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As manifestações da rebeldia do homem (continuação)

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Porque as armas da nossa milícia não são carnais, e, sim, poderosas em Deus, para des­truir fortalezas; anulando sofismas e toda altivez que se levante contra o conhecimento de Deus, levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo; e estando prontos para punir toda desobediência, uma vez completa a vossa submissão (2 Co. 10:b-6).

O elo entre a razão e o pensamento

O homem manifesta sua rebeldia não apenas em palavras e raciocínio mas também em pensa­mentos. Palavras rebeldes brotam de um racio­cínio rebelde, e o raciocínio por sua vez trama o pensamento. Portanto o pensamento é o fator central na rebeldia.
2 Coríntios 10:4-6 é uma das mais importantes passagens da Bíblia, porque, nestes versículos, o setor particular no homem onde se exige obediência a Cristo tem destaque especial. O versículo 5 diz: "levando cativo todo pensamento à obediên­cia de Cristo". Isto dá a entender que a rebeldia do homem jaz basicamente no seu pensamento.
Paulo menciona que temos de destruir argu­mentações e toda altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus. O homem gosta de edi­ficar raciocínios como fortalezas à volta do seu pensamento, mas tais raciocínios têm de ser des­truídos e o pensamento tem de ser cativo. As ar­gumentações devem ser deixadas de lado, mas o pensamento tem de ser reconduzido. Na guerra espiritual, as fortalezas têm de ser tomadas de assalto para que o pensamento seja levado ca­tivo. Se as argumentações não são jogadas fora, não há possibilidade de reconduzir o pensamen­to do homem à obediência de Cristo.
A frase "toda altivez", no versículo 5 é "todo edifício alto" no original. Do ponto de vista de Deus, as argumentações humanas são como um arranha-céu, obstruindo o seu conhecimento. Logo que o homem começa a raciocinar, seus pensamentos ficam sitiados e perde a liberdade de obedecer a Deus, uma vez que a obediência é uma questão de pensamento. A razão expressa externamente transforma-se em palavras, mas quando as argumentações se escondem dentro, cercam o pensamento e o paralisam para que não obedeça. O hábito do homem de argumentar é tão sério que não pode ser resolvido sem uma batalha.
Mas Paulo não usou a razão para lutar con­tra a razão. A inclinação mental para argumen­tar tem de ser derrotada com armas espirituais, isto é, o poder de Deus. É Deus que luta contra nós, pois nos tornamos seu inimigo. Nosso hábito mental de argumentar é algo que herdamos da árvore do conhecimento do bem e do mal, mas como são poucos os que percebem quanta dificul­dade as nossas mentes proporcionam a Deus!
Sa­tanás emprega toda sorte de argumentações para nos escravizar a fim de que nos tornemos inimi­gos de Deus, em lugar de sermos subjugados por ele.
Gênesis 3 exemplifica 2 Coríntios 10. Satanás argumentou com Eva, e Eva, vendo que a árvore era boa para alimento, reagiu com argumenta­ção. Ela não deu ouvidos a Deus, pois tinha suas razões. Quando a razão aparece, o pensamento do homem cai numa armadilha. A razão e o pen­samento estão intimamente ligados; o primeiro tende a derrotar o segundo. E uma vez cativa a mente, o homem encontra-se impossibilitado de obedecer a Cristo. Segue-se, portanto, que se realmente desejamos obedecer a Deus, temos de saber como a autoridade de Deus destrói as for­talezas da razão.

Recapturando a mente cativa

No Novo Testamento grego a palavra "noema" ("noemata" no plural) foi usada seis vezes: Fili-penses 4:7; 2 Coríntios 2:11, 3:14, 4:4, 10:5 e 11:3. Foi traduzido em português por "mente", "desíg­nios", "sentidos", "entendimento", "pensamen­to" e "mente", respectivamente — significando "os desígnios da mente". A "mente" é a facul­dade; o "desígnio" é sua ação — o produto da mente humana. Através da faculdade da mente o homem pensa e decide livremente, e isto repre­senta o próprio homem. Assim, se alguém deseja preservar sua liberdade, tem de dizer que todos os seus pensamentos são bons e correios. Não se atreve a expô-los à interferência e, portanto, deve cercá-los com muitas argumentações. Eis por que os homens falham em crer no Senhor: ficam frequentemente aprisionados na fortaleza de al­guma argumentação.
 Um incrédulo pode dizer: "Vou esperar até ficar bem velho"; ou "Muitos cristãos não se comportam bem. Por isso não posso crer"; ou "Não agora. Vou esperar até que meus pais mor­ram. Semelhantemente, há razões que os cren­tes apresentam para não amar o Senhor: os estudantes dirão que estão ocupados demais com seus estudos; os homens de negócios ocupados demais com seus negócios; o doente acha que sua saúde é fraca demais, e assim por diante. Se Deus não destruir essas fortalezas os homens jamais ficarão livres.Satanás aprisiona os ho­mens através das fortalezas dos argumentos?
 A maioria dos homens está por trás de tantas li­nhas de defesa que eles são incapazes de atra­vessá-las para a liberdade. Só a autoridade de Deus pode levar cativo cada pensamento para obedecer a Cristo.
Para reconhecer a autoridade, as argumen­tações humanas têm de ser primeiramente lan­çadas ao chão. Só depois que o homem começa a ver que Deus é Deus conforme declarado em Romanos 9 é que suas argumentações são des­truídas. E quando as fortalezas de Satanás são destruídas, nenhuma argumentação permanece e os pensamentos humanos podem ser então le­vados cativos para obedecer a Cristo. Só depois que seus pensamentos são recapturados é que o homem pode verdadeiramente obedecer a Cristo.
Podemos perceber se alguém já tomou conheci­mento da autoridade observando se as suas pa­lavras, argumentos e pensamentos já foram de­vidamente reestruturados. Quando uma pessoa depara com a autoridade de Deus sua língua não se atreve a agitar-se livremente, suas argumen­tações e, mais profundamente, seus pensamen­tos já não podem mais ser livremente expressos. Naturalmente, o homem tem numerosos pensa­mentos, todos fortalecidos com muitas argumen­tações. Mas tem de vir um dia quando a autori­dade de Deus derruba todas as fortalezas da ar­gumentação que Satanás levantou a recaptura todos os pensamentos do homem para torná-lo um escravo espontâneo de Deus. Então já não pensa mais independentemente de Cristo; é to­talmente obediente a ele. Isto é libertação total.
Aquele que ainda não tomou conhecimento da autoridade geralmente aspira a ser conselheiro de Deus. Tal pessoa não tem os seus pensamentos recapturados por Deus. Aonde quer que vá, seu primeiro pensamento é como melhorar a situa­ção. Seus pensamentos jamais foram disciplina­dos, pois suas argumentações são tantas e tão incessantes. Temos de permitir que o Senhor faça em nós uma operação de corte, penetrando nas profundezas íntimas de nossos pensamentos até que sejam todos tomados cativos por Deus. De­pois reconheceremos a autoridade de Deus e não nos atreveremos a livremente argumentar ou aconselhar.
Agimos como se existissem duas pessoas no uni­verso que são oniscientes: Deus e eu. Eu sou um conselheiro que sabe tudo! Tal atitude indica claramente que meus pensamentos precisam ser recapturados, que não sei nada sobre a autori­dade. Se eu fosse alguém cujas fortalezas da ar­gumentação estivessem realmente tomadas pela autoridade de Deus, não ofereceria mais con­selhos, nem teria interesse em fazê-lo. Meus pen­samentos ficariam subordinados a Deus, e eu já não seria mais uma pessoa livre. (A liberdade natural é o solo para o ataque de Satanás; tem de ser renunciada.) Eu deveria estar pronto a ouvir. Os pensamentos do homem são controla­dos por um de dois poderes: pela argumentação ou pela autoridade de Cristo. Na verdade, nin­guém neste universo pode exercer livremente sua vontade, porque ou é cativo das argumen­tações ou tomado por Cristo. Consequentemente, ou serve a Satanás ou serve a Deus.
Se um irmão reconhece ou não a autoridade, pode ser facilmente percebido observando-se o seguinte: 1) se pronuncia palavras rebeldes, 2) se argumenta diante de Deus, e 3) se oferece muitas opiniões. A derrota da argumentação é simples­mente o aspecto negativo; sua sequência positiva é ter todos os pensamentos cativos para obedecer a Cristo de modo que não oferece mais sua pró­pria opinião independente. Antes eu tinha mui­tos argumentos para sustentar meus muitos pen­samentos; mas agora não tenho mais nenhum argumento pois fui capturado. Um cativo não tem liberdade; quem prestaria atenção à opi­nião de um escravo? Um escravo tem de aceitar os pensamentos de outra pessoa, não oferecer sua própria opinião. Consequentemente, nós, os que fomos capturados por Cristo, estamos prontos a aceitar os pensamentos de Deus e não a oferecer qualquer conselho que seja nosso.

Advertências aos opiniosos

1. PAULO

Em seu estado natural, Paulo era uma pessoa inteligente, capaz, sábia e racional. Sempre po­dia descobrir um meio de fazer as coisas, era confiante e servia a Deus com todo o seu entu­siasmo. Mas, quando liderava um grupo de pes­soas a caminho de Damasco para aprisionar os cristãos ali, foi derrubado ao solo por uma gran­de luz. Naquele momento, todas as suas intenções, modos e capacidade foram dissolvidos. Não re­tornou a Tarso nem voltou a Jerusalém. Não só abandonou sua tarefa em Damasco mas tam­bém jogou fora todos os seus motivos.
Muitas pessoas, quando encontram dificulda­des, mudam de direção, tentando primeiro este caminho e então aquele; mas, não importa o que façam, continuam agindo de acordo com suas próprias idéias e modos. São tolas e não caem segundo o golpe desferido por Deus. Embora Deus as prostrasse naquele assunto em particular, não aceitam a derrota de suas argu­mentações e pensamentos. Assim, muitos podem realmente ter bloqueada sua estrada para Da­masco, enquanto se mantêm em seu caminho para Tarso ou Jerusalém.
Não foi o que aconteceu com Paulo. Uma vez abatido, perdeu tudo. Não podia mais dizer ou pensar coisa alguma. Não sabia mais nada. "Que devo fazer, Senhor?" perguntou. Encontramos aqui um cujos pensamentos foram cativados pe­lo Senhor e que obedeceu nas profundezas do seu coração. Antes, fossem quais fossem as cir­cunstâncias, Saulo de Tarso sempre liderava; mas, agora, tendo tomado conhecimento da au­toridade de Deus, Paulo perdeu suas opiniões. A principal evidência de que uma pessoa entrou em contato com Deus está no desaparecimento de suas opiniões e esperteza. Que possamos ho­nestamente pedir a Deus que nos conceda a per­plexidade produzida pela luz. Paulo parecia dizer: "Sou um homem recapturado por Deus e portan­to prisioneiro do Senhor. Chegou a hora de ouvir e obedecer, não de pensar e decidir."

2.   REI SAUL

O rei Saul foi rejeitado por Deus não porque roubasse mas porque poupou o que havia de me­lhor entre os bois e ovelhas para sacrificá-los ao Senhor. Foi algo que brotou de sua própria opi­nião — seus próprios pensamentos sobre como agradar a Deus. Sua rejeição foi por causa dos seus pensamentos que não foram capturados por Deus. Ninguém poderá dizer que o rei Saul não foi zeloso em servir a Deus. Não mentiu, uma vez que realmente poupou o melhor entre o gado e as ovelhas. Mas tomou sua própria decisão de acordo com seu próprio pensamento. (Veja 1 Sm. 15.)
A inferência é clara: todos os que servem a Deus devem categoricamente refrear suas deci­sões com base em seus próprios pensamentos; antes, devem executar a vontade de Deus. Devem dizer expectativamente: "Senhor, o que queres que eu faça?" Dizer mais que isso seria total­mente errado. Obedecer é melhor do que sacri­ficar. Os homens absolutamente não têm o direi­to de oferecer conselhos a Deus.
Quando o rei Saul viu aquelas ovelhas e o gado, desejou poupá-los da morte. Seu coração podia se inclinar para Deus, mas faltava-lhe o espírito da obediência. Um coração que se in­clina para Deus não pode substituir a atitude de "eu não me atrevo a dizer coisa alguma"; uma oferta de gorduras não pode suplantar o "não dar opinião". Tendo o rei Saul recusado a destruir todos os amalequitas com suas ovelhas e gado conforme Deus ordenara, deveria ser mor­to por um amalequita e seu governo terminou as­sim. Todo aquele que poupa um amalequita em seu próprio pensamento será finalmente aniqui­lado por um amalequita.

  1. NADABE E ABIÚ

Nadabe e Abiú rebelaram-se quanto à oferta porque deixaram de se sujeitar à autoridade de seu pai. Tentaram executar seus próprios pen­samentos. Pecaram contra Deus oferecendo fogo estranho; assim ofenderam à administração di­vina. Embora não falassem nenhuma palavra nem apresentassem motivos, ainda assim quei­maram incenso de acordo com suas próprias ideias e sentimentos. Acharam que um culto assim prestado era uma coisa boa; se errassem seria apenas tentando fazer uma coisa boa — isto é, servindo a Deus. Achavam que tal pecado seria insignificante. Mas não sabiam que seriam do seja obediente se a igreja não obedece? Uma igreja desobediente não pode esperar que os in­crédulos obedeçam ao evangelho. Mas com uma igreja obediente também surgirá a obediência ao evangelho.
Todos nós devemos aprender a aceitar a dis­ciplina para que nossas bocas sejam instruídas no sentido de não falar levianamente, nossa men­te a não argumentar, nossos corações a não ofe­recer conselho. O caminho da glória está exata-mente à nossa frente. Deus há de manifestar sua autoridade sobre a terra.

As manifestações da rebeldia do homem.

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Em que setores particulares a rebeldia do ho­mem se manifesta mais obviamente? Em palavras, razão e pensamentos. Se não tratarmos esses se­tores de maneira prática, a esperança de livra­mento da rebeldia é muito obscura.

1. PALAVRAS

Especialmente aqueles que, seguindo a car­ne, andam em imundas paixões e menosprezam qualquer governo. Atrevidos, arrogantes, não temem difamar autoridades superiores, ao passo que anjos, embora maiores em força e poder, não proferem contra eles juízo infa­mante na presença do Senhor. Esses, todavia, como brutos irracionais, naturalmente feitos para presa e destruição, falando mal daquilo em que são ignorantes, na sua destruição tam­bém hão de ser destruídos (2 Pedro 2:10-12).
Ninguém vos engane com palavras vãs; porque por estas cousas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência (Ef. 5:6).
Ora, estes, da mesma sorte, quais sonhado­res alucinados, não só contaminam a carne, como rejeitam governo, e difamam autorida­des superiores. Contudo, o arcanjo Miguel, quando contendia com o diabo, e disputava a respeito do corpo de Moisés, não se atreveu a proferir juízo infamatório contra ele; pelo contrário; disse: O Senhor te repreenda. Es­tes, porém, quanto a tudo o que não entendem, difamam; e, quanto a tudo o que compreendem por instinto natural, como brutos sem razão, até nessas cousas se corrompem (Judas 8-10).
 Raça de víboras, como podeis falar cousas boas, sendo maus? porque a boca fala do que está cheio o coração (Mt. 12:34).

As palavras são o  escoadouro do coração

Um homem rebelde de coração acabará profe­rindo palavras rebeldes, pois do que está cheio o coração a boca fala. Para reconhecer a auto­ridade, é preciso que primeiro se entre em con-tato com a autoridade; caso contrário, jamais se obedecerá. O simples ouvir uma mensagem sobre obediência é totalmente ineficaz. É preciso que haja um encontro com Deus; então o fundamen­to da autoridade de Deus será estabelecido em sua vida. Depois disso, sempre que proferir uma pa­lavra rebelde — não, antes mesmo que a profi­ra — tomará consciência de sua transgressão e assim ficará internamente impedido. Se alguém pode livremente pronunciar palavras de rebeldia sem qualquer sentimento interno de restrição, certamente jamais teve contato com a autoridade. É muito mais fácil pronunciar palavras rebeldes do que efetuar atos de rebeldia.
A língua é difícil de ser domada. Muito rapi­damente a rebeldia de um homem se expressa através de sua língua. Ele pode concordar com uma pessoa diante dela mas injuriá-la pelas cos­tas; pode manter silêncio diante de um homem mas tem muito a dizer em altas vozes depois. Não é difícil usar a boca em atitude de rebeldia. Os componentes da sociedade de hoje são todos rebeldes; só prestam culto de boca e sujeição ex­terna.
A igreja tem de ser diferente; na igreja deveria haver obediência do coração. Se há ou não obediência do coração é fácil de perceber pelas palavras que saem da boca de uma pessoa. Deus quer obediência de coração.




Eva levianamente acrescentou algo à palavra de Deus

Quando Eva foi tentada, ela acrescentou "nem tocareis nele" à palavra de Deus (Gn. 3:3). Vamos tomar consciência da seriedade disto. Se alguém conhece a autoridade de Deus jamais ousará acrescentar uma sílaba. A palavra de Deus é bastante clara: "De toda árvore do jardim co­merás; porque no dia em que dela comeres, cer­tamente morrerás" (Gn. 2:16-17). Deus jamais disse "nem tocareis"; isto foi acrescentado por Eva. Todos aqueles que levianamente mudam a palavra de Deus, acrescentando ou omitindo, dão evidência de que não conhecem a autoridade; por­tanto são rebeldes e ignorantes.
Imaginem alguém que foi enviado pelo go­verno a algum lugar como representante ou por-ta-voz; certamente a pessoa se esforçará muito tentando memorizar o que foi encarregada de dizer; não se atreveria a acrescentar qualquer pa­lavra sua. Embora Eva visse Deus diariamente, não reconheceu a autoridade; portanto, leviana­mente, acrescentou suas próprias palavras. Tal­vez imaginasse que não havia muita diferença numas poucas palavras a mais ou a menos. Não, mesmo uma pessoa deste mundo, servindo um senhor deste mundo, não se atreveria a mudar livremente as palavras do seu senhor. Como, en­tão, nos atreveríamos nós que servimos ao Deus vivo?

Cão publicou o fracasso de seu pai

Vamos ver o que Cão fez quando viu a nudez de seu pai. Saiu para contá-lo a seus irmãos, Sem e Jafé. Aquele que é insubordinado de cora­ção sempre espera que a autoridade fracasse. As­sim Cão teve a sua oportunidade de revelar a falta de seu pai. Fazendo assim comprovou ple­namente que não estava de todo sujeito à auto­ridade dele. Geralmente submetia-se a seu pai por fora, mas não de todo coração. Agora, porém, quando descobriu a fraqueza de seu pai, aprovei­tou a oportunidade para publicá-la aos irmãos. Hoje em dia, muitos irmãos, devido a uma falta de amor, sentem prazer em criticar pessoas e deleitam-se grandemente em revelar as faltas dos outros.Cão não tinha nem amor nem submis­são. É uma manifestação de rebeldia.

Miriã e Arão injuriaram Moisés

Números 12 registra como Miriã e Arão fala­ram contra Moisés e introduziram problemas fa­miliares no trabalho. Moisés ocupava uma posição única na vocação divina; Miriã e Arão eram simples subordinados. Era a ordem de Deus. Não obstante, os dois se rebelaram contra aquela or­dem e expressaram seus sentimentos falando con­tra Moisés. Não conheciam a autoridade, uma vez que o reconhecimento da autoridade sela bocas e resolve muitos problemas. Dificuldades naturais são resolvidas logo que se coloquem diante da autoridade. Miriã simplesmente disse: "Porventu­ra tem falado o Senhor somente por Moisés? não tem falado também por nós?" (versículo 2). Ela não parece ter dito muita coisa, mas Deus per­cebeu que era injurioso. Provavelmente ela tinha muitas outras palavras que não foram proferidas, exatamente como um "iceberg" tem visível sobre a superfície apenas um décimo de sua massa, enquanto os outros nove décimos permanecem es­condidos na água. Por mais inconsequentes que as palavras sejam, se houver um espírito rebelde na pessoa, será imediatamente descoberto por Deus. A rebeldia geralmente se manifesta em pa­lavras. Não importa se sejam frívolas ou sérias, são rebeldia.


Core a seu grupo atacaram Moisés

Em Números 16, Core e seu grupo de duzentos e cinquenta líderes da congregação reuniram-se para atacar Mosiés. Atacaram-no com palavras. Disseram tudo o que estava em seus corações. Re­clamaram de Moisés. Embora Miriã falasse con­tra ele, suas palavras foram reprimidas; por isso ela pôde ser restaurada. Mas Core e seu grupo, como uma torrente incontrolável, desligou-se de toda restrição. Vemos aí dois diferentes graus de rebeldia: alguns caem em desgraça mas são fi­nalmente restaurados, enquanto outros devem ser engolidos pelo Seol, pois não têm nenhuma re­pressão. Esses de Números 16, além de falarem contra Moisés, também o censuraram aberta e se­veramente. A situação foi tão séria que Moisés nada pôde fazer a não ser se prostrar ao chão.
Como foram graves suas acusações! Disseram a Moisés: "Basta! ... por que, pois, vos exaltais so­bre a congregação do Senhor?" (versículo 3). Era como se dissessem: "Reconhecemos que Deus está no meio da congregação, pois a congregação é santa, mas não reconhecemos sua autoridade pois você é um usurpador." Aprendemos neste exemplo que todo aquele que atende à autoridade direta de Deus mas rejeita a autoridade delegada con­tinua, não obstante, sob o princípio da rebeldia. Se uma pessoa fosse submissa à autoridade, certamente controlaria sua boca não ousaria fa­lar tão livremente Quando Paulo foi julgado pelo concílio falou como profeta ao sumo sacerdote dizendo: "Deus há de ferir-te parede branqueada" (Atos 23:3). Mas ele também era judeu, por isso tão-logo foi informado que Ananias era o sumo sacerdote voltou atrás, dizendo: "Não sabia, ir­mãos, que ele é sumo sacerdote; porque está es­crito: Não falarás mal de uma autoridade do teu povo" (versículo 5). Que cuidado teve com suas palavras e com que escrúpulo controlou sua boca.

A rebeldia está ligada à indulgência da carne

O apóstolo Paulo mencionou aqueles que des­prezam a autoridade imediatamente depois de falar daqueles que são indulgentes na concupiscência das paixões que corrompem. O sintoma daqueles que desprezam a autoridade é resposta pronta, isto é, a enunciação das palavras re­beldes.
Os semelhantes se atraem. Uma pessoa natu­ralmente se ligará àqueles que são iguais a ela e se comunicará com aqueles que têm a mesma natureza. O rebelde e o carnal andam juntos. Deus os considera iguais. O rebelde e o carnal são tão maus e obstinados que não têm medo de injuriar os gloriosos. Aqueles que conhecem Deus tremem ao fazê-lo. É concupiscência da boca falar palavras injuriosas. Se tal pessoa co­nhecesse a Deus, ficaria arrependida e se odiaria porque saberia o quanto Deus odeia uma atitude assim. Os anjos antes se encontravam sob a ju­risdição desses seres gloriosos, por isso não se atreveram a pronunciar um julgamento injurioso sobre estes diante do Senhor. Tiveram a cautela de não armazenar uma atitude rebelde em se tratando daqueles espíritos que não permanece­ram em sua antiga posição.
Pelo mesmo motivo, não deveríamos injuriar aos outros, falando contra eles diante de Deus, nem mesmo em nossas orações. Davi provou ser pessoa que manteve sua posição reconhecendo que Saul era o ungido do Senhor. O poder de Satanás é estabelecido por aqueles que não ficam no seu lugar, enquanto os anjos permanecem no seu lugar. Pedro usa os anjos para exempli­ficar este princípio do lugar de cada um para que sejamos mais cuidadosos nesse aspecto.
Há duas coisas que levam os cristãos a perder o seu poder: 1) pecado, 2) injúria à autoridade. Sempre que uma pessoa fala contra outra, significa perda de poder) Perda de poder é maior quando a desobediência é expressa em palavras do que quando parmenece escondida no coração. 0 efeito das palavras sobre o poder excede muito aquilo que percebemos comumente.
é verdade que diante de Deus o pensamento de um homem é julgado como se fosse um ato. Aquele que concebe o mal já cometeu o mal. Por outro lado o Senhor diz: "Raça de víboras, como podeis falar cousas boas, sendo maus? por­que a boca fala do que está cheio o coração... Digo-vos que toda palavra frívola que proferirem os homens, dela darão conta no dia de juízo; por­que pelas tuas palavras serás justificado, e pelas tuas palavras serás condenado" (Mt. 12:34, 36-37). Isto implica dizer que há uma diferença entre palavras e pensamentos. O pensamento pode per­manecer encoberto, mas uma vez proferida a palavra, tudo fica desnudo. Os cristãos de hoje perdem o seu poder tanto através da boca quan­to dos atos; não, perdem muito mais através da boca. Todos os rebeldes têm problemas com suas bocas. Todos aqueles que não podem con­trolar suas palavras não podem controlar a si mesmos.

Deus repreende fortemente os rebeldes

Leia novamente 2 Pedro 2:12: "Esses, todavia, como brutos irracionais, naturalmente feitos para presa e destruição." Será que pode haver pala­vras de repreensão mais fortes na Bíblia do que estas que se encontram aqui? Por que repreendê-­los como a animais? Porque são tão insensíveis. Uma vez que a autoridade constitui a coisa mais importante de toda a Bíblia, rebelar-se contra ela constitui o mais grave dos pecados. Nossa boca não deveria falar inadvertidamente. Tão-logo travamos conhecimento com Deus nossa bo­ca deveria sofrer restrições; não deveríamos nos atrever a replicar às autoridades. O encontro com a autoridade cria em nós uma consciência de autoridade exatamente como o encontro com o Senhor nos torna conscientes do pecado.

As dificuldades na igreja geralmente derivam de palavras injuriosas

Falar inadvertidamente é o grande responsá­vel pela quebra da união da igreja e pela perda de poder. Provavelmente a maioria das dificul­dades na igreja de hoje se devem principalmente às palavras injuriosas; só uma parte diminuta das dificuldades são verdadeiros problemas. Na realidade, a maioria dos problemas deste mundo foram criados através de mentiras. Se na igreja pudermos deixar de falar mal uns dos outros eliminaremos a maior parte de nossas dificulda­des. Como precisamos confessar nossos pecados diante de Deus e pedir o seu perdão! Todas as nossas palavras injuriosas devem ser cuidadosas e totalmente limitadas diante de Deus. "Acaso pode a fonte jorrar do mesmo lugar o que é doce e o que é amargoso?" (Tiago 3:11) Não deveriam sair dos mesmos lábios palavras de amor e pa­lavras injuriosas. Que Deus envie um guarda para os nossos lábios, e não só para os lábios mas também para o nosso coração, para que se­jamos libertados dos pensamentos de rebeldia e das palavras injuriosas. Que as palavras injurio­sas se afastem para sempre de nós!





2. RAZÃO

E ainda não eram os gêmeos nascidos, nem tinham praticado o bem ou o mal (para que o propósito de Deus quanto à eleição prevale­cesse, não por obras, mas por aquele que cha­ma), já lhe fora dito a ela: 0 mais velho será servo do mais moço. Como está escrito: Amei a Jacó, porém me aborreci de Esaú.
Que diremos, pois? Há injustiça da parte de Deus? De modo nenhum. Pois ele diz a Moisés: Terei misericórdia de quem me aprou­ver ter misericórdia e compadecer-me-ei de quem me aprouver ter compaixão. Assim, pois, não depende de quem quer, ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia. Porque a Escritura diz a Faraó: Para isto mesmo te levantei, para mostrar em ti o meu poder, e para que o meu nome seja anunciado por toda a terra. Logo, tem ele misericórdia de quem quer, e também endurece a quem lhe apraz. Tu, porém, me dirás: De que se queixa ele ainda? Pois quem jamais resistiu à sua von­tade? Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus?! Porventura pode o objeto pergun­tar a quem o fez: Por que me fizeste assim? Ou não tem o oleiro direito sobre a massa, para do mesmo barro fazer um vaso para hon­ra e outro para desonra? Que diremos, pois, se Deus querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita longanimidade os vasos de ira, preparados pa­ra a perdição, a fim de que também desse a conhecer as riquezas da sua glória em vasos de misericórdia, que para glória preparou de antemão, os quais somos nós, a quem também chamou, não só dentre os judeus, mas também dentre os gentios?  (Rm. 9:ll-24).

A injúria vem da razão

A rebeldia do homem contra a autoridade se manifesta em palavras, razão e pensamento. Se não reconhece a autoridade dirá palavras inju­riosas; tais palavras geralmente brotam do seu raciocínio. Cão tinha suas razões para injuriar seu pai, pois Noé estava nu. Miriã falou contra Moisés com base no fato de seu irmão ter se casado com a mulher cusita. Aquele que se su­jeita à autoridade, entretanto, vive sob a
auto­ridade não com a razão. Coré e seu grupo de duzentos e cinquenta líderes rebelaram-se contra Moisés e Arão dizendo: "Toda a congregação é santa, cada um deles é santo, e o Senhor está no meio deles; por que, pois, vos exaltais sobre a congregação do Senhor?" (Nm. 16:13). Eles ti­nham também suas razões; palavras injuriosas como essas geralmente são produzidas pelo racio­cínio.
Datã e Abirão parece que tinham razões ainda mais fortes; responderam a Moisés dizendo: "Nem tão pouco nos trouxeste a uma terra que mana leite e mel, nem nos deste campos e vinhas em herança; pensas que lançarás pó aos olhos destes homens?" (versículo 14). O que queriam dizer era que seus olhos podiam ver mais claramente a aparência da terra se estivessem lá. Quanto mais raciocinavam, mais fortes razões tinham para desconfiar que Moisés não era quem parecia ser. A razão não pode permitir a reflexão, uma vez que só se agrava mais através desta. As pessoas deste mundo vivem segundo a razão. Onde está, então, a diferença entre nós e o povo do mundo se nós também vivemos nesse reino?
Seguir o Senhor exige libertação da razão
É a pura verdade que precisamos arrancar os olhos de nossa razão para podermos seguir o Se­nhor. O que governa nossas vidas? É a razão, ou a autoridade? Quando uma pessoa é iluminada pelo Senhor fica cega com a luz, e sua razão é colocada de lado. Paulo ficou cego sob a grande luz na estrada de Damasco; deixou de se guiar por sua própria razão. Moisés jamais arrancou seus olhos, não obstante agia como se estivesse cego. Ele tinha seus argumentos a suas razões, mas em obediência a Deus vivia acima da razão. Aqueles que estão sob a autoridade de Deus não vivem segundo a vista. Os servos de Deus devem libertar-se da vida da razão. A razão é a primeira causa da rebeldia; portanto não pode haver ne­nhum controle sobre nossas palavras se primei­ro não resolvermos totalmente o problema da ra­zão. Se uma pessoa não for libertada pelo Senhor da escravidão da razão, mais cedo ou mais tarde pronunciará palavras injuriosas.
Parece fácil falar sobre o livramento da vida da razão. Mas, se somos seres racionais, como podemos evitar discutir com Deus? Parece muito difícil. Raciocinamos desde a infância até a ida­de adulta, desde o nosso estado de incrédulos até o presente momento. O princípio básico de nossa vida é o raciocínio. Como então acabar com isto? Para acabar é  preciso sacrificar literalmente a própria vida de nossa carne! Por isso há duas categorias de cristãos: aqueles que vivem no nível da razão e aqueles que vivem no nível da autoridade.
Vamos fazer a pergunta: Onde estamos vivendo hoje? Quando recebemos uma ordem de Deus, será que paramos para examinar a questão e ver se existem motivos suficientes para fazer aquilo? Oh! Isto não passa de uma manifestação da árvore do conhecimento do bem e do mal. O fruto dessa árvore governa não só nossos negó­cios pessoais, mas até mesmo as coisas resol­vidas por Deus têm de passar através de nossa razão e julgamento. Pensamos por Deus e deci­dimos o que Deus deveria pensar. Sem dúvida, este é o princípio de Satanás, pois ele não deseja ser igual a Deus? Todos aqueles que realmente conhecem a Deus obedecem a ele sem argumenta­ção; aí não há possibilidade de misturar a razão com a obediência. Se alguém deseja aprender a obediência tem de deixar de lado a razão. Ou viverá pela autoridade de Deus ou pela razão humana
 — é absolutamente impossível viver atra­vés de ambas.
A vida terrena do Senhor Jesus foi totalmente acima da razão. Que razão poderia haver para a desgraça, os açoites e a crucificação que ele so­freu? Mas ele submeteu-se à autoridade de Deus; ele nem sequer argumentou ou perguntou; ele só obedeceu! Viver sob o domínio da razão é tão complicado! Pense nas aves do ar e nos lírios do campo. Com que simplicidade eles vivem! Quanto mais nos submetemos à autoridade, mais simples nossas vidas se tornam. Em Romanos 9, Paulo provou aos judeus que Deus também chama os gentios. Ele dá a entender que dos descendentes de Abraão só Isaque foi es­colhido e da semente de Isaque só Jacó foi escolhi­do. Tudo está de acordo com a eleição de Deus. Portanto, por que Deus não deveria escolher os gentios? Ele pode exercer misericórdia com quem ele quiser e ter compaixão de quem quiser. Ele ama o Jacó traiçoeiro e odeia o Esaú honesto (pelo menos é o que os homens supõem). Ele até endurece o coração de Faraó. Será que é injusto por causa disso? Mas Deus está assentado no tro­no da glória acima dos homens e estes estão sujeitos à sua autoridade. Quem é você, partícula de pó, para argumentar com Deus?
Ele é Deus e tem autoridade para fazer o que deseja. Não podemos segui-lo de um lado e, do outro, exigir a revelação dos motivos. Se quiser­mos servi-lo, não devemos argumentar. Todos aqueles que se encontram com Deus têm de jogar fora o seu raciocínio. Temos de permanecer tão-somente no solo da obediência. Não vamos inter­ferir através de nossos argumentos, tentando ser conselheiros de Deus. Vamos ouvir o que Deus declara: "Terei misericórdia de quem me aprou­ver ter misericórdia." Quão preciosa é a palavra "vontade"! Vamos adorar a Deus. Ele jamais ar­gumenta; ele simplesmente faz o que deseja fazer. Ele é o Deus da glória. Paulo também atesta: "Assim, pois, não depende de quem quer, ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia. Porque a Escritura diz a Faraó: Para isto mesmo te levantei, para mostrar em ti o meu poder, e para que o meu nome seja anunciado por toda a terra. Logo, tem ele misericórdia de quem quer, e também endurece a quem lhe apraz" (Rm. 9:16-18). Endurecer seu coração não significa fazê-lo pecar; simplesmente significa desistir dele (veja Rm. 1:24, 26, 28).
Paulo, prevendo que aqueles aos quais escrevia poderiam objetar, antecipa-se dizendo: "Tu, po­rém, me dirás: De que se queixa ele ainda? Pois quem jamais resistiu à sua vontade?" (ver­sículo 19). Muitos concordariam que o raciocínio acima é tremendamente forte. Paulo também reconhece a força de tal argumento. Por isso ele prossegue: "Quem és tu, ó homem, para dis­cutires com Deus?! Porventura pode o objeto perguntar a quem o fez: Por que me fizeste as­sim?" (versículo 20). Ele não responde ao argu­mento deles; pelo contrário, faz-lhes uma per­gunta: "Quem és tu?" Ele não diz: "O que tu dizes?" Só pergunta: "Quem és tu para discu­tires com Deus?" Quando Deus exerce autorida­de não precisa consultar ninguém nem procurar aprovação. Simplesmente exige que se obedeça à sua autoridade e se reconheça que, se vem de Deus, é coisa boa.
Os homens sempre gostaram de discutir; mas não poderíamos perguntar: Há algum bom mo­tivo para sermos salvos? Não existe razão algu­ma. Eu nunca desejei nem lutei, mas estou salvo. É a coisa mais irracional que jamais acon­teceu. Mas Deus terá misericórdia de quem qui­ser. O oleiro tem o direito de fazer do mesmo bolo de barro um vaso lindo e outro para fins cor­riqueiros. É uma questão de autoridade, não uma questão de raciocínio. A dificuldade básica conosco, os homens de hoje, é que ainda vivemos sob o princípio do bem e do mal, sob o poder da razão. Se a Bíblia fosse um livro de argumentos, então certamente poderíamos discutir tudo. Mas em Romanos 9 Deus abre uma janela do céu e nos ilumina, não argumentando conosco, mas fazendo-nos uma pergunta: "Quem és tu?"

A glória de Deus liberta da razão

Não é fácil para os homens libertarem-se das palavras injuriosas; ainda é mais difícil ver-se livre do raciocínio. Quando eu era jovem, fre­quentemente me ofendia pelas coisas exorbitantes que Deus fazia. Mais tarde li Romanos 9 e pela primeira vez em minha vida percebi um pouco da autoridade de Deus. Comecei a perceber quem eu era — apenas um ser criado por ele. Como me atrevia a lhe responder com minhas mais
 ra­zoáveis palavras? Aquele que está acima de tudo vive numa glória inatingível. O vislumbre de uma fração de sua glória nos poria de joelhos e nos levaria a jogar fora nossos argumentos. Só aqueles que vivem muito distantes podem ser soberbos; aqueles que estão sentados nas trevas podem viver pelo raciocínio. Mas ninguém em todo o mundo é capaz de se ver verdadeiramente através da luz de sua própria combustão. Mas logo que o Senhor lhe concede um pouquinho de luz e permite que veja um pouquinho da glória de Deus, então ele cai como se estivesse morto — exatamente como o apóstolo João de antiga­mente. elimina o conhecimento do bem e do mal que veio através de Adão. Depois disso torna-se rela­tivamente fácil obedecermos.

"Eu sou o Senhor vosso Deus" — Eis a razão

Em Levítico 18-22, cada vez que Deus ordena certas coisas ao povo de Israel, introduz a frase: "Eu sou o Senhor vosso Deus." Esta nem sequer é antecedida pela conjunção "pois". Significa: "Fa­lei assim porque sou o Senhor vosso Deus. Eu não preciso apresentar minhas razões. Eu, o Se­nhor, sou a razão." Se você entender isto jamais será capaz de viver novamente pela razão. Você terá desejo de dizer a Deus: "Ainda que no passa­do eu tenha vivido pela mente e pela razão, agora me inclino e te adoro; qualquer coisa que te­nhas feito é suficiente para mim, porque foste tu que o fizeste." Depois que Paulo caiu na estrada de Damasco, seu raciocínio todo foi posto de lado. A pergunta que fez foi: "O que queres que eu faça, Senhor?" Instantaneamente colocou-se em sujeição ao Senhor. Ninguém que conhece a Deus argumentará, pois a razão é julgada e posta de lado pela luz.
Argumentar com Deus implica que Deus neces­sita obter nosso consentimento para tudo o que faz. Isto é loucura consumada. Quando Deus age não tem nenhuma obrigação de nos contar os motivos, porque os seus caminhos são mais altos que os nossos caminhos. Se tentamos rebaixar Deus e fazê-lo discutir conosco, nós o perderemos porque o transformamos num igual. Na argu­mentação não teremos adoração. Tão-logo a obe­diência se ausenta, desaparece a adoração.
 Julgando Deus com a nossa razão, nós mesmos nos estabelecemos por deuses. Onde, então, fica a diferença entre o oleiro e o barro? Será que o oleiro precisa pedir consentimento ao barro para fazer seu trabalho? Que o glorioso aparecimento do Senhor ponha um fim a toda nossa argu­mentação!

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