não seguir-te; porque, aonde quer que fores, irei eu e, onde quer que pousares, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus. [17]  Onde quer que morreres, morrerei eu e aí serei sepultada; faça-me o SENHOR o que bem lhe aprouver, se outra coisa que não seja a morte me separar de ti".
B. Rute é uma estrangeira que agarra-se a Noemi e ao Deus de Noemi porque sabe que é melhor caminhar ao lado daqueles que conhecem a Deus, mesmo que passando por circunstâncias adversas, do que seguir aos deuses do passado.
C. Rute vem a casar-se com Boaz e nasce um filho: "As vizinhas lhe deram nome, dizendo: A Noemi nasceu um filho. E lhe chamaram Obede. Este é o pai de Jessé, pai de Davi".
C. Nesta história vemos que Deus está providenciando em todos os emaranhados da vida. Na viuvez, na fome, na incerteza do futuro, vemos a mão de Deus governando o destino daqueles que fazem parte do seu projeto: a vinda do Messias ao mundo.

IV.       Uma História de um Mundo Novo - Maria (Mt
A. Lucas 1:26  "No sexto mês, foi o anjo Gabriel enviado, da parte de Deus, para uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, [27]  a uma virgem desposada com certo homem da casa de Davi, cujo nome era José; a virgem chamava-se Maria.
[28]  E, entrando o anjo aonde ela estava, disse: Alegra-te, muito favorecida! O Senhor é contigo. [29]  Ela, porém, ao ouvir esta palavra, perturbou-se muito e pôs-se a pensar no que significaria esta saudação. [30]  Mas o anjo lhe disse: Maria, não temas; porque achaste graça diante de Deus. [31]  Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem chamarás pelo nome de Jesus. [32]  Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; Deus, o Senhor, lhe dará o trono de Davi, seu pai; [33]  ele reinará para sempre sobre a casa de Jacó, e o seu reinado não terá fim. [34]  Então, disse Maria ao anjo: Como será isto, pois não tenho relação com homem algum? [35]  Respondeu-lhe o anjo: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te envolverá com a sua sombra; por isso, também o ente santo que há de nascer será chamado Filho de Deus".
B. Maria, uma simples jovem, que recebe de Deus a mais extraordinária das notícias e responde a esta invasão da sua vida com estas palavras: "Aqui está a serva do Senhor; que se cumpra em mim conforme a tua palavra. E o anjo se ausentou dela".
C. Ela é a bem-aventurada entre todas as mulheres. Ela é a mãe do nosso Senhor Jesus Cristo.
D. Maria é a serva de Deus que reconhece no Senhor a sua soberania e entrega-se totalmente aos mistérios divinos. Ela sabe que Deus faz todas as coisas certas.

V.        Quatro Mulheres
Tamar - aquela que espera que justiça seja feita.
Raabe - aquela que crê na fidelidade de Deus.
Rute - aquela que crê nas providências de Deus.
Maria - aquela que crê que Deus sabe o que está fazendo.

VI.       Aprendendo com estas mulheres
A. Aprendemos que Deus não olha para as nossas fraquezas ou limitações.
B. Aprendemos que as nossas fraquezas ou limitações não impedem que Deus nos use para o mover da sua história no mundo.
C. Aprendemos que para fazer parte da história de Deus é preciso um ato de fé, um gesto de coragem, uma atitude determinada. É preciso romper com o convencional e crer que Deus é soberano em todas as coisas.

Conclusão:
Estes momentos foram decisivos na história do nascimento de Jesus Cristo.
Hoje, as mulheres que são herdeiras de Tamar, Raabe, Rute e Maria, continuam escrevendo a história de Deus no mundo através de suas vidas dedicadas ao Senhor Jesus Cristo.

Jesus deu valor a mulher [Reflexão]

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Jesus deu valor a mulher

Melissa estava muito feliz, achando que tinha encontrado o homem de sua vida. Cristão, obreiro na igreja finalmente iria caminhar no evangelho lado a lado com alguém. Alguns meses depois se casam e Melissa começa a perceber que as coisas não são bem assim.

Agora, por competição com seu marido, seu brilho, seu ego e sua força têm sido minados pela sua insegurança e machismo. Quantas mulheres conhecem esta situação?
Fico imaginando como estes homens se dizem Cristãos... Muitos deles se aproveitam do fato que a Bíblia diz que o homem é a cabeça da mulher, mas se esquecem do restante do versículo: “Quero, porém, que saibais que Cristo é a cabeça de todo homem, o homem a cabeça da mulher, e Deus a cabeça de Cristo (I Co 11.3)”.
Será que Cristo alguma vez humilhou, menosprezou ou sequer foi autoritário ou usou de violência com algum ser humano, principalmente mais frágil ou em situação desfavorável? Claro que não, então estes homens não têm Cristo como suas cabeças.
Já dizia um professor meu: texto fora do contexto não tem pretexto.
Imagine o que dizer então de: “Vós, mulheres, submetei-vos a vossos maridos, como ao Senhor; porque o marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é a cabeça da igreja, sendo ele próprio o Salvador do corpo” (Ef 5.22,23) eles adoram este texto, mas se esquecem do que vem depois: “Vós, maridos, amai a vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela, a fim de a santificar, tendo-a purificado com a lavagem da água, pela palavra, para apresentá-la a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem qualquer coisa semelhante, mas santa e irrepreensível (Ef 5.25-27)”.
Fico imaginando se as palavras destes homens estão causando este efeito em suas mulheres.
Lembro-me de uma mulher incrível em uma igreja anterior que freqüentei, ela era brilhante, todos gostavam das Obras de suas mãos, seu marido também era uma bênção, mas via-se claramente que a sua auto-estima estava sensivelmente afetada pelas criticas e tratamento que vinha recebendo em casa.
A mulher não foi feita para ser cauda, Jesus em seu ministério terreno deu valor a muitas delas, incrível quando um marido Cristão não dá, não tem como compreender.
Minha irmã, você não pode se deixar levar por isso, deve reagir, jamais permita que ninguém apague seu brilho ou impeça seu chamado, lembre-se de que Jesus disse: “pois quem não é contra nós, é por nós (Mc 9.40)” e vice-versa.
Assim isso não é de Deus, você não está errada em querer fazer a Obra, apenas não esqueça de sua família, no mais, jamais pare de atender ao seu chamado e saiba que se Jesus com contigo é porque você é muito especial para ele.

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