Mostrando postagens com marcador Espirito Santo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Espirito Santo. Mostrar todas as postagens

Eu não deixarei vocês sozinhos.

0 comentários
"Não vos deixarei órfãos, voltarei para vós outros” – João 14.18
 
Uma das experiências mais dolorosas da vida humana é quando perdemos pessoas queridas, principalmente os Pais.
 
Mais profunda ainda é a perda quando o filho ainda não possui caráter e personalidade completa.
 
Foi neste sentido que Jesus falou aos discípulos: “Não vos deixarei órfãos”.
 
Jesus havia chamado cada um deles.Durante três anos e meio, havia também cuidado de todos os detalhes para tivessem um crescimento saudável, principalmente em termos de vida espiritual. Sermões, parábolas, orações, sinais milagrosos e até mesmo exortações para que estivessem preparados para o glorioso ministério de estabelecer o Reino de Deus.
 
A cruz aproximava. Ele seria arrancado do meio deles e seria colocado como espetáculo para alguns, porém, para os seus, o remidor do maior mal que alguém possa sofrer, o pecado. E isto seria com o pagamento pelo derramamento do Seu precioso sangue.
 
E por mais que os havia alertado pela necessidade dEle passar pela cruz, o momento seria muito difícil.
 
Jesus então fala sobre a ação do Espírito Santo na vida deles. E numa de Suas expressões, deixa claro: Não vos deixarei órfãos.

[Estudo da Pessoa do Espirito Santo] O Fruto e os Frutos do Espírito.

0 comentários


I - O Fruto do Espírito Santo

"Mas o fruto do Espírito é: caridade, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, tempe­rança" (Gl 5.22).
O "fruto" e os "frutos" mencionados nas Escrituras, especialmente no Novo Testamento, são qualidades mo­rais e espirituais cultivadas pelo Espírito de Deus na personalidade cristã.
O primeiro vem citado no singular, embora composto de "nove qualidades" diferentes, formando uma diversi­dade de operações. Contudo, é o "mesmo Espírito" que "opera todas estas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer" (cf. 1 Co 12.11). Significa que o fruto, mesmo sendo composto de nove qualidades, con­tém um só sabor que abre caminho para a perfeição até transformar o cristão "de glória em glória, na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor" (2 Co 3.18).
O fruto do Espírito é o resultado na vida dos que participam da natureza divina, ou seja, dos que estão ligados a Cristo, a "videira verdadeira" (Jo 15.1-5). Assim, passamos a obter uma nova natureza, porque fomos "gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva e que permane­ce para sempre" (1 Pe 1.23).
Os frutos do Espírito Santo mencionados em outras passagens das Escrituras referem-se a outras operações do Espírito de Deus na vida do cristão, produzindo outras virtudes na alma, que depois examinaremos à luz do contexto.

1. Amor (caridade)
Este atributo do Espírito de Deus é evidentemente o mais sublime de todos. Ele é o fundamento sobre o qual os demais dons e virtudes do Espírito Santo estão edificados.
O amor é o solo onde são cultivadas as demais virtu­des da existência, seja terrena ou celestial.
O amor é a base onde todos os dons espirituais são implantados.
O amor é a fonte de onde fluirão as demais fontes de tudo que é divino: "A caridade [amor] nunca falha; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá. Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e a caridade, estas três, mas a maior destas é a caridade" (1 Co 13.8,13).
O Filho de Deus nos ensinou a caminhar as "duas milhas" (Mt 5.41): a primeira é a "milha do dever", a segunda, a "milha do amor".
Quem trabalha para Deus apenas para cumprir seu dever cristão, reconhece-o apenas como Senhor. Mas quem trabalha por amor e gratidão pelo que Ele fez e continua fazendo em sua vida reconhece-o como Pai.
A observância dos mandamentos de Deus e dos ensina­mentos de Cristo requer amor no coração. Jesus disse: "Se me amardes, guardareis os meus mandamentos" (Jo 14.15); "de sorte que o cumprimento da lei é o amor" (Rm 13.10), "porque toda a lei se cumpre numa só palavra, nesta: Amarás o teu próximo como a ti mesmo" (Gl 5.14).
Há alguns anos, circulou nos Estados Unidos um in­forme mostrando "três maneiras de amar": por causa de, por causa de si mesmo e apesar de.
a. Amor por causa de. O amor desenvolvido nesta esfera aponta para um tipo interesseiro, que visa recompensa imediata para si e para aquele que é amado. Em outras palavras, ama-se porque existe um motivo que leva a amar.
b. Amor por causa de si mesmo. Esta maneira de amar indica alguém que estabelece determinadas normas para ser amado. É um amor subjetivo, que ama mas ameaça. É como ouvimos dizer: "Eu te amo! Mas se fizeres isto ou aquilo, não te amo mais!" Esse gênero de amor é condici­onal, e não voluntário.
c. Amor apesar de. Este amor é descrito como sendo o amor de Deus. Sua dimensão é infinita, e seu alcance, muito vasto!
O termo agapao aparece 142 vezes no Novo Testa­mento; e agape, 116 vezes. Ambos vêm da raiz hebraica aheb, que passou para o grego da Septuaginta com o sentido de "supremo sacrifício".
João 3.16, o "texto áureo" da Bíblia, mostra-nos a natureza deste amor, que induziu Deus a entregar o seu próprio Filho unigênito a morrer pelo mundo. Tal amor não pode jamais ser descrito. Isto só foi possível porque "Deus é amor" (1 Jo 4.8).
Em Romanos 5.8, lemos: "Mas Deus prova o seu amor para conosco em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores". Não nos foi revelado, por certo em razão de nossa mente limitada, o que motivou Deus a nos amar assim. Mas esse é o amor que ama sem ser amado e não visa nada em troca. Neste sentido, o amor pode ser traduzido por "caridade" e até por "ardente caridade", que é o amor aplicado (2 Pe 1.7).

2. Gozo (alegria)
Algumas versões da Bíblia traduzem "gozo" por "ale­gria", sendo esta a felicidade que o crente desfruta no Espírito Santo.
O termo grego aqui é chara. O termo charis, traduzi­do em português por "graça", vem da mesma raiz. Charis, a partir de Homero, passou a significar "aquilo que pro­move bem-estar entre os homens".

a. Definição. O substantivo charma traz a idéia de "encanto", de onde provém "charme" - aquilo que é for­moso ou atraente. Como atributo do Espírito Santo, a alegria é uma qualidade implantada na alma que teve um encontro com o "Deus de toda graça", e visa uma vida de rogozijo e de agradecimento no Senhor. Paulo recomen­da aos cristãos filipenses que sejam agradecidos e cheios de regozijo: "Regozijai-vos sempre no Senhor; outra vez digo: regozijai-vos" (Fp 4.4).

b. Alegria, fruto do louvor. "Está alguém contente? Cante louvores" (Tg 5.13). "A alegria envolve pensa­ mentos suaves sobre Cristo, hinos e salmos melodiosos, louvores e ação de graças, com que os cristãos se instru­em, inspiram e refrigeram a si mesmos. Deus não aprecia a dúvida e o desânimo. Também abomina as palavras que ferem, ou pensamentos melancólicos e tristonhos".([1])
O desejo de Deus é ver seus filhos cantando "com graça no coração" (cf. Cl 3.16). Nas Escrituras, a alegria trazia força e até saúde ao povo de Deus: "Ide, e comei as gorduras, e bebei as doçuras, e enviai porções aos que não têm nada preparado para si; porque esse dia é consa­grado ao nosso Senhor; portanto, não vos entristeçais, porque a alegria do Senhor é a vossa força" (Ne 8.10); "O coração alegre serve de bom remédio, mas o espírito abatido virá a secar os ossos" (Pv 17.22).
O anjo do Senhor bradou dos céus: "Não temais, por­que eis aqui vos trago novas de grande alegria, que será para todo o povo" (Lc 2.10). A alegria cristã, portanto, não é uma emoção artificial. Antes, é uma ação do Espí­rito Santo no coração humano, para que este venha a conhecer que o Senhor Deus está no seu trono, e que tudo neste mundo submete-se ao seu controle, até mesmo onde a experiência pessoal está envolvida.
Esta ação poderosa do Espírito Santo em nossas vidas é inspiradora, dando-nos esperança e confiança e enchendo-nos de coragem para avançar na direção em que formos enviados. Este foi, sem dúvida, o grande sucesso da Igreja Primitiva. Os cristãos estavam cheios de ale­gria, e por este motivo "em todos eles havia abundante graça" (At 2.46; 4.33).

c. Alegria, fruto da glorificação. A alegria faz parte da esfera central do Reino de Deus que "não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo. Porque quem nisto serve a Cristo agradável é a Deus e aceito aos homens" (Rm 14.17,18). A tristeza somente é benéfica quando vem de Deus para produzir arrependimento e, depois, edificação: "Porque a tristeza segundo Deus opera arrependimento para a salvação, da qual ninguém se arrepende..." (2 Co 7.10).
Portanto o gozo, como fruto do Espírito, é a alegria implantada pelo Senhor Jesus no coração e na expres­são de nossa vida para com nós mesmos e nossos semelhantes. Ele disse: "A vossa alegria, ninguém vo-la tirará" (Jo 16.22).

3. Paz
Várias passagens das Escrituras apresentam o Senhor como "varão de guerra" (cf. Êx 15.3; Sl 24.8), mas Ele é também chamado "o Deus de paz" (Rm 15.33; 2 Co 13.11).
A guerra tira a paz. No campo espiritual, entretanto, esta é função do pecado. Ele tira a paz do coração - para com Deus, os outros homens, o próprio ser e a própria consciência. Porém, com o perdão dos pecados, esta vir­tude é implantada no coração.
O fruto "paz" foi criado por Cristo, e é implantado no salvo pelo Espírito Santo.
  Cristo é a nossa paz (Ef 2.14).
  Cristo evangelizou a paz (Ef 2.17).
  Em Cristo, Deus e o homem se encontram em paz (Ef 2.15).
  Em Cristo, o crente desfruta a paz (Jo 14.17; 16.33).
A paz envolve muito mais do que a tranqüilidade íntima que prevalece a despeito das tempestades exter­nas. Trata-se de uma qualidade produzida em nosso espí­rito. A verdadeira paz tende à tranqüilidade de consciên­cia. A paz opõe-se ao ódio, à desavença, à contenda, à inveja, à chantagem psicológica, aos excessos e coisas semelhantes.
Este fruto do Espírito guarda a alma do desespero, a aflição e da desconfiança, conforme escreve Paulo: "E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus" (Fp 4.7). Cristo, é, portanto, o Rei de Salém - que é rei de paz, à semelhança de Melquisedeque, que "pri­meiramente é, por interpretação, rei de justiça e depois também rei de Salém, que é rei de paz" (Hb 7.2).

1.      Longanimidade
O termo grego para "longanimidade" é makrothumia, que traz a idéia de "paciência" em sua forma adjetiva, o que indica a qualidade de alguém que é tolerante por natureza.
No conceito rabínico, muitas vezes a palavra "longanimidade" era tomada para indicar "extensão" - especial­mente quando se referia à misericórdia de Deus para com o seu povo: "Jeová, o Senhor, Deus misericordioso e piedoso, tardio em iras e grande em beneficência e verda­de" (Êx 34.6).
Para Adam Clarke, a longanimidade consiste em "su­portar as fragilidades e provocações alheias, com base na consideração de que Deus se tem mostrado extremamen­te paciente conosco; pois, se Deus não tivesse agido assim, teríamos sido imediatamente consumidos: supor­tando igualmente todas as tribulações e rebeldias; submetendo-nos alegremente a cada dispensão da providên­cia de Deus, e assim derivando benefícios de cada ocor­rência". ([2])
Deus é o exemplo supremo que devemos seguir. Sua misericórdia abarca a todos os seres humanos, e ninguém é tido por merecedor dela. Assim "as misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos; porque as suas misericórdias não têm fim" (Lm 3.22).
A misericórdia sempre mitiga e condiciona a justiça, assim como a caridade abranda o furor do direito legal. Não existe tal coisa como a justiça crua, despida de misericórdia. Esta a razão de Cristo ter declarado: "Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia" (Mt 5.7).

5. Benignidade
O termo "benignidade" (no grego, chrestotes) traz a idéia de "gentileza", "bondade" etc.
Sobre este fruto do Espírito escreve Martinho Lutero: "Os seguidores do Evangelho não devem ser inflexíveis e amargos, mas antes, gentis, suaves, corteses e de fala mansa, ainda que com poder e autoridade, o que deveria encorajar outros a buscarem sua. companhia... A gentile­za pode dar-se bem até mesmo com pessoas ousadas e difíceis... Nosso Salvador Jesus Cristo, era uma pessoa imensamente gentil... Acerca de Pedro, ficou registrado que ele chorava sempre que se lembrava da suave genti­leza de Cristo em seus contatos diários com as pessoas... e depois, quando apenas "olhou para ele"... concedendo-lhe o perdão por ter negado seu Mestre três vezes".
Deus é o exemplo originário da benignidade, e Cristo, o exemplo iéesl, passando a ser o nosso modelo (2 Co 10.1).
Salmos 119.64 exalta a benignidade de Deus: "A ter­ra, ó Senhor, está cheia da tua benignidade..." Esta quali­dade faz do crente uma pessoa compassiva, cheia de ternura e, sobretudo, contemplativa para com os menos privilegiados.

6. Bondade
Quando Jesus falou para o jovem rico: "Por que me chamas bom? Ninguém há bom, senão um, que é Deus" (Lc 18.19), Ele queria dizer, ern outras palavras: "Nin­guém é infalivelmente bom, a não ser Deus". Os homens podem ser bons; entretanto, isto não significa bondade, pois são limitados para exercer tal atributo.
Nas Escrituras, o homem bom é retratado como sendo acompanhado por Deus: "Os passos de um homem bom são confirmados pelo Senhor, e ele deleita-se no seu caminho" (Sl 37.23).
Lutero assim defendia esta qualidade: "Uma pessoa é bondosa quando se dispõe a ajudar aqueles que estão em necessidade".
Somente pela bondade teremos graça no coração para cumprir certos mandamentos de Cristo. Por exemplo, nosso Senhor nos ensinou a amar nossos inimigos e até bendizê-los: "Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próxi­mo e aborrecerás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos mal­tratam e vos perseguem" (Mt 5.43,44).
Paulo relembra as palavras do Senhor, em Romanos 12.14,17-21: "Abençoai aos que vos perseguem; abençoai e não amaldiçoeis. A ninguém torneis mal por mal; procurai as coisas honestas perante todos os homens. Se for possível, quanto estiver em vós, tende paz com todos os homens. Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira [de Deus], porque está escrito: Minha é a vingança; eu recompensarei, diz o Senhor. Portanto, se teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas de fogo sobre a sua cabeça. Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem".
Com efeito, vivemos dias difíceis em que existe desa­mor até para com os bons (2 Tm 3.3), e somente através do fruto da bondade os homens poderão voltar à base de todas as qualidades espirituais: "a primeira caridade" (Ap 2.4).

7. Fé
Em 1 Coríntios 12.9, a palavra "fé" aparece como um dos dons de poder. No texto de Gaiatas, descreve uma qualidade do fruto do Espírito.
Em algumas traduções, o grego pistis ("fé") é traduzi­do por "fidelidade", a despeito do fato de que nenhuma fidelidade é possível sem o concurso da fé. Como dom de poder, significa aquela capacidade especial que vem so­bre o cristão diante de uma necessidade.
A fé, permanente em si mesma, opera no ser humano ocasional e momentaneamente. Porém, como fruto do Espírito, opera permanentemente na vida do salvo. Em outras palavras, a fé produz no crente o fruto da fidelida­de. A fidelidade é caracterizada pela firmeza de propósi­to, por uma atitude e uma conduta justa, pela devoção de alguém ser "fiel até a morte" (Ap 2.10).
A fidelidade assim demonstrada denota a certeza de que tudo quanto Deus declarou ser sua intenção fazer terá pleno cumprimento.
Todas as promessas de Deus ao homem são confirma­das com o selo da sua fidelidade. Isso dá ao cristão a ousadia e a confiança "para entrar no Santuário, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou, pelo véu, isto é, pela sua carne, e tendo um grande sacerdote sobre a casa de Deus, cheguemo-nos com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé... retenhamos firmes a confissão da nossa esperança; porque fiel é o que prometeu" (Hb 10.19-23).
Deus é imutável! Por conseguinte, entende-se que Ele nunca muda em seus propósitos, atributos, conselhos e natureza. Deus é sempre o mesmo, em qualquer dimen­são.
A fidelidade visa também produzir esta mesma natu­reza, pois somente assim o crente irá "proceder fielmente em tudo que faz" (3 Jo 5).

8. Mansidão
Jesus Cristo foi o exemplo da mansidão: "Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração" (Mt 11.29). Outras passagens das Escrituras falam da "mansidão" de nosso Senhor, tanto no Antigo quanto no Novo Testa­mento (Sl 23.2; Is 40.11; Zc 9.9; Mt 11.29; 21.5; 2 Co 10.1 etc).
Três palavras hebraicas são usadas nas Escrituras para descrever o sentido de "manso", "mansidão": anaw -"estar inclinado" (Sl 22.26; 25.9; 37.11; 76.9; 147.6; Is 11.4; 29.19; Am 2.7; Sf 2.3); anavah - "gentileza", "hu­mildade", "mansidão" (Pv 15.33; 18.12; 22.4; Sf 2.3); anvah - "mansidão", "suavidade", "brandura" (Sl 18.35; 45.4).
A mansidão deve estar presente em cada detalhe da vida espiritual, nas obras e no viver. É preciso culti­var:
   um espírito manso (1 Co 4.21; 1 Pe 3.4);
   as obras de mansidão (Tg 3.13);
   "a mansidão para com todos os homens" (Tt 3.2).
Muitas pessoas confundem este atributo com lentidão, timidez e até mesmo com covardia. Jesus era "manso e humilde de coração", mas é também descrito em outras passagens das Escrituras como "um guerreiro vingador" (Sl 45.3,4; Is 63.1-6; Ap 19.11-21).
No Novo Testamento, encontramos em diversas pas­sagens a palavra grega praus ("manso") e seu substanti­vo, prautes (Mt 5.5; 11.29; 21.5; 1 Co 4.21; 2 Co 10.1; Gl 5.22; 6.1; Ef 4.2; Cl 3.12; 2 Tm 2.25; Tt 3.2; Tg 1.21; 3.13; 1 Pe 3.4,15). Significa que esta virtude é considera­da uma grande qualidade espiritual, algo a ser desejado e buscado pelos santos.

9. Temperança
No grego, esta palavra, egkrateis, significa: "autocontrole", "domínio próprio", "ponto de equilíbrio entre um extremo e outro", "estado ou qualidade de ser controlado" ou "moderação habitual".
Define-se a "temperança" como a virtude que, tanto no agir como no julgar, evita extremos. Na vida espiritu­al, por exemplo, ser extremamente metódico ou formal, não é bom; ser fanático, é perigoso; e estes extremos podem levar o cristão a considerar sua igreja ou sua religião apenas como um meio de refúgio.
O fanatismo pode levar as pessoas a cometer excessos ou loucuras, com prejuízo para elas próprias e a outrem. A sobriedade é muito importante, tanto na vida social quanto na espiritual.
As Escrituras mostram-nos o verdadeiro caminho do domínio próprio: "Vês aqui, hoje te tenho proposto a vida e o bem, e a morte e o mal... Os céus e a terra tomo, hoje, por testemunhas contra ti, que te tenho proposto a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua semente" (Dt 30.15,19).
O caminho da vida é realmente o que devemos trilhar, conforme Isaías 30.21: "Este é o caminho; andai nele, sem vos desviardes nem para a direita nem para a esquer­da".
Pessoas há que crescem desordenamente na vida espi­ritual, tornando-se um problema para a igreja e para a família. Outras procuram ordenar seus passos de acordo com a orientação bíblica de crescer na graça e no conhe­cimento (2 Pe 3.18).
O sal em excesso pode matar.
A luz demasiado forte pode cegar.
O fogo fora de controle pode destruir.
A temperança aparece como uma das quatro virtudes cardeais da filosofia moral de Platão. As outras três são: sabedoria, coragem e justiça.
Outros filósofos gregos adotaram a idéia, e teólogos cristãos acrescentaram a tríade paulina fé-caridade-esperança, perfazendo assim as chamadas "sete virtudes car­deais" em que a mente humana estaria apoiada. ([3])
Quando o Espírito do Senhor implanta em nosso ser esta virtude espiritual, nossas ações e palavras passam a ser diretamente controladas por Ele. Existem várias reco­mendações bíblicas, para que "andemos no Espírito" (Gl 5.16) e "vivamos no Espírito" (Gl 5.25). Se permitirmos ao Espírito encher nossa vida, seremos também por Ele controlado.
A sobriedade é fundamental para o controle de nossas palavras e ações. O cristão deve ser dócil e amável; entretanto, deve saber dizer "não" quando for necessário (cf. Mt 5.37): "Domina-te a ti mesmo; enquanto não tiveres conseguido isso, serás apenas um escravo, porque será quase a mesma coisa que estar sujeito ao apetite alheio, ou às tuas próprias paixões".
O Novo Testamento recomenda que o cristão seja sóbrio:
   "Mas nós, que somos do dia, sejamos sóbrios..." (1 Ts 5.8);
   "Mas tu sê sóbrio em tudo..." (2 Tm 4.5);
   "Ensinando-nos que, renunciando à impiedade e às concupiscências mundanas, vivamos neste presente sé­culo sóbria, justa e piamente" (Tt 2.12);
   "Portanto, cingindo os lombos do vosso entendi­mento, sede sóbrios..." (1 Pe 1.13);
   "E já que está próximo o fim de todas as coisas; portanto, sede sóbrios..." (1 Pe 4.7);
   "Sede sóbrios..." (1 Pe 5.8).
O grande comentador Matthew Henry diz sobre a "tem­perança", ou o equilíbrio mental chamado "sobriedade": "Sede sóbrios, sede vigilantes contra todos os perigos e inimigos espirituais e sede equilibrados e modestos no co­mer, no beber, nas vestes, nas recreações, nos negócios e em toda a vossa conduta; sede dotados de mente sóbria até mesmo em vossas opiniões, e também humildes no julga­mento sobre vós mesmos".

II - Os Frutos do Espírito

Assim como há o "fruto do Espírito", existem também os "frutos".
As nove bem-aventuranças, ensinadas por Jesus em Mateus 5.3-11, e os nove dons espirituais, mencionados em 1 Coríntios 12.8-10, podem ser considerados "frutos do Espírito Santo".
Através desta operação divina na vida do cristão, pas­samos a estar ligados diretamente a Jesus; e assim come­çamos a dar "fruto", "mais fruto" e "muito fruto" (Jo 15.2,5). O primeiro fruto produzido pelo Espírito é o do arrependimento: "Produzi, pois, frutos dignos de arre­pendimento" (Mt 3.8). Outros frutos são relacionados:
   o fruto das boas obras (Mt 7.16-20);
   o fruto da comunhão (Mt 26.29);
   o fruto da oração (1 Co 14.14);
   o fruto da justiça (2 Co 9.10);
   o fruto da luz (Ef 5.9);
   o fruto pacífico (Hb 12.11);
   o fruto dos lábios (Hb 13.15);
   o fruto precioso (Tg 5.7);
   o fruto da vida eterna (Ap 22.2).
O clima diversificado na terra produz grande varieda­de de frutos. Assim também na esfera espiritual, onde o Espírito de Deus atua em diversas áreas da vida humana.
Alguns destes frutos são talvez produzidos uma vez apenas pelo Espírito Santo: o do arrependimento, o da oração etc. Outros, pelo contrário, são produzidos e reno­vados cada dia, como o da santificação (Rm 6.22; Ap 22.11). Ainda são mencionados outros que de contínuo estão sendo renovados pelo Espírito de Deus:
• o fruto da oração (1 Co 14.14);
   o fruto do louvor (Hb 13.15);
   o fruto da justiça (Ap 22.11).
Encontramos nas Escrituras muitas palavras hebraicas e gregas para descrever "fruto" e "frutos", e sua natureza.
Peri ("fruto") - palavra hebraica usada cerca de 115 vezes (Gn 1.11,12; 3.2; Êx 10.15; Lv 19.23-25; Nm 13.20; Dt 1.25; 2 Rs 19.19,30; Ne 9.36; Sl 1.3; Pv 1.31; Ec 2.5; Ct 2.3; Is 3.10; Jr 2.7; Lm 2.20; Ez 17.8,9; Os 9.16; Jl 2.22; Am 2.9; Mq 6.7; Zc 8.12; Ml 3.11).
Eb ("fruto") - palavra hebraica e aramaica, quatro vezes (Ct6.ll; Dn 4.12,14,21).
Yebul ("aumento") - palavra hebraica, três vezes (Dt 11.17; He 3.17; Ag 1.10).
Lechem ("pão", "fruto") - uma vez (Jr 11.19).
Meleah ("plenitude", "fruto") - palavra hebraica, duas vezes (Nm 18.27; Dt 22.9).
Nib ("declaração") - palavra usada no sentido metafó­rico de "fruto dos lábios", uma vez (Ml 1.12).
Tebuah ("renda", "fruto") - palavra hebraica, 42 ve­zes (Êx 23.10; 25.3,15,16,21,22; Dt 22.9; 33.14; Js 5.12; 2 Rs 8.6; Pv 10.16).
Tenubah ("aumento", "fruto") - palavra hebraica, três vezes (Jz 9.11; Is 27.6; Lm 4.9).
Karpós ("fruto") - palavra grega, 64 vezes (Mt 3.8,10; 7.16-20; 12.33; 13.8,26; 21.19,34,41,43; Mc 4.7,8,29; 11.14; 12.2; Lc 1.42; 3.8,9; 6.43,44; 8.8; 12.17; 13.6,7,9; 20.10; Jo 4.36; 12.24; 15.2,4,5,8,16; At 2.30; Rm 1.13; 6.21,22; 15.28; 1 Co 9.7; Gl 5.22; Ef 5.9; Fp 1.11,22; 4.17; 2 Tm 2.6; Hb 12.11; 13.15; Tg 3.17,18; 5.7,18; Ap 22.2).
Génnema ("produção", "fruto") - palavra grega, qua­tro vezes (Mt 3.7; 12.34; 23.33; Lc 3.7).
Qayits ("fruto de verão", "primícias") - vinte vezes (Gn 8.22; 2 Sm 16.1,2; Sl 32.4; Pv 6.8; Is 16.9; Jr 8.20; 48.32; Am 3.15; 8.1,2; Mq 7.1; Zc 14.8).
Dagan ("trigo", e outros produtos agrícolas) - 39 ve­zes (Gn 27.28,37; Nm 18.27; Dt 7.13; 11.14; 2 Rs 18.32; 2 Cr 31.5; Ne 5.2,3,10,11; Sl 4.7; Is 36.17; Lm 2.12; Ez 36.29; Os 2.8,9,22; Jl 1.10,17; 2.19; Ag 1.11; Zc 9.17).
Tirosh ("fruto da vinha") - 38 vezes (Gn 27.28,37; Nm 18.12; Dt 7.13; 11.14; 12.17; Jz 9.13; 2 Rs 18.32; 2 Cr 31.5; Ne 5.11; 10.37,39; Sl 4.7; Pv 3.10; Is 24.7; 36.17; Jr 31.12; Os 2.8,9,22; 4.11; Jl 1.10; Mq 6.15; Ag 1.11; Zc 9.17).
Yitshar ("azeite") - palavra hebraica que indicava "fru­tos produzidos em pomar" e que também significa "bri­lhante", "resplandente", 22 vezes (Nm 18.12; Dt 7.13; 11.14; 12.17; 14.23; 18.4; 28.51; 2 Rs 18.32; 2 Rs 31.5; 32.28; Ne 5.11; 10.37,39; 13.5,12; Jr 31.12; Os 2.8,22; Jl 1.10; 2.19,24; Ag 1.11).
Algumas dessas palavras, descrevem frutos de nature­za terrena; outras, os frutos de natureza espiritual.
A vontade do divino Mestre, nosso Senhor Jesus Cris­to, é que cada crente seja como árvore frutífera, produ­zindo "o seu fruto na estação própria" (Sl 1.3). Ele disse: "Eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça" (Jo 15.16). Só poderemos ter uma vida abundante se descobrirmos o valor de "Cristo em nós" e a atuação de seu Santo Espíri­to em nosso viver.
Sua natureza divina será evidentemente implantada em nossos corações "pelo Espírito Santo que nos foi dado" (Rm 5.5). Então passaremos a compreender o va­lor imensurável da "graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo" em nosso ser.
"O Espírito ajuda as nossas fraquezas... o mesmo Es­pírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis" (Rm 8.26): através da operação miraculosa do Espírito, o pro­blema da fraqueza humana é solucionado. Ele não so­mente ajuda, mas ainda intercede. Ele é, portanto, "o penhor da nossa herança, para redenção da possessão de Deus, para louvor da sua glória" (Ef 1.14).


[1] CHAMPLIN, R. N. O Novo Testamento Interpretado. Milenium, 1982.
[2] CHAMPLIN, R. N. Enciclopédia da Bíblia, teologia e Filosofia. São Paulo, Candeias, 1982.
[3] Idem.

[Estudo da Pessoa do Espirito Santo] A Blasfêmia contra o Espírito Santo.

0 comentários


O que é Blasfêmia contra o Espírito Santo

No conceito de Platão, blasfêmia, do grego blasphemo, quer dizer "falar para danificar".
Nas Escrituras, porém, o conceito de blasfêmia tem um alcance mais vasto e tenebroso. No Antigo Testa­mento, especialmente no grego da Septuaginta, palavras como blasphemia e blasfemeos trazem, com poucas ex­ceções, o sentido de atos contrários à majestade de Deus. Quando ligadas ao mundo religioso, considera-se "blas­fêmia" várias atitudes contra Deus e o que é santo.
   Fazer uso do nome santo de Deus em vão em algo contrário a sua vontade. Por exemplo, o terceiro manda­mento traz em si este princípio, embora não seja estabelecida a pena, como em outros casos registrados na Bíblia. Entretanto, existe a proibição: "Não tomaras o nome do Senhor, teu Deus, em vão: porque o Senhor não
terá por inocente o que tomar o seu nome em vão" (Êx20.7).
  Falar contra o nome santo de Deus, amaldiçoando-o (Lv 24.10-11).
  Julgar-se igual a Deus. Por causa desta concepção os judeus acusaram Jesus: "Não te apedrejamos por alguma obra boa, mas pela blasfêmia, porque sendo tu homem, te fazes Deus a ti mesmo" (Jo 10.33).
  Falar contra o Templo e contra a Lei também era considerado blasfêmia pelos judeus (At 8.13).
  Falar contra o Céu e contra aqueles que nele habitam (Ap 13.6).
Outros atos abusivos eram considerados blasfemos, tais como:
  falar contra Moisés (At 8.11);
  contradizer a verdade de Deus (At 13.45);
  falar contra a palavra de Deus (Tt 2.5);
  proferir mentiras blasfemas (Ap 2.9).
Jesus mostrou que a blasfêmia contra o Espírito Santo ultrapassa os limites da redenção: "Portanto, eu vos digo: todo pecado e blasfêmia se perdoará aos homens, mas a blasfêmia contra o Espírito Santo não será perdoada aos homens. E, se qualquer disser alguma palavra contra o Filho do Homem, ser-lhe-á perdoado, mas, se alguém falar contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado, nem neste século nem no futuro" (Mt 12.31,32).
O texto não alude a um pecado em particular, mas a um ato ou atos definidos que determinam um estado pecaminoso, uma oposição determinada e voluntária con­tra a força e obra do Espírito Santo. Neste caso, o pecado consiste de duas maneiras:
  resistir deliberadamente toda e qualquer operação do Espírito Santo;
  atribuir às forças do mal aquilo que está sendo reali­zado pelo Espírito de Deus.

Duas Maneiras de Cometer este Pecado

De acordo com os ensinamentos de Jesus e de seus discípulos, há duas maneiras de os homens resistirem ao Espírito Santo. O perigo de se chegar a tal atitude reside, segundo J. Cranne, no exercício do livre-arbítrio. Muitos se aproveitam desse direito e optam por um caminho comple­tamente errado e irreversível, como fizeram - ou estavam a ponto de fazer - as autoridades religiosas nos dias de Jesus.

1. Resistir ao Espírito Santo
Estevão, cheio do Espírito Santo, acusa os que se lhe opunham: "Homens de dura cerviz, e incircuncisos de coração e ouvido, vós sempre resistis ao Espírito Santo; assim, vós sois como vossos pais" (At 7.51).
O pecado mais comum que uma pessoa sem Deus pode cometer contra o Espírito Santo é resisti-lo. Trata-se, portanto, de um pecado praticado apenas pelo não-convertido. Pode assumir a forma de desdém (At 26.28); de adiamento (At 17.32; 24.25); de ridicularização (At 17.32); ou de oposição agressiva (At 5.33-40).
Essa conduta pecaminosa não reconhece a atuação do Espírito Santo. Jesus havia demonstrado a seus opositores que tanto a razão quanto a instrução religiosa que haviam recebido não deixavam dúvidas de que o Espírito Santo operava através dEle. Mas, em seu ódio contra Jesus, os fariseus optaram por não aceitar a evidência dada por Deus. Abriram a boca contra o Senhor e contra seu Ungi­do, dizendo: "Este não expulsa demônios senão por Belzebu, príncipe dos demônios" (Mt 12.24).
Claro está que a aceitação ou rejeição da pessoa de Jesus Cristo contribuiu para determinar a atitude dos fariseus. Mas é a rejeição a base para o pecado imperdoável, que consiste em atribuir a Satanás a obra do Espírito Santo. ([1])

2. A blasfêmia
No grego, "blasfêmia" significa "dizer coisas abusivas", e indica algo declarado contra o que pertence a Deus. Às vezes significa "difamação" e "calúnia".
No presente texto, "blasfêmia" reveste-se de um sen­tido sombrio, tenebroso. Isto é, atribuir ao príncipe dos demônios as operações miraculosas que Jesus realizava pelo poder do Espírito Santo.

Um Pecado que Ultrapassa os Limites da Redenção

Quem disser coisas abusivas contra o Supremo Ser "nunca obterá perdão, mas será réu do eterno juízo" (Mc 3.29).
Em Hebreus 10.29, encontramos um exemplo deste pecado imperdoável. O escritor sagrado adverte sobre os que vivem pecando "voluntariamente": "De quanto mai­or castigo cuidais vós será julgado merecedor aquele que pisar o Filho de Deus, e tiver por profano o sangue do testamento, com que foi santificado, e fizer agravo ao Espírito da graça?"
A passagem subentende que a impossibilidade do per­dão pela blasfêmia contra o Espírito Santo pode esten­der-se à vida além-túmulo. O Dr. F. W. Grant observa que esta blasfêmia representa mais que um fruto da igno­rância, sendo uma aberta oposição a Deus e a tudo que é divino. Uma palavra falada contra o Filho do Homem podia ser perdoada: a condição humilde que Ele assumira ocultava a sua glória aos olhos carnais. Mas havia o que precisava ser reconhecido e não era possível ocultar.
O ódio manifesto por pessoas esclarecidas não podia ser perdoado. O pecado eterno é a atitude de quem, pro­positadamente e em desafio à luz e ao conhecimento, rejeita e persevera em rejeitar os esforços do Espírito Santo e a graça oferecida pelo Evangelho. Tal estado, para quem nele persevera sem arrependimento, exclui o perdão, porque é o pecado para a morte referido em 1 João 5.16: "Há pecado para morte, e por esse não digo que ore". Persistir nesse erro é perecer sem misericórdia, ainda que o Deus de toda a graça faça tudo para evitar tal desenlace. ([2])

Pecado contra o Espírito Santo: a Criatura sem Intercessor

Vários aspectos, e todos eles com justificativas con­vincentes, demonstram ser a blasfêmia contra o Espírito Santo um pecado imperdoável:
    Pecando o homem contra Deus, Jesus intercederá por ele junto ao Pai: "Ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo" (1 Jo 2.2). Na posição de Sumo Sacer­dote, Jesus intercede perante Deus pelos "transgressores" e pelos "santos" (Is 53.12; Hb 7.25).
    Pecando o homem contra Jesus, o Espírito Santo intercederá por ele junto ao Filho de Deus (cf. Jo 16.8; Rm 8.26).
    Pecando o homem contra o Espírito Santo, quem intercederá por ele? Ninguém! Eis aí a razão por que tal criatura se torna ré de juízo eterno .
Era esta, sem dúvida, a advertência de Jesus a seus inimigos. Entretanto, aquelas autoridades religiosas não entenderam. O "deus deste século" cegara os entendi­mentos daquela gente, e eles não puderam ver "a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus" (2 Cr 4.4).
Parece que tal conduta resulta de um processo de rebeldia contra Deus. Não se pode imaginar alguém agir assim sem conhecer os princípios que mostram se algo procede de Deus ou do príncipe das trevas: "Porquanto o que de Deus se pode conhecer neles se manifesta, porque Deus lho manifestou. Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis" (Rm 1.19,20).

Pode um Cristão Blasfemar contra o Espírito Santo?

De acordo com o ensinamento geral da Bíblia, enten­demos que jamais uma pessoa cristã cometeu tal pecado, especialmente aqueles que pensam que o fizeram. Quem blasfema contra o Espírito Santo jamais terá consciência de que o fez.
O Dr. Geo Goodman oferece uma explicação anima­dora para aqueles cristãos que imaginam ter cometido tal pecado. Como muitos cristãos têm sido perturbados e mesmo alarmados com esta possibilidade, pensemos a respeito:
   Não é ela para perturbar a consciência impressionável, pois ter uma consciência sensível é estar na condição espiritual diametralmente oposta. O blasfemo aqui referi­do é uma pessoa cuja consciência está cauterizada como que por um ferro em brasa.
   Não se refere a alguém cair em tentação, a um pecado ou pecados; é mais uma atitude de espírito do que mesmo um ato.
   Não significa uma simples palavra irrefletida ou descuidada, embora blasfema, porque blasfêmias e peca­dos semelhantes podem ser perdoados.
• Não significa meramente atribuir a obra de Cristo ao poder das trevas, como no caso citado - embora isso já seja um sintoma muito perigoso. Contudo, ainda não é o próprio crime. Foi por terem os fariseus e escribas feito isso que Cristo apontou o perigo em que estavam caindo.
O Senhor Jesus advertiu os escribas e fariseus sobre o tenebroso perigo da rejeição de suas almas com vistas ao mundo vindouro. Eles, em suas interpretações, atribuí­ram ao reino das trevas a redenção que Jesus trouxe.
A expulsão dos demônios pelo poder divino era sinal de que o Reino de Deus havia chegado no mundo com todo o seu peso de poder e glória.
Do outro lado, as acusações que os mestres judaicos dirigiram contra Jesus importam em negação do poder e da grandeza do Espírito Santo de Deus como Ser Supre­mo.
E, ao atribuírem origem demoníaca à atuação do Se­nhor, revelaram perversidade de espírito que, desafiando a verdade, prefere chamar de trevas a própria Luz. Nesse contexto, a blasfêmia contra o Espírito Santo denota re­jeição consciente e deliberada do poder e da graça salvadora de Deus, demonstrados e concretizados medi­ante as palavras e atos de Jesus. No pensamento de W. L. Lanne, a blasfêmia é, portanto, algo muito mais sério do que tomar em vão o nome divino.

A Blasfêmia Perdoada

Jesus afirma, em Mateus 12.31, que "todo pecado e blasfêmia se perdoará aos homens"; e, em Marcos 3.28, acrescenta: "... toda sorte de blasfêmias, com que blasfe­marem" - inclusive a blasfêmia contra o Filho do ho­mem!
Imperdoável, aqui e na eternidade, somente a blasfê­mia contra o Espírito Santo. Quanto a blasfêmia contra Deus, o Pai, não se diz explicitamente que pode ser perdoada. Alguns acreditam que sim. Outros opinam que não.
No Antigo Testamento, era punido com a morte quem blasfemasse contra o nome santo de Deus. Antes mesmo de Israel ter entrado na Terra Prometida, o filho de uma mulher israelita com um egípcio foi preso e depois ape­drejado por ter praticado tal ato: "E disse Moisés aos filhos de Israel que levassem o que tinha blasfemado para fora do arraial e o apedrejassem com pedras; e fizeram os filhos de Israel como o Senhor ordenara a Moisés" (Lv 24.23).
A blasfêmia dirigida contra Jesus podia ser perdoada, em razão de sua encarnação, pois Ele "aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhan­te aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte e morte de cruz" (Fp 2.7,8). Não é o caso de Deus Pai. Assim, cabe bendizer o seu nome santo, e glorificá-lo!
Não sabemos, porque isto ultrapassa a compreensão humana, se alguém que tenha blasfemado contra o Espí­rito Santo pode ser perdoado por Deus, mediante um pedido de clemência do próprio Espírito Santo em favor de tal criatura. "Para Deus nada é impossível" (Lc 1.37).
Com efeito, este é um campo que pertence somente a Deus! Não nos cabe especular.

 Blasfêmia no Sentido Escatológico

Apocalipse 13.6 diz que a Besta que "subiu do mar... abriu a boca em blasfêmias contra Deus, para blasfemar do seu nome, e do seu tabernáculo, e dos que habitam no céu". Esta figura sombria blasfemará dos "poderes do mundo superior", ridicularizando sua própria existência. Quando Antíoco Epifânio IV conquistou o poder, seu alvo principal foi blasfemar o tabernáculo de Jerusalém.
Durante sua vida terrena, o Senhor Jesus foi alvo cons­tante das grandes blasfêmias dos obstinados fariseus.
O Espírito Santo também será objeto das blasfêmias do Anticristo. Seu objetivo será vilipendiar o nome santo de Deus e de seu Filho, Jesus Cristo - o que atinge, conseqüentemente, a dignidade do Espírito Santo, con­forme implícito na frase "... e dos que habitam no céu".
A palavra "igreja" - ou "igrejas" - aparece 19 vezes nos três primeiros capítulos de Apocalipse, mas depois só reaparece em Apocalipse 22.16. As duas últimas cita­ções, em 3.22 e 22.16 (cf. v. 17), estão associadas ao Espírito Santo.
Este vínculo indica que o Espírito Santo subirá com a Igreja, por ocasião do arrebatamento. Diz Apocalipse 14.13 que uma "voz" partiu "do céu", anunciando a se­gunda bem-aventurança das sete que o livro contém, identificada como a do Espírito Santo. Isto prova que, no período da "angústia de Jacó", o Espírito Santo fará parte daqueles "que habitam no céu". O dragão, que ora incita os homens a dirigir palavras blasfemas contra o Espírito de Deus, o fará novamente naquele tempo, por meio da "besta que subiu do mar".
O destino final da Besta e de seu consorte, o falso profeta, será o "lago de fogo" (Ap 19.20; 20.10).
Assim Deus punirá "todas as duras palavras que ímpios pecadores disseram contra ele" (Jd 15), "principalmente aqueles que segundo a carne andam em concupiscências de imundícia, e desprezam as dominações... não receiam blasfemar das autoridades" (2 Pe 2.10).
Apesar de tudo, Deus ama essas pessoas. Porque Deus ama a todos! E, "não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se" (2 Pe 3.9), conclama "a todos os homens, em todo o lugar, que se arrependam" (At 17.30).



[1] CHAMPLIN, R. N. O Novo Testamento Interpretado. Milenium, 1982.
[2] McNAIR, S. E. A Bíblia Explicada. Rio de Janeiro, CPAD, 1994.

[Estudo da Pessoa do Espirito Santo] Os Dons de Expressão.

0 comentários


O Dom de Profecia

"E a outro, a profecia" (1 Co 12.10).
O substantivo grego propheteia ("profecia") aparece 19 vezes no Novo Testamento (Mt 13.14; Rm 12.6; 1 Co 12.10; 13.2,8; 14.6,22; 1 Ts 5.20; 1 Tm 1.18; 4.14; 2 Pe 1.20,21; Ap 1.3; 11.6; 19.10; 22.7,10,18,19). Deriva-se do grego pro ("antes", "em favor de") e de phemi ("fa­lar"). Ou seja, "alguém que fala por outrem" e, por exten­são, "intérprete", especialmente da vontade de Deus. ([1])
Em sentido geral, a palavra "profecia", quando deri­vada de pro ("aquilo que jaz adiante"), traz a idéia de vaticínio divino de primeira grandeza.
No presente texto, a palavra "profecia" tem um senti­do especial. Trata-se de "um dos dons do Espírito San­to", significando "uma predição momentânea e sobrena­tural". Neste terceiro grupo de dons espirituais, a profecia assume o primeiro lugar em magnitude. São dons que operam na esfera espiritual.
Os dons de revelação expressam os pensamentos de Deus.
Os dons de poder manifestam sua onipotência e gran­deza, preenchendo o campo inteiro de nossa visão.
Os dons de expressão comunicam os sentimentos do coração de Deus.

1.      A origem da profecia
Há pelo menos três fontes, das quais podem surgir uma mensagem profética:
a. Divina. Isto é, a inspiração que parte diretamente do coração de Deus, fonte de todo bem (Jr 23.28,29; Tg 1.17; 1 Pe4.11).
b. Humana. Neste caso a mensagem parte do coração do próprio profeta, que fala sem autorização do Senhor (2 Sm 7.2-17; Jr 23.16).
c. Demoníaca. A falsa profecia parte diretamente de "um espírito enganador", ou mesmo de "um demônio" (1 Tm 4.1-3; Ap 16.13,14).

2. O valor da profecia
A palavra de Deus ou "palavra profética", foi sempre de "muita valia" para o povo de Deus em geral (1 Sm 3.1). Talvez por isso Moisés tenha exclamado: "Tomara que todo o povo do Senhor fosse profeta, que o Senhor lhes desse o seu espírito!" (Nm 11.29).
O profeta Joel, ao vaticinar o grande derramamento do Espírito sobre toda a carne, fala de uma efusão profé­tica: "Vossos filhos e vossas filhas profetizarão" (Jl 2.28).
Finalmente, Paulo manifesta o mesmo sentimento, aconselhando os coríntios a procurar "com zelo os dons espirituais, mas principalmente o de profetizar" (1 Co 14.1). Nos versículos seguintes, o apóstolo reafirma sua admoestação em outros termos, como por exemplo:
"E eu quero que todos vós faleis línguas estranhas; mas muito mais que profetizeis, porque o que profetiza é maior do que o que fala línguas estranhas" (v. 5); "Por­tanto, irmãos, procurai, com zelo, profetizar" (v. 39).
Segundo alguns escritores neotestamentários, parece que na igreja de Corinto ensinadores usavam "palavras persuasivas de sabedoria humana", tornando-se quase impossível aos "indoutos" alcançar o pensamento desses requintados pregadores (cf. 1 Co 2.1-13). Diante de tal circunstância o Espírito de Deus supria esta lacuna, usando alguém com o dom de profecia. Daí o comentário do apóstolo: "Mas se todos profetizarem, e algum indouto ou infiel entrar [no templo], de todos é convencido, de todos é julgado. Os segredos [as dúvidas] do seu coração ficarão manifestos [respondidos], e assim, lançando-se sobre o seu rosto, adorará a Deus, publicando que Deus está verdadeiramente entre vós" (1 Co 14.24,25).

3. A finalidade da profecia
O dom de profecia tornara-se o mais desejado da igreja em Corinto, provavelmente, como observa Faucett, pelas seguintes razões:
   A profecia visa a edificação da igreja, tema quase que central do capítulo 14 de 1 Coríntios, e não apenas a edificação do crente individual, como é o caso das lín­guas quando não interpretadas.
   A profecia serve para exortação.
   A profecia serve também para consolar.
   A profecia é um meio de transmitir revelações e doutrinas, quando vazadas na revelação plenária.
   A profecia faz soar o "toque" da mensagem cristã que leva o crente a preparar-se para a batalha espiritual.
   A profecia é uma voz clara num mundo de vozes confusas e desassociadas.
   A profecia é um canal de bênção, principalmente de ação de graças, do qual a comunidade inteira pode parti­cipar. Por conseguinte, assemelha-se às línguas e até lhes é superior, porque beneficia a todos, e não somente ao que fala.
• A profecia é um dom espiritual que abençoa os crentes em qualquer lugar onde Deus assim o queira.
  A profecia é uma maneira de ensinar os sentimentos espirituais à alma sincera e anelante pela presença de Deus.
  A profecia deve ser ministrada segundo a medida da fé. Em outras palavras, deve ser transmitida de acordo com as regras e padrões estabelecidos na Palavra de Deus.
  A profecia deve ser transmitida sob os cuidados da direção ministerial (1 Cr 25.2).
  A profecia é um alerta contra o pecado: "Não havendo profecia, o povo se corrompe" (Pv 29.18).
Note que a profecia citada neste capítulo não é o ministério profético que o mesmo Paulo menciona em Efésios 4.11, evidentemente também chamado "dom". Mas é um "dom de governo", ligado diretamente à área ministerial. Enquanto que a profecia, ainda que ligada também ao ministério profético, é um "dom do Espírito Santo" outorgado à igreja para "edificação, exortação e consolação". Os profetas mencionados no Antigo Testa­mento eram pessoas revestidas do "ministério profético", e geralmente iniciavam a mensagem profética, dizendo: "Assim diz o Senhor" ou: "Veio a mim a palavra do Senhor".
No caso do dom de profecia, a mensagem parte sem­pre diretamente de Deus e é transmitida como se o pró­prio Deus estivesse falando. No exercício do ministério profético propriamente dito, dificilmente profetizavam dois ou mais profetas ao mesmo tempo e em um só lugar, como acontece com o dom de profecia. Paulo orienta: "Falem dois ou três pessoas, e os outros julguem. Mas se a outro [profeta], que estiver assentado, for revelado al­guma coisa, cale-se o primeiro. Porque todos podereis profetizar, uns depois dos outros... E os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas" (1 Co 14.29-32).
O ministério profético e o dom de profecia encon­tram-se associados em ambos os Testamentos. Em Nú­meros 11.25,26, o Espírito de Deus repousou sobre se­tenta anciãos de Israel, concedendo-lhes uma espécie de dom de profecia. Eles profetizaram ali, e depois, nunca mais. Entretanto, "no arraial ficaram dois homens; o nome de um era Eldade, e o nome do outro, Medade; e repou­sou sobre eles o Espírito (porquanto estavam entre os inscritos, ainda que não saíram à tenda), e profetizavam". Eldade e Medade receberam o ministério profético, en­quanto os setenta anciãos receberam apenas uma porção deste ministério, ou seja, o dom de profecia. A palavra hebraica para "profeta" é nabil, e foi usada pela primeira vez em Gênesis 20.7; depois, aparece mais de trezentas vezes no Antigo Testamento. No Novo Testamento, a palavra prophetes aparece 149 vezes. Sete dessas ocor­rências, nas Escrituras, são aplicadas a figuras femininas, ou "profetisas": Miriã, Débora, Hulda, Noadias, a mulher do profeta Isaías, Ana e Jezabel (Êx 15.20; Jz 4.4; 2 Rs 22.12; Ne 6.14; Is 8.3; Lc 2.36; Ap 2.20).
Atos 20.8,9 também revela que Filipe, o evangelista, era pai de "quatro filhas donzelas que profetizavam".
Toda e qualquer profecia, seja plenária (2 Pe 1.19-21) ou uma revelação momentânea operada através do dom, diante de qualquer necessidade da igreja deve trazer em seu conteúdo "o testemunho de Jesus", que é o "espírito de profecia" (Ap 19.10).

O Dom de Variedade de Línguas

"E a outro, a variedade de línguas" (1 Co 12.10).
Este dom é até certo ponto menor que o de profecia, conforme declara Paulo ao discorrer sobre os dons espiri­tuais na igreja em Corinto: "E eu quero que todos vós faleis línguas estranhas; mas muito mais que profetizeis, porque o que profetiza é maior do que o que fala lín­guas..." (1 Co 14.5). Entretanto, o apóstolo ressalva: "... a não ser que também interprete".
Devemos ter em mente que está em foco a variedade, e não meramente o dom de línguas, comumente desfruta­do pelos cristãos batizados com o Espírito Santo.

1. No dia de Pentecoste
Alguns estudiosos explicam as línguas faladas no dia de Pentecoste como o resultado da memória sobrenatural vivificada, reproduzindo nos judeus e prosélitos frases e orações ouvidas por eles e guardadas no inconsciente, as quais precisavam usar sob circunstâncias normais. ([2])
O escritor sagrado diz que o fenômeno sobrenatural deixou todos pasmados, a ponto de dizerem: "Pois quê! Não são galileus todos esses homens que estão falando? Como pois os ouvimos, cada um, na nossa própria língua em que somos nascido?" (At 2.7,8).
O fenômeno contribuiu para destacar a universalidade da mensagem cristã, em contraste com a expressão naci­onal do judaísmo. Além disso, o Espírito Santo dava cumprimento a mais um vaticínio das Escrituras, que dizia: "Pelo que por lábios estranhos e por outra língua, falará a este povo" (Is 28.11). Qualquer pessoa ficaria impressionada ao ouvir de um estrangeiro algo em sua língua nativa, sem erros gramaticais e sem sotaque, e de modo eloqüente. Uma vez assim impressionada, passaria a dar maior atenção à mensagem. Depois veio o resulta­do: "Naquele dia, agregaram-se quase três mil almas".

2. Depois do dia de Pentecoste
O dom de variedades de línguas ocorre em pelo me­nos três lugares, no Novo Testamento. Apesar de não estarem essas ocorrências vinculadas a grandes concen­trações de visitantes de outras terras, o Espírito Santo operou eficazmente, com demonstração de poder. Estes lugares foram:
a. Cesaréia. "E, dizendo Pedro ainda estas palavras, caiu o Espírito Santo sobre todos os que ouviam a pala­vra. E os fiéis que eram da circuncisão, todos quantos tinham vindo com Pedro, maravilharam-se de que o dom do Espírito Santo se derramasse também sobre os gentios. Porque os ouviam falar línguas e magnificar a Deus" (At 10.44-46).
b. Éfeso. "E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e falavam línguas e profetizavam" (At 19.6).
c. Corinto. "E a outro, a variedade de línguas; e a outro, a interpretação das línguas..." (1 Co 12.10).
É possível que Paulo, ao falar sobre "línguas dos homens e dos anjos", em 1 Coríntios 13.1, estivesse aludindo ao dom de variedade de línguas - exatamente como aconteceu no dia de Pentecoste, onde "foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo".
O dom de variedade de línguas possibilita a expres­são, por meios sobrenaturais, de línguas estrangeiras, naturais e humanas, e também de algum idioma celestial. Depende da necessidade e vontade do Espírito Santo (At 2.4).
O dom de variedade de línguas tem sido comumente chamado pelos teólogos de "glossolalia", e particular­mente de "línguas estranhas" pelos cristãos em geral. Inúmeras vezes Deus, através deste dom e de sua inter­pretação, tem edificado, exortado e consolado milhares de pessoas na igreja e até fora dela.
A igreja em Corinto foi agraciada por Deus com todos os dons já manifestos pelo Espírito Santo, a ponto de o apóstolo Paulo comentar: "Porque em tudo fostes enri­quecidos nele, em toda a palavra e em todo o conheci­mento (como foi mesmo o testemunho de Cristo confir­mado entre vós). De maneira que nenhum dom vos fal­ta..." (1 Co 1.5-7).
Deus se manifestava e falava de diversas maneiras. Falava por "meio da revelação, ou da ciência, ou da profecia, ou da doutrina". Em outras ocasiões, Deus tam­bém falava por meio de "salmos... de línguas e sua inter­pretação". Outros dons do Espírito Santo eram também manifestos para exaltar o nome de Jesus como Senhor.
O apóstolo mostra a harmoniosa sintonia entre os dons, cooperando cada um em determinada área da igre­ja, de acordo com a distribuição feita pelo Espírito Santo: como o corpo, sendo um mas composto de muitos mem­bros com funções diferentes (1 Co 12.12-27). Nenhum membro deve ser desprezado ou considerado "mais fra­co" ou "menos honroso" - todos são necessários.

3. Diferença entre variedade de línguas e línguas estranhas
Lendo 1 Coríntios 14.27,28, à primeira vista achamos que o apóstolo Paulo está proibindo os crentes de falar em línguas estranhas durante o culto. Mas não é este, com certeza, o pensamento do grande mestre da Palavra de Deus. No mesmo capítulo, ele afirma:
  "O que fala língua estranha edifica-se a si mesmo" (v. 4);
  "E eu quero que todos vós faleis línguas estranhas..." (v. 5);
   "Dou graças ao meu Deus, porque falo mais línguas do que vós todos" (v. 18);
   "Não proibais falar línguas" (v. 39).
Entendo que Paulo esteja aqui instruindo sobre o uso correto do dom de variedade de línguas, pois ex­plica que precisa de interpretação: "E, se alguém falar línguas estranhas [variedade de línguas], faça-se isso por dois ou, quando muito, três, 6 por sua vez, e haja intérprete. Mas, se não houver intérprete, esteja cala­do na igreja e fale consigo mesmo e com Deus" (1 Co 14.27,28).
Procurava o apóstolo pôr termo a uma dificuldade: se todos os crentes batizados com o Espírito Santo presentes numa reunião falassem várias línguas aos mesmo tempo, seria humanamente impossível o traba­lho dos intérpretes. Mesmo usados por Deus, precisa­vam interpretar cada língua por sua vez.
Talvez por isso Paulo tenha prescrito: "E, se al­guém falar língua estranha, faça-se isso por dois ou, quando muito, três..." "Por sua vez" significa um após outro - pois somente assim o intérprete poderia trans­mitir a mensagem divina à igreja. E assim, tudo seria feito "decentemente e com ordem" (1 Co 14.40).
Entendemos que se alguém falar em línguas, mes­mo as entendidas pelos homens, como aconteceu no dia de Pentecoste, esta pessoa está sendo usada pelo Espírito Santo em variedade de línguas. E se de algu­ma maneira não as entendermos, neste caso o que fala "não fala aos homens, senão a Deus" (1 Co 14.2).
Podemos, portanto, chamar as línguas estranhas não interpretadas de "mistério" ou "sinal"; enquanto que as que as interpretadas compreendem a "variedade de línguas" (1 Co 12.10; 13.1; 14.2,26,27,28).

O Dom de Interpretação das Línguas

"E a outro, a interpretação das línguas" (1 Co 12.10).
A palavra "interpretação" nada tem a ver com a "tra­dução", no sentido em que a conhecemos. Não se refere ao processo intelectual pelo qual se dá o sentido prosaico e literal de palavras faladas ou escritas. A "interpreta­ção" em foco é totalmente milagrosa. Trata-se de um dom do Espírito Santo que capacita a pessoa a traduzir simultaneamente o que está sendo falado através do dom de variedade de línguas.
Assim, o que fala em línguas não deve procurar decifrá-las, mas pode receber a interpretação da mesma fonte divina de onde surgiram. A não ser que Deus queira fazer como no dia de Pentecoste, quando o Espírito Santo desceu repentinamente, conforme descrito em Atos 2.2-4: "E, de repente, veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados. E foram vistas por eles línguas re­partidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles. E todos foram cheios do Espírito Santo e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem".
Nessa operação miraculosa do Espírito de Deus, as "línguas" foram repartidas conforme em cerca de 15 re­giões diferentes, a saber: "Partos e medas, elamitas e os que habitam na Mesopotâmia, e Judéia, e Capadócia, e Ponto, e Ásia, e Frígia, e Panfília, Egito e partes da Líbia, junto a Cirene, e forasteiros romanos (tanto judeus como prosélitos), e cretenses, e árabes..." (At 2.9-11). A lista do escritor sagrado não é propriamente lingüística, e sim geográfica, cujo propósito é ilustrar a grande variedade de povos, isto é, pessoas de "todas as nações que estão debaixo dos céus".
Besser salienta que a "linguagem dos judeus era por demais débil para descrever ao mesmo tempo e para o mundo inteiro essas maravilhosas 'grandezas de Deus'; seriam necessários todos os idiomas do mundo para pu­blicar e glorificar as obras do Senhor do Universo". En­tretanto, com um único toque do Espírito Santo tudo ficou resolvido.
O mesmo acontecerá na continuidade da pregação do Evangelho do Reino, principiada por João Batista e Cris­to mas interrompido pela rejeição do Rei. Porém este voltará em glória, no final da Grande Tribulação, prepa­rando assim as nações para o reino milenial do Filho de Deus. O que não pode ser visto com nitidez, por causa da sombra humana, será revelado por um anjo em apenas um instante: "E vi outro anjo voar pelo meio do céu, e tinha o evangelho eterno, para o proclamar aos que habi­tam sobre a terra, e a toda nação, e tribo, e língua, e povo" (Ap 14.6). ([3])
Esta mensagem é universal, como o foi, sem dúvida, a mensagem dada pelo Espírito Santo através do dom de variedade de línguas, no dia de Pentecoste! O resultado certamente foi o descrito por Paulo em 1 Coríntios 14.22: "De sorte que as línguas são um sinal, não para os fiéis, mas para os infiéis".
No dia de Pentecoste, duas coisas importantes com relação a interpretação da variedade de línguas podem ter acontecido:
    as línguas faladas eram o idioma materno de cada pessoa ali presente (At 2.8);
    a linguagem era espiritual, e Deus capacitou cada um dos presentes a compreender o significado das pala­vras (1 Co 14.21).
Seja como for, o resultado foi glorioso: Deus falou através do seu Espírito, e falou muito bem! (Hb 1.1; 2.4).



[1] CHAMPLIN, R. N. O Novo Testamento Interpretado. Milenium, 1982.
[2] Idem.
[3] SILVA, S. P. da. Apocalipse Versículo por Versículo. Rio de Janeiro, CPAD, 1995.

Assine Agora.

Receba Estudos Biblicos diariamente no seu E-mail.